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Exatamente, Jorge Moreira da Silva acaba de entrar na sala, é recebido com muitos aplausos, gritos de "PSD, PSD" e já está no palanque, o candidato derrotado esta noite vai reagir a essa derrota. Já fala Jorge Moreira da Silva, vamos escutar.
Vitória, é o presidente do PSD e neste momento, obviamente, faço votos para que tenha êxito, o seu êxito será o nosso êxito. Quero começar por agradecer aos meus apoiantes, que estão espalhados por todo o país. Estão alguns aqui, mas estão espalhados pelo país, foram enviando mensagens durante o dia de hoje. Fizeram um trabalho extraordinário num contexto muito adverso. Nós começamos esta campanha há apenas cinco semanas, quando, obviamente, a outra candidatura estava no terreno há mais de três anos. Eu sabia ao que vinha. Eu sabia perfeitamente, quando me demiti da função de diretor-geral na OCDE, que o contexto era adverso. Nessa altura, mais de 90% dos líderes distritais e das estruturas regionais tinham declarado o apoio à outra candidatura. Mas eu não podia deixar de dizer "presente" num contexto em que sentia, e sinto, que o PSD está perante um problema estrutural e que o país, que tem tudo para vencer, vai vendo as suas possibilidades tragicamente adiadas. Eu não tive o apoio de nenhuma estrutura distrital, zero. Nenhuma estrutura distrital me declarou o apoio. Não tive o apoio de nenhuma estrutura autónoma, com exceção de uma estrutura informal, que é das mulheres sociais-democratas.
Jorge Moreira da Silva, aqui a lembrar que foi Luís Montenegro, apoiado pelas estruturas do partido, aqui o candidato assumido como candidato do voto livre, a referir precisamente esse facto.
E sabendo eu ao que vinha e as dificuldades que enfrentaria, fiz questão de fazer uma campanha que qualificasse a democracia, num país em que apenas 18% das pessoas confia nos partidos. Quis fazer uma campanha que dignificasse o papel dos militantes, porque o partido é deles, não é dos dirigentes. E quis fazer uma campanha que mobilizasse todos os portugueses para uma agenda capaz de reconquistar o nosso direito ao futuro, numa altura em que vivemos a crédito do planeta e vivemos a crédito dos nossos filhos. E a verdade é que a campanha que fizemos procurou, e julgo que conseguiu, cumprir estes objetivos de qualificar a democracia e de dignificar o papel dos militantes. Em primeiro lugar, porque quando me candidatei, quando me apresentei no dia 20 de abril, fi-lo tendo por base as convicções e não qualquer tipo de cálculo aritmético, tendo por base uma calculadora. Eu quando avancei, sabia perfeitamente que estava a desafiar uma probabilidade. Mas como dizia Francisco Sá Carneiro, a política sem risco é uma chatice e sem ética é uma vergonha. Eu não me perdoaria-
Aplausos para Jorge Moreira da Silva, que aqui cita Francisco Sá Carneiro para explicar que se candidatou perante uma probabilidade e para desafiar uma probabilidade.
Tendo desenvolvido durante tantos anos reflexão sobre os desafios nacionais e internacionais, que por tática ou por prudência mantivesse o plano no bolso, à espera que um dia me fossem buscar a Paris com a chave da São Caetano à lapa na mão. Isso não existe em política. Em segundo lugar, eu fiz uma campanha a valorizar as ideias. Na política, o que conta é o mercado das ideias. E não foi por acaso que quando apresentei a candidatura, fiz aquilo que normalmente não se faz, não me recordo mesmo de alguém que o tenha feito, que é uma declaração de candidatura que, na prática, foi a apresentação da Moção de Estratégia Global. A comunicação social, aliás, sublinhou a longa intervenção que fiz, as 17 páginas do discurso, porque eu não queria que ninguém viesse ao engano. Quis logo desde o primeiro dia, numa altura em que não tinha nenhum apoio, zero, que as pessoas tivessem noção que eu avançava no pressuposto que era necessário refundar o partido. Disse e repito que é importante refundar o partido em torno de novas linhas programáticas, modernizar e abrir o partido, tornando-o um partido de movimento orientado por causas, um partido de militantes, mas também de eleitores, que era necessário liderar uma oposição eficaz, alicerçada num governo-sombra, que era necessário unir o partido e que era necessário liderar uma vaga de reformas capazes de reconciliar e de reconquistar o nosso direito ao futuro. Eu nesta candidatura privilegiei o diálogo com os militantes, não fiz comícios. Estive em sessões com 300 militantes e em sessões com 14 militantes E tratei as sessões da mesma forma: uma intervenção detalhada e uma longa noite de perguntas e respostas. Assumi uma candidatura e uma campanha de base cidadã, frugal, próxima, digital, dialogante, muito explicada, sem autocarros, sem ecrãs gigantes, sem néons, mas com mais de 300 jovens voluntários que galvanizaram esta candidatura.
Jorge Moreira da Silva a destacar o percurso que fez durante esta candidatura, a lembrar que não teve o apoio das estruturas do partido, mas que teve muitos apoios independentes.
E de respeito pelos militantes, eu fiz tudo, fiz mesmo tudo, para que os militantes e os portugueses pudessem comparar projetos. Disponibilizei-me para fazer todos os debates, para que essa comparação pudesse ser realizada e, obviamente, lamento a reiterada indisponibilidade da outra candidatura para a realização desses debates, que contribuiu para não mobilizar os militantes e não mobilizar, e isto é o mais importante, os portugueses para o PSD. Quero deixar uma palavra agora a todos os militantes. Os militantes do PSD podem continuar a contar comigo.
Jorge Moreira da Silva, o candidato derrotado desta noite, garantiu que vai continuar ligado ao PSD.
Os portugueses conhecem-me e os militantes também me conhecem. Eu não tenho feitio para andar na guerrilha nem na beligerância. Eu contribuirei para a unidade do PSD e tanto eu como os meus apoiantes daremos todas as condições ao doutor Luís Montenegro para liderar o PSD com a sua moção e com a sua equipa. Eu espero que tenha êxito e, repito, o seu êxito será o nosso êxito. Mas tendo eu um plano para Portugal, não me peçam para dele abdicar. E não me peçam, nunca me peçam, para abdicar da minha liberdade. Eu fui livre no momento em que, contra todas as recomendações, me decidi candidatar. Eu fui livre durante toda a campanha eleitoral, sem qualquer tipo de negociação, e não estou agora disponível para abdicar da minha liberdade e da minha autonomia de pensamento por não ter vencido esta eleição.
Jorge Moreira da Silva, neste discurso de derrota, já deixou também uma palavra a Luís Montenegro, quem já ligou a felicitar pela vitória nestas diretas do PSD.
Eu não me conformo, nem me resigno, que um país que tem tudo para vencer, água, vento, sol, mar, floresta, biodiversidade, uma cultura, uma história, uma língua, com um potencial enorme, um posicionamento geoestratégico único, esteja permanentemente adiado no seu destino. Eu continuarei mobilizado no plano político pelo sucesso do PSD e continuarei mobilizado no plano cívico, na reflexão e produção de um modelo de crescimento sustentável. Quero agradecer a todos que me acompanharam nesta candidatura, ao meu diretor de campanha, o Carlos Eduardo Reis, ao coordenador da candidatura, o Miguel Goulão, ao mandatário nacional, Francisco Pinto Balsemão, à mandatária para o desenvolvimento sustentável, Lídia Pereira, mas também a todos os mandatários distritais, conselheiros, diretores de campanha. Agradeço ao João Montenegro, a organização da volta, ao Francisco Lucena, ao João Maria Jaunet, aos 300 voluntários, à estrutura nacional de candidatura, e eu vou me esquecer de nomes e peço desculpa por isso. Esta candidatura perdeu esta eleição, mas as suas ideias ganharam direito ao futuro. Muito obrigado por todo o apoio.