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Dezoito. A jornalista Teresa Borges aqui está conosco. Começa agora o novo fact-check. Teresa, bom dia.

Olá, bom dia!

O que vamos verificar hoje?

Hoje falamos, de certa forma, de uma tradição anual que todos acompanhamos, mesmo que à distância, não sei se é o vosso caso: o bebê do ano.

O bebê do ano, sim.

E por quê? Porque circula nas redes sociais várias publicações que alegam que os três primeiros bebês que nasceram em Portugal nas primeiras horas de 2024 não são de nacionalidade portuguesa, mas sim, respectivamente, de nacionalidade brasileira, paquistanesa e senegalesa.

Ora, pois, eu vejo sempre as reportagens do bebê do ano.

É difícil fugir também.

Aliás, normalmente há poucas notícias nesse dia. Como sempre, este ano foram vários os hospitais a reivindicar o título do bebê do ano.

Há sempre uma verdadeira corrida ao título. Este ano não foi exceção. Já lá vamos, mas olhando novamente para a publicação, não são referidos quaisquer dados que sirvam de base a esta alegação. Diz-se apenas que o top três não foi constituído por bebês de nacionalidade portuguesa e que, na verdade, os primeiros bebês portugueses nasceram fora do país, respectivamente na Suíça, em França e na Alemanha. É uma alegação que, de acordo com as várias versões de publicação consultadas pelo Observador, levou também a algumas considerações de caráter discriminatório e xenófobo.

Mas, Teresa, não seria completamente impossível o primeiro bebê português nascer num desses países que referiste, até porque são países com uma forte comunidade portuguesa.

Há muitos imigrantes portugueses em qualquer um destes países, ou seja, há também muitos bebês portugueses a nascer nesses países. E o mesmo por cá. Em Portugal, uma importante fatia da população é composta por imigrantes, em particular por imigrantes brasileiros. Mas vamos às contas e também aos relógios desse primeiro dia do ano. Este ano, a célebre corrida ao bebê do ano foi concorrida, mais uma vez. Porto, Viseu, Lisboa, Guimarães, Viana do Castelo e Vila Franca de Xira e até uma ambulância na A23 foram palco dos primeiros nascimentos do país, de acordo com as informações que foram prestadas pelas diferentes unidades de saúde e que tiveram claro eco nos órgãos de comunicação nacionais e regionais.

Mas mesmo quando há muitos candidatos a bebê do ano, há sempre um campeão que gera mais consenso. Este ano não existe um claro vencedor?

Há um claro vencedor e o título vai mesmo para o Porto pelas informações disponíveis. Até ao momento.

Nem se devia perguntar.

Porto, os povoadores.

Não devias.

As informações que são conhecidas dizem que o campeão terá mesmo sido Lucas, um bebê que nasceu exatamente às zero horas e zero minutos do dia 1 de janeiro, ou seja, no primeiro minuto do ano. Esse nascimento terá acontecido no Centro Materno-Infantil do Norte, no Porto. Uma reportagem do Porto Canal emitida nesse primeiro de janeiro mostra, inclusivamente, o documento que regista o nascimento de Lucas. Apenas 15 segundos depois, a vários quilômetros também de distância, nasceu o segundo classificado. Lara nasceu no Hospital de Viseu, mas claro, as histórias multiplicam-se ao longo de todo o país.

Olha Viseu!

Pois, e eu acho que isto ainda merece aqui um photo finish pra saber se foi Viseu ou Porto, onde se nasceu primeiro.

Chamem o VAR.

O VAR, exatamente. É preciso ver isto aqui em detalhe, ó Júlio. Bom, mas também já é tradição, há sempre muitas histórias, há sempre muitos nomes, mas do que se sabe, este ano todos os bebês do ano têm nacionalidade portuguesa?

Também não. Em Lisboa, o primeiro bebê do ano foi Eli, filha de uma mãe brasileira e de um pai luso-canadiano. Nasceu às zero horas e quatro minutos na Maternidade Alfredo da Costa e no Hospital de Vila Franca de Xira, o primeiro bebê do ano foi Jaisen Tamang, filho de uma imigrante nepalesa. Mas não há, no entanto, qualquer notícia que qualquer um destes seja o bebê do ano em Portugal, ou seja, que este bebê do ano tenha nacionalidade paquistanesa ou senegalesa. No ano passado, de facto, deu-se a coincidência de, entre os primeiros bebês do ano, se terem contado crianças de nacionalidade paquistanesa, nepalesa e brasileira, uma notícia que foi também divulgada de forma ampla pela comunicação social.

Teresa, vamos ao carimbo?

Carimbo vermelho. Com base na informação tornada pública, os primeiros bebês a nascerem em Portugal este ano foram todos portugueses, ainda que exista também registros de uma bebê com mãe brasileira e pai luso-canadiano e ainda de um bebê nascido de imigrantes nepaleses.

É a jornalista Teresa Borges com mais um fact-check das manhãs 360.