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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.

Dizem que as férias são o repouso da alma. A alma

Olha, não queres ser Marco Horácio a fazer introduções? Não queiras.

A tentar improvisar.

Não faças isso.

Mas as três horas de sono pararam na alma.

Pararam na alma mesmo.

A tentar improvisar o início à Marco Horácio.

Na cabeça deles, parou a alma e a cabeça disse: "Pedimos desculpas por esta interrupção, voltamos à emissão assim que possível".

Sejam bem-vindos. Como é que isto se chama? Homens de uma certa idade, naquele que é o último episódio da nossa primeira série.

Nós vamos voltar em setembro.

Voltaremos em setembro. Tem todo um verão, ou pelo menos um mês e meio, para descobrir mais de 30 conteúdos contando com o segmento "Elas Exigem Saber", disponíveis em todas as plataformas relacionados com este conceito, homens de uma certa idade. Um conceito que mistura três amigos, três comediantes, muita sinceridade e naturalmente saudável parvoíce. Hoje, último tema e como vamos de férias, é precisamente: o que farias hoje se voltasses a ter férias grandes? Conduzindo esta emissão, eu próprio, Luís Filipe Borges, 47 anos, intérprete em recitais de WhatsApp. Faço diálogos, interpreto diálogos do WhatsApp em recitais. Venham ver-me ao Grémio Literário no dia 30 de fevereiro. Também comigo.

António Raminhos, 45 anos e testo toalhas de praia.

Que é um trabalho muito exigente.

Sim.

E não é o ano todo.

Não é o ano todo, é um trabalho sazonal. E atenção que as toalhas de praia, vocês não usam todo o tipo de toalhas de praia. Não estou errado, pois não?

Não estás errado, mas se fosse toalhas de bidé ficava mais preocupado.

Também já testei. Aliás, tu tens que começar, as toalhas vão aumentando. Começas com aquelas de mão, pequenas. Passas para as de bidé. Eu não sabia que havia toalhas de bidé. Não sabias, Borges?

Não sabia. Eu nunca usei um bidé na vida.

Nunca usaste um bidé na vida?

Olha, vais ter que usar.

Não sei para que serve o bidé.

Quando voltarmos em setembro, tens que nos contar a experiência que usaste um bidé.

Eu sei que o Raminhos é um grande fã e um apologista do bidé. Lutou, aliás, contra a extinção do bidé.

Como é que tu nunca usaste um bidé, Borges? Derivado a ser um homem e não precisar de lavar o pipi.

Olha, estás a ver, os bidés servem para muito mais do que lavar o pipi.

A parte de trás eu lavo no ducha.

No ducha como? Metes o rabo dentro da banheira?

Não. Vou com o chuveiro.

Isso é tomar banho.

À zona traseira.

Mas isso é tomar banho. E no dia a dia?

O que é que tu fazes com o chuveiro na zona traseira? Só tiras a água, certo?

Sim, água e é claro, na zona traseira.

Mas eu, por exemplo, eu uso sempre o bidé sempre que vou à casa de banho.

Meu Deus, e depois como é que secas o rabo?

Com toalhas de bidé!

Toalha de bidé? Ou seja, se eu for à casa de banho de um restaurante, há uma toalha de bidé só para o meu rabo?

Não, aí não.

Então o que eu faço e fiz a minha vida toda? Papel higiênico.

Mas por isso é que-

Agora, como faz pensar

Se a coisa está mais difícil, posso eventualmente tirar uma quantidade mais densa de papel higiênico e passar o papel higiênico por umas gotinhas de água.

Mas assim ficas com farelos no rabo.

Mas chegas com farelos do papel no rabo? Como é que tu fazes isso?

Não fico, porque como eu disse, eu tiro uma quantidade maior de papel higiênico pra poder ter uma tira mais densa.

Mas isso leva-me a pensar que-- diz.

Definir só uma coisa: o teu rabo é peludo ou não é peludo?

É peludo.

Então ficas com farelos.

Ficas com farelos.

O rabo deve parecer a barba do Pai Natal, se eu conseguir ver.

Ou então mar de Natal, porque tem bolinhas.

É glitter.

O que me leva só a pensar aqui uma coisa: se tu não sabes o que é uma toalha de bidé, é possível que tu tenhas ido a casa de amigos jantar, ido à casa de banho, lavar as mãos e a cara e limpaste a toalha de bidé deles.

Se porventura eles não tinham uma toalha normal ao lado do lavatório, é possível que eu já tenha usado uma toalha mais pequena, sendo essa toalha mais pequena a toalha de bidé.

Exatamente.

Por isso é que tu tens uma barba tão farta e cresce tão rápido.

A culpa é de quem? De quem não tinha a toalha normal ao lado do lavatório. O que eu não ia fazer era voltar pra mesa com as minhas mãos ainda pingando de um rabo acabado de não lavar.

Não lavar. O tema de hoje, já devem ter percebido, é toalhas de bidé.

Acho que isto é o nosso melhor início de sempre. Temos que cortar todos estes três minutos sobre bidés e toalhas de bidé e rabos peludos. É o nosso último tema. Foi uma nostalgia que eu tive das férias grandes. Vocês não sentem que quando nós éramos miúdos-

O Marco Horácio ainda não se apresentou.

Desculpa.

Ora bem, Marco Horácio, 51 anos, instrutor de body combat e body milk para portugueses residentes no Iémen.

Também tem imensa procura.

Sou o único a fazer este trabalho.

O que é body milk?

Body milk é usares o leite corporal e combateres com ele.

Exato.

Uma toalha de bidé pode dar jeito.

As férias grandes, sim.

Eu fiquei nostálgico, talvez por ter os meus pequenotes, e agora obviamente em agosto vou passar muito tempo com eles, o que é maravilhoso e ao mesmo tempo um desafio.

Claro.

Nós temos que encontrar coisas para os miúdos fazerem Se chegar a haver agosto, que eu não tenho a certeza, tendo em conta que se registaram 46 graus na Amareleja aqui há dias, é bem possível que o mundo sucumba antes de agosto. Mas deu-me uma nostalgia tão grande de quando éramos miúdos. Ao mesmo tempo, é irónico, não sei se vocês concordam, porque quando nós éramos putos, as férias grandes era algo pelo qual nós ansiávamos, claro, mas depois havia sempre-

A nostalgia de voltar

Não, uma altura em que estás a levar uma grande seca da vida.

Nunca mais acabam.

Eu acho que havia vários momentos.

A mãe do verão.

Pelo menos para mim, havia vários momentos, que era: férias de verão, vou reencontrar os meus amigos. Tínhamos aquele mês que estávamos todos juntos lá no Alentejo. Geralmente era julho, agosto. Depois quando começava a chegar ao fim de agosto e começava a malta a ir-se embora e às vezes tu ficavas para trás. E era tipo, já só estava eu e um ou dois. E aí, sim, começava a ser aquela nostalgia do regresso a casa, do regresso à escola. E eu quando voltava, quando atravessava a Ponte 25 de Abril, eu não sei se vocês pensavam isto, só tinham passado dois meses e meio, mas era aquela ideia de: como é que estarão as coisas? Será que a cidade está no mesmo sítio? Como estará a minha rua? Que mudanças houve na minha rua? Pintaram os bancos? Havia sempre muito esta cena.

Eu, como vivi na Alemanha os primeiros 10 anos, nas férias grandes nós normalmente vínhamos para Portugal.

Como é que são as férias grandes, irmão?

Os irmãos Sá são usados a resumir palavras e situações.

Fica lá com os rapazes toda a vida.

Sim. Eu sei que vínhamos para Portugal e era sempre uma excitação muito grande, porque para além do calor, da praia, a solidariedade de Leiria, ia reencontrar os meus amigos e, melhor do que isso, era fazermos amigos novos. Aquela ideia de irmos para férias grandes e depois irmos para a praia e conhecer outras pessoas de outros sítios e fazer amigos, ter outra namorada e namorar e não sei quê, e brincar na praia, era sempre uma coisa espetacular e muito ansiosa. E depois, se calhar por voltar para a Alemanha, sentia-me um bocadinho triste, porque as férias grandes era só brincar, era ir para a praia, era ir à pesca, ia apanhar pássaros, fazia tudo o que eu gostava de fazer.

O que é que fazias na Alemanha?

Além de fazer parte da juventude hitleriana. Portuguesa, atenção. Éramos nazis portugueses, atenção. Só falávamos em português. Estou a brincar. O que é que eu fazia na Alemanha? Ia à escola e levava porrada, mas isso também levava em Portugal. Portanto, era a vida normal.

Tu viveste onde?

Wolfach.

Wolfach?

Sim. Fiz lá a quarta classe.

Parece coração de lobo, não tem nada a ver.

O que? Wolfach?

Quer dizer alguma coisa, Wolfach?

Wolfach pode ser wolf, muito bem, Borges. Wolf é lobo. Fach, o que quer dizer fach?

Peido.

Peido de lobo. Isto está bonito. Ainda bem que vamos de férias, que a malta já está toda a pirar da cabeça. Também brincava lá, como é óbvio, e apanhava lá o inverno com a neve, era muito fixe, era muito giro. Mas eu lembro-me que havia sempre uma grande alegria de voltar para Portugal e ver os meus avós.

Isso é muito engraçado, porque eu tinha a experiência opostária.

E vinhas de carro?

Sim, vínhamos de carro, exatamente.

Quantas horas?

Dias.

Quantos dias? Para aí três, não?

Sim, mas é uma coisa gira. O meu irmão também faz isso ainda hoje em dia. Ele está na Alemanha, agora já está reformado, mas ele mete-se no carro e os imigrantes faziam muito isso. Se conseguissem conduzir sem parar até Portugal, os gajos não paravam. Só paravam na última mesmo, ou para comer ou para descansar um pouquinho, mas a malta tinha aquela ânsia de voltar para Portugal e chegar o mais rápido possível e perder o menos tempo possível na viagem.

Por que os imigrantes vêm de carro e não vêm de avião? Sai mais barato?

Sai mais barato.

Ainda sai mais barato?

Sim.

Naquela altura fazia sim, as viagens eram muito caras, mas hoje em dia, por exemplo, a malta que vem de Paris, não sai mais barato.

1500 km de carro.

Não sai mais barato do que avião.

Sim, mas não há-

Eu já conduzi da Suíça para cá nove horas.

Fogo, também vieste sempre seguido, não?

Sim, o regresso foi só com uma pequena paragem em Salamanca.

Para fazer um xixizinho. E ao bidé, e usar a toalha de bidé.

Mas eu não consigo conduzir mais do que, no máximo três horas tenho que parar. Adoro conduzir, mas preciso parar, um cafezinho.

Sim, claro. E esticar as pernas também.

Um chuteiroína.

Normal.

Normal. Mas é engraçado o que tu disseste, porque tu adoravas vir a Portugal, eu odiava vir para Portugal continental. E explico: o meu pai é beirão, e então ano sim, ano não, as férias, boa parte das férias, um mês pelo menos, eram cá. O calor é horrível. Não era tão horrível como é hoje, mas eu estou habituado à humidade açoriana, um tempo mais moderado, nunca é nem demasiado frio, nem demasiado quente. Eu padecia mesmo, eu e meu irmão. Ainda por cima, nós temos uns tios que vivem num sítio hoje um pouco mais agradável, mas vivem num subúrbio lisboeta, e para nós Lisboa era aquilo. Porque depois a minha família, quer do lado do pai, quer do lado da mãe, não se movimenta muito. Chega a um sítio, depois fica nesse sítio. Então nós passávamos imenso tempo em Casal de Cambra, onde aparentemente não havia uma porra de uma árvore.

Ixe, meu Deus do céu.

E era mesmo o que nós sofríamos com o calor. Ou então íamos para a Beira Interior, para a terra dos meus avós paternos e onde o meu pai nasceu, que sempre tinha verde Mas também eram os incêndios regulares e aquele calor do caraças, então não gostava nada. Estava longe dos meus amigos. Depois faço anos em agosto, que é um trauma que eu tenho. Se eu contasse os meus anos de vida em festas que fiz, estou prestes a fazer nove anos.

A minha filha sofre do mesmo mal, que é fazer anos em agosto, não há amigos.

Exatamente, por fazer anos em agosto, ou tu estás fora ou os teus amigos estão. Mas isto é de quando nós somos miúdos. Quando nós já somos estudantes universitários ou jovens profissionais. Jovens profissionais, claro, desaparecem as férias grandes, mas na universidade eu adorava dispensar as cadeiras o mais depressa possível para voltar a casa, para voltar à ilha. E mesmo assim, quem me dera poder fazer isso hoje em dia, a minha primeira semana de férias durante o ano letivo era dedicada a uma só coisa: eu todos os dias ia ao clube de vídeo Charlot. Alugava quatro. Era muito engraçado o Charlot, porque o dono do clube de vídeo. Muita gente ia ao clube de vídeo como ia à mercearia.

Sim.

"Qual é a frutinha hoje?" E as pessoas iam ao clube de vídeo tipo: "Quero uma coisa para assustar". E o homem atrás do balcão parecia genuinamente ter visto todos os filmes que tinha.

Era tipo farmácia: "Olha este é um bocado..."

"Este é assim". "Quero uma coisa para rir, quero um filme de romance". E o gajo tinha sempre grandes dicas. E eu adorava ficar, como nessa altura sabia, acompanhava os filmes todos. A minha única regra era não ver filmes do Jean-Claude Van Damme e do Steven Seagal.

Eram os que eu via.

Também eu, bem bons.

Eu ouvia estas conversas do senhor a sugerir a outros clientes, mas eu gostava mesmo de olhar para as capas dos filmes e ler a sinopse. E eu todos os dias, durante uma semana, alugava quatro filmes por dia. Ia para casa, via os quatro.

Rebobinavas.

Gravava alguns, porque como o meu pai muitos anos antes tinha percebido a cena do: "Espera, se eu tiver um leitor de VHS e um segundo leitor de VHS".

Dá para gravar.

Dá para gravar. E depois no dia a seguir rebobinava, ia pôr os quatro que tinha alugado e alugava mais quatro. E durante uma semana fazia isto.

Fazias o varão daquele senhor.

Uma semaninha, sete vezes quatro. Como é que é?

16 filmes por semana.

28.

28 filmes.

Mais ou menos.

E só depois começava a ver os meus amigos na segunda semana. Uma cena meio obsessiva, agora que penso nisso.

Eu, quando ia para o Alentejo, era a minha cena de estar com a malta de lá, que ainda hoje são meus amigos e falo com eles quando estamos lá. E fazíamos cenas, jogávamos à bola. No Alentejo, aquilo era no Almograve, que é perto de Vila Nova de Milfontes, e havia ali três localidades: a Longueira, o Cruzamento, e eu vivia no Carrascal, que era no meio. E depois havia o Almograve, quatro terras, e havia putos nestas terras todas. Então nós fazíamos torneios, tínhamos equipas de futebol e fazíamos torneios entre as quatro, sendo que nós íamos tipo: "Hoje vamos jogar fora, vamos jogar ao Cruzamento". E chegávamos ao Cruzamento e não eram os campos que a gente tem hoje, eram campos que nós fazíamos no meio de searas que estavam limpas, fazíamos balizas em madeira. O que eu mais me lembro era quando nós fizemos um campo. Ou seja, as brincadeiras passavam por uma semana a fazer o campo de futebol com balizas, com linhas, com sal para queimar a relva e ficarmos com as linhas, ou cál, punhamos mesmo cál. A uma altura que fazemos um campo de futebol no Carrascal, o campo estava rodeado por umas acácias. As acácias são uns arbustos grandes, densos. Então nós abrimos uma parte da acácia, como se fosse um túnel.

Um túnel para entrarem para dentro do campo?

Mas agora olha o pormenor, o que a gente faz: bosta de vaca seca. A bosta de vaca seca, quando tu pisas, lança um fumo amarelo denso.

Estás a gozar. Terem fumo para passar?

Pusemos a bosta de vaca à entrada das acácias e nós, quando passamos por ali, carregávamos com força nas bostas.

A fazer aquele fumo.

E passávamos com fumo. Só faltavam vuvuzelas e nós passávamos por ali cheios da bosta de vaca.

Um cheiro.

Mas com orgulho. Não, aquilo não cheira a nada.

Boa.

Mas com orgulho, que entrada triunfal para este clássico Carrascal-Cruzamento.

Da bosta.

Da bosta.

Acabamos assim a primeira parte.

Não temos áudio.

Não temos áudio hoje.

Mas temos dois na segunda, porque hoje tudo é possível, até já.

Tudo é possível, até já.

Bem-vindos à segunda parte de "Homens de Uma Certa Idade", último episódio da primeira temporada. Desta verdadeira saga, desta Ilíada, desta odisseia que regressará em setembro, quando tiver patrocínio. Estamos prestes a fechar com a Lindor. Na primeira parte não ouvimos áudio. Por quê? Porque eu só dormi três horas, estou velho e cansado. Mas vamos começar a segunda parte com um áudio do meu amigo Nuno Duarte, grande argumentista, um dos nomes mais importantes da animação portuguesa enquanto autor. E ele vai tentar responder à pergunta: o que farias hoje se voltasses a ter férias grandes?

Olá. Se voltasse a ter umas férias grandes como quando era miúdo, o céu era o limite. Começava por fazer aquilo que ando a dever a mim próprio há montes de tempo: ler aquele livro, aquele que está ali na estante há uns 10 anos e que comprei cheio de boas intenções, mas que o marcador nunca passou da página sete. Com isto despachado, arrumava a garagem. Sim, porque para sermos adultos funcionais, precisamos de uma garagem arrumada. Não sei por quê, mas parece que vem nas regras. Depois ia correr uma maratona, 42 km ao nível do Carlos Lopes ou da Rosa Mota, mesmo que nunca tenha treinado mais de cinco. Depois, com esse tempo todo livre, metia-me a fazer aquele prato gourmet com trufas negras que vi na televisão, que exige quatro horas, seis panelas e a alma de um veado escocês. Um sucesso global, ir-me-iam agradecer pelas explosões de prazer de papilas gustativas e por acabar com a fome no mundo. Já que estava com este embalo, estudava, investigava uns fóruns obscuros na dark web e descobria a cura para o câncer, resolvia a fusão nuclear a frio, revelava a verdade sobre o assassinato do Kennedy e a existência de extraterrestres, o sentido da vida e, já agora, esclarecia se somos todos reais ou só uma simulação quântica inventada por um adolescente borbulhoso de outro universo. É isto mesmo. Fazia isto tudo ou então, se calhar, só dormia. Dormia pra caraças. Não por preguiça, mas por alívio. Porque acreditar em férias grandes é acreditar que ainda vamos ter tempo. Tempo pra ser, pra mudar, pra cumprir. E acho que é esse o verdadeiro luxo da infância, não as férias, mas essa crença que ainda vamos a tempo de fazer tudo e que de alguma forma vamos conseguir. Um abraço e boas férias aos três.

Ó pá, grande áudio, muito fixe.

Sim. O Nuno é um autor extraordinário de BD e um belo argumentista, já trabalhamos juntos várias vezes e tem um filho já com 20 anos. Caraças.

Mas aquilo que ele diz é verdade. Eu acho que a cena das férias grandes quando éramos putos era essa, acreditar que havia tempo pra tudo.

Sim.

E havia. Eu acho que havia. Havia, até porque nós já falámos isso, chegávamos ao final das férias grandes e já estávamos fartos. Ou seja, tínhamos feito tudo o que nós tínhamos projetado.

Havia, sim, e havia aquela vontade de voltar à escola e ter livros novos da escola. Passava rápido também.

Sim, passados três dias já o cara já estava a anhar pelas férias grandes outra vez. Mas hoje em dia é impensável pra nossa vida, pra malta quando começa a entrar na vida profissional e trabalhar, é impossível. Eu às vezes nem consigo tirar férias de uma semana ou duas semanas durante o ano, porque é impossível, porque a nossa vida já é muito volátil. E o trabalho surge quando menos esperamos e não temos folgas, não temos feriados, não temos nada. Mas eu, se tivesse três férias grandes, que normalmente eram três meses, três meses e meio, eu acho que eu depois de um mês já estava farto. Ou seja, eu hoje em dia não preciso de férias grandes. Eu se tivesse umas férias normais.

Eu não sei o que eu fazia. Eu estava a pensar nisso. Se eu tivesse três meses sem fazer nada. Imagina, não tens trabalho, estás à vontade, não há nada, mas também não tens que te preocupar com o trabalho, porque era essa a noção das férias.

Sim.

Nós éramos putos, nós não tínhamos noção da vida dos nossos pais. Se havia crise, se não havia crise, era só aquilo. Eu não ia saber comportar-me. Eu não ia saber o que fazer, basicamente.

O que tu fazias?

Tantos livros, tanta coisa pra ler.

E descansar, também descansavas ou nem por isso?

Sim, descansar. Ia pras ilhas e apanhava o barco pra ir pra outras ilhas, sempre com livros atrás. Eu viajo sempre com livros, mesmo quando estou a trabalhar, trago sempre um livro, mesmo que só vá ler 10 páginas nessa viagem, mas gosto de levar. Mas é isso, é aquilo que o Nuno diz, é a ideia de que tudo era possível se voltássemos a ter férias grandes. Não é que eu hei de dizer, quando somos miúdos, não temos realmente noção do privilégio que estamos a viver naquele momento. Mas um mesinho seguido já era tão bom.

Eu lembro-me depois, mais tarde, a partir dos 15, 16.

Está um calor do cacete neste estúdio.

Não, eu estou uma brasa hoje.

É possível que estejas prestes a falecer hoje.

Sim.

Prestes a falecer há dois ou três anos.

Mas olha, que fique registado, ao menos este podcast vai disparar, se for ouvir, já viste?

Logo agora que vamos de férias.

E pode ser que consigamos o patrocínio da Servilusa.

Sim, eu vou tentar morrer só em setembro pra dar mais engagement pra essa temporada.

Exato, faz-nos esse favor. Mas eu lembro-me que eu aproveitava, depois chegou uma altura em que eu aproveitava as férias grandes para trabalhar e ganhar dinheiro.

Eu nunca trabalhei nas férias grandes.

A partir dos 14, a minha mãe teve ali um minimercado que estava a explorar.

Eu estive ali, foi dois ou três verões.

Em Wolfach!

Não, já era em Portugal.

Eu estive ali dois ou três verões que a minha preocupação era enrolar-me com raparigas.

O quê? Sério? Que idade é que tu tinhas?

Aí nos meus 15, 16.

Portanto, o teu objetivo era arranjar namoradas.

Sim, curtes. Sim, eu lembro-me num verão que consegui tipo-

Quase uma.

Não. Quase três. Tive duas, uma, depois essa foi-se embora e veio outra e fiquei com essa. E era aquelas cenas de verão. Isso era fixe. E às vezes eu penso assim: onde é que estarão essas raparigas? Tenho curiosidade de ver como é que cresceram, mas se calhar é melhor ficar só com essas imagens.

Eu sempre fui fraquíssimo nos amores de verão, mas lembro-me de ter uma paixoneta por uma miúda.

Isso eu tinha bué.

Marta Patrão, acho que era assim o nome.

Vou procurar Marta Patrão.

Marta Patrão. Mas já há muita data anos. Ela foi à terceira porque tinha uma prima de lá, uma grande amiga, e ela era tão gira. E nós tivemos uma cena meio platônica, com beijinho, mas depois não rolou mais nada e entretanto a vida segue o seu caminho.

Que idade é que tinhas?

Não sei, 20 e poucos. Acho que era algum jovem profissional. 20 e poucos, ela era da minha idade também. Ela era do Porto, ainda por cima, portanto não havia facilidade da gente se encontrar no continente. Mas sei que eu fui ter um namoro sério, depois esse namoro sério acaba ao fim de uns anos e quando o cara está na merda e começa a pensar: "espera aí, aquela miúda era muito fixe". E então já há redes sociais, eu pesquiso: "Marta, como é que estás? Casaste, tem filhos?" Aquela de: "Luís, tudo bem, casei, tenho dois". Eu ficava: "ok, pronto, conversa acabou antes de começar".

Eu tinha imensas paixonetas de verão. Era típico, eu acho que todos nós tínhamos.

Sim.

E tinhas tempo para isso. Lá está, três meses dava tempo para muita coisa. E um cara ficava sempre às vezes. Aliás, havia raparigas que tu só encontravas no verão.

Sim.

Tal como tu tinhas amigos, havia raparigas e havia sempre aquele clima de: eu havia uma que morava ao pé de mim lá no Alentejo, que era a Magali.

Magali.

Era belga.

Magali, belga.

E o meu tio, meu saudoso tio Jorge Biatto, eu passava de bicicleta e ele dizia assim: "tens que passar ao pé dela e dizer assim: Magali, je t'aime". E eu: "o quê, tio? O que isso quer dizer? Me diz só isto. Magali, je t'aime". E eu lembro de vê-la e passar de bicicleta e eu: "Magali, je t'aime!" E ela ficar assim a olhar para mim.

Assustada.

Assustada.

Clara. Amor de Deus.

Mas você já tinha falado antes? Não.

Não.

Do nada, ainda por cima.

Mas depois, essa foi a rapariga. Eu vou contar na terceira parte.

Tu eras um...

Eu tenho que contar na terceira parte, não posso contar nesta parte.

Vamos ouvir o nosso segundo áudio.

Sobre a Magali.

Da maravilhosa Luísa Ortigoso, uma mulher de uma certa idade, magnífica atriz.

Magnífica atriz mesmo.

Faz tudo, faz drama, faz comédia.

Tudo.

Faz umas empadas fantásticas, é uma pessoa maravilhosa.

Talento.

Vamos ouvir.

Mas faz as empadas enquanto é atriz, em personagem. Exato.

Portanto, se for dramática, sai uma empada mais dramática.

Com que então férias grandes, três meses de férias. Uau! Vamos partir do princípio que são férias porque sim, porque se pode. Porque se fossem férias compulsivas, como nesta profissão tanto existem, teria que procurar trabalho, inventar trabalho, enfim. Mas vamos partir do princípio que são férias porque sim, porque posso. Então, uma parte substancial do tempo seria para fazer nada. Nada, amigos. Fazer o que me desse na real gana a cada dia quando acordasse. Passear, comer, descansar, deambular, estar com pessoas que não vejo há muito tempo, ou fazer mesmo absolutamente nada, zero. Estar estirada num sítio fresco e apetecível e deixar-me lá ficar. Dar uns mergulhos, se for numa praia com pouca gente, e passear e fazer fotografia e andar por aí, a passear pelo tempo, que era uma coisa bestial. Pronto. Viajar. Neste momento não punha a hipótese. Seria uma hipótese noutro tempo qualquer, mas estamos num tempo em que o mundo está muito feio e não apetece muito viajar, realmente. Então, pronto, era isto. Sobretudo o fazer nada. Ai que prazer ter um livro para ler e não o fazer. Isso é que era extraordinário. Enfim, sonhemos.

Exato. Isto do fazer nada é muito difícil para nós que vivemos neste corrupio hoje em dia. Vocês acham que conseguiam estar sem fazer nada?

Eu consigo, não todos os dias.

Eu consigo desde que o nada envolver prazer artístico. Ou seja, para mim, ler um livro é fazer nada no bom sentido.

Sim.

Não estou a trabalhar, mas estou-me a enriquecer, estou a ter prazer. Ou ver um filme, ou ver uma série.

Às vezes gosto de estar esponjado só a ver bola ou ver porrada, um Muay Thai, por exemplo, ou estar a fazer zapping. Gosto. Ou estar a jogar, mas jogar já é um bocado mais fazer alguma coisa, ainda assim.

Eu só tive a panca do FIFA, adorava isso. Mas depois, desde que fui pai, nunca mais joguei. A não ser numa cena solidária em plena pandemia, onde levei uma treta do Jorge Gabriel.

A jogar FIFA.

Of all people. Jorge Gabriel deitado na sua cama a orientar o Sporting e a dar-me 6 a 0.

Bons tempos de Sporting.

Mas eu percebi que tinha um problema com o FIFA numa noite em que dei por mim aos pulos de alegria na sala Porque o Seferović tinha acabado de fazer 2-1 a dois minutos do final da segunda parte do prolongamento da final da Champions League contra o Inter de Milão.

Epa!

E portanto, eu era campeão europeu pelo Benfica. E de repente eu olhei para o relógio, quase 6h da manhã, e olhei para os meus surroundings e pensei: isto é muito triste. Eu estou comovido e aos pulos na minha sala por uma coisa que só aconteceu na minha vida e que, na verdade, não existe.

Eu acho que não.

E ainda tentei fazer um desmame de FIFA.

Eu acho que não. Os jogos passam muito por aí também, de tu assumires o papel de alguém que não pode ser. É como aquele meme que tu me disseste no outro dia que eu já conhecia, que é um homem e uma mulher que estão a falar e ele pergunta para ela: "Então, o que é que tu fazes?" E ela diz: "Sou influencer".

"Eu sou modelo no Instagram".

"Sou modelo no Instagram".

"Eu sou soldado no Call of Duty".

E ele diz: "Eu sou soldado no Call of Duty". É um bocadinho essa cena. Mas no verão, nós às vezes também passávamos tardes em casa de uns. Já abordamos este tema algumas vezes, mas nós passávamos muito tempo a jogar também.

Sim.

Aliás, semana passada falámos nisso.

Já em casa também, não era sempre ao ar livre. As minhas melhores memórias é do Atari. Vocês lembram-se do Atari?

Sim.

Eu ia para a casa do meu melhor amigo de infância, o André Vilar.

E o Family Game? Não se lembra que tinha umas pistolas e depois eram uns patos que saíam assim a voar?

Ah, lembro.

E depois um gajo fazia: " . O tempo demorava muito, o tiro demorava muito tempo e depois vinha um cão: " . Depois aparecia zero: " ". E já foste.

Até és o tipo para fazer sons para videogames. Estamos a chegar ao fim da primeira temporada de "Homens de Uma Certa Idade". Muito obrigado a todos os que têm acompanhado na Rádio Observador. Para nós tem sido um estímulo, uma alegria e um verdadeiro prazer. E agora vamos continuar para quem acompanha no podcast, temos a nossa terceira parte exclusiva subordinada ao tema "O que farias se voltasses a ter férias".

E eu vou contar a história.

A história é boa. Ao nosso vasto auditório, quem está de férias, umas boas férias. Para quem não está de férias, é bem feita.

Umas boas férias também.

É bem feita. Para quem não está de férias, é bem feita.

Muito obrigado.

Obrigado.

Muito obrigado por estarem desse lado.

Até setembro.

Até setembro.

"Homens de Uma Certa Idade".

Bem-vindos à terceira e última parte do último episódio e da primeira temporada de "Homens de Uma Certa Idade". Por que eu estou a falar assim? Não sei. O tema hoje é o que farias se voltasses a ter férias grandes. E vamos já começar a última parte com o último áudio.

Epa, logo assim para despachar.

Do maravilhoso António Melo, ator, cidadão, benfiquista.

Sabes que antes de largar o áudio, eu era muito amigo do Madeira, que eu agora não sou. Não, estou a brincar, sou amigo do Madeira a mesma. Nós fazíamos um casal, que era o casal Melo, que era o António Melo. Ele fazia o António Melo.

E tu fazias a...?

Rosinda Melo.

Mas era inspirado no António?

Não. Mas este António Melo é um excelente ator.

Ora bem, meus amigos, se eu voltasse a ter três meses de férias como quando era muito jovem, acho que a primeira coisa que eu fazia era: o primeiro mês passava, se o corpo me ajudasse, passaria como na altura, o dia inteiro a jogar à bola na rua, que é uma coisa que eu tenho imensa saudade, é de jogar à bola na rua ou de ver jogar à bola na rua. Já não se vê ninguém a jogar à bola na rua, que é uma coisa fantástica. Depois, claro, a noite também pede uma violinha com os amigos, uns ligeiros, não direi estupefacientes, mas uns ligeiros incrementos à boa disposição. Isso seria para os três meses. E seguidamente, acho que iria ver os treinos todos do Benfica. Porque nessa altura já começava os treinos de futebol e, portanto, iria ver os treinos do Benfica. Acho que seriam umas férias fabulosas. Agora não posso, quase nem posso ir ao estádio. Um grande abraço, Raminhos, Marco e Boinas.

Tão querido.

O António, por acaso, o que ele falou agora no fim do futebol, fez-me ter saudades de uma coisa que eu adorava, que era realmente a ingenuidade do adepto durante o chamado de defeso.

Sim.

Tu vias, eles chegavam ao aeroporto e dava no telejornal: "Novo reforço do Benfica, Ivan Deli Bazitch". E tu pensavas: "Este gajo tem mesmo pinta de grande avançado".

Escalona.

Escalona. Rosas. Agora é que é, temos lateral.

Sim.

E os brasileiros, no tempo em que contratávamos muitos brasileiros e bons, por acaso. O Benfica teve o Ricardo, central incrível, capitão brasileiro, o Mozer, o Aldair.

Luizão.

O Luizão, mais tarde, claro. Mas o Valdo, que médio! Mas os brasileiros invariavelmente diziam sempre a mesma coisa. Parecia que traziam todos o mesmo guião, chegavam ao aeroporto e diziam: "Muito feliz por estar aqui, sou só mais um para ajudar o grupo, é vestir essa camisola, honrar a camisola, ajudar o grupo. Com a graça de Deus".

"Graças a Deus, que eu estou chegando nesse grande clube".

Uma vez há um jogador que é apresentado no Belenenses.

Já sei quem é, eu estava-me a lembrar disso.

Eu esqueço-me do nome, mas é uma coisa assim.

Isto é verídico.

Do qual não reza a história, mas o homem está genuinamente comovido Está emocionado na apresentação no Restelo, conferência de imprensa, o presidente fala, depois passa-lhe a palavra e diz: "Eu queria começar por dizer que é uma honra e um privilégio jogar no time da terra onde Cristo nasceu".

A sério?

Cruz de Cristo, Belém.

Jesus partiu o pastel de Belém e disse: "Tomai todos e comei. Este é o pastel quentinho de Belém". Mas vocês também iam assistir aos treinos, não é?

Eu assisti.

Nunca assisti a um treino.

Nas férias?

Eu assisti a treinos, sim, e gostava de assistir a treinos do Benfica. Estar perto dos craques. Eu lembro de uma vez ir assistir a um treino do Benfica no Estádio da Luz e estar lá a assistir ao treino de gabardine preta, que era um habitué de gabardine preta.

Gabardine preta. Esse era uruguaio, não é?

Não. Um treinador de gabardine preta naquela altura, treinador do Estrela da Amadora.

Jorge Jesus.

Tinha ido assistir a um treino do Benfica.

Jorge Jesus.

A sério?

Gabardine preta, só podia ser.

E eu na baliza, o Brazão a treinar e eu a dizer assim: "Brazão, não jogas nada!". E o Brazão a olhar para mim. Puto estúpido. Devia ter 12 ou 13 anos.

Isso existisse, imagina. É a mesma coisa com humoristas. Chegava o verão, havia fãs dos humoristas a vê-los a escrever.

Ia dizer assim: "Raminhos, não escreves nada, és uma bosta!". Isso já dizem muitas vezes.

Imagina, assistirem à escrita criativa dos seus humoristas preferidos, com uma vaia a separar.

Se eu recebesse €150 mil por mês, aceitava isso na boa.

Pois, isso até pode ser, €150 mil por mês. Só precisávamos de trabalhar um ano.

Nós já estamos na terceira parte.

Não escreves nada!

Não tens graça! E eu a pensar: "O que é que eu vou comprar este mês? Um apartamento."

Mas em relação às férias, eu tinha uma cena quando era puto, eu lembro-me disto e de ser uma memória tão engraçada, de ser puto, mas quando eu digo puto é ter oito anos, e ir para a praia com a ideia de fazer buracos e encontrar tesouros.

Isso é fixe.

Mas não tinham esta cena, se calhar era só eu. Eu tinha a ideia, porque eu tinha um livro, lembro-me de ter um livro sobre tesouros perdidos. Não era da National Geographic, mas era algo do género, com fotografias de tesouros que tinham encontrado perdidos. E eu ia às vezes para a praia e com aquela cena, eu vou escavar e vou encontrar qualquer cena. Tanto que eu hoje em dia, há cenas que eu gosto de ver no TikTok. São gajos que têm páginas só com detectores de metais na praia. E eu fico horas a ver aquilo. E já pensei: "Eu vou comprar uma merda destas".

Nós vamos-te oferecer no teu próximo aniversário.

Olha que é caro. Tem que ser um bom.

Não é esquisito.

Uma bosta da Temu não quero.

E a intenção não conta?

Não conta, a intenção não conta se não serve para merda nenhuma.

Queres fixar um preço já agora?

Sim, mas aquilo lá vale 200 paus, 300 €.

Por falar em aniversário, Borges, é 5 de agosto, não é? Vais fazer alguma festa ou não?

Não, estarei a abrir os caixotes na minha casa nova, mas não vou fazer festa nenhuma.

Estás a abrir os caixotes na tua casa nova, nem pedes à malta, os teus melhores amigos, para irem ter contigo.

Eu nunca seria capaz de fazer isso.

E mandas vir umas pizzas.

Mandas vir umas pizzazinhas.

Mas vocês estão cá a 5 de agosto?

Eu faço questão.

Por acaso, não estou.

Lá está, o meu trauma de sempre.

Mas convida na mesma, fica tu bem convidado. Agora estás a passar sozinho a abrir caixotes, isso é só deprimente.

Vai ser bastante, sim.

E por falar nisso, voltamos agora em setembro e como vocês sabem, eu sou uma pessoa que está sempre muito à frente do meu tempo. Eu acho que o primeiro tema devia ser: o que é que vocês fizeram nestas férias. Nestes dois meses que estivemos parados.

Está bem, foi experimente da minha parte.

19 de setembro.

Então é isso. Estamos dois mesitos parados, nem chega bem. Para nos despedirmos desta primeira temporada, como o tema é verão, eu lembrei-me, vocês lembram-se de uma música que era: . Chama Holiday.

Não sei do que é que estás a falar.

Ele lembra-se.

Eu não sei do que é que vocês estão a falar.

Chama-se Holiday Rap, foi o primeiro êxito mainstream de hip-hop, e eu estou a fazer aspas aéreas outra vez. Na verdade, o que é que se passa? Isto é de 1986, a cultura do hip-hop, do rap, estava a rebentar na costa leste de Nova Iorque, a rebentar naqueles últimos dois, três anos, mas as editoras ainda tinham pânico. Não vamos apostar nisto. Música negra. E então repararam um beat, puseram dois branquelas a fazer de MC não sei quantos e DJ não sei quê, e lançaram esta bosta. Só que esta bosta, como acontece muitas vezes na música pop, foi uma pastilha elástica que correu muito bem.

Não me lembro mesmo disso.

Vamos ouvir.

Só para te dizer que isto não é verdadeiro hip-hop.

Antes.

Respect pela malta verdadeira, os genuínos do hip-hop.

Há uma Marta Patrão nutricionista, há uma Marta Patrão terapeuta, há uma Marta Patrão só Marta Patrão e há outra Marta Patrão só Marta Patrão.

Olha, digo-te uma coisa. Eu sou empregada, Marta Patrão. E com isto? Só temos dois voices hoje. É só dois.

Não os apanhou.

Estava a ver se te apanhava. Estavas todo calmado. Boas férias.

Boas férias, malta.

Muito obrigado por terem estado connosco esta temporada. Valeu mesmo a pena. E obrigado pelo feedback positivo que têm dado. E muito negativo em relação ao Raminhos e ao Borges, que é normal.

Não temos esse tempo com o patrocínio da Calgonit.

Holiday. Não conheces esta, Raminhos?

Tenho que ouvir um bocadinho.

Holiday!

Sim.

Estas teclas coleiras.

Sim, isto é aquela passagem do disco.

Da música da igreja para disco. Do swing and nice.

Do disco para o rap.

To the west, chicken, nice and what the... Holiday!

Sim. Está tudo aqui.

We tell them if they're stupid, don't play the fool. But the answer was shut, you got to go to school. Gee's running up and down and everybody know. Rapping, rocking, popping in the street get show. Mike if he rock the house and you know what I'm saying. Now when he's on a mic, there will be no delaying. So you better run to see him in your neighborhood. He's rapping, rocking all the way to Hollywood. Hey, check it out, these are the words we say. Yo, scream with us, we need a holiday. We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday. Put your arms in the air, let me hear you say. We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday. Put your arms in the air, let me hear you say. We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday. Mike and Dean and Sven, we're here to stay. We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday. Hey, check out the new style we just play. We are going on a summer holiday. If you want to go, you're Sven. We're going to London and New York City. And we take a little piece of Amsterdam. Right! We are going on a summer holiday. If you want to go, you're Sven. We're going to London and New York City. And we take a little piece of Amsterdam. Right!

I want a holiday, I've screamed a lot. The only thing that's cool, the only thing I've got. That's when Sven's parents told me, I better go. 'Cause Sven hanging on the street in the street get show. And about rocks, what happened to you? I told them it's my life and I know what I'm doing. I started at school, I thought I'd never stay. Give me seven weeks again, I need my holiday.

Well, this is my partner with the number one jam. Famous in the boogie Bronx and Amsterdam. He's the fastest rapper, yo, the name is Mike G. His rap is stronger than the soccer MC. Well, let me show you what my man can do. Rapping, rocking, popping, and the boogaloo too. But anyway, no more delay. Just listen to the beatbox he will play. My name is MC Sven and I'm also DJ. I didn't like the school, so I took another way. You're like the Mike and G, so I use my voice. As soon the body goes, it's a big Rolls Royce.

That's right. My name is Mike G. I use the holiday with the F-I-C. On the street was a party bigger than Hollywood. I grew up in this world, started in the neighborhood.

We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday.

Put your arms in the air, let me hear you say.

We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday.

Put your arms in the air, let me hear you say.

We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday.

Mike and Dean and Sven, we're here to stay.

We're gonna ring-ring-a-dong for a holiday.

Hey, check out the new style we just play.

We are going on a summer holiday. If you want to go, you're Sven. We're going to London and New York City. And we take a little piece of Amsterdam.

Right!

We are going on a summer holiday. If you want to go, you're Sven. We're going to London and New York City. And we take a little piece of Amsterdam.

Write is a thing most rappers do. Yo, I can write my own shit too. I can understand things most rappers say. Because rapping is my thing and I do it every day. I'm the number one rapper, yo, my name is Sven. I can rap more raps than a Superman can. So I'm the guy on your radio. Also rocking to the rhythm is very aerial.

And you don't stop the party rock. You won't stop the party rock. Yo, spell my name right, I'm Mike G. M-I-K-E R-N-G-U-C. Yo, M is microphone and G is genius. Mike and G in the house, that's serious.

And you know that, and you show that. It's time, Sven, so let's go back.

We are going on a summer holiday. We're going to London and New York City. We are going on a summer holiday. We're going to London and New York City.

Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.