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Bem-vindos à última de quatro conversas intituladas Impacto em Saúde, série em torno dos Top Health Awards, prêmios que reconhecem projetos e talentos que contribuem para criar mais valor e resultados em saúde. Hoje vamos conversar sobre tecnologia e dados em saúde. É convidada Cristina Rodrigues, diretora-geral da Capgemini e jurada dos Top Health Awards. Olá, Cristina, bem-vinda.

Olá, bom dia.

Cristina, por que se associa a Capgemini, e a Cristina em particular, a esta iniciativa?

Antes de mais, agradeço o convite, cumprimentando a todos no estúdio e a todos aqueles que nos acompanham através da antena da Rádio Observador. Antes de responder à questão que me colocou sobre a associação da Capgemini, ou a minha, aos Top Health Awards, gostaria de contextualizar o posicionamento atual da nossa empresa, que represento, que é a Capgemini. A Capgemini é uma multinacional líder em serviços de consultoria, transformação digital e engenharia, com uma presença consolidada em mais de 50 países ao longo de mais de 55 anos e com cerca de 340 mil profissionais em todo o mundo. Em Portugal, estamos presentes há mais de duas décadas, com cerca de 4 mil especialistas, e nos últimos 10 anos temos investido na coesão territorial de Portugal, que para além da presença nas cidades de Lisboa e Porto, criamos valor em regiões do interior, como o Fundão e Évora. Esta estratégia capacita-nos a enfrentar desafios que a sociedade moderna encontra, nomeadamente, como estamos aqui a falar, no setor da saúde. Julgo que este contexto prévio serve de base para a resposta que me colocou, que é a associação da Capgemini aos Top Health Awards, que faz todo o sentido e que surge naturalmente no nosso negócio. Os objetivos desta iniciativa de estimular uma cultura de reconhecimento de boas práticas, que vai também promover o network entre profissionais de saúde e vamos compartilhar ações que impactem positivamente a saúde da população. E isto está intrinsecamente ligado com o nosso propósito, que é libertar energia humana através da tecnologia para um futuro mais inclusivo e sustentável. Essas premissas que temos neste concurso que estamos aqui a fazer de ideias e de processos, são premissas do nosso ADN e das equipes que nós lideramos. E portanto, como temos uma relação de muita longa data com o Ministério da Saúde e associando sempre à missão de trazer mais valias à saúde dos portugueses e dar mais e melhor visibilidade ao talento e aos projetos que impactam a saúde que estamos há mais de 10 anos a trabalhar. Sendo a tecnologia um dos pilares da Capgemini, a área da saúde e inovação associada é um vetor de transição digital. É um pouco como um farol de esperança, a que criamos para conseguir ter resultados experienciados por milhares de pacientes em todo o mundo, fazendo face aos desafios do setor e aos que, hoje em dia, o país atravessa em termos sociais e econômicos.

Muito bem. Cristina, como é que Portugal está ao nível da tecnologia? Somos um país tecnologicamente bem apetrechado no setor da saúde?

Portugal, como todos sabemos, tem avançado significativamente na adoção da tecnologia no setor da saúde. Isto destaca-se em várias áreas e sempre com o objetivo de melhorar a eficiência e segurança, neste caso, da saúde dos pacientes. Nós sabemos que o aumento da esperança média da vida nos últimos 60 anos é um testemunho de progresso nas práticas médicas e na acessibilidade dos cuidados de saúde. Em abril de 23, não sei se olharam, mas o FMI vem dizer que o investimento global, a investigação e desenvolvimento da saúde atingirá 1,5 bilhões de dólares, o que é mais 10% do que em 2022. E, portanto, o que é que isto vai traduzir? Que vamos ter mais 20 anos de longevidade. E portanto, isto vai desenvolver, obviamente, novas vacinas, tratamentos para doenças crônicas, e este impacto, obviamente, reforça que a inovação não se limita ao desenvolvimento médico, mas também envolve toda a implementação de políticas. Portanto, desde tratamentos de última geração até ferramentas de negócio avançadas, a integração da tecnologia na saúde está a presenciar uma era que nunca tivemos. E, portanto, a tecnologia vai redefinir a prestação dos cuidados de saúde, vai também tornar uma maior eficiência clínica e operacional, e vai também suportar a decisão clínica, nomeadamente toda a experiência que o paciente tem nas unidades hospitalares. Hoje em dia, através da monitorização, e a Capgemini é um dos parceiros do Ministério da Saúde, essa monitorização e o tratamento dos doentes e dos algoritmos avançados, aumentamos de forma significativa a capacidade de fazer diagnósticos preditivos, simulações virtuais ou terapêuticas personalizadas. E isto só é possível com soluções tecnológicas que cada vez são mais eficazes e tendo em conta a equidade. Nós sabemos que ter uma patologia como um AVC em Lisboa, não é a mesma coisa que ter no Alentejo ou no Minho. E, portanto, eu diria aqui de uma forma resumida, que Portugal está a dar passos importantes para a evolução contínua e a inovação, implementando a tecnologia nesta área de transição, e isso é essencial para enfrentar os desafios no setor da saúde e consolidar, obviamente, os avanços tecnológicos.

Cristina Rodrigues, há diferenças substanciais entre o setor privado e o setor público?

Na minha opinião, cada setor possui as suas próprias particularidades e desafios, e a colaboração entre eles, o setor público e privado, é essencial, porque acima de tudo, de estarmos a falar do setor público ou privado, nós temos que potenciar e melhorar os cuidados de saúde prestados à população. E esse é o objetivo central dos profissionais de saúde. Logo, o contributo do setor privado para a saúde dos portugueses é uma evidência. Sabemos que fatores como o aumento da esperança média, que eu já falei, de vida e a diminuição da natalidade têm contribuído para o envelhecimento da população. E, portanto, é aqui tirar proveito da capacidade instalada no país, promovendo um ecossistema de saúde que favorece a colaboração desta rede pública ou privada, colocando não a dicotomia pública ou privada, mas colocando aqui o paciente sempre no centro do sistema. E, portanto, a integração da tecnologia avançada desempenhará um papel super importante na otimização das atividades e na melhoria da eficiência dos serviços de saúde.

A inteligência artificial vai marcar o nosso futuro, aliás, já está a marcar também o nosso presente. Ela pode ser determinante no futuro, no setor de saúde, Cristina?

Claro que sim, o mercado da saúde está a crescer, como eu disse, de forma exponencial. Prevê-se aqui um aumento de mais de 1600% entre 2021 e 2030. Isto acordo com o Instituto Statista alemão. Este crescimento reflete exatamente investimentos significativos em inovações tecnológicas que terão impacto global na saúde. Os principais benefícios que temos da inteligência artificial na saúde incluem desde a otimização de processos, à extração rápida de conhecimentos a partir de grandes bases de dados, o suporte à decisão através de contributos e relatórios inteligentes. E, portanto, exemplos práticos de aplicação da inteligência artificial incluem desde a otimização dos diagnósticos, a monitorização da jornada do paciente e ao analisar estes dados gerados, desde o primeiro contacto do paciente até ao final do tratamento, a inteligência artificial contribui para a melhoria da qualidade do atendimento, apoiando as equipes de saúde nas decisões clínicas e reduz, obviamente, os riscos e desperdícios associados de permanências excessivas no sistema. Portanto, a inteligência artificial, só aqui num resumo, tem o potencial de transformar a saúde. Nós ouvimos falar de inteligência artificial, mas temos também o digital twin, os nanorrobôs, que já vimos aqui nas cirurgias da mama e outros tratamentos de longevidade, entre outros. Portanto, as tendências emergentes nesta área são mesmo um testemunho do potencial transformador que temos aqui com a inteligência artificial.

Muito bem, vamos falar de dados, Cristina. Os dados recolhidos pelo setor da saúde, assim como a sua gestão, podem revelar-se críticos para fornecer bons serviços de saúde. Como é que se compatibiliza a necessidade de ter cada vez mais data com a privacidade dos doentes?

Isto é importantíssimo na saúde e não só, mas os dados recolhidos pelo setor da saúde e a sua gestão são fundamentais para garantir os serviços de qualidade que queremos, tendencialmente, sempre de excelência. Para equilibrar esta crescente necessidade de dados com a privacidade dos utentes, as organizações têm que implementar medidas rigorosas de proteção. Estamos aqui a falar da anonimização e a substituição de identificadores diretos por códigos, e essa transparência de recolha e utilização dos dados é fundamental, assim como a adoção de tecnologias de segurança. Por exemplo, estamos a falar de uma encriptação em sistemas de gestão de conhecimento. Estas práticas que temos que utilizar permitem uma análise eficaz dos dados, sem comprometer, que isso é um objetivo criterioso, a identidade dos pacientes. Além disso, os dados e a informação devem ser partilhados de forma segura, tanto dentro da mesma organização, como entre os diversos níveis e tipos de cuidado, como entre as diferentes entidades. E esta abordagem vai permitir que os utentes, juntamente com os profissionais de saúde, e aqui estamos a falar de todos os níveis autorizados, conheçam, acompanhem e consigam gerir a sua ficha clínica, alinhando-se com a iniciativa que todos sabemos que existe, que é o Espaço Europeu de Dados em Saúde, que foi lançado pela Comissão Europeia em 2022, vai entrar em vigor em 2026, e esta iniciativa visa criar um ambiente de confiança e segurança que facilite o acesso e partilha dos dados entre profissionais de saúde, instituições e países. Isto é cada vez mais importante, porque podemos vir ter, em 2026, temos acesso às fichas de saúde em qualquer parte da Europa, em qualquer país. E portanto, temos aqui outro fator importante que é a formação contínua dos nossos profissionais de saúde em práticas de privacidade e daí poderemos maximizar os benefícios dos dados.

Muito bem. Cristina Rodrigues, sem a querer influenciar na qualidade de membro do júri dos Top Health Awards, pode dar-nos exemplos de projetos ou ideias que gostaria de receber e avaliar?

É assim, o setor da saúde tem um forte dinamismo e contribuição na prevenção da doença e, por isso, na promoção da saúde e no bem-estar da população. E claro que tudo isto tem impacto na nossa economia. Este espírito de missão é alimentado por pessoas, que é a nossa base, e organizações com o propósito muito claro de melhorar a qualidade de vida. Portanto, como júri, eu gostaria de receber candidaturas que espelhem esse propósito e o impacto na gestão da saúde ou na doença da população. Estamos no momento, que é o momento de dar palco a estes protagonistas que desenvolvem projetos fabulosos, que se traduzem em resultados em saúde, quer seja na área de tecnologia, quer seja na literacia da saúde, quer seja na integração de cuidados ou no acesso equitativo à saúde. A minha mensagem é muito simples: candidatem-se para que o propósito de quem trabalha para criar impacto em saúde seja reconhecido para além do circuito da empresa ou da instituição onde trabalham. É muito simples.

Muito bem, Cristina Rodrigues. Muito obrigado.

Obrigada eu e espero que tenha contribuído aqui para o sucesso.

Claro que sim. Foi muito rica esta conversa sobre tecnologia e dados em saúde. A última conversa do Impacto em Saúde, um conjunto de quatro conversas em torno dos Top Health Awards. Concorra até o dia 30 de novembro. São quatro as categorias: literacia em saúde, integração de cuidados de saúde, tecnologia e dados ao serviço dos resultados em saúde, diversidade, equidade e inclusão. Que ganhem os melhores. Até à próxima.