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A jornalista Teresa Borges aqui está conosco para mais um fact-check. Fala, Teresa, bom dia.
Olá, bom dia.
Hoje falamos da TAP.
Falamos da TAP. É raro a semana em que a companhia aérea não aparece nas capas de jornais, mas desta vez não é a privatização a marcar a agenda. Uma publicação viral alega que o governo português está a obrigar o aeroporto de Lisboa a vender toda a bagagem da TAP perdida no aeroporto Humberto Delgado.
Portanto, estás a falar de uma verdadeira venda de garagem.
Venda de garagem, precisamente. Na publicação vemos um verdadeiro mar de malas de viagem empilhadas, rodeadas de sinalética, onde se lê: "€2 por bagagem perdida".
Bom preço.
Na notícia é referido que o governo português obrigou o aeroporto a tomar esta medida, uma vez que já não há espaço para guardar bagagem perdida. Surge também uma hiperligação onde podem ser feitas encomendas e nesses €2 está incluída não apenas a mala, mas todo o conteúdo. Isto inclui também dispositivos elétricos.
Ora bem, com essa coisa toda, €2 não é nada mau negócio. Mas há alguma informação que possa servir de base a essas alegações?
A publicação em si, além do anúncio alarmante, não partilha grandes detalhes, nem uma notícia, fonte credível ou site oficial que confirma o que é dito, apenas a tal fotografia. Não é, no entanto, a primeira vez que é feita uma alegação do gênero. Já em dezembro do ano passado, uma outra publicação viral revelava que o aeroporto Humberto Delgado estava a vender malas com artigos perdidos e também a €2.
E na altura, qual foi o veredito, Teresa?
Na altura, a ANA, entidade responsável por gerir estas estruturas no país, negou qualquer envolvimento ou pressão do governo na venda de bagagens no aeroporto de Lisboa. Perante esta nova alegação, a resposta é a mesma. Questionada pelo Observador, a ANA remete para uma publicação no Instagram, onde confirma que se encontra a circular informação fraudulenta, que já foi denunciada. Diz também a ANA que esta fraude tem em vista a obtenção ilícita de dados bancários e pede que o caso seja denunciado. Aliás, a ANA confirma mesmo que já apresentou uma queixa-crime.
Portanto, a ANA desmente e o governo não comentou o caso?
Não é conhecida ainda nenhuma comunicação oficial do governo de António Costa, agora em gestão, onde conste essa decisão de obrigar que qualquer aeroporto português venda bagagem perdida.
Portanto, já deixaste todas as pistas. Teresa, vamos ao carimbo.
É crime vermelho. Não é verdade que o governo português tenha obrigado o aeroporto de Lisboa a vender bagagem perdida. A ANA rejeita que este tipo de ação esteja a acontecer e já denunciou a publicação.
Portanto, mais um carimbo vermelho no fact-check das manhãs 360, hoje com a jornalista Teresa Borges.