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Bem-vindos ao segundo Impacto em Saúde. É uma série de quatro podcasts em torno dos Top Health Awards, os prêmios que reconhecem projetos e talentos que contribuem para a criação de mais valor e resultados em saúde. Neste episódio, vamos abordar uma das quatro categorias do prêmio: Integração de Cuidados de Saúde. É nosso convidado o professor Francisco Velez Rocha, membro do júri Top Health Awards, presidente do ISEG Executive Education. Professor, bem-vindo. Obrigado, antes de mais, por ter aceitado o convite.
Muito obrigado.
Professor, o que se pretende premiar com a categoria Integração e Cuidados de Saúde?
Um dos temas que em saúde mais é apelativo é o tema da integração em cuidados de saúde. Infelizmente, não tão eficaz e eficiente no sistema e no Serviço Nacional de Saúde como o desejado, mas, de qualquer forma, o tema por excelência. Ainda que o Sistema Nacional de Saúde, o Serviço Nacional de Saúde, é muito hospitalocêntrico, é na integração de cuidados que deve estar o principal eixo do desenvolvimento. Ao querer premiar uma categoria da integração de cuidados, naturalmente, os temas que estão sempre presentes mentalmente é a forma como o cidadão, no centro do sistema, é seguido de uma forma integrada. Quer dizer, se eu vou a um centro de saúde e tenho determinado tipo de patologia, doença, patologia é a designação técnica, e sou um doente crónico, por exemplo, um diabético, ou sou um doente agudo, por exemplo, uma dor de rinje, qualquer daquelas complicações, como por exemplo uma apendicite, é natural que a integração de cuidados a partir do centro de saúde se possa seguir depois nos cuidados hospitalares. E é esse o tema de excelência e o desafio que se coloca a muitas organizações em geral, incluindo autarquias, IPSSs, mas sobretudo unidades de saúde, quer públicas, quer privadas. Afinal, o que é que podemos fazer para que o cidadão, independentemente da sua característica, da sua origem, da sua raça, etc, possa ser seguido e de uma forma integrada, não tenha que estar sempre a repetir os mesmos dados, a saber exatamente o que tem que dizer ao médico ou ao enfermeiro, o que é que lhe aconteceu há 15 dias, mas fazê-lo de uma forma que seja progressivamente mais tecnológica, ou seja, com base numa lógica digital, numa plataforma que se chama, normalmente, o Registro Nacional da Saúde, que não existe ainda com rigor e com aquilo que se chama a vontade de fazer mais e melhor para conseguir, em particular, maior felicidade e bem-estar na sociedade.
Que é o que se pretende, não é?
É o que se pretende.
Professor Francisco Velez Rocha, pode dar-nos exemplos, em abstrato, de tipos de entidades ou projetos que encaixam nesta categoria?
Em primeiro lugar, naturalmente, e por lógica do sistema, do funcionamento do sistema, todas as entidades de saúde públicas e privadas que possam, pelo menos, até em articulação com associações, trabalhar com o mesmo objetivo, que é colocar o cidadão no centro do sistema e o doente, quer seja crónico, quer seja agudo, como o principal objetivo de otimização dos cuidados a prestar. Mas isto não impede que outras equipes multidisciplinares e que não sejam diretamente ligadas à saúde, mas sejam também ligadas ao social, incluindo a saúde mental, que é um tema muito crítico na sociedade portuguesa atual, possam candidatar-se por forma que nós sintamos que, na verdade, o sistema está a evoluir para uma integração real, efetiva, e não apenas que vem nos chamados planos de saúde urgentes ou não urgentes, ou inclusive nos chamados sistemas de aliciamento dos eleitores, que são os programas eleitorais. Isso é muito importante. E aí, claramente, eu também chamava a atenção, e pelo menos penso que era muito importante, que entidades, muitas vezes que não consideramos ligadas à saúde e ao social, também o pudessem fazer. Estou a lembrar-me dos estudantes universitários espalhados pelo país inteiro, que têm nos politécnicos e nas universidades um know-how, um conhecimento do que se passa no dia a dia, muito maior do que muitas vezes pensamos, que possam associar-se e fazer, através das suas associações de estudantes, através dos seus mecanismos de integração social nas cidades, quer sejam do interior, quer sejam mais do litoral, por forma a poderem candidatar-se e inovar em situações em que muito habitualmente pensamos: "Isto é só fácil e bonito nos países nórdicos, como a Suécia, ou a Dinamarca, ou Noruega". Mas aqui, num país como o nosso, eu acho que é cada vez mais importante e interessante. Os jovens são muito melhores do que muitas vezes os velhos os consideram.
São inquietos, não é?
São inquietos. Muitas vezes até se diz: "Ah, e tal, isto está a mudar muito, isto está cada vez pior". Valores, princípios e valores têm algumas mudanças. Agora, capacidades, competências e talentos dos mais novos, eu acredito vivamente donde achar que não é só às entidades da saúde, às IPSS, às câmaras municipais, que devem candidatar-se a prêmios como este, mas também organizações como associações de estudantes que tenham, na perspectiva de integração social e, sobretudo, intergeracional, uma visão pragmática e orientada para bons resultados, felicidade e bem-estar social.
Professor Francisco Velez Rocha, que importância tem este tipo de iniciativas como os Top Health Awards e qual a importância deste tipo de iniciativas para o ecossistema, digamos assim, da saúde?
A saúde é o bem fundamental E é tão fundamental que um dia acontece uma coisa terrível que é de morte. Até lá, é preciso ter a noção exatamente de que a saúde, e isto na minha convicção, e já geri hospitais do Serviço Nacional de Saúde, e um deles até uma unidade local de saúde, que é do litoral alentejano, é muito importante que se perceba que é o maior e o mais complexo sistema que temos em Portugal. A justiça é difícil, é complicada. A defesa é complicada. A administração interna é complicada, mas a saúde é de uma complexidade brutal. Mas o seu peso é crescente, por uma razão. Primeiro, a longevidade. Porque a longevidade não é apenas por alteração do código genético, é por alteração dos medicamentos, a chamada tecnologia da saúde. Depois, por outra razão, temos muito mais e melhores infraestruturas de prolongar a vida. E esta dimensão do prolongar da vida tem, naturalmente, no setor da saúde, um peso, que é o investimento. Mas tem um desafio muito crítico, que é nós conseguirmos olhar para a forma como o setor evolui e o integrarmos com o social. Portanto, setor da saúde, para mim, integrado com o setor social de uma forma conceptual, mas sobretudo prática, é o setor que maior, ou são os dois setores, mas o primeiro a saúde, o que maior importância tem na sociedade portuguesa atual. Por quê? Porque a vida é o bem fundamental e até não é aquela história da saúde não tem preço, etc. Isso é tudo uma grande conversa, mas é importante ter presente que é aí que está o setor da saúde. E o setor da saúde é um setor exportador por excelência, importador também, em particular de tecnologias da saúde, medicamentos, dispositivos médicos, etc. Mas é um setor que tem uma dinâmica de reflexão que neste momento de transformação digital é ainda maior. Ou seja, é talvez o setor onde possa vir a ter o maior efeito a transformação digital em curso. O digital, incluindo a famosa inteligência artificial, que está neste momento très à la mode. Portanto, é muito crítico e este setor é, decisivamente, do meu ponto de vista, o setor mais importante associado ao social, para termos uma sociedade de bem-estar e de felicidade um bocadinho melhor, porque nunca é boa na totalidade.
Daí ser importante reconhecê-lo também através de prêmios como este Top Health Awards. É isso, professor?
Os prêmios eu acho que são uma grande virtude de qualquer sociedade. Não devemos apenas elogiar quando está bem, mas sobretudo concorrer para nos apreciar e nos poderem corrigir. Um prêmio como este é um prêmio que é desafiante, tal como muitos outros prêmios no setor da saúde, mas que tem ainda uma dimensão que me parece mais importante. Neste momento, é diferente ao nível daquilo que é a sua história. Portanto, um prêmio é a primeira vez, dá um grande espetáculo inicial, mas depois à medida que vai avançando, ou se torna trivial ou então se torna inovador. Neste caso, este prêmio, e como membro do júri, posso dizer que tem vindo a renovar-se, a reincentivar-se e sobretudo a incentivar mais organizações a poder olhar para o prêmio, não como apenas mais um prêmio, mas como uma forma de contribuir para uma melhor sociedade.
Muito bem. Professor Francisco Veiga Rocha, muito obrigado. Foi um gosto.
Foi um gosto também.
Foi o segundo episódio de Impacto em Saúde, o podcast em torno dos Top Health Awards. Hoje sobre uma das quatro categorias do prêmio, a categoria Integração de Cuidados de Saúde. Já sabe, as candidaturas terminam no dia 30 de novembro. Concorra, pode encontrar todas as informações em www.tophealthawards.com. Até para a semana.