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Boa tarde. Abrimos agora uma emissão especial na Rádio Observador para acompanhar as eleições diretas do PSD. Há dois homens na corrida ao lugar que Rui Rio vai deixar livre. Luís Montenegro foi líder parlamentar nos tempos de Passos Coelho. Já tentou chegar à liderança do PSD num confronto com Rui Rio e Miguel Pinto Luz, mas falhou. Jorge Moreira da Silva nunca esteve nestas andanças. Concorre pela primeira vez à liderança do PSD depois de ter sido ministro do Ambiente num governo de Passos Coelho. Ao longo das próximas horas, vamos acompanhar os resultados em tempo real, ouvir os discursos dos protagonistas e passar tudo a pente fino com a análise de um vasto painel. Jorge Fernandes, Raquel Bacasis, Alexandre Homem Cristo, Miguel Morgado e Ana Rita Cavaco vão acompanhar-nos ao longo de toda esta noite e vão estar particularmente atentos às informações que nos vão chegar pela voz dos repórteres da Rádio Observador, que estão espalhados pelo país. Em Espinho está o quartel-general de Luís Montenegro. Jorge Moreira da Silva acompanha a noite eleitoral em Oeiras. Os militantes votam em quase todos os concelhos do país. Vamos estar nos três mais importantes: Lisboa, Porto e Barcelos. É a 11ª vez que o PSD vota em eleições diretas. Os cadernos eleitorais têm mais de 44 mil militantes aptos para votar. Vão escolher o 19º presidente do partido, se é Luís Montenegro ou Jorge Moreira da Silva, vamos ficar a saber aqui primeiro. Esta é uma eleição que se decide, como todas as outras, na intimidade da cabine de voto, de norte a sul. Vamos começar a tentar perceber como é que têm corrido estas cinco horas de votação. As urnas abriram às 14h, fecham às 20h, daqui a mais ou menos 45 minutos. O Ricardo Loureiro está em Barcelos, é uma das maiores concelhias do PSD. Ricardo, os militantes de Barcelos já estão despachados ou, à boa moda portuguesa, deixaram tudo pra última da hora?

Muito boa tarde a todos. Ainda há muitos militantes que a esta hora se encaminham para este local de votação, que é nada mais, nada menos, do que uma unidade hoteleira no centro da cidade de Barcelos. É, de resto, um dos locais habituais deste tipo de votações. Já o foi no último fim de semana de novembro do ano passado, aquando das últimas diretas, também o é neste mês de maio e nestas diretas que, paralelamente a estas diretas, em Barcelos, também se decide uma nova liderança em termos de PSD local, em termos da concelhia do PSD. As urnas que abriram às 14h, estamos a menos de uma hora do fecho, muita expectativa para o apuramento dos resultados. Resultados esses que deverão ser conhecidos por volta das 21h30. E por cá, pela concelhia do PSD, está também conosco José Padrão, ele que acompanhou e está a acompanhar o andamento destas votações e ele que é também um dos autarcas de uma das 63 freguesias do Conselho de Barcelos. Corrigindo, 61 freguesias, entre freguesias e também a união de freguesias. Seja muito bem-vindo, obrigado por ter acedido a este convite e desde já, que balanço podemos fazer desta votação em termos de adesão de militantes e se eventualmente aconteceu algum incidente que podemos aqui destacar?

Boa tarde a todos os ouvintes. As eleições aqui estão a decorrer normalmente, num universo de 1800 eleitores de militantes ativos, penso que poderemos ultrapassar a barreira dos mil, que considero muito positivo, até porque para a concelhia e para listagem dos delegados para o Congresso, só temos uma lista, e daí que normalmente quando acontece, a adesão não é muito grande. Mas podemos passar a barreira dos mil, como eu disse, que vem ao encontro das últimas eleições de novembro, que passamos os mil e consideramos uma votação razoável.

Quais são as expectativas para estas eleições? A concelhia, que já tem o vencedor anunciado. Falamos com ele durante esta tarde, Mário Constantino, que é também o atual presidente da Câmara Municipal de Barcelos, e também acerca dos dois candidatos à liderança do PSD nacional, independentemente de quem vença, quais são as suas expectativas também como militante?

Para a questão da concelhia, é sinal que o PSD em Barcelos quer unir, quer agregar e fruto da conquista da Câmara Municipal, penso que era elementar e lógico que houvesse esta união agora. Para a nacional, logicamente eu estou com um dos candidatos, mas ganhe quem ganhar, acho que no domingo o mais importante de tudo é que o candidato presidente consiga agregar, arrumar a casa, estruturar o partido e fazer uma oposição como o PSD deve fazer, como os portugueses esperam que o PSD faça.

Quer isso dizer que espera, acima de tudo, um PSD mais unido a partir já do dia de amanhã?

Diria não mais unido, mas mais esclarecido, mais focado no seu verdadeiro papel de oposição, apresentar propostas ao país, defender o superior interesse dos portugueses e propostas concretas que vá de encontro às necessidades que os portugueses sentem. E voltar às raízes do PSD, que era o partido do povo e penso que o grande trabalho do próximo líder será esse, não preocupar-se com união, mas sim ir ao encontro da população, ir ao encontro dos portugueses.

É um dos temas que temos também lançado aos nossos convidados nesta emissão especial, também já durante a tarde, naquilo que tem sido o nosso trabalho de reportagem, tem a ver com o fato de nenhum dos candidatos fazer parte do grupo parlamentar na atualidade. Isso poderá ser ou não uma desvantagem para o próximo líder do PSD?

Lógico que se o próximo líder do PSD estivesse na bancada parlamentar, seria muito mais fácil fazer esse trabalho de oposição. Mas penso que com a lista de deputados que temos e se todos estiverem focados no trabalho de oposição, o próximo líder terá que fazer essa ponte com os deputados e os nossos deputados têm qualidade para exercer o seu papel de oposição e defender o PSD em prol da população portuguesa. Eu penso que é por aí que o próximo líder tem condições para conseguir fazer um bom trabalho.

Estamos a falar de cerca de 1900 militantes que reúnem as características para poderem votar nesta tarde até às 8:00 da noite. Quais são as suas expectativas? Falou aqui do número de 1000, recupero lá esse valor que espera que seja o número total de votantes nesta tarde.

Até meio da tarde a adesão foi um bocadinho medíocre, mas entretanto, agora no final da tarde, começamos a recuperar e penso que poderemos andar entre os 1000, 1100 militantes a votar.

Muito obrigado e resto de uma boa tarde, final de tarde e início de noite. Aqui estivemos à conversa com o José Padrão, ele que é também um dos autarcas de uma das freguesias do Conselho de Barcelos, uma das 61 freguesias do Conselho de Barcelos. Resultados, como aqui ouvimos, deverão ser conhecidos por volta das nove e meia da noite, por cá, na Concelhia de Barcelos.

Vamos ficar atentos, Ricardo Loureiro, a uns 60 quilómetros de ti está a Ana Catarina Peixoto, está no Porto. Catarina, e por aí, há muitos militantes a votar ainda a esta hora?

Sim, ainda há alguns militantes que por aqui chegam e continuam a votar. Tem sido assim desde as duas da tarde, altura em que as urnas também abriram aqui na sede distrital do PSD, no Porto. Mas para fazer um balanço mais específico sobre como tem corrido toda esta tarde de votação, tenho comigo Alberto Machado, o presidente da Distrital do Porto. Como é que tem corrido esta tarde de votação?

Bom, a tarde da votação tem corrido com normalidade, temos tido sempre militantes a acorrerem com frequência, não temos tido nenhuma paragem na afluência às urnas. No entanto, do ponto de vista numérico, o que está a acontecer é que efetivamente temos cerca, neste momento, de 55% de afluência, portanto, 45% de abstenção. É certo que ainda falta pouco tempo para terminarem as urnas, que encerram por volta das 20h. E há aqui, de certa forma, uma perceção de que está a votar pouca gente. No entanto, julgo que isso também terá a ver um pouco com a comparação que é feita com as últimas eleições. Por tradição, numa eleição distrital, numa eleição concelhia, o número de votantes é sensivelmente aquele que está a votar desta vez. Na última eleição nacional, efetivamente, os dois candidatos eram do Conselho do Porto. A taxa de votação foi na casa dos 83%, veio votar muito mais gente, cerca de mil pessoas que votaram num caderno de 1200. Neste momento, num caderno de mil, temos já mais de 550 militantes que vieram exercer o seu direito e dever de voto e estamos, naturalmente, com menos afluência do que aquela que foi há seis meses, mas julgo que também compreensível pelos diferentes fatores que temos aqui em presença, não só esta questão que tem a ver com o facto da última vez termos tido dois candidatos que eram do Conselho do Porto e isso levou a que os militantes do Porto também acorressem mais a essa eleição, como também o facto de termos tido aqui alguns militantes que, fruto da pandemia, estão isolados, outros que, como muitos portugueses, aproveitaram este fim de semana de sol para estarem para fora. E notou-se que houve vários militantes que fizeram chegar essa informação, que não estariam presentes e, portanto, por isso não puderam votar.

E a menos de uma hora do encerramento das urnas, quais são também as expectativas para toda esta eleição? Amanhã, o que é que espera do PSD também?

Amanhã, o PSD só mudará de liderança nos dias um, dois e três de julho, particularmente no dia três, que é quando é eleita a Comissão Política Nacional em Congresso. Ainda teremos que esperar quase um mês para que haja uma nova Comissão Política Nacional, mas será eleito e estará escolhido aquele que os militantes do PSD entendem ser o melhor candidato para enfrentar os próximos dois anos, que serão anos que o PSD terá naturalmente que fazer um trabalho muito profundo, de alargamento da sua base de militância e de votantes, um pouco ao contrário da estratégia que foi seguida até agora e que não resultou, uma estratégia de centrar o PSD demasiado ao centro, indo ou deixando soltos, utiliza-se essa palavra porque permite exprimir um bocadinho melhor aquilo que eu penso, deixando soltos um conjunto de votantes do PSD, votantes tradicionais do PSD, mas que são mais de direita moderada e que não se reviram neste PSD tão ao centro que o doutor Rui Rio introduziu no partido. E acho que qualquer um dos candidatos que venha a vencer as próximas eleições, uma das preocupações que terá, será exatamente fazer novamente esta abertura do PSD à sociedade civil

E também criar novamente um partido de largo espectro, como sempre foi o PSD. O PSD sempre foi um partido com várias tendências, da direita moderada ao centro-esquerda. E é assim que nós queremos que continue a ser ou que passe a ser após a saída do doutor Rui da presidência do partido.

Muito obrigada, Alberto Machado, líder da distrital do PSD no Porto, a fazer também um balanço desta votação, que desde as 14h está a decorrer também aqui no Porto. Como ouvimos, cerca de 55% de afluência, ainda faltando menos de uma hora, mas 55% de afluência, números inferiores às eleições de novembro. Ouvimos aqui também algumas explicações, mas ainda assim continuam a chegar alguns militantes para nesta última hora exercerem o seu direito de voto e assim escolherem também o próximo presidente do partido.

E quem esteve aí também já a fazer essa escolha foi Rui Rio, Ana Catarina Peixoto.

Sim, Rui Rio chegou aqui à sede do Porto poucos minutos depois das 17h, votou rapidamente e, sem querer revelar qualquer preferência quanto aos dois candidatos, falou também sobre o futuro político, que diz termina por aqui.

O meu futuro político, neste momento, não é nenhum. Acabou aqui, ponto final, parágrafo. É isto que está na minha cabeça neste momento.

O ainda líder do PSD falou também no passado, assumiu que a liderança da oposição é dos cargos políticos mais difíceis, mas deixou também ainda desejos para o partido no futuro.

O que eu quero, acho que é o que, na prática, deveriam querer todos os portugueses, mas pelo menos aquilo que querem todos os militantes do PSD, que é que o PSD consiga continuar um partido muito grande. O PSD tem, neste momento, mais de um terço da Assembleia da República, tem o Governo Regional da Madeira, tem o Governo Regional dos Açores, tem, salvo erro, a presidência de 113 câmaras municipais, entre as quais Lisboa, Coimbra. Aquilo que todos nós queremos é que o PSD não ande para trás e ande mais para frente. Se hoje tem isso tudo, que amanhã ainda possa ter mais. Os militantes desejarão isso, seguramente. Os portugueses já não digo tanto, mas desejarão seguramente ver o PSD como um partido de alternativa, na verdade.

Foram as últimas palavras do Rui Rio antes do PSD eleger também o novo presidente, numa altura em que, como disse, falta pouco tempo para as urnas encerrarem, não só aqui no Porto, que é um dos locais mais importantes a nível nacional também para estas eleições, mas um pouco por todo o país. Falta menos de uma hora para o encerramento das urnas.

São mais ou menos 36 minutos, neste momento, que faltam para o encerramento das urnas. Ana Catarina Peixoto em direto a partir do Porto. Vamos até Lisboa, ao encontro do Mário Silva da Costa. As urnas estão, como já percebemos, Mário, quase a fechar. Está a votar mais ou menos gente aí do que nas últimas diretas do partido?

A votação está muito semelhante nestas eleições em relação às últimas diretas, mas quem melhor do que o presidente desta mesa de voto para nos dar esses dados? Junto a mim tenho Cláudio Mazi, a quem começo por perguntar: em relação às eleições de novembro, como é que está a afluência? E pergunto-lhe se pode dar alguns números.

Com certeza. Muito boa tarde. Em primeiro lugar, agradecer ao Observador esta cobertura noticiosa das eleições do PSD. As eleições estão a decorrer dentro da normalidade, dentro do espírito democrático que nos caracteriza como partido social-democrata, dentro da nossa história. Relativamente à afluência, está mais ou menos em linha com as eleições anteriores do passado mês de novembro. Já votaram mais de mil votantes, neste momento, mil votantes da concelhia de Lisboa, e tudo tem corrido dentro da normalidade que nos caracteriza.

Entende que estas eleições são importantes para conseguir unir o partido?

Eu aí não lhe posso responder como presidente da mesa da concelhia do PSD de Lisboa, mas sim como militante de base. Eu penso que sim, as eleições são sempre clarificadoras. E os portugueses conferiram-nos o mandato de oposição e obviamente nós iremos cumprir com estes quatro anos de oposição e obviamente que é importante que o PSD saia clarificado depois destas eleições internas.

O facto de o futuro líder do partido não estar presente no Parlamento pode ser uma desvantagem para o futuro do partido?

Aí também não lhe posso responder como presidente da mesa, mas sim como militante de base. A minha visão é que obviamente o futuro presidente do PSD a nível nacional encontrará estratégias de comunicação para conseguir fazer o seu combate político e apresentar as melhores ideias aos portugueses neste período, que serão obviamente quatro anos de oposição ao Partido Socialista.

Muito obrigado. Tive Cláudio Mazi, o presidente desta mesa de voto aqui na Escola Manuel da Maia, em Campo de Ourique, onde continuam a chegar militantes do PSD, mesmo nas últimas horas, militantes que vão votar naquele que é o próximo líder, que será Luís Montenegro ou Jorge Moreira da Silva.

É essa a grande dúvida para esta noite. Mário Silva da Costa, Ana Catarina Peixoto e Ricardo Loureiro, os três repórteres da Rádio Observador que estiveram ao longo da tarde a acompanhar a votação dos mais de 44 mil militantes do PSD, que hoje são chamados a escolher um novo líder. Também vamos estar sempre com via aberta para tudo o que possa acontecer em Espinho e em Oeiras, as cidades escolhidas por Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva para acompanharem esta noite eleitoral. Para já, dou as boas-vindas à Raquel Abrucassys, colunista do Observador, e também ao Jorge Fernandes, também colunista do Observador e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Bem-vindos. Raquel, se calhar, propunha que começássemos precisamente por fazer as despedidas de Rui Rio. Rui Rio disse há poucos minutos, quando foi votar, que o futuro político dele não é nenhum, acabou por aqui, ponto final, parágrafo. É assim mesmo ou, como Santana Lopes dizia, ele vai andar por aí?

Eu acho que é Rui Rio igual a si próprio. Por acaso não acho que Rui Rio tenha grandes semelhanças com o perfil e com a abordagem à política de Pedro Santana Lopes, que aliás, ainda ontem não perdeu a oportunidade para dar a sua opinião sobre as eleições internas do PSD, do qual saiu, que é sempre um facto curioso, continua-se sempre a perceber que ele tem saudades e que se calhar gostaria de estar também nesta disputa. Mas Rui Rio, eu acho que definitivamente não terá muito mais a fazer na política, olhando para o perfil que ele tem, olhando para aquilo que ele não conseguiu, e perfilando-se num futuro a médio prazo, aquilo a que ele poderia concorrer era à Presidência da República, mas acho que nesta área política já há candidatos a prepararem essa corrida há bastante mais tempo e com bastante melhores condições do que aquelas que ele tem. Portanto, eu diria que Rui Rio mais daqui a uns meses será um comentador reputado e muito disputado nos vários órgãos de comunicação social para dizer o que pensa sobre o partido cuja liderança ele deixa agora. E acho que como sempre acontece na política portuguesa, estes líderes que não tiveram muito sucesso na liderança, depois têm muito sucesso no peso do seu comentário. Já foi assim no passado, depois de ter sido presidente da Câmara do Porto, ele até chegar à liderança do PSD, foi sempre aquele comentador que ia deixando as suas farpas e que ia deixando sinais daquilo que quereria ainda fazer na política. Eu acho que ele agora vai se limitar a ser um comentador com um peso muito específico e com um interesse muito específico, não só para a vida interna do PSD, mas também para todo o mundo político.

Não tanto pelas declarações que ele fez agora à tarde, mas pelas que tem feito mesmo depois das eleições legislativas, Rui Rio parece que sai sem perceber exatamente o que é que correu mal. Ou não?

Eu acho que ele acha. Aliás, ele esta tarde acabou por dizer isso. Se as eleições fossem hoje, ele acha que haveria um resultado diferente. Portanto, eu acho que ele nunca percebeu o que é que aconteceu e, de facto, eu acho que Rui Rio, que funcionou muito bem numa lógica de presidente da Câmara do Porto, dizendo sempre aquilo que pensava, naquele jeito antipolítico e de eu digo aquilo que penso, independentemente do gostarem ou não, essa abordagem não funciona a nível nacional e provou-se que não funcionou a nível nacional. E eu acho que Rui Rio sente-se um incompreendido. Acha que o país o desperdiçou. Desde a noite eleitoral. Aliás, vocês têm um spot que deu abertura a este programa, em que Rui Rio faz, numa noite de derrota, o impensável, que é responder em alemão a um jornalista que insistia numa pergunta que era óbvia naquela noite, que era o que ele iria fazer no futuro. E Rui Rio é assim, ele nunca percebeu. Ele chegou à noite eleitoral depois daquele resultado que deixou todo o país de boca aberta, achando que era o país que não o tinha percebido. E hoje, passados dois meses ou três meses, no dia em que elegem o seu sucessor, ele volta a dizer, é uma das suas mensagens principais: se as eleições fossem hoje, eu estou convencido que o resultado seria diferente, porque agora se está a verificar aquilo que eu disse no passado. E, portanto, eu acho que ele sai claramente a achar que foi uma bala preciosa que o mundo político e que o PSD não soube aproveitar.

Vamos perguntar também ao Jorge Fernandes, que se junta também a esta nossa emissão à distância. Jorge, ouvimos Rui Rio dizer que põe um ponto final na política, o futuro político termina. Acreditas nestas declarações ou ainda há aqui alguma margem para Rui Rio na política nacional?

Acredito. Acho que não há nenhum motivo para Rui Rio acalentar qualquer tipo de esperanças no futuro político dele, nem há realmente nenhum posto, digamos, para onde é que ele iria agora? Já foi presidente da segunda maior câmara do país, teve duas tentativas falhadas de chegar a primeiro-ministro. Realmente, o único cargo a que poderia eventualmente concorrer seria presidente da República, mas não me parece remotamente que esteja dentro dos planos dele. E ele está completamente afastado de todos os jogos que já sabemos que vão decorrendo nos bastidores acerca de quem será uma espécie de primárias não oficiais à direita. Portanto, parece-me seguro que Rui Rio realmente hoje termina a carreira política dele, pelo menos a esse nível, e acho que poderá fazer aquilo que a Raquel estava a dizer, que é eventualmente tornar-se comentador, embora isso, na minha opinião, seja profundamente negativo. A proliferação que nós temos em Portugal de comentadores que são ao mesmo tempo ou políticos ou ex-políticos e que na verdade estão sempre a utilizar um chapéu duplo, digamos assim, que são imensos, tanto à esquerda como à direita, só para falar de dois, Francisco Louçã e Manuela Ferreira Leite, quer dizer, eu acho profundamente desinteressante o que quer um, quer outro tenham para dizer, porque eu já sei exatamente o que cada um vai dizer, tem a sua agenda, em muitos casos, pessoal, enfim, mas não há rigorosamente nada interessante.

Alguns estão, pelo menos em teoria, a preparar um determinado caminho político também.

Isso então é ainda pior. Se é mau termos pessoas como, por exemplo, Manuel Ferreira Leite, que manifestamente está fora da política ativa, ter alguém que está no comentário político ativo a utilizar o comentário político como uma carreira ou como um mecanismo para conseguir chegar a algum lado politicamente, que de resto foi o que Marcelo Rebelo de Sousa fez. Eu escrevi um texto no Observador há dois anos a dizer que o único sucesso eleitoral que Marcelo Rebelo de Sousa teve na vida foi ser presidente da República. De resto, falhou em tudo. Não conseguiu vencer a Câmara de Lisboa, foi um líder do PSD falhado e depois ganhou a presidência da República construindo uma coligação de boas vontades através do comentário político e da sua imagem televisiva, que manifestamente me parece curto, mas os portugueses gostam.

Jorge, peço desculpa de interromper, mas só para dizer que do meu ponto de vista, eu acho que não estou a ver Rui Rio a ser um comentador frequente em algum meio de comunicação social. Acho que ele tentou sempre seguir o modelo Cavaco Silva, e que ele vai gerir a palavra dele para justificar a sua narrativa, ele vai fazer política gerindo a sua palavra e o seu silêncio. Sinceramente, também não estou a vê-lo como um comentador habitual, mas uma pessoa que vai pontuar o seu discurso para causar algum efeito na política interna do PSD, mas também na política nacional. Eu acho que ele não desistiu de querer fazer oposição a António Costa, embora todos reconheçamos que não a fez bem, mas eu acho que ele não vai perder uma oportunidade de cada vez que as suas teses, segundo ele, se provarem, de querer reexplicar o seu discurso de campanha eleitoral e dizer: "Eu tinha razão, estão a ver?"

Sim, concordo perfeitamente com isso. Eu não conheço Rui Rio pessoalmente, mas toda a imagem pública que ele tem e todo o perfil que foi construído ao longo das últimas décadas, de facto, não me parece que ele tenha até a vontade de estar a fazer um comentário semanal, de falar de tudo e mais alguma coisa. Eu também concordo absolutamente que ele poderá adotar esse modelo mais à Cavaco Silva, de falar estrategicamente com um artigo de jornal ou uma entrevista em que vai tentar limpar ou retrospectivamente conseguir provar que ele tinha razão. A velha frase que Cavaco Silva sempre utilizou do: "E eu avisei." Sem dúvida nenhuma, concordo absolutamente com isso. Não sei se podemos abordar também a questão de tentar fazer um balanço da liderança do Rui Rio.

Era isso mesmo. Era até nesse sentido que eu agora ia perguntar se Rui Rio sai, e sai agora com estas eleições diretas, mas se não deveria ter saído mais cedo e que balanço é que fazem também destes anos de Rui Rio à frente do PSD.

Sim. Se começo eu então. Há várias coisas a dizer a este ponto. Eu acho que há uma questão central que a direita ainda não conseguiu resolver, não conseguiu pensar, e que o Rui Rio foi extremamente útil à direita nos últimos anos, pelo seguinte motivo: foi a cortina de fumo perfeita e foi o culpado perfeito para a direita que está absolutamente sem ideias, por um lado. Por outro lado, está a haver o aparecimento de novos competidores à sua direita, a Iniciativa Liberal e o Chega. Quando eu digo aqui à direita, portanto, o PSD. E em terceiro lugar, é uma direita que não tem um programa alternativo ao Partido Socialista. Eu li com atenção os dois programas com muito detalhe, até por causa da questão do Votómetro, quer do Jorge Moreira da Silva, quer do Montenegro, e é uma cambada de clichês totais, sem qualquer ideia para o país. Podem ter uma medida ou outra, que é ligeiramente diferente do Partido Socialista, mas de facto, a direita está sem ideias. E eu acho que Rui Rio foi perfeito como um mecanismo para a direita ter que se evitar ver ao espelho e podia sempre dizer: "Bem, a culpa dos nossos resultados ou a culpa da situação em que estamos é do Rui Rio." Agora que o Rui Rio vai sair de cena, durante uns meses a culpa vai ser do estado em que o Rui Rio deixou o país.

É o habitual.

Claro.

Mas também há um prazo, não é?

Como?

Também há um prazo para se usar essa desculpa.

Sim, claro. Às vezes não. António Costa e o gente de esquerda que em 2021 e 2022 clamava por Passos Coelho e que a culpa era de Passos Coelho. Eu concordo com isso, mas às vezes o prazo é algo um bocadinho estranho na política portuguesa. A minha conclusão geral, eu não concordo que a liderança de Rio em si mesma tenha sido um desastre, e acho que foi muito útil a muitas pessoas como um mecanismo para ter facilidade de dizer: "Bem, o problema da direita é o Rui Rio, e o Rui Rio é o que está agarrado ao PTER, e os maus resultados dizem respeito ao Rui Rio. No fundo, nós livramo-nos do Rui Rio e vamos ser altamente competitivos com o Partido Socialista e vamos novamente conseguir disputar eleições de forma mais ou menos competitiva com o Partido Socialista." E eu acho que isto não é verdade, de todo. Sob esse ponto de vista, acho que Rui Rio vai ficar satisfeito daqui a uns anos, não com as questões, mas quando vir que o PSD, se não fizer alguma coisa muito extraordinariamente diferente, o que eu não acredito que aconteça, vai ter exatamente os mesmos problemas que teve durante a liderança dele e que tem neste momento.

Raquel, concorda que quem vier a seguir vai ter as mesmas dificuldades que o Rui Rio? E já agora fazendo também um balanço do Rui Rio.

Eu concordo e discordo. Concordo com as dificuldades, discordo com esta opinião do Jorge de que não foi um desastre a liderança de Rui Rio, porque eu acho que foi a machadada final para um PSD que estava a tentar situar-se depois do governo da troika. Mas eu recordo que antes das primeiras eleições a que o PSD concorreu com Rui Rio, o PSD, liderado por Passos Coelho, ganhou as eleições. Depois houve aquele episódio e é verdade que esse episódio deixou Pedro Passos Coelho sem estratégia e depois também ali num fim de mandato um pouco perdido. Mas a verdade é que, apesar disso, o PSD vinha de vitórias até a chegada de Rui Rio. E eu acho que Rui Rio, tudo o que tentou fazer à frente do Partido Social Democrata, era exatamente aquilo que o eleitorado à direita não queria e que não devia fazer estrategicamente. No fundo, a grande estratégia de Rui Rio e aquilo que ele teria querido era fazer um bloco central com António Costa, claramente. E tentou por várias vezes, tentou de maneira mais direta no início do seu mandato, mas depois não desistiu, eu diria quase até à última. Aliás, já nesta fase, ele ainda tentou apresentar o seu projeto de revisão constitucional, já depois de ter perdido as eleições, para se tentar entender com o Partido Socialista e deixar essa marca, apesar de tudo, do seu consulado. E, portanto, eu acho que é verdade que o caminho do PSD se tornou bastante mais estreito e bastante mais difícil, mas estes quatro anos de Rui Rio à frente do PSD foram fatais para deixar as pessoas desiludidas e sem saber em que partido é que estavam a votar quando estavam a votar no PSD.

E abrir também mais margem para os partidos à direita, não é?

E abrir claramente mais margem pra partidos que se sabiam o que é que eram. O que eu acho que aconteceu nestes anos, e sobretudo na última campanha eleitoral, é que o PSD não sabia pra quem é que estava a falar, não tinha, no fundo, um cliente a quem satisfazer. E, portanto, isso deixou o eleitorado muito baralhado, deixou o PSD muito baralhado. Eu acho que deixou o PSD bastante mais pobre. E eu acho que estes dois candidatos, embora eu acho que os candidatos também são como os melões, temos que abrir e depois perceber o que é que dão. Aliás, Passos Coelho foi um bom exemplo disso. Quando ele chegou à liderança do PSD, ninguém dava muito por aquela liderança e depois houve quem gostasse e quem não gostasse, mas a verdade é que foi um líder marcante do PSD. E, portanto, dou o benefício da dúvida a estes dois, mas ver o PSD ter estes dois candidatos à liderança e mais ninguém, e perceber que já no leque de disponíveis putativos candidatos não há ninguém muito melhor do que estes dois, eu acho que dá bem a nota do estado a que chegou o PSD.

Essa é uma nota importante pra começarmos também a avançar pra aquisição.

Só pra dizer mais uma coisa. Eu já disse isto muitas vezes depois das eleições. Eu não acho que a grande questão do PSD seja uma questão de liderança. Acho que a grande questão do PSD é reencontrar-se e perceber pra quem é que está a falar e o que é que tem pra propor ao país. Se calhar não são coisas muito diferentes daqueles tópicos e daquelas reformas que todos já sabemos que são necessárias de fazer, mas é preciso que o PSD volte a ganhar massa crítica e volte a ganhar personalidade própria, e isso perdeu-se, e Rui Rio deu uma grande ajuda pra que isso se diluísse completamente nos últimos anos.

Jorge Fernandes, continua a haver espaço pra que o PSD continue a ser um grande partido da direita e um grande partido de poder?

Sim, eu creio que continua. Há aqui duas coisas que eu gostava de dizer. Em primeiro lugar, o cenário político de Passos Coelho, 2011, enfim, foi um caso muito especial, mas 2015 é um cenário político radicalmente diferente daquele que qualquer líder do PSD enfrenta, especialmente em 2022. Porque o aparecimento da Iniciativa Liberal e do Chega mudou completamente o esquema competitivo e os padrões de competição à direita. Aliás, veja-se o que aconteceu ao CDS, que enfim, para surpresa de muitos, incluindo eu próprio, desta vez nem conseguiu ser eleito, eleger sequer um deputado. O motivo pelo qual eu não concordo com a ideia de que o Rui Rio teve uma estratégia falhada é o seguinte: o sistema partidário português demorou a reagir e demorou a começar a mudar, como os seus congéneres europeus. Portanto, Portugal está mais ou menos, enfim, é o canônico, vem dos livros, está há 10 a 15 anos atrasado nestas coisas em relação à Europa e muitas das mudanças que começamos a ver em muitos países europeus, com o aparecimento de partidos à direita do partido principal daquele arco competitivo, Portugal começou a perceber isso muito mais recentemente. E eu acho que o que muitas pessoas no PSD não perceberam, quer dizer, ou à direita ainda não perceberam, é que o PSD nunca mais vai voltar, quer dizer, eu digo nunca mais Com todas as aspas possíveis. Mas nunca mais vai voltar àquelas grandes vitórias dos 36%, 37%, 38%, 40%. Isso não existe, isso acabou. E aí eu acho que Rio está a pensar a coisa de forma inteligente, porque percebeu que o PSD não pode crescer pra direita. Isso acabou. O espaço político à direita do PSD está tomado, está definido com a Iniciativa Liberal, com o Chega. O futuro do PSD passará por ser o partido que é hoje, isto é, na casa dos 28%, 30%, ou talvez menos, e por coligações com o Iniciativa Liberal ou o Chega. O que nós vemos na esmagadora maioria dos países europeus é que já não existem partidos, quer à esquerda, quer à direita, que tenham um domínio fortíssimo na sua área de poder. Por exemplo, o PS é uma total excentricidade no caso europeu, em que quase todos os países, o partido pivô do respectivo campo político anda volta dos 20, 20 e poucos por cento, e depois há um conjunto de partidos pequeninos ali à volta, que serão 5%, 10%, e fazem uma coligação, e aquele bloco à direita ou à esquerda governa.

Ia só aproveitar para dar as boas-vindas também ao Alexandre Homem Cristo, que já está aqui conosco, e dar a indicação de que a emissão especial da Rádio Observador está também a ser feita em vídeo através das redes sociais, Facebook e YouTube. E quem nos está a seguir por estas plataformas percebeu que a Raquel Lucas estava a torcer um bocadinho o nariz àquilo que o Jorge Fernandes estava a dizer, nomeadamente naquela questão do PSD já não ter grande espaço à direita, ou ter grande espaço à direita, não sei qual é a sua opinião, para crescer.

O que eu acho é que o PSD ainda pode e deve conquistar votos à direita. Eu acho que é verdade que o Chega e a Iniciativa Liberal marcaram ali um terreno que é deles e que é muito difícil reconquistar esse eleitorado fiel, mas ao mesmo tempo que tem um eleitorado fiel, também tem um eleitorado volátil que não se revê totalmente na Iniciativa Liberal, que sendo um partido, eles dizem ser de centro, mas que nós colocamos no lado direito até do Parlamento, mas também do espectro político português. É um partido que eu costumo identificar como o bloco de esquerda da direita, no sentido que é um partido muito ideológico e que eu acho que há muita gente que terá votado na Iniciativa Liberal ou que é potencial eleitorado da Iniciativa Liberal, mas que não se revê totalmente naquele tipo de voto e que gostava, espera e olha pro PSD como uma possibilidade de partido em quem votar, desde que seja um partido que vá ao encontro desse tipo de eleitorado. Assim como grande parte do eleitorado do Chega que tem, de fato, alguns fiéis, e tem com certeza, mas tem também o voto de protesto. E esse voto de protesto é também de pessoas e eleitores tradicionais do PSD e do CDS, mas que não se reveem nesta deriva de confusão em que os dois partidos se tornaram, sendo que o CDS eu tenho poucas expectativas que venha a renascer, e portanto sobra o PSD pra essa franja de eleitores que se reconhecem à direita, mas que não se sentem completamente fiéis daquele dogmatismo ideológico da Iniciativa Liberal ou daquela imagem de protesto do Chega que eu continuo a pagar pra ver como é que vai evoluir agora que tem maior representação parlamentar e agora que começamos a assistir a tudo aquilo que são as confusões daquele partido. Eu tenho alguma curiosidade de perceber como é que esta legislatura vai funcionar pro Chega. Tenho mais certezas em relação à Iniciativa Liberal.

Alexandre Homem Cristo, bem-vindo, boa tarde. O PSD tem ou não tem futuro?

Boa tarde.

Mal de nós se não tivesse.

Exatamente, até porque, apesar de tudo, sendo a versão do Jorge que ser um partido nos 20 e tal por cento ou não, será sempre o partido líder daquele espaço à direita do PS. Naturalmente será sempre um partido a liderar esse espaço, independentemente da escala e do número de votos que consiga alcançar. Eu diria aqui duas coisas sobre esta discussão. A primeira coisa é que o espaço do PSD à direita é um pouco difícil de prever. Nós agora estamos a olhar pra resultados eleitorais frescos, digamos assim. Tivemos uma ascensão muito grande do Chega e da Iniciativa Liberal, mas nós não fazemos ideia, como a Raquel dizia agora, há uma certa imprevisibilidade sobre como é que estes partidos vão consolidar-se. A Iniciativa Liberal parece estar a fazer um caminho um bocadinho mais robusto do ponto de vista de criação de bases e de consolidação do seu eleitorado, mas mesmo nesse contexto, estamos a falar de um eleitorado que é maioritariamente urbano e muito jovem, e que ainda não tem expressão para rivalizar ou pelo menos tirar a atenção mediática ou o peso político que possa ter o PSD. E do outro lado temos o Chega, que é um partido que se implodisse daqui a dois anos, nós não poderíamos propriamente ficar surpreendidos. Temos assistido a inúmeras situações de militantes do Chega que se desfiliam, vereadores que se desfiliam do partido e passam a ser independentes e a não representar o partido. Muitos quadros, fundadores que saem. Aliás, o Observador fez uma reportagem precisamente sobre esse assunto, de os fundadores estarem em choque, em confronto com André Ventura e estarem a sair do partido. É um bocadinho difícil prever o que é que vai acontecer ao Chega e se o Chega implodisse, ou pelo menos tivesse

um bloqueio, porque teve este efeito novidade, mas uma vez esgotado esse efeito, será que o Chega tem realmente futuro? E se não tiver, esse espaço poderá muito bem ser ocupado por outros partidos, nomeadamente o PSD. Deixe-me só regressar um pouco atrás. Antes de chegar ao estúdio, eu também estava a acompanhar a vossa conversa e queria dizer que acho que o Jorge tem uma visão um pouco benevolente sobre aquele que foi o mandato de Rui Rio.

Alexandre, isso é um ótimo teaser para continuarmos a seguir, mas vamos ter que avançar em direto para Oeiras. Inês Ameixa está na sede de candidatura de Jorge Moreira da Silva, que está a chegar. Inês.

Já acabou de chegar e está a prestar algumas declarações aos jornalistas. Vamos ouvir.

Absolutamente nenhuma. Vamos ver. Confiante estou. Estou muito confiante, mas veremos o que a eleição nos reserva. Obrigado, até já.

As poucas palavras de Jorge Moreira da Silva. A indicação que tínhamos era de que ia falar aos jornalistas, mas breves declarações apenas dizendo que está confiante e que vai acompanhar esta noite com a devida tranquilidade. Jorge Moreira da Silva vai já subindo pelos elevadores aqui do núcleo central do Tagus Park, como dizias, Diogo. É aqui que se vão acompanhar todos esses resultados desta noite, aqui no Tagus Park, em Oeiras. Para já, tudo calmo, a chegada de Jorge Moreira da Silva com poucas palavras, sentimentos de tranquilidade. De resto, a sala está para já ainda vazia. Há várias cadeiras dispostas, cerca de 50 cadeiras em frente ao palanque. A indicação era de que Jorge Moreira da Silva prestasse algumas declarações aos jornalistas, pouco respondeu e portanto vamos mesmo ter que aguardar pelos resultados oficiais ao longo da noite e por esse eventual discurso de vitória ou de derrota por parte de Jorge Moreira da Silva. Quanto às expectativas, a própria candidatura já fez saber que não está especialmente confiante numa vitória esta noite. É pelo menos isso que se nota aqui entre as várias conversas que se vão ouvindo e tendo. E sublinha também aqui a candidatura de Jorge Moreira da Silva, aquilo que estará a ser a fraca adesão às urnas por parte dos militantes social-democratas. Não há ainda números oficiais, é importante ressalvar, mas há algum sentimento de que os militantes do PSD terão se mobilizado pouco para ir às urnas para votar nestas eleições. Os números só os conheceremos ao longo desta noite. Para já, ambiente calmo aqui na sede de campanha de Jorge Moreira da Silva. O candidato já chegou e prestou poucas declarações aos jornalistas. Disse apenas que está confiante e que vai aguardar pelos resultados em tranquilidade. Diogo.

Prometeu falar aos jornalistas e cumpriu. Não disse foi quanto tempo, foi uma declaração muito curta. Alexandre, estava a dizer que a perspectiva que o Jorge Fernandes tem é demasiado benevolente, é agora o tempo de explicar.

Eu concordo com o diagnóstico do Jorge, no sentido em que o PSD teve que lidar com dificuldades muito específicas neste contexto, sendo, neste caso, um partido que estava na oposição face a um governo que tinha uma base eleitoral muito sólida. A mesma coisa à direita com o crescimento de outros partidos. Portanto, há um contexto próprio que de facto justifica, e eu acho que o Jorge tem razão, qualquer líder teria enfrentado dificuldades muito grandes no PSD. Dito isto, Rui Rio tem, a meu ver, na sua liderança, características que ampliaram essas dificuldades, aprofundaram-nas. Para já, temos o ponto que é factual, que nem sequer é discutível, que é os resultados eleitorais de Rui Rio, são dos piores que há memória no PSD. Ele tem três das cinco maiores derrotas do PSD, o que só por si já faz um retrato muito inquestionável sobre aquilo que foi a não adesão do eleitorado à sua liderança. Mas há mais pontos. Eu queria destacar aqui o fato de ele ter afunilado o partido. O PSD é um partido que não é forçosamente ideológico e, portanto, é um partido agregador no sentido em que, por não estar muito vincado ideologicamente, tem esta possibilidade de agregar à sua volta pessoas que pensem mais ou menos de maneira igual, mas no fundo unidas pela sua oposição ao espaço socialista e querendo uma alternativa de governo ao PS. E Rui Rio fez uma liderança muito focada num PSD ao centro, rejeitando que o PSD pudesse ser outra coisa que não aquilo que ele próprio achava que o PSD devia ser e, portanto, afastou muita gente do partido. Isso foi um problema. Aliás, isto de o afastar, ele liderou o partido sozinho, ele secou o partido em termos de quadros. Há bocadinho o Jorge dizia que não havia ideias ou que pelo menos as ideias do PSD são fracas, e eu concordo com ele. Aliás, as duas moções são particularmente pouco robustas do ponto de vista das ideias que apresentam. Mas independentemente disso, Rui Rio contribuiu para isso, porque o Rui Rio secou. Aliás, nós vemos os quadros do PSD que têm mais nome ou pelo menos têm mais crédito na sociedade portuguesa, estão fora do Parlamento, estão fora da direção do partido, estão à margem daquilo que foi a liderança do Rui Rio. E isso também mostra que Rui Rio afunilou o partido, não só do ponto de vista do pensamento, mas também do ponto de vista dos quadros.

Vamos já continuar. Agora temos que fazer aqui uma pequena interrupção. Já voltamos a seguir a uma curta pausa.