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Todas as tardes na Rádio Observador, antes do jornal das 19h, está no ar o Euro Milhões, hoje com edição do Bruno Roseiro. Olá, Bruno. Boa tarde.
Olá, boa tarde.
Vamos ao tema do dia, um bocadinho incontornável nos últimos dias, esta novela Ronaldo, com mais excertos de entrevista, e ainda é terça-feira. Parece que é só amanhã e quinta, afinal.
Exato. O segundo episódio é ao mesmo tempo que o Portugal- Nigéria.
Ok, vamos dividir aqui a audiência, quase de certeza.
Achas? Eu não.
Mas nas últimas horas também esta notícia de uma alegada reunião de Jorge Mendes, o empresário de Ronaldo, com o Bayern de Munique. Isto pode ter alguma razão de ser?
Não. A primeira coisa é estranha por uma razão: o Bayern foi talvez a única equipa europeia das cerca de 10 ou 20 que Jorge Mendes tentou colocar Ronaldo, que disse claramente o que é que tinha acontecido, que a possibilidade esteve em cima da mesa, até porque Lewandowski estava de partida para o Barcelona, e o Sadio Mané ainda não estava contratado. O Oliver Kahn, que é nesta altura o presidente executivo do conselho de administração, antigo capitão e antigo guarda-redes do Bayern, explicou exatamente a questão toda, ou seja, é um dos melhores jogadores, é um avançado fantástico, quando jogou contra nós foi sempre um problema, mas não encaixa no perfil de jogadores que nós queremos. E, portanto, não deixa de ser no mínimo curioso a primeira reunião desta nova tour Jorge Mendes pela Europa ter sido com o Bayern.
Eles têm ficado ali uma porta entreaberta.
Não, eu acho que a única porta que ficou, não diria entreaberta, ficou escancarada desde que saiu Thomas Tuchel, é o Chelsea. Por quê? Porque o novo proprietário do Chelsea tem uma versão que é aquela tal versão que o próprio Ronaldo não gosta dos Glazer, que é uma coisa muito mais marketing e comercial e preocupado com a questão da venda de camisolas e patrocínios, etc, do que propriamente numa vertente desportiva. Acho que o Chelsea, por necessidades desportivas, por essa questão do Todd Boehly poder querer refazer também esta nova era do Chelsea sem o Abramovich, muito assente também na imagem do Ronaldo, isso aí admito. Tudo o resto acho que vai ser complicado. Há uma coisa que eu tenho certeza: não há nenhum treinador que queira trabalhar com um jogador que diz que não respeita o treinador. Isso eu tenho como garantido. Pode ser um qualquer treinador de uma equipa de topo ou uma equipa melhor ou pior, mas não gosta. Parece-me que uma coisa é a questão da entrevista, Ronaldo deu, vamos ver até quando a entrevista sair toda, se há mais alguma novidade. A porta do United está fechada, o final de ciclo do United aconteceu da pior maneira, está tudo arrumado. Agora, outra coisa também é aquilo que nós estamos a ver, que é Ronaldo não pode fazer nada num treino que automaticamente, vídeo no Twitter, o que aconteceu agora. Agora foi um vídeo com o Cancelo, que o Cancelo está chateado, ninguém sabe por que o Cancelo está chateado. Pode lhe ter corrido mal a vida, pode ter feito mal um cruzamento, pode ter percebido que não há uma opção inicial com a Nigéria, ninguém percebe. Mas o facto de já ter ali Ronaldo, também já é uma coisa que está a gerar grandes comentários. Eu acho que isso aí é que não vale a pena, sobretudo quando nós não sabemos o que se está a passar. E o exemplo de Ronaldo e Bruno Fernandes na chegada do Bruno Fernandes também mostra bem isso. Ou seja, ninguém percebeu ao certo o que se passou. O João Mário agora fala numa brincadeira. Enfim, acho que a seleção não tem nada a ganhar com isso e acho que o próprio Ronaldo também não.
Mas agora Bruno Vieira Amaral, vão tentar tirar muitos nabos da púcara. E Ronaldo colocou-se nesse chamado spotlight.
Sim, e pode ter uma vantagem, que é distrair, mudar o foco, pôr o foco só em Ronaldo e os outros jogadores poderem ter alguma margem para estarem um pouco mais descansados. Pode também ter o efeito contrário, que é pôr uma pressão adicional em tudo o que Ronaldo faz, em todas as interações do Ronaldo com os companheiros de equipa, e isso é de certeza prejudicial, não pode ser bom.
Até porque estão ali muitos colegas de United.
De United, claro.
E rivais de City.
A questão do Bruno Fernandes. O Ronaldo vem criticar o treinador, vem criticar toda a estrutura do clube. É impossível não se fazer uma leitura do seu relacionamento também com os companheiros e o que os companheiros dele no clube, e que também são companheiros dele na seleção, pensarão de tudo isto. É inevitável isso acontecer. Em relação ao futuro do Ronaldo, eu creio que neste momento, depois destas declarações sobre o treinador, e sobre Ralf Rangnick também, e sobre a estrutura do clube, eu acho que só há uma possibilidade é Ronaldo trabalhar com um treinador que já o conheça, com quem tenha trabalhado. Não estou a ver uma situação em que Ronaldo vá trabalhar com um treinador que nunca trabalhou com ele, que não haja uma relação de confiança ou de proximidade pessoal. Será a Roma de Mourinho uma possibilidade? Não sei, mas eu não estou a ver neste momento o Ronaldo, por exemplo, ir trabalhar com um treinador de estatuto mais ou menos idêntico ao do Ten Hag, porque isto representa um peso brutal nas relações entre treinador e jogador, que nenhum clube do mundo estará, eu creio, disposto a assumir. E depois, há a questão também do vencimento. Haverá neste momento algum clube Interessado em pagar a Ronaldo o que ele recebe atualmente.
É o pope baixar o ordenado.
Claro.
Eu acho que esse é um ponto também garantido da entrevista, é que quem dá aquela entrevista sabe que nunca mais vai ganhar aquilo que ganha e vai ter de baixar o nível.
Eu acho que aí não há grande alternativa e creio que o futuro dele se decidirá um pouco por esses dois pontos.
Vamos ver o que faz no mundial e vamos falar do Qatar. O que vem do Qatar, Bruno Roseiro?
Olha, uma grande notícia. Está tudo preparado já para receber a seleção na sexta-feira.
Até porque o hotel da seleção no Qatar é muito novo.
É muito novo. Eu conheço melhor os arredores do hotel, porque já estive a estudar algumas coisas e nomeadamente a sua pista de camelos, onde se fazem campeonatos de camelos.
Acho que é adjacente ao centro de estágios que eles usam.
Aquilo parece-me, em termos de mapa, que será entre o centro de estágio de Portugal e o do Irão. E como parece que vão ser as duas seleções onde eu vou andar mais, portanto nada como ir ali a uma visita à coisa dos camelos.
À pista dos camelos. Parece que é o grande desporto no Qatar.
Não, estás enganado. Aí é que está.
Passou-se um bocado essa imagem de que era um dos principais desportos, as corridas de camelos.
Não é. Eu estou a ver se consigo ganhar coragem para ir ao real campeonato do mundo que os qataris ligam, que é o Campeonato do Mundo de Falcões.
Pois, a falconaria.
Sim. Os Ronaldos dos falcões são 200 mil € cada. Portanto, estamos a falar de valores que é um pequeno almoço para algumas daquelas pessoas, mas são valores muito altos. O problema do Campeonato do Mundo dos Falcões é que, por norma, é disputado numa zona mais de deserto. Para quem não conhece bem aquilo, pode ser complicado lá chegar, porque não há propriamente uma placa no meio do deserto a dizer: "É ali o Campeonato do Mundo de Falcões". Mas lá tentaremos também chegar. Em relação a Portugal, já está a ser preparada uma grande receção na sexta-feira, que é quando a seleção vai chegar.
Com figurantes ou com apoiantes de Portugal?
Não, com aqueles apoiantes.
Que não eram figurantes.
Com muitos portugueses. Há imensos portugueses que estão mesmo envolvidos no apoio à seleção e que vão marcar presença, e também com uma comunidade estrangeira, sobretudo indiana, que tem uma particularidade que eu acho que é mais Ronaldo do que Portugal, sinceramente.
Imagino que sim.
E acho que 90% daqueles adeptos que gostam realmente de Ronaldo, se tu perguntares cinco nomes da seleção além do Ronaldo, é Cristiano Ronaldo e não andamos.
E não sai dali.
Talvez o Bruno Fernandes e o Diogo Dalot, porque jogam com o Ronaldo.
Beneficiam.
Será a coisa mais próxima.
Bem, mas com estas condições, não devemos ter nem mais Saltilho, nem mais Macau.
Eu acho que isto é um contexto muito interessante para o Ronaldo, porque o Ronaldo adora estes contextos, ele sente-se muito bem. Agora, vamos ver é como é que a equipe depois joga, também fará a sua diferença, mas o Ronaldo vai estar nas sete quintas, porque é assim que ele gosta de estar.
E o que é que pode sair do Qatar? Hoje propões aqui um olhar para uma outra estrela da Polónia de nome Zielinski, não confundir com o Zelensky ucraniano.
Não, este é o Zielinski, que é um bocadinho como a família De Benedetto no hóquei em França. Eles também são três. Este é o melhor deles todos, de longe. É uma coisa curiosa. É daqueles grupos que é mais ou menos matemático, ou seja, em condições normais, nós olhávamos e a Arábia Saudita está fora, mas depois entre Argentina, Polónia e México, um deles vai ter de cair e não se percebe muito bem quem é que poderá cair. Vai ser o último campeonato do mundo de Lewandowski, é a grande figura da Polónia, e eu olho para este Zielinski como a grande figura que pode sair desta seleção polaca. Ele está a fazer uma época brutal no Nápoles, que para mim é provavelmente das melhores equipes europeias na Liga dos Campeões, na Serie A, e acho que a Polónia tem condições para ter um campeonato do mundo, aproveitando o Lewandowski, Zielinski, Zalewski, também da Roma, que estão num bom momento, tem condições para fazer um campeonato muito interessante, passando nos oitavos, e não sei até que ponto é que pode ou não perturbar a Argentina, que para mim é uma das favoritas, só que lá está. Os sul-americanos não jogam com europeus há dois anos e eu isso para mim, tenho muitas dúvidas depois.
Punha-se algumas fichas na Polónia, Bruno Guerra?
Na Polónia, sim. A Polónia tem uma seleção.
Já não tem Paulo Sousa.
Não tem Paulo Sousa.
Devem ficar um bocadinho chateados, na altura. Agora, se calhar, já não.
Com todo o respeito pelo Paulo Sousa, acho que é uma vantagem. Mas tem um lote de jogadores muito sólido. Mas atenção ao México, o México tem uma grande tradição nos campeonatos do mundo, de pelo menos passar a fase de grupos. E depois cai nos oitavos de final.
Exatamente.
Mas num grupo que tem a Argentina e que apesar de todas as dúvidas que possa haver, a Argentina é sem dúvida a grande favorita do grupo, eu creio que o outro lugar ficará decidido entre estes dois. E depois também há a questão de saber como é que as equipes europeias se vão comportar no mundial, que é completamente diferente dos outros, não existe um exemplo. E há também a questão de ser fora da Europa. Portanto, vamos ver se a reação em geral das equipes europeias é boa. Eu poria um pouco à frente o México em relação à Polónia.
Eu acho que o México tem um problema, que é não fez a renovação que já devia ter feito e que os Estados Unidos vai fazer. Aliás, isso é uma coisa muito falada no México, porque eles têm um bocadinho o trauma, entre aspas, do quinto jogo. Ou seja, o México é aquela obsessão do quinto jogo. Temos de ir ao quinto jogo, por quê? Porque já estão habituados a passar a fase de grupos.
E depois nos oitavos. Mas aí isso é uma tradição longa.
Vão logo à vida. Mas deixa-me só acrescentar 10 segundos. É, de longe, pelo menos na Rússia, a seleção que mais adeptos leva. É uma coisa inacreditável.
No México?
Sim, inacreditável.
Muito bem, está feito o Euromilhões desta terça-feira, com edição do Bruno Roseiro. Bruno, obrigado.
Obrigado.