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Muito obrigado, Sr. Presidente.

Vamos agora ouvir o líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro.

A receita eleitoralista que agora aqui nos anunciou mostra bem a falta de um plano de desenvolvimento económico e social para o país. Medidas avulsas, nenhuma visão de desenvolvimento económico para o nosso país. Sr. Primeiro-Ministro, queria dizer que o que se sente ao longo dos últimos meses é um apagão nas opções de política pública, da educação à ciência, da saúde, da cultura, da habitação. Não há políticas públicas, há um vazio, há lacunas nas opções de política do Governo. Sr. Primeiro-Ministro, os democratas portugueses estão hoje perplexos com aquilo a que têm estado a assistir. Estão perplexos, desde logo, com o fato de alterar a sua política do não é não, pela política do sim é sim. Política essa, traduzida na altivez da expressão do líder parlamentar do: "Habituem-se". Não, Sr. Primeiro-Ministro, não nos habituamos. O PS é a defesa da liberdade, da justiça, da igualdade e do humanismo. É isso que o PS será nesta Casa, Sr. Primeiro-Ministro. Sr. Primeiro-Ministro, estão estupefactos também com a mistura leviana da nacionalidade, da imigração e da segurança. Colocar tudo no mesmo saco é, em primeiro lugar, uma grave irresponsabilidade, porque ameaça a paz social e coloca em causa uma linha fundamental da nossa política externa na relação com os países africanos de língua oficial portuguesa, onde estão milhares de cidadãos portugueses e onde estão milhares de empresas portuguesas. Espero que o senhor tenha a consciência, quero alertá-lo, a si, ao Governo e ao seu grupo parlamentar, que tenha consciência dos efeitos nefastos dessas opções para uma linha fundamental com os países irmãos de língua oficial portuguesa. Sr. Primeiro-Ministro, é uma irresponsabilidade. Sr. Primeiro-Ministro, mas estão também estupefactos com o princípio de acordo anunciado pelo deputado que, do meu ponto de vista, até hoje nunca encontrei um deputado tão fanfarrão como aquele deputado que está a liderar aquela bancada. Sr. Deputado, queria dizer que é incompreensível que tenha sido anunciado um princípio de acordo. E tem duas opções, Sr. Primeiro-Ministro. Duas opções: ou desmente esse deputado ou aqui, na Assembleia da República, coração da democracia, tem que dizer em que é que consiste esse acordo, quais são os seus termos em relação ao futuro do nosso país. Sr. Primeiro-Ministro, permita-me que lhe diga ainda, permita-me falar sobre a saúde. O Sr. Primeiro-Ministro veio dizer que o país está melhor na saúde do que estava há um ano. Há um ano, Sr. Primeiro-Ministro, estávamos em agosto e estavam a prometer um plano para a gestão e a coordenação das emergências no país e hoje chega a este debate sobre o estado da nação e não apresentou nem respondeu às perguntas que lhe fiz sobre qual é o plano de coordenação das emergências para Lisboa e Vale do Tejo e para a Península de Setúbal, onde estão mais de 800 mil pessoas sem uma resposta estruturada, segura e previsível. Sr. Primeiro-Ministro, quando disse que a saúde estava melhor, lembremo-nos do líder parlamentar do PSD nesta Casa, que há uns anos disse que o país estava melhor, mas que os portugueses é que ainda não sentiam o que de fato estava melhor. Sr. Primeiro-Ministro, queria que ficasse claro: o Partido Socialista está aqui para defender as suas convicções, os seus valores e os seus princípios. Somos, como temos demonstrado, uma oposição firme e responsável. Nos últimos dias, aliás, fizemos chegar-lhe várias propostas para melhorar as respostas do nosso país, nomeadamente na resposta, na coordenação da emergência. Mas se o Sr. Primeiro-Ministro quer levar o seu Governo para os braços da extrema-direita, sabe que contará com uma oposição firme do Partido Socialista na denúncia dos valores que colocam em causa a marca de um país humanista, tolerante, aberto ao mundo e compreensivo. Esse é o país, essa é a nação portuguesa onde eu quero viver e onde quero que os meus filhos vivam no futuro. Um país humanista, que tem mais de cinco milhões de portugueses no estrangeiro, que não deixarão de sofrer os efeitos das opções que está a tomar. Seremos um partido responsável, firme, determinado, de proposta alternativa, mas nunca aceitaremos, porque nós não nos habituamos, Sr. Deputado Hugo Soares, nós não nos habituamos à desumanidade, à violência e ao ódio que estão a tomar conta da sociedade portuguesa. Disse.