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Boa tarde. Desde há seis anos, sem interrupção, com a Catarina, o Bloco tornou-se o terceiro maior partido português. Mereceu esse crescimento porque cumpriu dois objetivos que definem o nosso tempo: desmantelou o bipartidismo das maiorias absolutas e afastou a direita do poder. Com esta força do Bloco, Portugal tem agora a certeza de que não voltaremos a ter a maioria absoluta que protege a desigualdade social, nem a direita voltará ao governo. O que é que então faz do Bloco a maior força política da esquerda? Porque é a maior força da esquerda que não fugiu para o centro. Na vida, o que conta é coerência, clareza e força. Coerência foi vencer o governo da direita e fazer o acordo que começou a recuperação do salário mínimo ou das pensões e do emprego. Coerência foi proteger o povo quando começou a pandemia, com o confinamento e a defesa da testagem e vacinação massivas, não desistindo das medidas sociais que não esquecessem ninguém. Esta coerência é clareza. Quando o PS matou a geringonça em 2019, depois de não ter conseguido o poder absoluto e recusou um compromisso para medidas fundamentais por quatro anos, clareza foi nunca recuar nas prioridades. Serviço Nacional de Saúde, salários, direitos de quem trabalha. É deste partido que gosto, o que dá tudo por uma democracia responsável. Mas dizem-nos, vocês já ouviram, que agora acabou a crise, que o tempo já voltou para trás, que é o velho normal. O que é isso do velho normal? É normal bombardear a Palestina, é normal deixar morrer as populações porque as vacinas têm que dar lucro. É normal os imigrantes serem explorados nas estufas ou é normal um imigrante ser assassinado no aeroporto. É normal as máfias do trabalho temporário pagarem à jorna. É normal apontar-se a cor da pele para insultar ou um juiz desculpar a agressão a uma mulher com a religião. Não é. Não é. Normal é o respeito, normal é a liberdade e a igualdade. É por essa razão que a esquerda tem que saber o que quer. Em Portugal não há nenhuma ameaça maior do que o poder económico que tudo domina, que cria desigualdade, exploração, racismo, quer fazer da saúde um negócio e do emprego uma sorte. Por isso, quero dizer-vos uma certeza que tenho: quando a Mariana for ministra das Finanças, o Estado não será um porquinho mealheiro para pagar aventuras como do Novo Banco. Dívidas de €500 milhões não serão tratadas como traquinices garantidas por um palheiro ou uma mota d'água. Pois digam, não deveria o governo recusar a pirataria financeira? Não deveria proteger quem paga impostos? Não deveria cuidar do bom uso da coisa pública? Quando o PS no governo ameaça uma crise política para pagar à Lone Star, o que o Tribunal de Contas diz ser um abuso, quando custe o que custar, o dinheiro dos contribuintes é posto ao serviço de negócios que esbanjam bilhões. Não preciso vos explicar o que é o parasitismo. Cada dia que passa, ouvimos uma nova lição sobre o que é a extorsão e percebemos a falta que faz um Ministério das Finanças que defenda o povo. Bem sei que nos vão repetir que é uma questão de credibilidade. Na União Europeia ficam zangados se não calarmos e pagarmos. Sim, senhor, é credibilidade. Credibilidade é não enganar o país com contas mirabolantes, é cumprir o contrato dos contratos. Ninguém é dono do dinheiro público, a não ser o bem público. Queremos essa garantia de contas limpas. Digo ainda mais claro: o combate do Bloco nas finanças mostra o que tem que ser o governo que irá atrás do favorecimento e da corrupção. É disso que o país precisa, é da hora da esquerda. Portugal voltou. Ainda bem. Estou aqui para marcar encontro convosco, como sempre. Boa continuação.

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