Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje queres falar sobre o atentado em Sydney, na Austrália, e como o herói, um dos heróis que lutou contra os atacantes.
É, porque parece que para muitas pessoas, mais importante que o massacre, foi o fato de um dos heróis envolvido na situação, no episódio. É um homem muçulmano de 43 anos que desarmou um dos assassinos e acabou ferido, mas felizmente livre de perigo. Isto para quem não soube do pormenor. Agora, houve mais gente a dar destaque ao senhor, que realmente é um herói, do que ao próprio massacre em si. E entretanto, também se sabe que houve atos de heroísmo por parte de outras pessoas que não eram necessariamente muçulmanas, judias ou cristãs, ou sem religião definida. E houve um casal que até morreu nesse processo de tentar evitar que houvesse mais vítimas, mas não é esse o ponto. O ponto, e o ponto ridículo da coisa, foi ver tanta gente empenhada em sublinhar que nem todos os muçulmanos são terroristas e que mesmo entre os súditos do Islão há pessoas decentes. Quer dizer, diziam isto como se tivessem ficado espantados. E como se houvesse alguém sério a sugerir o contrário, a garantir que não haveria nenhum muçulmano decente. Agora, o problema do Ocidente com o Islão não passa por exemplos individuais, passa pelo número e passa pelas consequências culturais do número. E há um problema do Ocidente com o Islão ou do Islão com o Ocidente. Ao contrário do que estas pessoas pretendem dizer, estes disparates que se dizem, ao contrário disso, é um problema que existe e que não é evitado por haver incontáveis muçulmanos que nunca, com certeza, pegariam em armas para disparar sobre inocentes. O problema, ou parte do problema, é a porcentagem de muçulmanos entre o total de criminosos que pegam em armas para disparar sobre inocentes. Porque se um dos heróis de Sydney é, de fato, muçulmano, também ambos os psicopatas de Sydney são muçulmanos. E como são muçulmanos os autores de uma significativa maioria dos atentados por motivação religiosa cometidos no Ocidente, e não só no Ocidente, pelo menos ao longo deste século. É muito raro vermos atentados do gênero perpetrados por cristãos, judeus, budistas, xintoístas, animistas ou ateus. E também não é por medo de ataques de budistas, animistas, cristãos, etc., que os mercados de Natal, por exemplo, e outros lugares de ajuntamento pela Europa são mais vigiados do que algumas cadeias. Ainda hoje houve mais, em Magdeburgo, salvo erro, mais uma tentativa de atentado que foi desmantelada a tempo, felizmente. Mas já é uma rotina na Europa, sobretudo na Europa, mas não só na Europa. Agora, nada disto é uma questão pessoal, que tem a ver com sujeitos específicos. Isto é um confronto de culturas. É um confronto que tende a agravar-se quando uma das culturas é aberta, é tolerante, é permeável, e a outra cultura tende ao totalitarismo, no sentido em que não concede grande espaço à divergência. E às vezes não concede mesmo espaço nenhum. Se uma pessoa quiser ser mais áspera, pode lembrar as palavras, por exemplo, dos falecidos Christopher Hitchens ou do Charlie Kirk, que pediam, sem obter resposta, que lhes dessem exemplos de uma sociedade ou de um país que tivesse melhorado após ter sofrido uma excessiva influência islâmica. Para eles e para outras pessoas como o Douglas Murray, uma série de gente a dizer mais ou menos o mesmo. Para essas pessoas, o peso excessivo do Islão não é desejável por quem prefere viver em sociedades livres. Mas podemos optar pela perspectiva de quem não quer ofender ninguém e está a proclamar que a nossa civilização é melhor do que a deles. Não vale a pena ir por aí ou podemos não ir por aí. Mas há um ponto que permite comparações sem que tenhamos de fazer juízos de valor. Quer dizer, os países ocidentais não tratam os muçulmanos como a vasta maioria dos países muçulmanos trata os ocidentais, os raríssimos ocidentais que há por lá. Isto é uma evidência e é uma evidência que devia ser levada em conta. Claro que isto acontece. Acontece por quê? Porque nós temos liberdade religiosa, beneficiamos dessa liberdade religiosa e orgulhamo-nos dela. E na generalidade do Islão, não há liberdade religiosa e eles não se envergonham de não a ter, ou pelo menos uma quantidade representativa deles não se envergonha disso. E a questão é justamente essa. O que é que nos garante que a propensão para a falta de liberdade nos países islâmicos não se vai tentar reproduzir nos países ocidentais que acolhem quantidades imensas de muçulmanos? Nada nos garante, e tudo, aliás, tende a mostrar-nos o inverso. Porque enquanto caldo cultural, o Islão tem uma vocação de conquista e não é um herói muçulmano ou mil heróis, que com certeza haverá, que vão demonstrar o oposto. O todo é diferente da soma das partes também aqui. E é por isso, já vou terminar, Ricardo. É por isso que em vez de o Ocidente se espraiar em frases lindas sobre harmonia e cantar o Imagine, essas coisas todas, seria suficiente e justo que o Ocidente tratasse o Islão como o Islão trata o Ocidente. Isto não seria uma resignação aos valores deles. Resignação aos valores deles é o que está a acontecer. O empenho em sermos inclusivos, o esforço para sermos muito inclusivos, está a permitir, dentro das nossas portas, um mundo que é fundamentado na exclusão.
E amanhã mais "Ideias Feitas". Um abraço, Alberto. Até amanhã.
Um grande abraço, Ricardo. Até amanhã.
O "Ideias Feitas" conta com o apoio do azeite Talismã.