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A jornalista Teresa Borges aqui está conosco. Começa agora o novo fact-check. Fala Teresa, bom dia.

Olá, bom dia.

A três dias das eleições, continuamos a passar em revista a campanha eleitoral e hoje regressamos ao tema do aborto.

Um tema que dominou os primeiros dias de campanha. Tudo por causa destas declarações de Paulo Núncio, dirigente do CDS e candidato da AD pelo círculo eleitoral de Lisboa.

Eu acho que a única forma de nós revertermos a liberalização da lei do aborto passará por um novo referendo para conseguirmos ganhar como ganhamos em 98.

Declarações do número quatro na lista da AD por Lisboa, num debate promovido pela Federação Portuguesa pela Vida.

É verdade, isso aconteceu logo no arranque da campanha. Ali pelo terceiro dia, abriram esse dia e foram-

Mas que excelente memória, Paulo.

Isto não falha.

Tu te lembras que foi no terceiro dia, não é?

Terceiro dia, às 17h21. E, de facto, foram essas declarações que geraram grande polêmica ao longo de todo esse dia, Maria João, e depressa foram utilizadas como arma de arremesso pelos diferentes partidos.

Grande polêmica. Ainda que tenham passado, de certa forma, para segundo plano, graças ao ataque de tinta contra Luís Montenegro.

Foi logo a seguir. Era verde a tinta, Maria João.

E eram 11h47.

Vocês estão a ter muito boa nota no quiz dos partidos.

É verdade, Observador.

Mas como eu estava a dizer, importa perceber se estas declarações de Paulo Núncio, de facto, correspondem à verdade. O centrista afirmou, na altura, que é preciso realizar um novo referendo para, e vou citar: "Ganhar como ganhamos em 1998", referindo-se ao não. Mas será que esse não teve, de facto, uma vitória estrondosa como alega Paulo Núncio?

É uma boa pergunta e que me leva a depreender, Teresa, que vamos recuar algumas décadas.

Vamos recuar algumas décadas. O primeiro referendo sobre a legalização do aborto foi realizado em junho de 1998, mas o resultado não foi vinculativo, já que votaram menos de 32% dos eleitores. Quer isso dizer que 68% da população absteve-se de ir às urnas, ganhando o não, mas com uma margem mínima de alguns milhares de eleitores.

Então e quase uma década depois, houve novo referendo.

Excelente memória.

Vocês estão você é que tem que fazer o fact-check.

Não consegues fazer isto sozinha, Teresa.

Sim, mas como estava a dizer, oito anos depois houve novo referendo. Em 2006, no governo de José Sócrates, foi convocado um novo referendo que acabou por se realizar em fevereiro de 2007. Dessa vez, o sim venceu com 59% dos eleitores a optarem pela legalização da interrupção voluntária da gravidez. A taxa de participação subiu para os 43%. Assim, o resultado deste referendo também não foi vinculativo, embora com a participação muito maior, mas que não chegava aos 50% do voto do eleitorado exigidos pela Constituição. A Assembleia da República ficou, assim, com liberdade para alterar a legislação, o que viria a ser feito em abril desse mesmo ano.

Então, Teresa, quer isso dizer que Paulo Núncio diz a verdade quando refere que o não venceu em 98, mas não foi uma vitória assim tão esmagadora.

O não venceu, isso é factualmente correto. No entanto, tal aconteceu com uma margem mínima em relação ao referendo de 2007, que foi posterior, oito anos depois.

Tudo explicado, vamos ao carimbo.

Carimbo verde, não que vocês precisem da minha ajuda. As declarações de Paulo Núncio são factualmente verdadeiras, apesar de o não ter vencido com uma margem mínima.

Carimbo verde no fact-check das manhãs 360, hoje com a jornalista Teresa Borges. Amanhã há mais para ouvir, sempre por volta das 7h50, ou então a qualquer hora em podcast.

Geração V de voto. Representantes dos oito partidos com assento parlamentar respondem às perguntas feitas por grupos de jovens. À mesa de um restaurante e sem mediação de jornalistas, os políticos conversam com a geração mais bem preparada de sempre, mas que tem um futuro incerto. Uma parceria Observador e Eu Voto.

7h29, já a seguir as notícias.

Ei, oficina de confiança mais próxima?

AMForce.

E oficina com bons preços?

AMForce, claro.

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Lá porque o assunto interessa ao Pedro Nuno, não quer dizer que interessa a todos os Pedros e Nunos do país. Estão a ver? É uma questão de maioria.

Observador: sem interesses, muito interessante.

São 7h30 antes do gabinete de guerra, espreitamos as notícias que marcam esta manhã. Carla Jorge Carvalho.

O Observador está hoje a dar a conhecer os bastidores da campanha do PS e da AD. Têm sido dias intensos, milhares de quilómetros, em que tudo está planeado ao detalhe. Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro contam com equipas compostas por várias pessoas para os ajudar. Há diferenças na pontualidade, no contacto com as pessoas e até na forma de proteger a voz. É um assunto a que vamos voltar no jornal das 20h. Marques Mendes apela ao voto na AD, afirma que Luís Montenegro é um homem de confiança. O antigo líder do PSD juntou-se ontem à noite à campanha da AD, participou numa arruada e num comício em Barcelos. André Ventura contou com o apoio do líder da extrema-direita espanhola, Santiago Abascal, num comício em Olhão. O líder do CHEGA disse que quem está a pensar votar no PS deve ser medicado. Já Rui Rocha andou durante a noite a fazer uma campanha em Braga, em bares e a falar com jovens. Mariana Mortágua acusou o PS de estar viciado numa política de remendos, enquanto que a CDU terminou o dia com um comício em Évora e com a presença de Jerónimo de Sousa. Rui Tavares reforça que a esquerda pode virar as eleições de domingo. Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, esteve em Matosinhos a apelar ao voto em força no partido para combater o perigo da abstenção. Noutras notícias, ainda não é desta que o Banco Central Europeu deve fazer a primeira descida das taxas de juro. Os analistas chegaram a prever que o primeiro corte podia ser anunciado na reunião desta quinta-feira, mas a instabilidade geopolítica e também o facto de a inflação não estar a baixar ao ritmo que o BCE gostaria levam a que não sejam esperadas, afinal, alterações relevantes nas taxas de juro. A Autoridade Monetária Europeia vai reunir-se ao início da tarde de hoje. A presidenta da Comissão Europeia deve também hoje ser escolhida como cabeça de lista do Partido Popular Europeu para as europeias de junho. Vai ser o ponto alto do congresso do grupo político que decorre na Roménia. Luís Montenegro vai fazer uma intervenção por vídeo. O Benfica joga esta noite com o Rangers a contar para a primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa. A equipa de Roger Schmidt entra pressionada no encontro depois de duas derrotas seguidas. O jogo está marcado para às 20h00, no Estádio da Luz, com relato aqui na Rádio Observador. De ontem, o empate em casa do Sporting com a Atalanta, a um golo. Hoje também começa mais uma edição da Moda Lisboa, a edição número 62, que vai decorrer até domingo no Matte.