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Flamengo! O mais importante aqui dentro não é o treinador, nem eu jogador, é o Flamengo. Gol do Flamengo! Jorge Jesus ovacionado. Alçai-vos. O que é isso de descansar, homem? Descansar? Isso não existe.
A equipa treinada por Jorge Jesus já está no Peru, onde este sábado joga a final da Taça Libertadores. A equipa partiu do Brasil envolta num clima de grande festa, euforia e até alguma loucura. Junta-se a nós em direto a partir do Brasil o jornalista Marco Vargas. Marco, boa tarde. Bom dia aí no Brasil.
Olá, João, uma saudação a você e a todos que nos ouvem nesse momento e são amantes do futebol, em especial.
Marco, foste um dos grandes críticos da ida de Jorge Jesus para o Brasil. Depois pediste desculpa, corrigiste a tua posição no Twitter. Estavas a ser irónico ou a ser sincero?
Não, nada de ironia, João. Na verdade, houve uma equívoco muito grande e eu fui infeliz demais nas minhas colocações. E também se criou um mito com relação a isso, à minha opinião acerca da pessoa de Jorge Jesus, o profissional, e também de certa forma, junto disso tudo, de forma errônea também com relação à minha opinião sobre o futebol português como um todo. Eu escolhi mal as palavras ao me colocar naquela oportunidade num programa específico. Não sou habitué de programas futebolísticos. Na verdade, minha função aqui no Brasil para junto do meu empregador é narrar futebol e eventualmente, sim, participo de alguns programas de forma opinativa.
Muito bem.
Essa oportunidade foi uma data infeliz, nós acabamos por gerar um tumulto muito grande que não era o objetivo, mas passou. Realmente me desculpei, não foi de forma irônica, não. E hoje sou um grande admirador e dobro o braço para você com relação a tudo que Jorge Jesus vem fazendo com o seu trabalho no futebol brasileiro.
Marco, o que te fez mudar de ideias em relação a Jorge Jesus?
Eu não tinha uma ideia pré-definida com relação à qualidade do trabalho do Jorge Jesus ou qualquer que fosse a possibilidade negativa com relação à vinda dele. Na verdade, eu tinha receio com relação à adaptação rápida de um profissional que não estava feito à realidade do Brasil, que é um pouco diferente do conceito europeu de futebol e até do conceito português. Acredito que na Europa e em Portugal, em especial, a evolução mental e psicológica do jogador, além da questão técnica, já está em alguns patamares acima do padrão brasileiro. E com relação ao Jorge Jesus, eu via com distanciamento, mas não contava, em um primeiro momento, com a capacidade rápida de adaptação de um profissional que é extremamente gabaritado e um homem que aceita desafios também. Na verdade, eu não mudei de ideia com relação ao trabalho do Jorge Jesus. Eu passei a admirar, conhecendo de perto, estudando um pouco mais a questão de cabeça, o psicológico dele e conhecendo um pouco mais, lendo com literatura e até de autores portugueses com relação à trajetória do Jorge Jesus. Então eu passo a compreender, a entender um pouco mais o homem, a personagem e aquilo que o profissional Jorge Jesus pode oferecer. Hoje eu te confesso que eu fico até admirado de ver um homem com essa capacidade e a trajetória de vida dele é interessante de acompanhar.
Dizias que o futebol brasileiro tinha algumas especificidades e que tinhas receio quando Jorge Jesus chegou ao Brasil. O que te peço é que me digas que especificidades são essas que caracterizam as equipes brasileiras e de que forma é que Jorge Jesus se adaptou a elas, ou que virtudes mostrou Jorge Jesus ter para se adaptar ao futebol brasileiro.
Tem algumas peculiaridades com relação ao futebol europeu no Brasil. Aqui as distâncias, a forma de fazer executar o dia a dia com treinamentos, a questão tática, são várias questões, várias nuances diferentes com relação à Europa. Então para dar certo aqui, a pessoa tem que chegar, o profissional tem que chegar de fora e compreender rapidamente como funciona, como é a cabeça do jogador brasileiro aqui, como funciona a questão política dentro dos clubes brasileiros, que funciona também de um jeito extremamente enviesado, não é o ideal, não é o que eu gostaria. Na oportunidade, quando eu fiz aquela crítica, da qual eu me arrependo amargamente, com relação às palavras que eu escolhi para expressar a minha opinião e um profissional da comunicação não pode se dar o luxo de errar ao escolher as palavras quando vai se comunicar. E foi o que aconteceu naquela oportunidade. Mas eu também fiz uma crítica, ou pelo menos expressei minha opinião de não gostar de como funciona a liga portuguesa, por exemplo. São três clubes grandes, gigantes, com tradição enorme e ímpar, e clubes que ficam na periferia junto a esses grandes clubes.
Marco, acho que já ficou claro isso para os ouvintes da Rádio Observador. Nós estamos a receber imagens que chegam do Brasil, de uma onda de loucura a rondar o autocarro da equipa do Flamengo. O que te pergunto é se isto é normal ou se te surpreendeu.
Não é normal no dia a dia dos clubes convencionais do Brasil. Para um clube como o Flamengo, que tem um contingente de torcedores muito grande, gigantesco, equivale à população de países pelo mundo afora.
Diz-se que são 30 milhões.
Exatamente. Se fala até que pode ser mais do que isso, pode chegar a 40 milhões de torcedores e adeptos. Sim, surpreende, chama a atenção, porque virou uma coqueluche. Outro dia eu estava ouvindo a rádio e vocês falavam em Jesusmania. E não deixa de ser. O torcedor do Flamengo abraçou a causa, virou um fã, virou um superstar, Jorge Jesus aqui. E, é claro, isso é reflexo do trabalho bem executado. Ele chegou, se adaptou rapidamente e executou aquilo que se esperava de um clube que investiu muito dinheiro para fazer o elenco que tem, o plantel que tem e conquistar resultados. E os resultados vieram rapidamente. Então acho que o grande mérito de Jorge Jesus nesse contexto todo, foi se adaptar rapidamente, colocar em prática aquilo que ele entende, percebe de futebol e percebe muito, nota-se. É um homem que é obstinado, é um homem que trabalha demais. E a gente acompanhando declarações antigas de Jorge Jesus, se compreende um pouco a cabeça dele. E eu confesso que admiro muito pessoas que colocam a cara a tapa. E o Jorge Jesus é uma dessas pessoas. É um profissional que não tem medo de executar aquilo que pensa, que percebe e que traz consigo, de raiz, as suas vivências do futebol e coloca em prática isso. É um grande mérito, não é normal o que está acontecendo com o torcedor, mas é bonito de ver, até porque é de uma forma ordeira, de uma forma bonita, tudo que vem acontecendo com relação a Jorge Jesus e o torcedor do Flamengo.
Muito obrigado, Marco Vargas, por teres entrado em direto a partir do Brasil, ao telefone aqui na Rádio Observador, para analisar e comentar a prestação de Jorge Jesus no futebol brasileiro. Jorge Jesus, que pode conquistar dois títulos este fim de semana.
Flamengooo! O mais importante aqui dentro não é o treinador, nem eu jogador, é o Flamengo. Gooool do Flamengo! Jorge Jesus ovacionado. Olha isso. Que isso, descansado? Descansado. Isso não existe.