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Ideias Feitas com o comentador observador Alberto Gonçalves. Viva, Alberto.

Olá, muito boa tarde.

Viva Alberto Gonçalves. E neste início de semana, o Alberto Gonçalves quer falar sobre um tema específico: a liberdade de expressão em Espanha e não só. Temos visto também, nos últimos dias, imagens de tumultos nas ruas de várias cidades espanholas, em particular na cidade de Barcelona, depois dessa detenção e da prisão de um rapper, Pablo Hasél.

É verdade. Eu estive ontem virtualmente na TVI, porque me pediram para comentar o assunto e porque me pediram, eu aceitei e respondi às perguntas que me fizeram. E aquilo que eu disse, sobretudo, foi que acho que não faz sentido nenhum prender alguém, seja quem for, por delito de opinião, por aquilo que diz, mesmo que aquilo que diga sejam as extravagâncias grotescas que esse rapper em causa costuma dizer ou tinha dito. Ele fala do gosto que teria em ver morrer o político X ou o político Y, ou figuras da monarquia. Portanto, a criatura em causa é absolutamente indefensável. Agora, a liberdade de expressão dessa criatura não é. Eu acho que é defensável. E a liberdade de expressão, isto é daquelas coisas um bocadinho puristas de se dizer, mas que parece que convém repetir: a liberdade de expressão deve ser defendida, sobretudo quando aquilo que é exprimido não é de nosso agrado. É muito fácil defendermos a liberdade de expressão quando estamos de acordo com a pessoa que está posta em xeque na questão. Agora, quando tudo aquilo que esse rapper diz, para mim, é absolutamente ofensivo. Não digo exatamente ofensivo no sentido que me revolte, mas está nos antípodas daquilo que eu sinto. Mas é aí que eu acho que as pessoas devem ter uma opinião firme sobre o direito à liberdade de expressão, justamente. E vê-se muito na Espanha. Em Espanha, sobretudo, muita gente a protestar a prisão do rapaz em questão. Mas eu perguntar-me-ia se essas pessoas protestariam a prisão, já não estou a falar dos simples delinquentes e criminosos que andam a assaltar lojas e a roubar roupa e eletrodomésticos, etc. Estou a falar das pessoas que, eventualmente, de forma genuína, estão contra a detenção do sujeito. Eu pergunto-me se essas pessoas estariam contra a detenção de alguém que, por exemplo, emitisse opiniões do gênero, mas, por exemplo, contra políticos de esquerda ou de extrema-esquerda, ou alguém que, por exemplo, emitisse opiniões simpáticas ao nazismo. Não é preciso ir tão longe, não é preciso ir para um extremo tão caricatural. Eu pergunto-me até se muitas daquelas pessoas não desejariam a morte ou a prisão, pelo menos, de alguém que defendesse simplesmente a democracia ou as democracias tal como nós gostávamos de as ter. E eu suspeito que muita daquela gente não o faria. E isso é que mostra como este debate de liberdade de expressão está sempre muito inquinado. Sobretudo, por parte da esquerda e da extrema-esquerda, que enchem muito a boca, muito facilmente com a liberdade, seja de expressão ou outras, mas depois estão sempre entenhados em coartar essa liberdade a quem não pensa como eles. Isso não acontece só em Espanha, infelizmente. Hoje em dia temos toda aquela cancel culture, aquela cultura do cancelamento, em que procura abolir a possibilidade de alguém se expressar de forma diversa daquilo que é a ortodoxia da esquerda atual. Vemos pessoas a serem impedidas de falar em universidades, vemos mesmo professores universitários nos Estados Unidos, Inglaterra e qualquer dia há de chegar cá, a serem despedidos por emitirem opiniões discordantes daquilo que é a tal ortodoxia de esquerda. Vemos isso tudo acontecer e não duvido que muita dessa esquerda não se importaria nada de ver essas pessoas na cadeia. Nós estamos muito preocupados com a liberdade de expressão, e eu estou, sinceramente, é um assunto que me é muito caro, mas vejo que muitas pessoas, algumas que não são de esquerda, mas muitas de esquerda, têm uma visão absolutamente deturpada do que é a liberdade de expressão. Para eles, a liberdade termina quando começa uma ideologia ou um vago pensamento ideológico com o qual eles não concordem. Ora, isto é que está absolutamente errado. E isto é que não há nada pior ou nada mais propenso a fomentar o fim da liberdade de expressão. E depois de cair a liberdade de expressão, caem as outras liberdades todas num instante, porque as liberdades não são estanques. A liberdade, no fundo, é uma só: ou somos livres ou não somos. Se deixarmos que a liberdade de expressão fique nas mãos de pessoas que a condicionam às suas opiniões, a liberdade, em geral, nunca dura muito. E essa é uma preocupação que acho que devemos ter no presente em Espanha, nos Estados Unidos, Inglaterra e também em Portugal, que já tivemos tempos mais livres na expressão e muito mais livres no resto, nos movimentos, etc., na circulação e noutros. Só para terminar, e sei que hoje o tempo é mais curto, folgo em saber que hoje os especialistas, mais uma vez, apresentaram exatamente as conclusões no Infarmed. Estou me referindo no Infarmed, não tem nada a ver. Apresentaram exatamente as conclusões que o governo gostaria que eles apresentassem. Portanto, hoje é capaz de não ser mais nenhum especialista afastado das tais reuniões do Infarmed. E vamos continuar confinados em plena liberdade, menos a liberdade propriamente dita.

E o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, até falou em convergência por parte dos especialistas em saúde hoje na sede do Infarmed.

Absoluta, com certeza que sim.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Até amanhã. O Alberto Gonçalves hoje decidiu fazer este Ideias Feitas sobre a situação em Espanha, neste caso também à boleia destes protestos. Barcelona vive hoje este sétimo dia consecutivo de protestos depois da prisão do rapper Pablo Hasél.

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