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Temos ao telefone, nesta altura, Luís Menezes Leitão, antigo bastonário da Ordem dos Advogados também. Boa tarde, obrigado por se juntar a esta emissão especial da Rádio Observador, numa altura em que passam dois minutos das quatro da tarde. Menezes Leitão, como é que recorda a antiga procuradora Joana Marques Vidal?

Recordo com muita saudade e tenho imensa pena deste prematuro falecimento. A senhora procuradora-geral Joana Marques Vidal era uma magistrada de grande nível. Desse dizer que, inclusivamente, na Ordem dos Advogados, mesmo antes de eu ter sido bastonário, a delegação de Cascais prestou-lhe homenagem em virtude da saudade que tinha, de todo o trabalho que ela tinha feito na comarca de Cascais. Ela foi uma procuradora-geral da República, que se deve dizer, que deixou uma profunda impressão relativamente à defesa intransigente do Ministério Público, da sua autonomia e da eficácia da investigação, numa altura em que faltavam tantos meios ao Ministério Público. Precisamente por isso, como já foi recordado, praticamente toda a gente esperava a sua recondução como procuradora-geral da República. Na altura, invocou-se um argumento que não tinha qualquer cabimento, de que a lei não permitia a recondução. E teve que se usar esse argumento precisamente para não se reconduzir a doutora Joana Marques Vidal como procuradora-geral da República. Ela reagiu a essa atitude do poder político de uma forma profundamente elegante, não fez nenhum comentário, limitou-se a dizer que nunca lhe tinham falado nisso e, portanto, não esperaria ser reconduzida. A verdade, no entanto, é que deixou muitas saudades. Eu, já como bastonário, participei, inclusivamente, na altura, em encontro do sindicato, que referiam a grande saudade que tinham da doutora Joana Marques Vidal. E precisamente por isso, neste momento, presto a minha profunda homenagem à grande jurista e grande magistrada que foi de facto a doutora Joana Marques Vidal.

E o mandato de Joana Marques Vidal, Luís Menezes Leitão, vai também ficar marcado na história por vários grandes casos que começaram a ser investigados também na altura em que ela era procuradora-geral da República.

É verdade, porque na altura nós começamos a ver, pela primeira vez, porque havia uma certa falta de eficácia do Ministério Público, de que as pessoas se queixavam. No mandato dela, nós vimos que o Ministério Público começou, de facto, a ser bastante eficaz no controle da criminalidade econômica, no controle da corrupção, avançando em situações que antes não existiam e continuou no mandato da atual procuradora-geral e, portanto, não se perdeu essa herança que a doutora Joana Marques Vidal tinha deixado. E precisamente por isso, nós vimos com grande admiração todo o trabalho que a procuradora Joana Marques Vidal fez. E, de facto, como se disse, foi muito importante para o Ministério Público, porque o Ministério Público mostrou, com base no seu mandato, que era um Ministério Público eficaz e que precisamente por isso fazia-se as investigações, eram conduzidas e, por vezes, inclusivamente, até se tentou atacar a senhora procuradora-geral, ela resistiu sempre e continuou. Portanto, teve, a meu ver, um mandato absolutamente brilhante como procuradora-geral e, por isso, como se disse, houve logo uma grande polêmica na sua não recondução, que na altura ninguém percebeu e muito menos a justificação que foi apresentada.

Joana Marques Vidal tornou o Ministério Público mais eficaz, na sua opinião, Luís Menezes Leitão?

Claramente que sim, porque nós vimos, de facto, no mandato dela, que a partir desse momento nós víamos o Ministério Público a ter intervenção. E ter intervenção em áreas em que habitualmente era mais difícil ter essa intervenção. Como se disse, no âmbito da criminalidade econômico-financeira, no combate à corrupção. Nesse âmbito, nós vimos, de facto, que o Ministério Público teve eficácia durante o seu mandato e por isso foi muito importante o seu desempenho à frente do Ministério Público.

Luís Menezes Leitão, muito obrigado por ter estado em direto conosco, antigo bastonário da Ordem dos Advogados, a ajudar-nos a recordar um pouco do percurso de Joana Marques Vidal, a antiga procuradora-geral de República, faleceu no Porto