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Hora de desfazer ideias feitas. Junta-se a nós o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Neste início de semana, o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre esquemas, mudanças de estratégia e inversões de marcha. Que inversões são essas, Alberto?
Parece que de repente mudou tudo, ou quase tudo, no que diz respeito à forma de lidarmos com o vírus. Tivemos o doutor António Costa a dizer para sairmos para a rua e a avisar que se não morrermos da doença, morremos da cura. Portanto, temos que ir todos consumir. Ele já foi dar o exemplo, como relataram os media, de ir comer um folhado e tomar um café ao pequeno-almoço e depois foi almoçar perto de um restaurante algures em Lisboa.
Perto do Bairro Alto.
Ok, obrigado. Ele está a dar o exemplo de irmos todos para a rua e alguns portugueses saíram para a rua no sentido de ficarem sem emprego, mas isso é outra questão. Tivemos a Ministra da Saúde a citar a famosa frase de um político a sério, aquela de que mais do que do vírus, temos de ter medo do próprio medo. Temos também recomendações da Organização Mundial de Saúde a dizer que, pelos vistos, o vírus já não se propaga através das superfícies, não fica ativo nas superfícies. Portanto, podemos aparentemente tocar no que quisermos e a questão da desinfeção das mãos já passa a ser redundante. Também a Organização Mundial de Saúde informou que desinfetar as ruas agora é prejudicial, até agora era essencial. Ou seja, o que se está a dizer, e sem o dizer, sem o assumir, é que isto foi tudo, muito provavelmente, um exagero enorme e uma histeria que destruiu boa parte das economias mundiais. E no caso dos países frágeis como o nosso, vai ter outras consequências essa destruição. E agora, o que se está a dizer, mais uma vez insisto, sem se dizer, é que há que voltar atrás e fingir que nada aconteceu e ninguém teve culpa disto, porque esta gente, estou a falar dos nossos governantes em particular, não só é incapaz de assumir a culpa pelo mal que fez e pelo zelo a que chegou na reação ao vírus, mas está a aproveitar esse mal que fez para retirar dividendos políticos. E se estivermos atentos às sondagens, com muito sucesso, tem conseguido. O doutor Costa agora passeia-se pelo país, tem o eleitorado nas mãos. Depois, apesar de tudo, há uma certa esquizofrenia nisto tudo, porque ainda há resquícios. Eu acho que eles não combinaram muito bem o desconfinamento e esta nova atitude a ter perante o vírus, porque ainda ontem reparei que os canais, eram da RTP, mas não sei se os outros também estão assim, continuam a ter no cantinho uma hashtag de "fica em casa". E também ainda ontem, anteontem, passei em autoestradas e aqueles letreiros luminosos aqui e ali nas autoestradas continuam a transmitir a mensagem da DGS para ficarmos em casa. Há umas mensagens que são absolutamente contraditórias. Claro que os políticos mudaram muito depressa e não deu tempo, provavelmente, de atualizar as hashtags televisivas e os letreiros da autoestrada. E depois só queria aqui, para terminar, referir dois ou três casos peculiares. Primeiro, que ainda continuam a persistir. Quer dizer, continuamos com o uso obrigatório das máscaras, que dantes davam a tal famosa falsa sensação de segurança e agora são uma espécie de farda obrigatória para a população em peso. Sobretudo desde que se soube que a empresa de um socialista, que já fabricou milhões delas, um contrato razoável com o Estado e as ditas máscaras, pelos vistos não têm certificado, não reúnem as condições para protegerem alguém de outra pessoa. Portanto, não servem para absolutamente nada. Mas pronto, foi um socialista, que acho que se chama João Cordeiro e foi candidato à Câmara de Cascais, que agora, de repente, se converteu em produtor de máscaras cirúrgicas ou sociais, como se diz. E com isso conseguiu fazer um negócio interessante para ele, mas pelos vistos é um negócio menos interessante para o Estado. E depois temos também aquele manual que saiu para quem quiser ir à praia. Um manual de 34 páginas com centenas de regras, mas que felizmente o Presidente da República já deu o exemplo e já arranjou, nas próprias palavras dele, na expressão dele, um esquema para contornar o manual e conseguir que uns pescadores lhe emprestem um barco. Ele vai não sei onde tomar um banho, não sei se é de noite ou coisa assim do gênero. Portanto, o Presidente da República já informou os portugueses que podem arranjar uns esquemas para contornar estas regras e regrinhas absurdas com que nos estão a brindar numa altura em que, pelos vistos, é para regressar à normalidade total e esquecer que esta história do vírus no fundo existiu. O vírus continua. Tanto quanto se sabe, o vírus é exatamente o que era, está por aí. Algumas pessoas vão contraí-lo, outras não, e ele piora umas, não faz nada a outras. E isto vai continuar tudo igual, com a diferença que tivemos dois meses e tal de economia interrompida e com as consequências. E no meio disto há ricos e pobres, mas palhaços, ou pelo menos a fazerem-nos de palhaços, há muita gente interessada.
Obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves neste início de semana, a desfazer ideias feitas sobre esquemas, mudanças de estratégia e inversões de marcha. E nós esperamos também que não haja necessidade de fazer uma marcha atrás no combate à pandemia.
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