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Estou com Patrícia Gonçalves, do LIVRE, para reagir à nomeação de Álvaro Santos Pereira como novo Governador do Banco de Portugal. Mais uma vez, muito boa tarde. Estamos a falar da nomeação de um economista que vem da OCDE, já passou também pelo governo de Passos Coelho entre os anos de 2011 e 2013. Na opinião do LIVRE, é uma escolha acertada do governo?
Muito boa tarde. Gostaria de começar por agradecer a Mário Centeno, que tem sido Governador do Banco de Portugal durante estes últimos anos e que tinha um perfil bastante adequado ao cargo que ocupava. Tinha conhecimento técnico, experiência e tinha peso político. E foi o Governador do Banco de Portugal que ocupou o cargo por um período mais curto nos últimos 30 anos. Esta nomeação de Álvaro Santos Pereira parece-nos uma nomeação claramente política para um cargo no qual a independência do poder político é fundamental. Isto preocupa o LIVRE e o que nós aguardamos neste momento é a audição do senhor Governador em sede de Parlamento.
E que dúvidas é que nessa audição prévia no Parlamento o LIVRE vai apresentar ou vai colocar a Álvaro Santos Pereira? Já referiram que era uma nomeação política. Na vossa opinião, a melhor decisão seria a recondução de Mário Centeno?
Esta nomeação de Álvaro Santos Pereira, até pelo que tem vindo a lume, não era o nome favorito e acabou por ser este. O que nos preocupa é que é um ex-ministro da Economia do passismo, do tempo da troika. Isto para nós não é um sinal positivo. Há uma incerteza grande no sistema financeiro internacional e ficamos com muitas dúvidas sobre a independência do cargo e também sobre o cariz, de alguma forma, que pode ser ideológico desta nomeação e aguardaremos. Iremos preparar a audição com certeza de acordo com as dúvidas que temos e também à luz da situação financeira internacional.
Mas para terminar, o LIVRE iria optar pela recondução de Mário Centeno no cargo de Governador do Banco de Portugal?
Quanto ao LIVRE, não...
Mas se o LIVRE tivesse a oportunidade de dar esse contributo.
Sim, nos parece, como eu já disse no início da intervenção e penso que foi claro, que Mário Centeno tinha um perfil bastante adequado ao cargo que ocupava, à experiência que ele tem neste cargo. Este é um cargo em que é necessária muita experiência, acompanhada por conhecimento técnico e era uma pessoa que, dadas as funções que já tinha ocupado na Europa, tinha peso político a esse nível e isso para nós é fundamental. E preocupa-nos porque realmente, como também já afirmei, ele esteve no cargo muito menos tempo do que os outros governadores do Banco de Portugal nos últimos 30 anos. Portanto, nós pensamos que seria uma solução adequada reconduzir Mário Centeno. Não tendo sido, agora iremos questionar o senhor Álvaro Santos Pereira, nomeado agora como Governador do Banco de Portugal, em audição em sede de Parlamento. Mas para nós é um ex-ministro de Passos Coelho, num governo que tem dado sinais de estar a dar passos atrás na política económica, do ponto de vista do trabalho, do ponto de vista dos direitos das pessoas, e estamos muito preocupados com o que se está a passar.
Patrícia Gonçalves, do Partido LIVRE, a reagir a esta nomeação de Álvaro Santos Pereira como novo Governador do Banco de Portugal. Sra. Deputada, mais uma vez, muito obrigado.
Muito obrigada e boa tarde.
Obrigado.