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"Ideias Feitas" com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. Viva, Alberto.
Olá, boa tarde.
Viva Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre o Serviço Nacional de Saúde, mas também sobre um candidato presidencial que terá falado nas pessoas que a reação à Covid-19 acabou por matar.
Sim, temos visto uma pré-campanha presidencial absolutamente desinteressante, para não dizer deprimente, e fala-se de assuntos pouquíssimo relevantes. Ontem houve uma exceção: o candidato Tiago Maia Gonçalves, que posso garantir, ou quase garantir, que não é meu familiar e não o conheço. É o candidato da Iniciativa Liberal, que falou num tema que é realmente importante e que ninguém discute, muito menos os candidatos presidenciais, que são as pessoas que morreram e que não precisavam ter morrido em consequência desta estratégia de reação à Covid. Ele culpou, primeiro responsabilizou a Ministra da Saúde. Fez muito bem, acho que faz sentido, embora a Ministra da Saúde tem quem mande nela e manda totalmente nela. Até certo ponto, a responsabilidade da senhora é diminuta, mas em termos nominais é ela que dá a cara pelo ministério e é ela que dá a cara por esta estratégia de combate à Covid, que excluiu milhares de pessoas. Acho que já são 10 mil mortos em excesso, porque estavam doentes de outras formas que não a Covid, doenças oncológicas, que tiveram infartos, que tiveram AVCs, etc., etc., e que não foram tratados para concentrar todo o serviço público de saúde no tratamento à Covid, concentrar boa parte, uma parte nitidamente excessiva do serviço de saúde, no tratamento à Covid. Isto mostra, por um lado, no caso da senhora ministra em particular e do governo que ela representa em geral, uma aversão ao sistema privado. Nunca nada foi alargado ao sistema privado no combate à Covid. Concentrou-se tudo no setor público e, naturalmente, é um setor que, como qualquer outro, tem limites. Não se pode estender indefinidamente e restringiu-se logo à partida uma série de possibilidades que haveria no combate à Covid, que por convicções ideológicas este governo não quis aproveitar. E agora no plano de vacinação parece que vai ser a mesma coisa, vai ser tudo concentrado no setor público, o que vai originar um plano de vacinação com uma eficácia, em termos de número, muito inferior à que vai acontecer noutros países em que há hospitais privados e clínicas privadas, etc., que estarão eventualmente habilitados a dar as vacinas. Agora, o pior disto tudo é uma ideia que nos querem vender de que toda esta estratégia para salvar a Covid é para evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde. Ora, o Serviço Nacional de Saúde, ao excluir larguíssimos milhares de pessoas, são muitos, e entre elas estas 10 mil que morreram desnecessariamente e cruelmente, o Serviço Nacional de Saúde aparentemente já entrou em colapso desde março. Não sei se é um colapso real, se entrou em colapso real ou se é um colapso preventivo, em que eles resolveram semifechar todo o sistema de saúde pública em Portugal, fechá-lo de forma largamente excessiva, para concentrar as atenções na Covid. Não sei se isso é uma estratégia deliberada, se provém da incompetência. A verdade é que morreram milhares de pessoas que não deviam ter morrido. Vimos a insensibilidade do Governo há três anos, quando foi aquela dupla fase de incêndios, com aqueles mortos todos. Tivemos cento e tal mortos por incêndios florestais, que é uma coisa quase nunca vista no mundo. Agora temos, pelos vistos, cerca de 10 mil mortos resultantes da irresponsabilidade, da inépcia ou de ações deliberadas deste governo, e que são 10 mil mortos de que ninguém se lembra. Eles não são mais nem menos importantes do que as pessoas que morreram com a Covid. São pessoas que morreram e que são um número, por acaso, superior. Não é que isso seja o grande fator, mas por acaso também conta, também não é um fator despiciendo. São um número superior às pessoas que até agora morreram de Covid. E é um número que também, como as pessoas que estão a morrer de Covid, tende a aumentar. E não vejo ninguém, lá está, muito menos os senhores candidatos presidenciais, com exceção do Tiago Maia Gonçalves, falarem num assunto que devia preocupar. Acho que tem alguma relevância, porque são milhares de portugueses, compatriotas nossos, que foram desta para melhor por uma ação deliberada. Não me passa pela cabeça que a senhora ministra e o doutor Costa, que manda na senhora ministra, obviamente, tenham querido matar deliberadamente portugueses. Obviamente que não é esse o caso. Agora, as ações deles têm consequências. E a consequência, neste caso, foi esta: estamos a matar pessoas para salvar o SNS, o Serviço Nacional de Saúde. Deveria ser ao contrário, o Serviço Nacional de Saúde deveria servir para salvar pessoas. E estamos a proceder ao contrário nisto, como em muitas outras coisas. Nesta é mais grave do que nalgumas outras, porque não mexe só com questões econômicas ou com questões de compadrios e corrupção, etc. Isto mexe mesmo muito diretamente com a vida das pessoas. Vida que para 10 mil já se acabou.
Obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves hoje dedicou o "Ideias Feitas" também às declarações do candidato à Presidência da República, apoiado pela Iniciativa Liberal, Tiago Maia Gonçalves, que durante uma entrevista também na RTP criticou a Ministra da Saúde pelas opções tomadas no combate à pandemia, afirmando mesmo que a ideologia do Governo matou muita gente em Portugal.
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