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numa primeira análise. Podemos contar agora com o André Azevedo Alves, colunista do Observador. Obrigada por estar conosco, André Azevedo Alves, nesta emissão especial da Rádio Observador. Olhando para estes primeiros resultados oficiais, temos de facto aqui uma surpresa em relação às sondagens.

Parece que sim. Acho que se impõe neste momento bastante prudência na leitura dos dados que vão saindo. Há ainda, pelo que percebo, em termos de escrutínio, relativamente poucos dados. Mas parece de facto haver aqui uma diferença substancial no que agora é apresentado face ao que tínhamos do ponto de vista das sondagens. Provavelmente considerando o próprio sistema eleitoral em Espanha e a distribuição regional e o facto de os resultados finais dependerem muito dessa distribuição e dos diferentes graus de mobilização, dos próprios partidos que concorrem nas diferentes regiões serem em muitos casos distintos. Ou seja, partidos que são marcadamente regionais. Provavelmente, eu diria que teremos que esperar mais algum tempo até que o escrutínio avance para podermos ter uma ideia mais firme e mais segura do que se vai passar e se de facto os resultados irão ou não estar de acordo, ou mais ou menos em linha com o que as sondagens apontavam.

Até porque, e há esta informação que é importante dar, estes resultados que a TVE está a apresentar são resultados que resultam da projeção com base nos cerca de 7% de votos que já estão contados e com base nessa projeção, ao contrário do que as sondagens indicam, é o PSOE que vence com 129 deputados, contra 122 do Partido Popular. Relativamente à sondagem, alguma surpresa, André Azevedo Alves, com aquilo que indicam essas mesmas sondagens que conhecemos há cerca de uma hora?

As sondagens de há cerca de uma hora vão mais ou menos no sentido do que tinha sido a trajetória anterior das sondagens, mesmo até à última semana. E portanto, apontando para a tal vitória do PP sem maioria absoluta. E depois a questão seria se seria possível formar essa maioria com o Vox ou se mesmo com o Vox, o PP ficaria aquém da possibilidade de ter uma maioria e aí voltaria a estar em cima da mesa, e poderá voltar a estar em cima da mesa, um cenário em que o PSOE recorrendo a uma arquitetura complexa de apoios com partidos das várias regiões, poderia ainda assim manter-se no governo. Acho que agora a principal questão será ver se à medida que os votos vão sendo contados, se de facto se confirma ou não a vitória do PP, e nomeadamente a vitória com alguma margem do PP, ou se teremos um resultado que não vai de encontro a isso, e se teremos um resultado que vá contra o que as sondagens apontavam, caso em que a situação política em Espanha será diferente do que se previa nas últimas semanas.

Diogo, alguma surpresa com estas projeções avançadas pela TVE, tendo por base o número de votos que já estão contados e são nesta altura já cerca de 10%?

Não há grandes surpresas. Há algumas expectativas que ficaram goradas, isso sim. O PP esperava ter mais força que não tem. Voltando um bocadinho àquilo que referimos no início, o PP tinha dois cenários na cabeça: os 160 deputados sozinho ou então maioria absoluta com o Vox. Destes dois cenários, o único que ainda é possível é a maioria absoluta com o Vox, mas é um caminho que me parece bastante estreito. Podemos ou ir para uma situação de bloqueio, ou então a capacidade de resistência lendária e a criatividade de Pedro Sánchez podem fazer com que se criem condições para uma reedição do governo de esquerda. Mas como disse, e bem, ainda vamos em 10% do escrutínio. Ainda há muita noite pela frente, os números não são claros nem à direita nem à esquerda e portanto teremos ainda que esperar.

Alguma expectativa de quanto tempo é que demorará esta contagem de votos?

Não, mas seguramente mais duas horas e meia, três horas teremos seguramente.

Duas horas e meia ainda pela frente. A percentagem vai subindo aqui.

11% já.

É 11%, portanto aqui em poucos minutos vai subindo e agora com 128 deputados do PSOE, o PSOE à frente, 122 para o PP, 31 para o Vox, 26 para o Sumar e depois os outros partidos também. André Azevedo Alves ainda connosco também. Olhando para estes primeiros resultados, a aritmética vai ficando aqui também mais difícil.

Sim, como estava a referir o Diogo, é sempre possível, e não tenho estes dados, é sempre possível que a distribuição dos primeiros resultados possa não corresponder depois ao cenário que teremos quando tivermos uma percentagem mais substancial dos votos contados. E nem é preciso o PSOE ficar à frente, admitindo que teremos um resultado relativamente próximo, se isso se vier a confirmar Entre PP e PSOE, isso já inviabilizaria, a meu ver, praticamente qualquer possibilidade de o PP poder governar, ou pelo menos poder governar de uma forma minimamente estável. E mesmo que tivéssemos um governo do PP, seria muito provavelmente um governo a relativamente curto prazo até uma próxima crise política. Agora, de facto, acho que neste momento, provavelmente teremos mesmo que aguardar mais um pouco para poder comentar com alguma segurança ou com maior segurança os resultados e as projecções. Parece claro, desde já, que não são notícias muito favoráveis para o PP. Ou seja, na melhor das hipóteses, se as coisas correrem bem, os resultados poderão ir de encontro àquele que nem sequer era o melhor cenário ou o cenário mais desejado, e visto como possivelmente exequível para o PP, ainda que possa ainda assim corresponder a uma vitória do PP, mas não naquele que seria o seu cenário mais desejado.

Surpreendeu-o, de alguma forma, a confirmarem-se as projecões, esta descida abrupta do Vox?

Nesse aspecto, as sondagens iam apontando uma descida significativa do Vox. É possível que essa descida seja ainda maior do que as sondagens apontavam, mas praticamente as últimas sondagens apontavam para, relativamente às últimas eleições, para uma perda de peso significativa do Vox. Eu creio que a esse respeito, o PP e o líder do PP terão sido eficazes no apelo ao voto útil. O facto de a eleição ter sido bastante polarizada e ter sido feita quase como um referendo sobre o Sánchez, provavelmente terá beneficiado também, em parte, o PP pela percepção para algum eleitorado de centro-direita e direita de que derrotar Pedro Sánchez implicava que o PP tivesse uma vitória e tivesse uma vitória com alguma margem. E esses dados, provavelmente, e a incapacidade também do Vox para fazer passar os seus argumentos em campanha, terão provavelmente resultado nesta perda do Vox. Acho que aqui agora a questão será ver a escala dessa perda. E há dois aspectos, ou seja, não só a escala da perda, mas também se o Vox, no final da noite, depois de contados os votos, será relevante de alguma forma, ou se, e esse seria o pior cenário para o Vox, não só o Vox perde substancialmente peso e perde substancialmente deputados, como também será irrelevante para uma solução governativa, que será o que sucederá caso não seja possível ao PP liderar uma maioria.

Pelo que vamos percebendo por esta contagem dos votos, e já vamos em quase 14%, o Vox, que tinha 52 deputados, perde de facto bastantes, perde muito, mais de 20, à partida para 31 deputados, segundo os resultados como vão estando agora