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Desfazemos ideias feitas como é habitual com o Alberto Gonçalves. Alberto, boa semana. Bem-vindo.

Olá, boa tarde e boa semana.

Obrigada. Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. E hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre a ciência por detrás das medidas do primeiro-ministro António Costa.

Pois, na sexta-feira eu dei o título ao "Ideias Feitas" e dei o título era uma pergunta. E a pergunta era: será que já podemos chamar a isto, à gestão da Covid, uma palhaçada? O título era mais ou menos este, estou me a lembrar de cor. E acho que a resposta é sim. Agora está mais ou menos claro, sobretudo depois da intervenção do doutor Costa no sábado à tardinha. Ele pode deslocar-se, fazer as intervenções que quiser. O povo português, os que obedecem, ficaram em casa a ouvi-lo muito atentamente, com certeza. E a intervenção dele mostrou que, ao contrário, ou tal como muita gente já suspeitava, estas medidas que vão saindo não são fundamentadas em qualquer espécie de ciência. O doutor Costa mostrou uns recortes de jornais, umas fotocópias, uma coisa assim. As medidas vão saindo avulsas e diárias, praticamente diárias, semanais pelo menos, ou e quinzenais de certeza, de acordo com as notícias que o doutor Costa vê e que lê, o que lhe passam para a mão, e com base nisso se define toda a estratégia para o combate à Covid e ao mesmo tempo se destrói a economia de um país e a paciência, pelo menos de muitas pessoas. Eu percebo que o doutor Costa queira mostrar, o objetivo dele é fingir que está a fazer alguma coisa, que sabe o que está a fazer, quando obviamente não sabe. Não é que seja fácil gerar uma política para uma situação destas, mas obviamente que as políticas que têm sido seguidas são desastrosas para várias frentes, incluindo para a Covid, mas sobretudo para a economia, etc. Agora, ele podia se esforçar um bocadinho mais, podia fingir melhor. Esta coisa dos recortes dos jornais já mostra que já não há grande necessidade do poder sequer se esforçar para mostrar que está a fazer. A necessidade de mostrar trabalho já não é muito grande, portanto, já qualquer coisa serve, incluindo uns recortes de jornais, e depois com base nisso se define toda uma estratégia. Ainda para somar a isto, aquele português de trapos a quem o doutor António Costa infelizmente fala habitualmente. Portanto, que ainda torna tudo mais confuso e mais deprimente. E com base, não na ciência, mas nos recortes de jornais e noutros fragmentos de informação, se é que podemos chamar a isto informação, o governo decreta regras sem pés nem cabeça e depois há exceções para o Partido Comunista ou para quem lhe apetecer. E agora também parece que já pode decretar internamentos compulsivos, e estes internamentos compulsivos não têm que ser necessariamente, segundo prevê agora numa nova lei, não sei se é exatamente uma lei que se chama, uma adenda a estas regras do estado de emergência, prevê que as pessoas possam ser, se estiverem infetadas ou se lhes disserem que estão infetadas, se decidirem assim, as pessoas podem ser internadas. Isto é um exemplo de uma das regras totalmente absurdas. Podem ser internadas num hospital ou onde as autoridades decidirem. Ou seja, qualquer dia temos campos de confinamento. Se os hospitais não tiverem vagas, temos campos de confinamento para quem testar positivo à Covid. E o interessante disto, interessante não necessariamente no bom sentido, é que as pessoas aceitam. Há pessoas que aceitam porque não têm outro remédio, mas que estão desesperadas, porque veem as respetivas vidas a andar para trás. E há pessoas, que não sei se não será uma maioria, que acham que as autoridades estão a agir bem e aceitam isto, e independentemente disso, acham que não há problema nestas medidas absolutamente restritivas. Ainda hoje me contaram, uma pessoa que furou este estado de confinamento sucessivos, foi até Madrid, que ainda há pouco tempo tinha surtos muito maiores do que em qualquer local de Portugal, que eu saiba. Em Madrid as lojas todas funcionavam, estava tudo aberto, os restaurantes, as esplanadas, etc. As pessoas usavam máscara, é obrigatório, mas a economia pelo menos tentava funcionar, e acho que funcionava. E a Espanha é um caso também que tem outro governo bastante caótico e cuja gestão é muito questionável. Mas voltando ao que eu estava a dizer, as pessoas aceitam isto de bom grado. Eu nem sei se o português médio acha que o governo está a agir bem. O português médio gosta da ideia de poder estar em casa e receber o seu salário, ainda por cima agora, a que acrescem umas tolerâncias de ponto e permite fazer umas miniférias aqui ou acolá. Eu acho que o medo da Covid, e o medo é aquilo que tem sido estimulado por um mau líder como é o doutor Costa. Um líder de um país a sério combate o medo e combate o medo da população, seja numa questão de pandemia, de doença ou questões muito piores, como uma guerra etc. A função de um líder é não inspirar medo à população. O que o doutor Costa tem feito é inspirar medo. Ele até já desvalorizou vagamente a ideia da vacina, depois havemos de voltar a isto outro dia. Ele já desvalorizou um bocadinho a ideia da vacina, que não se pode confiar excessivamente ou qualquer coisa assim do gênero. Ou seja, o medo tem que ser permanente na decisão, na mentalidade, na cabeça das pessoas. As pessoas têm que estar tolhidas pelo medo. Mesmo que não tenham medo, as pessoas gostam da ideia de estar em casa e de receber o seu salário. E este medo terminaria e esta espécie de De confinamento suave no sofá da sala a ver a Netflix terminaria quando as pessoas que contam com um salário certo e que, em função disso, obedecem sem problema nenhum e até com alguma alegria estas loucuras do governo. Quando essas pessoas perdessem uma percentagem nos rendimentos, vamos dizer, semelhante à das pessoas que obedecem porque não têm outro remédio. Para as pessoas que trabalham por sua conta. Há uma certa divisão aqui entre os funcionários públicos e os que não são funcionários públicos, como é lógico, mas nem todos os funcionários públicos têm prazer em estar em casa sem trabalhar e nem todos os privados têm a visão oposta. Não quero reduzir tudo a isso, mas há uma certa clivagem com base nestas duas realidades, na separação entre o setor público e privado. Há muita gente que está em casa, que acha muito bem estar em casa, que acha muito bem que tenhamos todos os cuidados para com a Covid, mas que mudaria imediatamente de posição se visse que os seus rendimentos estavam em causa. E aí, sim, veríamos descontentamento a sério nas ruas, como se vê em muitos outros países, que as pessoas estão cheias disto por mais do que um motivo, por uma questão de simbolismo, de não quererem ser submissas ao poder, por uma questão económica, sobretudo, porque a questão económica é fundamental. E porque acham que há uma ilegalidade ou pelo menos uma imoralidade nestas medidas que tendem a fechar as pessoas em casa sem nenhum critério plausível, a não ser os tais recortes de jornais. Nenhum critério razoável. E neste momento o descontentamento vai crescendo, isto vai aumentando e para já em dedo uns poucos. À medida que a economia começar a afetar, em que os poucos sejam um bocadinho mais. Esperemos não chegar lá, eu acho que não vamos chegar lá, mas se chegasse a um ponto que até os salários dos funcionários públicos pudessem correr alguma espécie de risco, estaríamos num descontentamento muito mais vasto e nada salvaria o doutor Costa nesse processo, mas o problema aí já não era o doutor Costa, o problema era o país. O que eu gostava não era especialmente que o doutor Costa saísse de primeiro-ministro, não vê-se daí mal nenhum, pelo contrário. O que eu gostava era que o país não descesse a um fundo tão grande, a uma miséria tão grande em que isso fosse inevitável, em que fosse inevitável ocorrer com um governo, fosse este ou outro qualquer. Não é por aí. Acho que este governo merece ser corrido, quando os portugueses tiverem a oportunidade disso, mas não por desespero e por miséria. Chegar a esse ponto é que era de evitar. E esperemos que esta história da vacina, e por muito que o doutor Costa e algumas pessoas venham desvalorizar a vacina, parece que as vacinas são reais e parece que são eficazes, etc. E esperemos que Portugal, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, na vacina da gripe, por uma vez, as autoridades da saúde façam alguma coisa bem feita e consigam trazer a vacina para Portugal, mais ou menos ao mesmo tempo que os países civilizados estão a trazer a vacina para os países deles e que já têm os planos avançados. Vamos ver se isto acontece. Espero sinceramente que sim.

Para já têm havido algumas dúvidas sobre essa questão da distribuição, se está ou não tudo a ser preparado. Ainda hoje a própria Organização Mundial da Saúde chamou a atenção para isso mesmo, essa necessidade não só de olhar para a evolução científica e para os avanços por parte das farmacêuticas, mas também para a questão da distribuição.

Assegurar uma distribuição por causa das questões da refrigeração, especialmente a vacina da Pfizer parece que precisa de 70 a 80 graus negativos para se manter eficaz, para poder ser administrada, etc. Sim, é verdade. Eu não tenho dúvidas que países como os Estados Unidos ou Inglaterra ou Alemanha, que vão conseguir mais ou menos, com maior ou menor êxito, mas que vão ter êxito, no fundo. Vão conseguir exercer os programas de vacinação com sucesso. Tenho muitas dúvidas do que pode acontecer em Portugal e, sinceramente, acho que se o governo quer sobreviver, nenhum governo sobreviveria ao facto, no caso do governo português, não sobreviveria quando os portugueses tivessem a noção de que todos os países da União Europeia, por exemplo, tinham programas de vacinação que estariam a correr bem. E Portugal seria uma exceção a isso, como foi uma exceção na vacina da gripe e como é uma exceção, infelizmente, em toda esta gestão. Só para terminar, tem-se dito que esta história do confinamento e estas medidas, que têm existido em todos os lugares, em todos os países. Existem algumas medidas em todos os países e há países mais restritivos, países menos restritivos. O que se passa em Portugal, o problema não é existirem medidas ou deixarem de existir medidas, o problema é as medidas obedecerem, não se percebe a quê. Ou deste sábado ficamos a perceber, a recortes de jornais que alguém entrega ao doutor Costa e ele decide com base nisso. Pronto.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Ficam hoje as dúvidas e as perguntas também de Alberto Gonçalves, a propósito destas medidas que têm sido anunciadas por parte do governo com esta premissa, a ciência por detrás das medidas do primeiro-ministro António Costa.

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