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Bem-vindos! Este é o terceiro episódio de um conjunto de quatro dedicados aos Top Health Awards, prêmios que reconhecem a excelência, o propósito e o impacto em saúde. Neste episódio, vamos tentar perceber o que leva uma empresa a associar-se a um prêmio desta natureza. Acho que vamos conseguir. São convidados deste episódio Margarida Couto, CEO da Fundação Vasco Vieira de Almeida e membro da Comissão de Honra dos Top Health Awards, e também o Pedro Brito, Executive Director da Nova SBE, instituição que também é parceira do prêmio, apoiando com uma bolsa de formação de executivos. O Pedro Brito é também jurado na categoria Academia Investigação. Viva, Margarida. Viva, Pedro. Margarida, que expectativa tem para esta iniciativa?

Boa tarde. A expectativa vai sempre crescendo à medida que novas edições aparecem, porque o que nós temos sentido é que as candidaturas são sempre de maior qualidade, não apenas uma qualidade do ponto de vista técnico, mas também uma qualidade muito orientada para o mindset e para o posicionamento deste prêmio, que tem um posicionamento muito humanista, muito virado para a saúde, tendo como central o ser humano e o olhar para o outro com a dignidade que ele merece, procurar projetos de maior impacto social. Portanto, temos sentido um robustecer desta iniciativa. É mais reconhecida, é natural, ao fim de mais edições, acaba por ter mais impacto. Ao ser mais conhecida, também atrai candidaturas e inspira outras candidaturas, porque as pessoas revêm-se naqueles que já ganharam e consideram que podem também arriscar mais.

Há um lado aspiracional.

Exato. Acho que tem esse efeito de contaminação positiva que é muito interessante. Portanto, mesmo quem não ganha, por vezes não tem a noção que contribui para a iniciativa e contribui para que ela tenha impacto no ecossistema. Portanto, idealmente, obviamente, não se pode premiar todos, mas eu acho que as pessoas devem se sentir premiadas por aparecerem, porque isso é um contributo que dão para aquilo que são os objetivos destes awards.

Pedro Brito, a mesma pergunta: o que espera dos Top Health Awards?

Em linha com aquilo que a Margarida tinha comentado e não querendo repetir, talvez a consolidação de uma comunidade que promove a inovação, a colaboração e a liderança positiva no setor da saúde. Tal como foi agora mesmo dito, eu acho que às vezes os participantes não têm noção do impacto que a própria disseminação destas ideias pode ter na replicação das mesmas noutras unidades de saúde e noutros locais. Este é daqueles prêmios que promove não só a iniciativa privada com a participação de organizações, mas também de profissionais da saúde, a título individual, mas também em pequenos grupos que se mobilizam para partilhar aquilo que são boas práticas que têm desenvolvido nos seus locais de trabalho e que transformam, muitas vezes, desafios na criação de valor real, não só económico, mas também humano. Portanto, eu pessoalmente sinto enorme orgulho. É gratificante poder participar numa iniciativa que tem como objetivo inspirar a forma como se pensa e como é que se gere na área da saúde em Portugal.

Eu gostava agora de explorar as razões que levam uma instituição a associar-se à atribuição de prêmios como os Top Health Awards. Margarida Couto, por que a Fundação Vieira de Almeida se associou como parceira dos Top Health Awards? Que valores viram neste projeto?

A razão, para nós, foi logo muito óbvia. Nós somos parceiros desde o início. A Fundação Vasco Vieira de Almeida tem como missão a promoção dos direitos humanos. Portanto, logo aí, acho que não há direito humano mais essencial do que a saúde. Quer dizer, obviamente, a justiça. Sou advogada, tenho que dizer a justiça. Acho que apesar de tudo, sem saúde, tudo o resto perde imenso sentido e razão de ser. E portanto, um projeto que tenta humanizar a saúde, que tenta trazer inovação para a saúde, que os projetos que têm um impacto social positivo no ecossistema da saúde vejam a luz do dia, sejam premiados, sejam acarinhados, à partida, tinha tudo a ver com a nossa missão. Mas não chega ter a ver com a missão, porque obviamente há mil projetos por aí, felizmente, que têm a ver com a missão de direitos humanos, depois também tem que ter a ver com o nosso posicionamento. E o posicionamento da fundação cruza muito com o posicionamento desta iniciativa. Primeiro, porque a fundação tudo o que faz, quer fazer em colaboração, ou seja, somos uma fundação demasiado pequena para podermos fazer seja o que for sozinhos. E este prêmio tem uma lógica muito de colaboração, de replicação, de criação de rede, de dinamização de ecossistema, portanto, tem a ver com esse pilar do nosso posicionamento. Por outro lado, a fundação também tenta que tudo aquilo que faz tenha impacto social. Portanto, nós não temos uma abordagem, nada contra, mas não temos uma abordagem assistencialista aos direitos humanos. Temos uma abordagem de mudança, de criação de impacto social positivo e, portanto, estes awards também por aí fazem sentido. E finalmente, porque acreditamos muito que é impossível atingir inovação social e mudança sistêmica sem inovação, impacto positivo social sem inovação. E estes prêmios estão muito fundados numa lógica de inovação. O que se está a fazer de forma diferente, mas diferente e transformadora. E portanto, esta soma de missão mais posicionamento tornou esta nossa ligação muito natural.

Pedro Brito, e uma instituição acadêmica como a Nova SBE associa-se a este prêmio por quê?

Em primeiro lugar, acho que é uma crença pessoal, mas também da Nova SBE. Nós acreditamos que a educação tem um poder de transformação muito grande, é capaz de transformar o setor da saúde, não sozinhos, como é evidente, como a Margarida estava a dizer, mas independentemente da forma como se ensina, eu acho que a educação muitas vezes pode ser associada àquele imaginário de aprendizagem em sala. E é uma mentira. A educação é muito mais lato do que isso. Pode ser na mentoria one-on-one, pode ser na inspiração destas diferentes iniciativas e respectiva disseminação, pode ser em formatos mais tradicionais, pode ser a leitura de um livro. Aquilo que acreditamos é que este multiformato permite muitas vezes chegar conhecimento a quem interessa para fazer melhores coisas e tomar melhores decisões. Portanto, para nós, a forma inovadora como este programa não só recolhe informação, ideias, mas também depois dissemina, é muito interessante. E uma das coisas que nós queremos fazer é pegar em algumas das ideias que são premiadas e disseminá-las dentro da própria formação dos executivos da Nova SBE e junto dos mais jovens, bachelors e masters, para que pouco a pouco estes líderes atuais e líderes futuros percebam o tipo de iniciativas que podem depois colocar em prática nos contextos onde trabalham ou que podem vir a trabalhar. Portanto, o rigor académico aliado também à ligação às empresas, é algo que para nós é muito natural e portanto acredito muito que a educação pode ter um impacto grande neste projeto.

O Pedro apresenta-se na página dos Top Health Awards como uma pessoa que tem, e passo a citar, uma capacidade incomum de concretizar sonhos. Tem aqui uma grande responsabilidade de tornar alguns sonhos realidades. É muito grande, não é, Pedro?

Não fui eu que escrevi isso.

Não. Mas cola bem com a sua personalidade ou não?

Cola bem com aquilo que eu acredito que é possível fazer. E acredito que é possível fazer se nós combinarmos aqui duas ou três variáveis. Ligando aquilo que acabei de falar, o know-how, o conhecimento. Eu acho que quanto melhor conhecimento nós temos, mais capacidade temos de perceber a dimensão dos sonhos que podemos perseguir. Depois há uma parte mais de atitude, o can-do. Portanto, o know-how, depois tens o can-do, esta atitude ambiciosa e aí, sim, eu tenho uma ambição sempre de fazer mais do que aquilo que me é pedido. E a escola faz isso muito bem e acho que este prémio em particular também tem um nível de ambição espetacular, que começou com estas duas promotoras. Na concretização de um sonho, tem conhecimentos, e elas trazem esse conhecimento de base, têm esta atitude de ambição, de ter um impacto no setor, mas falta depois uma terceira variável para concretizar o sonho em realidade, que é o know-who, a rede. E elas têm, à semelhança daquilo que eu acho que a escola faz muito bem, e eu pessoalmente procuro fazê-lo também, de mobilização de uma rede, de uma tribo, de uma comunidade, que partilha o mesmo sonho, mas que só é possível depois concretizá-lo, traduzi-lo, se estiverem todos alinhados na perseguição desse sonho. Portanto, acredito muito nessa crença, mas sobretudo estas variáveis só são possíveis combinar se a última estiver muito presente. Esta comunidade que partilha do mesmo sonho e que contribui de uma forma muito tangível para a concretização do mesmo.

Sobre a responsabilidade de ser membro do júri. É grande, não é?

É grande, mas é espetacular. Aprende-se imenso. Portanto, tem sido um privilégio porque não só tenho a possibilidade de conhecer as pessoas e os prémios, mas também aprendo, mais uma vez, adquiro conhecimento que depois aplico em coisas absolutamente diferentes do contexto do setor da saúde.

Margarida Couto, iniciativas desta natureza são impulsionadoras do setor da saúde no sentido não só de lhes dar mais visibilidade, falámos disso aqui nos últimos minutos, mas também maior resiliência e sustentabilidade?

Eu quero acreditar que sim. O tema da visibilidade eu acho que é importante, porque este prémio dá visibilidade a algo que se não fosse o prémio, provavelmente seria invisível. Há muitas iniciativas muitíssimo meritórias que são trazidas à luz do dia porque este prémio existe, mas que são silenciosas, não se notariam se não surgisse aqui esta tentativa de premiar o que bem se faz na saúde por este país fora. Ao trazer essa visibilidade para cima da mesa, faz com que estas práticas, como o Pedro estava a dizer, também se disseminem e até possam virar tópicos de estudo para executivos ou não executivos ainda nas universidades. Acho que esta disseminação de boas práticas, sobretudo quando são inovadoras, transformadoras, feitas numa lógica colaborativa de serviço ao outro, obviamente contribuem para a resiliência do setor. Portanto, no fundo, a resiliência é a capacidade de absorção de choques e voltar à forma anterior. Acho que é mais ou menos inequívoco que quanto mais for feita a disseminação destas iniciativas, mais o setor se torna resiliente. E depois no final do dia tudo isto contribui para a sustentabilidade, porque às vezes a palavra sustentabilidade está tão batida que nos esquecemos o que ela significa. Mas ser sustentável é ser durável, é resistir muito tempo e se há setor que precisa de ser sustentável é o setor da saúde e, portanto, acho que todos os contributos, por menores que sejam, para essa sustentabilidade são absolutamente essenciais.

Margarida Couto e Pedro Brito, muito obrigado aos dois. Muito obrigado. Se têm um projeto ou iniciativa que faz a diferença na saúde em Portugal, este é o momento de o dar a conhecer. As candidaturas aos Top Health Awards decorrem até 30 de novembro em www.tophealthawards.com. Basta clicar em candidaturas. Até à próxima.