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Flamengo! O mais importante aqui dentro não é o treinador, nem eu jogador, é o Flamengo. Gol do Flamengo! Jorge Jesus ovacionado. Olha isso. Que isso, descansar? Descansar? Isso não existe.
Jorge Jesus está a poucos dias de conquistar dois títulos em menos de 24 horas no Brasil. O Flamengo joga este fim de semana com os argentinos do River Plate, a final da Taça dos Libertadores, e pode sagrar-se campeão brasileiro sem sequer jogar, basta que o rival Palmeiras não vença na próxima jornada. Em direto a partir do Brasil, junta-se à Rádio Observador o jornalista Milton Neves, para nos ajudar a compreender o fenômeno Jorge Jesus. Milton, bom dia.
Muito bom dia. Bom dia, Portugal. Sou descendente de portugueses. Minha avó chamava-se Beatriz Teixeira Fernandes. O maior prazer falar com vocês.
Obrigado, Milton, pela sua disponibilidade. Milton, estamos perante uma Jesusmania no Brasil?
Sim, uma Jesusmania. Há uma ciumeira, no entanto, de treinadores locais. O Brasil jamais teve um técnico estrangeiro na sua seleção nacional de futebol. Ao contrário de Portugal, que teve o Felipão. Aliás, o Felipão não entende nada de tática. Ele é sorte, bola pra frente e muito grito. Felipão não é um estrategista, nunca foi. Calma. Felipão não conseguiu ganhar uma Eurocopa dentro de casa jogando contra a coitada da Grécia, perdeu na abertura da Eurocopa e depois perdeu na final também. Agora, Jorge Jesus.
Foi em 2004, e essa está nos atravessada, Milton. E Jorge Jesus percebe de futebol?
O Jorge Jesus, eu confesso que eu tenho 50 anos de carreira e eu não conhecia a trajetória de Jorge Jesus. Foi uma aposta do Flamengo, uma das mais felizes de todos os tempos, porque o Flamengo hoje tem muito dinheiro, tem muito aporte financeiro, mas não acertava com técnico algum. pinta o português Jorge Jesus e o time cresceu da água pro vinho, o bom vinho português, o Barca Velha, o nosso Pêra Manca. Entendeu? Então vou dizer uma coisa pra vocês: ele é o grande cara. O Zico, que é o Pelé da Ásia, o Zico, que é o Pelé da história do futebol do Flamengo, chegou do Japão em férias e foi lá cumprimentar, agradecer a Jorge Jesus, porque o técnico português é realmente um grande sucesso. Mas aí é uma troca, porque a maior seleção de Portugal de todos os tempos foi da Copa de 66. Zé Pereira, Moraes e Batista, Vicente Lário, Jaime Graça, Zé Augusto, Eusébio Torres e Simões, o Coluna, o genial Mário Coluna no meio do campo também.
Milton.
Calma! O time do Otto Glória, o brasileiro, era pra ter ganho a Copa de 66. E a seleção de Portugal foi espetacular. Então aqui no Brasil, eu mesmo, no meu jornal agora, São Paulo da Folha, ontem publico fotos de Portugal, publico fotos de Otto Glória. O Otto Glória em 66 fez pra Portugal o que Jorge Jesus está fazendo pelo futebol brasileiro. E eu estou defendendo a entrada de Jorge Jesus como técnico da seleção nacional de futebol do Brasil pela primeira vez na história.
Era uma das perguntas que lhe queria fazer, mas antes gostava de recuar um pouquinho. Qual acha que é o segredo de Jorge Jesus? É a maneira como ele fala com os jogadores ou é a leitura que ele faz do Campeonato Brasileiro, das equipes, da forma de jogar?
Ele chegou aqui com o nome de Mister e ele alterna educação e dureza. Quando ele precisa ser austero, ele o é. Quando ele quer ser doce, ele o é, como um pastel de Belém. E caiu nas graças da torcida a ponto que só em dois momentos na história da maior torcida do mundo, que é do Flamengo, a torcida grita o nome de uma pessoa só. Antes era Zico. Hoje é Mister. O único problema, amigo, é que o português é paradoxal.
Então.
O português legítimo é o de Portugal, o nosso português é cópia. Mas aqui no Brasil a dificuldade, quando ele dá coletivas, de entender o que ele fala, o português dele é enrolado pra nós.
Está a falar das conferências de imprensa.
É a única pessoa que fala em português que a televisão brasileira coloca legenda. Mas quem tem que entendê-lo não é a torcida, quem tem que entendê-lo são os jogadores, e os jogadores adoram o Mister.
Milton, como é que um país com a dimensão do Brasil, que é uma fábrica de jogadores de futebol, não conseguiu produzir um técnico tão acarinhado pelos adeptos, não só do Flamengo, mas também dos outros clubes, porque o fenômeno Jesus, segundo aquilo que está a dizer, é transversal a todo o futebol brasileiro.
Não, nós temos bons treinadores aqui. O principal é Vanderlei Luxemburgo, mas o problema do Luxemburgo é extracampo. O problema do Luxemburgo é ser Luxemburgo. Ele cria muito problema, mas é um dos tremendos, um dos maiores treinadores da história do futebol. Tanto é que foi da seleção brasileira, foi do Real Madrid, ganhou todos os títulos possíveis aqui pelo Santos, pelo Cruzeiro, pelo Palmeiras, mas ele é um sujeito não classudo, ele não tem a classe, a categoria do Mister. Ele precisava de berço, coisa que ele não teve na vida, mas o Luxemburgo é um grande treinador. Já Felipão O Felipão é o pior técnico tático da história do futebol. Ele entende tanto de tática quanto eu entendo de hebraico. Absolutamente nada. O Felipão então ganhou uma Copa do Mundo e os jogadores que eu recebo no terceiro tempo da Band, aqui na televisão brasileira e na Rádio Bandeirantes também, porque eu me lixo em rádio, jornal, televisão, internet, publicidade, ponto de venda, etc. Eles falam: "O Felipão não entende nada de tática, o Felipão não está à altura de Luxemburgo, do Mister Jorge Jesus e, principalmente, de Otto Glória. Grande Otto Glória, que ensinou muita gente no Brasil e em Portugal.
Milton, tenho mais duas perguntas para si, não queria abusar do seu tempo. Há em torno do Jorge Jesus uma Jesusmania, mas também há uma Jesusfobia, porque os técnicos brasileiros também não estão a reagir bem à presença do Jorge Jesus no Brasileirão.
Não, mas olha, ciúme de homem é o pior ciúme que tem. Estão com inveja dele. E a inveja é o mau lado da alma. Mas não pense, João, que é uma coisa escandalosa, visível. Não, é uma coisa mais isolada, porque tem técnico brasileiro em fim de carreira, que fica falando aqui por causa dessa tradição, que a Seleção Brasileira jamais teve técnico estrangeiro. Mas Portugal é um país irmão e o futebol só tem uma linguagem, a linguagem da vitória. Então se ele fizer na Seleção Brasileira 50% do que está fazendo no Flamengo, ele vai ser um grande sucesso, até porque o nosso técnico, Tite, é uma enganação.
Era isso que eu queria perguntar, Milton, para fechar a nossa conversa: acha que é possível Jorge Jesus um dia vir a treinar a seleção canarinha?
A coisa está entre dois Jorges: o Jorge Jesus, o Mister, e o Jorge Sampaoli, do Santos. O argentino. São os dois melhores técnicos em atividade no Brasil. O pior, atualmente, o Felipão acho que já parou. Felipão que é o sujeito que menos entende de tática no mundo. Ele é só sorte e grito. Enquanto que o Sampaoli é muito bom e o Tite já deu o que tinha de dar. É muito chato, é muito enjoado, é muito mala. E agora teve um lance emblemático: o Messi, que é um sujeito que não briga com ninguém, mandou o nosso treinador, o Tite, calar a boca lá em Abu Dhabi, três vezes. A imagem é emblemática. Jamais um técnico brasileiro foi chamado a calar a boca por um atleta internacional. Foi uma vergonha para os treinadores brasileiros.
Milton Neves, muito obrigado pela leitura que fez aqui em direto na Rádio Observador, a partir do Brasil, da Jesusmania, que está a atravessar o país por estes dias. Jorge Jesus, então, a poucos dias de conquistar dois títulos ao comando do Flamengo. Antes de fechar este "Eu sou Jesus", digo-lhe que o Flamengo, o Mengão, como é conhecido no Brasil, foi fundado há 124 anos, no dia 15 de novembro de 1895. Inicialmente, era um clube de regatas de remo.
Flamengo! O mais importante aqui dentro não é o treinador, nem é o jogador, é o Flamengo. Gol do Mengão! Jorge Jesus ovacionado. É isso.
Deixe descansar. Isso não existe.