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Este podcast é da responsabilidade da Fundação GDA. O que sabem os artistas e o setor cultural sobre fundos europeus? Quais os truques e as dicas que podemos partilhar para alcançar o tão desejado financiamento? Isto não é mais um podcast. São conversas inspiradoras sobre financiamentos europeus com o objetivo de quebrar mitos e passar à ação. O meu nome é Francisco Cipriano e sou o vosso anfitrião. Olá, bem-vindos mais uma vez aqui ao nosso espaço de conversas: Isto Não é Mais um Podcast. Hoje tenho comigo a Mariana Duarte Silva, fundadora do Village Underground e diretora da S'Coola. Bem-vinda, Mariana.

Obrigada!

Vamos falar dos teus projetos europeus, naturalmente. Vamos falar de projetos que tens no Portugal 2020, que tens na Europa Criativa, mas eu gostava mesmo de começar pelo início. E o início é: onde nasce a S'Coola? O que é a S'Coola?

Ok. A S'Coola nasce dentro do Village Underground Lisboa, como um projeto em 2018, que ainda se chamava Acordo Maior, antes de se chamar S'Coola, cujo objetivo era criar um ensemble performativo, com foco na música, que juntasse jovens que morassem perto ou nos arredores do Village Underground, no sentido de retribuir à comunidade de Alcântara aquilo que ela nos tinha dado há cerca de oito anos, que foi receber-nos e podermos lá montar o Village Underground, dentro da estação de Santa Mar, como tu sabes. Esse era o principal objetivo, retribuir à comunidade e proporcionar àqueles jovens que moravam ali e nos arredores, terem acesso à música, terem acesso ao nosso espaço, ao Village, e poderem usufruir do que nós lhes podíamos oferecer em termos de ensino, programa, metodologia ligada à música. E o Acordo Maior começa em 2018, mas apenas durante as férias escolares. E passadas seis edições do Acordo Maior, eu tive a grande ambição de tornar aquilo um programa mais regular, que não se focasse só nas férias. E então começamos a desenvolver a ideia de como é que poderia ser uma academia aberta todos os dias, como é que podíamos trabalhar com mais jovens. E, entretanto, percebemos, ainda durante o Acordo Maior, que o projeto não era só um projeto de impacto social para os jovens que não podiam pagar, mas tinha que ser um projeto bem mais abrangente, uma escola aberta a todos, todos os jovens que também pudessem pagar e que também quisessem usufruir de um ensino não formal da música. Entendemos isso, entendemos que seria um projeto diferenciador no sentido em que iria trazer jovens de todos os contextos sociais e económicos, não só de Alcântara, mas começamos a alargar também a zona geográfica de onde vinham esses jovens. Estudamos e fizemos uma formação na Santa Casa da Misericórdia, na Casa do Impacto, sobre como é que isto pode ser um negócio sustentável. Fizemos a formação do RISE, que a Casa do Impacto disponibiliza, e no final do programa do RISE, conhecemos o Portugal Inovação Social, a equipa do Portugal Inovação, e conhecemos também outros potenciais investidores sociais que se tornaram nossos parceiros, que já conheciam o Acordo Maior desde o início, como o Banco Montepio e a Santa Casa da Misericórdia. Fizemos a nossa candidatura e conseguimos arrancar com a S'Coola numa época bastante conturbada, em abril de 2021, com a pandemia pelo meio, em que tivemos várias dúvidas se faria sentido avançar ou não, mas avançamos e abrimos em abril de 2021, o que é hoje em dia a S'Coola. Agora já é uma academia aberta todos os dias da semana, em horário pós-escolar, que usa uma metodologia diferenciadora, que assenta na escola moderna, ensino não formal da música e que junta muitos jovens de todos os contextos e geografias de Lisboa e da área metropolitana, juntam-se para fazer música de uma forma muito livre e muito mais criativa do que uma escola tradicional.

Ok. Vamos falar de Portugal Inovação Social, mas algumas das questões que eu queria colocar têm muito mais a ver com a forma com a qual vocês olham para as candidaturas no geral. Do ponto de vista da vossa organização, como é que articulam as várias candidaturas, mas talvez começando por este. Como é que foi montar a candidatura, como é que foi encontrar os parceiros, como é que foi fazer este transfer entre as atividades que vocês realizam e aquilo que o Portugal Inovação Social permite financiar?

Eu confesso que claro que estive envolvida no formulário e na candidatura em si, porque muitos dos textos fomos nós que escrevemos e a ideia base da S'Coola estava toda na minha cabeça, mas ajudou muito durante a formação do RISE, nós fazermos a estratégia e termos passado por todos os pontos que são necessários pensar na criação de um projeto desta dimensão. Portanto, a formação do RISE, diria eu, que foi essencial, porque apesar de não te ensinar a fazer a candidatura, não tem essa componente, mas obriga-te a pensar em todos os aspetos.

Estratégicos.

Exato, estratégia, marketing, comunicação, recursos humanos, financeiro, contabilístico. Eu diria que nós já fomos para a candidatura com uma boa base de pensamento crítico sobre o que estamos aqui a fazer e onde é que queremos ir. A candidatura tem uma parte bastante teórica, de fundamentação do que é que queríamos fazer. Essa parte tivemos como parceiro, e continuamos a ter, e já tínhamos desde 2018, desde o Acordo Maior, um parceiro que nos ajuda muito nisto que é institucional, que é a Escola Superior de Educação e de Música Através do professor Abel Arês e da Manon, que eu já vou falar sobre eles mais tarde, com certeza, mas o Abel esteve conosco desde o início e sendo professor, investigador, também com muita experiência em escrever, em fundamentar e em escrever, e também com uma experiência muito fundamentada sobre a metodologia que íamos usar, a educação não formal, a escola moderna, a escola da ponte, com muita fundamentação mesmo teórica daquilo que nós queríamos fazer. Portanto, ele teve um papel fundamental na concretização dessa parte mais teórica. E depois na parte de números, tivemos também ajuda, na altura do mentor que esteve conosco no Rise e que se disponibilizou para, conosco, fazer essa parte mais orçamentação. E depois, não posso deixar de dizer que a minha parceira de vida e de negócio, que faz isso tudo comigo, que é a Ana, ela é advogada e, portanto, também muito habituada a formulários com uma linguagem mais complexa. E foi ela e o Abel que estiveram muitas horas em frente ao formulário para conseguir terminá-lo.

A próxima pergunta tem água no bico, como se diz. O que foi mais difícil fazer? A candidatura ou agora todo este processo de gestão que vem a seguir? Eu sei que tens uma visão um bocadinho crítica, mas eu gostava de ouvir.

Olha, foram as duas coisas muito difíceis, sendo que, sem dúvida, a parte dos reembolsos, se nós achávamos que a candidatura tinha sido difícil, várias vezes dissemos que era peanuts ao lado do que aí vinha, da questão de pedir o dinheiro dos reembolsos. E eu, sim, sou assumidamente uma voz um pouco crítica de todo o processo, porque é realmente um processo que parece ser feito para as pessoas desistirem. E eu sei que as pessoas que estão por trás irão dizer o contrário, mas custa-me acreditar que pensem mesmo que não é assim, porque é mesmo muito difícil. É feito com uma linguagem bastante complexa e não tem em conta que as pessoas que estão à frente de projetos de impacto social ou de outros tipos de projetos nesta área mais criativa e que necessita de financiamento, são pessoas que não têm necessariamente esta mente tão formatada para este tipo de formulários. Portanto, há um distanciamento muito grande, um fosso gigantesco entre o que nos estão a pedir e a forma como nos estão a pedir e a nossa maneira de pensar. Essa é a primeira parte. Mesmo sabendo que, obviamente, isto mexe com dinheiro da Europa, com dinheiro de Portugal, com dinheiro dos contribuintes, portanto, é óbvio que tem que ser uma coisa bastante rigorosa. E nós também pagamos impostos e também temos essa noção. Não queremos estar a distribuir dinheiro por projetos que não estão bem fundamentados, mas há essencialmente uma desconfiança muito grande entre quem está a dar o dinheiro e quem o está a receber. Esse é um ponto de partida que para mim parece, por exemplo, eu venho, como tu sabes, trabalhei em Londres e no Reino Unido, e esta parte da desconfiança não existe. Tu quando fazes os teus impostos no Reino Unido, o Estado não desconfia, o Estado confia que aquilo que tu ganhaste é aquilo que tu vais declarar. Muitas vezes, até no início, quando eu cheguei a Londres, eu recebia dinheiro sem me pedirem fatura. E depois alguém me disse: "Não, isso depois disso vai ser tudo contabilizado, mas não precisas de passar o papel". É muito diferente daqui. Mas esta questão da confiança e desconfiança é mesmo muito importante, porque a desconfiança do Estado em relação à forma como nós estamos a usar o dinheiro é tão presente, é tão castradora e danifica tanto, ao ponto de nos perguntarem: "Mas estes dois euros foram mesmo necessários?" Ou "Esta fatura de gasolina foi mesmo necessária?" Ou "Esta contratação, esta pessoa fez exatamente o quê?" Ou seja, há muitas questões que não deveriam ser colocadas. Nós fazemos o orçamento, nós temos aquela verba e o Estado deveria confiar que a pessoa está a fazer o seu trabalho bem feito. Não deveria questionar tanto e com coisas tão complicadas. Essa é a primeira parte. A desconfiança que eu acho que é mesmo geral do Estado em relação a nós. Aliás, nós vemos, cada vez que há uma multa do IVA ou uma multa do imposto, é logo dia seguinte, pumba, mais uma multa. E depois quando somos nós para reaver esse dinheiro, às vezes, que pagamos a mais, depois ficamos tanto tempo para o receber. Há um desfasamento muito grande entre o Estado e as pessoas, infelizmente. Depois, os timings de resposta e os timings dos reembolsos. A Skula ficou 11 meses para receber um dos reembolsos. Se eu não tivesse a Skula dentro da empresa limitada Village Underground Lisboa, eu teria deixado 10 pessoas sem salários. Portanto, foi o Village Underground Lisboa que assegurou e adiantou o trabalho para pagar o projeto que estava financiado e que não estava a receber o dinheiro que devia receber. Ou seja, para te candidatares ao Inovação Social, e imagino que a outros, tu tens que ter a capacidade financeira de gastar o dinheiro Primeiro e depois esperas um ano para receberes o dinheiro de volta. E essa espera é sufocante, porque são pessoas que não estão a receber os salários.

Sim, e a liquidez financeira, o projeto precisa de dinheiro.

A liquidez, já nem estou a falar só dos salários, exatamente, para nós era o nosso maior peso, mas estou a te dizer de várias coisas, catering, refeições, água, luz, eletricidade, tudo o que é preciso. E portanto, essa espera do dinheiro, também nos mete numa situação de caridade. E não é uma situação, não é uma imagem, como é que eu hei de explicar? Não é o que tu queres sentir quando estás à frente de um projeto assim. Tu não queres sentir que estás a mendigar pelo dinheiro que te é devido. É-te devido porque foi aprovado e portanto, se foi aprovado, tu tens direito a esse dinheiro. E é muito difícil pedi-lo e justificá-lo durante tanto tempo, de uma forma tão difícil de explicar. Custa-me muito ser esta voz crítica, mas tento ser o mais construtiva possível, no sentido de alertar as pessoas para não se meterem neste tipo de candidaturas, se não tiverem uma capacidade financeira ou se não pensarem muito bem, se o dinheiro não chegar, como é que vão pagar às pessoas, porque é mesmo sufocante. E se calhar, pronto, vamos ficar por aqui e falar de coisas mais positivas.

Não, eu agradeço muito o que estás a dizer, porque enfim, não é a primeira vez que eu ouço esse tipo de processo. Eu ando nos fundos há muitos anos, sei exatamente como é que funcionam, sobretudo nestes programas de gestão em subsidiariedade, isto é, que estão debaixo da alçada do Portugal 2020 e que estiveram debaixo da alçada do QREN e dos outros quadros anteriores. Sei também que no próximo período, aquele que já se iniciou, o Portugal 2030, que vai haver aqui uma mudança significativa, portanto, vamos mudar, isto é em linguagem fundos. Vamos mudar dos chamados custos diretos, que é o processo que tu acabaste de descrever, para opções de custos simplificados, que é um processo diferente, tem a ver com entregáveis, tem a ver com a gestão via resultados, com uma esperança que as coisas possam funcionar de outra maneira. Eu participo num grupo de trabalho europeu que trata estas matérias dos custos simplificados e há outros países a utilizar, há uma tentativa de aproximar estes programas dos programas de gestão direta, Europa Creative, Erasmus+, que já está tudo nesta lógica de opções de custos simplificados.

A nova geração de fundos, não é?

Portanto, exatamente, há aqui uma esperança e eu acho que pessoas como tu, que passaram pelo processo, também são vozes interessantes para ouvir e para perceber qual é o caminho que possamos vir a-

Sim, deixa-me dizer que nós tivemos uma reunião também com o Portugal Inovação Social, todos os projetos das parcerias, todos os projetos foram chamados a refletir sobre Portugal Inovação Social com a equipa e todos tínhamos a mesma opinião. Não havia ali ninguém que dissesse: "Não, está a correr tudo bem". E foi um bocadinho duro, penso que para o Portugal Inovação Social foi duro de ouvir, mas logo nessa reunião nos disseram também disso, que a próxima geração de fundos já iria ser dessa forma, o que irá simplificar, e Deus queira que assim seja, e Deus queira que haja mais projetos e que o dinheiro continue a vir e a ser investido neste tipo de projetos, sem dúvida.

Olha, passando agora para a tal abordagem mais positiva, sem prejuízo de ter sido um processo difícil, também foi um processo com resultados interessantes, não é? De certa maneira, também fez com que a vossa organização e que o projeto Skula, em particular, pudesse ver a luz do dia. Fala-me um bocadinho do que é que ganharam, dos recursos, das ideias, do processo do projeto.

É assim, eu faço questão de dizer em todas as vezes que falo da Skula, que o financiamento de arranque foi essencial, porque sabias: "Ok, sim, senhora, o dinheiro está lá, ele vai chegar e eu vou poder gastar do Village, porque sei que ele está ali e que ele vai chegar mais cedo ou mais tarde". Portanto, financiamento de arranque, sem dúvida. Depois houve ali também, não sei se não fomos o único caso, ou dos poucos casos, que no final do financiamento, conseguimos uma extensão de mais seis meses. E isto deveu-se também ao fato de termos conseguido ter uma visibilidade interessante sobre o projeto da Skula e termos atingido resultados da Skula bastante interessantes ao nível do impacto nos jovens e das histórias que estávamos a contar, ao ponto da própria tutela ter vindo assistir a um show da Skula, assim como foi, penso eu, nessa altura, faz agora um ano, assistir a vários projetos ao vivo e fez com que houvesse ali uma aproximação e um contacto, como é que eu hei de dizer? Houve uma aproximação entre o que era a Skula e a tutela do Inovação Social.

Uma certa compreensão também do processo, uma certa simpatia pelo processo.

Uma grande empatia, porque é impossível não teres empatia por estes tipos de projetos. Eu lembro-me da ministra Ana Abrunhosa estar a assistir à Skula e estar com dois jovens ao colo. Eu consegui que fosse a ministra Ana Abrunhosa e o ministro da Cultura, tinha os dois na plateia, e tinha os dois de boca aberta a olhar para o que se estava a passar. E a ministra tinha duas miúdas no colo, irmãs do rapaz que estava a atuar. E é impossível não ficar completamente impactado com o que se passa. Ou seja, de ver jovens que normalmente não teriam acesso à cultura, nem acesso a qualquer forma de fazer música, ou por constrangimentos econômicos, ou mesmo por constrangimentos graves mentais e sociais, porque como eu te disse, nós começamos na pandemia e o primeiro grupo de jovens com que trabalhamos vinham sinalizados pela Santa Casa e Casa Pia, Fundação Aga Khan, instituições, e muitos deles vinham com fobia social, de terem ficado trancados um ano e meio em casa, sem amigos, sem vida, sem escola. E recebemos muitos jovens, praticamente no fim da linha de: "Vamos ver o que é que pode acontecer com eles aqui na Skula". E temos casos de sucesso, de superação e transformação desses jovens. E, portanto, é impossível tu não compreenderes o impacto que estes projetos têm na transformação da vida dos miúdos e também da equipa toda. Estamos sempre a falar disso, da transformação que se deu ao nível da equipa.

Isso é muito importante. Sim.

Da equipa, porque fui eu que escolhi, tenho muito orgulho da curadoria da equipa de facilitadores que consegui fazer, e sei que fui buscar artistas, que hoje em dia são facilitadores, que também estavam, eles próprios, fechados em casa, sem trabalho, sem projetos, e vieram pra nossa equipa e estão conosco até hoje, com nova esperança e com os projetos deles a andarem pra frente. Descobriram uma vocação, além da vocação artística, esta vocação deste lado de composição e de ligação a este mundo da educação mais não formal e desta ligação e empatia com os jovens em si. Já nem digo só empatia com jovens com dificuldades, é empatia com os jovens, ponto. Porque é uma camada, é um grupo de pessoas realmente com características muito interessantes. Que nos fazem pensar e que nos fazem querer continuar. Enfim, isto pra te dizer, é impossível não ser impactado pela magia que há à volta destes projetos ligados à música, à cultura e às artes. E por isso mesmo, a tutela teve essa abertura e nós conseguimos, com a equipa do Inovação Social, estender por mais seis meses o programa. Isto sempre, não falei, mas há sempre investidores sociais que contribuem 30% do valor do financiamento. No meu caso, já te disse, foi o Montepio e Santa Casa. E por acaso o Montepio não quis ficar conosco nesses seis meses, mas a Santa Casa, e tenho que o dizer, porque é verdade, a Santa Casa, como tinha visto o trabalho incrível que estávamos a fazer com os seus jovens, cobriu o valor do Montepio e, portanto, deu-nos essa possibilidade de fazer mais esses seis meses. Portanto, isso já acabou no final de julho e estamos, claro, para receber esse dinheiro. Não sabemos quando é que vai acontecer, mas temos o dinheiro todo de janeiro a julho por receber.

Pois, nós não dissemos no início, e é importante dizê-lo, porque está outro aviso no ar.

Sim.

Neste momento, o Portugal Inovação Social tem os edifícios lançados. Tratou-se de uma parceria pro impacto.

Sim.

Que é uma das valências do Portugal Inovação Social, que efetivamente o fundo corresponde a 70% e depois o investidor social apoia com 30%, neste caso, já disseste.

Sim. E muitas vezes são eles, durante todo este processo de atrasos de pagamento, são eles que se chegam à frente. No nosso caso, foi.

Olha, disseste aí uma coisa muito interessante, que foi a maneira como a vossa organização está capacitada pra trabalhar estes temas, e estou certo que o facto de terem feito este projeto, vos conduziu a concorrer a outras coisas, não só ao Portugal Inovação Social, e se calhar a ter ali um impacto bastante significativo nas redes internacionais, de ficarem atrativos para serem convidados a fazer outras coisas. Sei que há algumas novidades, queres nos falar delas?

Sim. Nós já tínhamos, mesmo antes da candidatura ao Portugal Inovação Social, o próprio Village Underground já se tinha inscrito na Creative Europe e já tinha um PIC. Mas depois tinha ficado por ali porque não tínhamos avançado por falta de tempo, falta de disponibilidade e falta de recursos na equipa. Entretanto, o que aconteceu foi que o Village também tem a sua visibilidade, também a nível internacional, por ser um projeto que também existe em Londres. Infelizmente, não podendo fazer projetos com Londres por causa do Brexit, mas o Village tinha algum peso também como parceiro, já dentro dessa rede. E então fomos contactados por um parceiro francês, ainda enquanto Village, para participar num projeto europeu. Entretanto, como eu te estava a explicar, começamos esse processo de candidatura ao projeto europeu liderado por um parceiro francês, e chega ali uma altura em que eu deixo de ser sócia-gerente do Village Underground, porque vendi, e passo a ser apenas diretora e fundadora da Skula, da Associação Skula. Porque, entretanto, importa dizer que a Skula teve o financiamento Inovação Social enquanto um projeto dentro da empresa Village Underground, mas depois fica independente e constitui a sua própria Associação Skula. E, portanto, a Europa Criativa Chega a um impasse em que eu preciso assinar papéis enquanto sócia-gerente do Village, mas eu deixo de ser sócia-gerente e sugeri a esses parceiros franceses mudar de PIC e fazer um PIC novo da Associação Skula, da qual sou eu a diretora, e portanto, em vez de ser um projeto com o Village, ser um projeto com a Skula. E tivemos sucesso. Conseguimos esse financiamento, vai ser o primeiro projeto europeu da associação, liderado pelos franceses e tem também a Croácia, a Bélgica e a Espanha neste projeto. É um projeto de promoção de mulheres no mundo do rap.

Boa, e como é que se chama?

She Raps.

Uau, fantástico.

Interessa-me bastante e vai haver novidades ao longo de 2024 e 2025. No entanto, o outro lado positivo de termos feito estas candidaturas e termos nos debruçado bastante sobre este tipo de formulários e sistemas, a pessoa que estava na equipe da Skula a ajudar nas candidaturas, quando acaba o financiamento da Skula, essa pessoa é contratada pelo Village Underground, essa pessoa que se chama Marina Pedroso, e que é espetacular, é contratada pelo Village Underground para fazer candidaturas à Europa. E então conseguiram entregar antes de ontem. Não, não foi à Europa. Ah, foi à Europa também. Não, conseguiram entregar antes de ontem a candidatura à DG Artes, foi 13 de dezembro, não é?

Exato.

E conseguiram entregar também ontem ou por agora, uma à Europa, não sei se é o Live DMX ou outra.

Culture Moves Europe.

Sim, pronto. Ou seja, realmente a experiência que tivemos de ligação a este mundo dos fundos permitiu-nos ter a confiança para, através desta mesma pessoa, da Marina e do resto da equipe, conseguirem entregar mais duas candidaturas. E eu estava te a dizer aqui em off que foi difícil a parte também de entrar na Creative Europe para conseguir o She Raps. Eu estive mesmo a desistir também, mas aí não teve nada a ver com a candidatura, teve a ver com o meu lado pessoal do timing em que foi. Mas tinha o parceiro francês a insistir. Não me deixou mesmo desistir. E foi complicado. E houve ali uma parte da plataforma da Creative Europe, da União Europeia, que também não foi fácil, confesso, não é muito user friendly a plataforma, mas lá consegui. E tinha uma coisa boa, que eu não sei se isso é inovação social, acho que inovação social não tem, não sei. Houve uma vez que eu estava tão desesperada que liguei para um número de contato do Creative Europe e atendeu-me logo uma pessoa e resolveu logo o problema. Eu não fiquei à espera, não fiquei em linha, não fiquei tipo, carrego no um, carrego no dois. Não, a pessoa atendeu: "Ah, ok, como é que posso ajudar? Olhe, tenho este problema. Ah, tá bem, então está online? Então vou ajudá-la". Pimba, ficou feito.

Uau!

Foi mesmo bom.

Mas é aqui, europeesco?

Não.

Na Europa, mesmo a sério, em Bruxelas ou algum sítio desse tipo.

Sim, acho que sim. Sim, para não falar da Sara, que é o nosso ponto de contato aqui. Que também esteve incansável a ajudar-me nessas questões todas. Mas isto para dizer, sim, deu-nos calabouço para fazer outras candidaturas. Fizemos também um dossiê para o Ministério da Cultura para conseguirmos o estatuto de interesse cultural e obtivemo-lo no dia 14 de novembro. Eu ainda não publiquei, mas já é público que a Associação Skula é uma instituição de interesse cultural, o que dá benefícios para as empresas que fazem donativos. E depois, ao mesmo tempo, há toda a outra parte de angariação de fundos e de ligação a outras instituições mais privadas, que têm sido também suporte para a associação. Mas em termos de candidatura, sim, penso que conseguimos aqui umas boas costas largas para fazer mais candidaturas e depois de fazer inovação social, todas as outras parecem muito mais fáceis.

Há aí um tema muito interessante, que tu acabaste por focar e que eu estou sempre a dizer e vou aproveitar esta oportunidade para voltar a dizer, que é: quando se olha para o financiamento, e financiamento nacional ou europeu, não se pode apostar apenas num único projeto. Temos que ter esta capacidade de pensar: OK, DG Artes é bom porque é um apoio estruturado, a Europa Criativa é bom porque é um processo de internacionalização, Portugal 2030 é bom porque se calhar é um fundo europeu de gestão nacional com uma proximidade, enfim, vamos esquecer as dificuldades, uma proximidade que também nos ajuda. Portanto, esta necessidade que eu acho que as associações e as organizações culturais têm que ter de olhar para o financiamento não como um aspecto pontual, mas como uma lógica temporal, com objetivos muito diferentes. E portanto, um dos exemplos que deste, quer do lado Skula, quer do lado Village, acho que é isso, que é usar os instrumentos consoante a sua própria vocação. Os teus projetos têm uma particularidade, que é o antes de ser, já o eram. Vou explicar. Há esta preocupação agora crescente de termos projetos inclusivos, natureza social, com uma lógica apoiados na diversidade, no multiculturalismo. No teu caso, antes de ser, já o era. Porque os vossos projetos são intrinsecamente projetos assim. E a questão ambiental?

Boa questão. A questão ambiental, olha, no Village Underground, a questão ambiental é logo de base o facto de nós termos usado contentores marítimos para fazer escritórios e autocarros que iam para abate para fazer restaurante e sala de reuniões e ter usado um espaço, e continuamos a arrendar um espaço à Carris que estava completamente devoluto. Devoluto, sim, devoluto também, mas sem uso Que é aquele espaço grande onde está o Village Underground. E dentro do Village Underground também reutilizámos um armazém que estava completamente ao abandono. Ou seja, reutilização e não construir de novo. Isso também já vinha do Village de Londres, portanto também não nos foi difícil implementar aqui. Estava muito intrínseco que iríamos reutilizar equipamento e não construir. Acho que aí já marquei check. Depois, no dia a dia dos eventos do Village, que claro que são eventos com muitas pessoas, música, álcool, transportes, restauração, etc, tentamos ter uma mente mais aberta, tentamos e temos uma mente bastante aberta às questões da sustentabilidade. O facto de que o diretor executivo hoje em dia do Village, e que já o é há cinco anos, o Gustavo, trabalha também para uma das organizações que ganhou já tantos prêmios a nível da sustentabilidade, que é o Boom Festival. E portanto, há uma proximidade muito grande entre essa equipa, que entretanto a equipa do Boom, não sei se sabes, mas criaram uma consultora que é a Zero Waste Lab, para ajudar as empresas e os eventos a serem mais sustentáveis. Tudo que são dicas de melhoramentos que se possam fazer na gestão do dia a dia do Village e dos eventos, são bem-vindas à equipa do Village e muitas das quais conseguimos adotar, nem todas, mas aquelas que conseguimos, conseguimos fazê-las. Em termos de questão ambiental, é isto que eu te posso dizer. Há uma preocupação, há uma consciência muito grande de gestão de resíduos, de gestão de lixo e de gestão dos excedentes do restaurante. Temos hortas de onde vêm muitos dos legumes e das verduras do restaurante. As alfaces, tomates, até brócolos, curgetes, cenouras, até morangos na primavera, nós conseguimos tirar das nossas hortas, não sei se sabias isso.

Não fazia ideia.

Sim, as hortas foram um projeto que lançámos há alguns anos e que hoje em dia é gerido pelo André, que já é um agricultor urbano muito famoso aqui na praça, o André das Hortas, das Hortas Lisboa, fica aqui a recomendação. O André é este rapaz maravilhoso que vai criando jardins e hortas nas casas das pessoas, nos prédios e nas empresas, e que sendo nosso parceiro, tem lá o ateliê dele e faz do nosso espaço, do espaço do Village, um espaço verde e cuida muito bem dessa parte das hortas. E tem lá o seu cantinho onde faz workshops para as empresas também, para explicar como é que se pode ser mais sustentável nesse lado. Depois há toda a parte da energia e da eletricidade, que é muito difícil de gerir, porque são eventos muito exigentes a nível de eletricidade. Ainda não conseguimos instalar painéis solares, mas um dia acho que a equipa gostaria de o fazer, já se falou nisso. E dizer que há uma consciência e fazemos aquilo que conseguimos fazer.

E passam essa consciência. Eu acho que isso é que é verdadeiramente importante, não é? Porque este chamar a atenção, esse raise awareness, é muito importante para quem vos visita, para quem frequenta o restaurante, para quem faz lá os seus eventos. Eu acho que isso também é uma mensagem muito relevante neste tipo de projetos. Olha, tenho uma curiosidade e voltando só um pouquinho atrás, pensando que as tuas organizações, permite-me que diga assim, que era o Village, que era a Skoolah, já estão a fazer esta caminhada do financiamento europeu e não só. Como é que se organizam? Têm rotinas de trabalhos, têm alguém que está sempre a ver os avisos, têm alguém que faz um raise the flag quando o aviso vos faz sentido, como é que funcionam?

Olha, eu orgulho-me muito da nossa equipa, mas não é a mais organizada possível. Estava-te a dizer isso aí off. Não sou só eu que não sou muito organizada. A nossa forma de trabalho na Skoolah passa muito por um grupo de WhatsApp entre nós as três, a Ana, a Marina e eu, que fazemos tudo naquele grupo de WhatsApp das 08h até irmos para a cama. Por vezes torna-se um pouco cansativo, mas é a nossa forma de organicamente ir resolvendo muitas questões. Em termos dos avisos e de tudo, realmente agora a Marina está alocada com essa função dentro da estrutura do Village. A Marina tem essa responsabilidade de estar atenta aos avisos e depois de gerir a candidatura. E dentro da Skoolah é mais ouvir falar, estarmos atentos, alguém nos diz: "Olha aquela candidatura, olha aquele prêmio que vai abrir calls, olha, está atento a isto", e assim vai. A Marina dentro da estrutura do Village, sim, dentro da estrutura Skoolah ainda não há essa pessoa e portanto vamos tentando estar a par do que existe. Também é um mercado pequeno, não é? As pessoas também se interajudam e, por exemplo, é um mercado pequeno e eu tenho conversas com muitas pessoas, empreendedores nesta área, e normalmente avisamo-nos uns aos outros.

Isso é saudável e positivo, naturalmente. Também somos um país pequeno.

Sim, é isso.

Mais uma vez, apelando à tua experiência, nós sentimos aqui na Fundação GDA, e eu sinto em particular nas conversas que vou tendo com muita gente, que o setor cultural e criativo, também por se tratarem de organizações de pequena dimensão, têm uma espécie de uma falta de pré-organização para sabermos como é que montamos um projeto, como é que damos o passo para nos organizarmos, definir objetivos, definir um orçamento, definir prioridades, escolher parceiros. Ou seja, é como se eu sentisse que parece que antes de chegarmos aos fundos, ainda há qualquer coisa para fazer. Como é que tu vês esta questão?

Disse-te no início que realmente ter feito o curso da formação do Rise foi essencial para conseguir fazer a candidatura, porque toda essa parte que tu dizes foi feita na formação do Rise. E eu gostei tanto de fazer essa formação, que no final, com a pessoa que estava a dar a formação, com o Miguel Teixeira, viemos propor aqui à GDA e à Direção-Geral das Artes, ajudarmos essas pessoas a fazerem esse percurso. Depois meteu-se a pandemia e este projeto que eu tinha com o Miguel Teixeira ficou na gaveta.

Eu ia-te perguntar o que é que falta fazer. Se calhar é isso que falta fazer.

Talvez mais formações deste tipo, porque para mim foi essencial. Eu penso que foi durante dois meses, oito semanas, oito sessões ou mais, talvez. Talvez tenha sido 12 semanas, não me recordo, mas sei que havia uma tarde por semana que eu ia para a Casa do Impacto, a Ana e eu íamos com as nossas mochilinhas. Eu já não fazia uma formação sei lá há quanto tempo, acho que nem nunca tinha feito depois da universidade, porque eu comecei a trabalhar e depois veio o Village, e depois veio Londres. Nunca fui muito de formações, confesso. Sempre fui de ir fazendo coisas, nunca fui muito da teoria. E quando cheguei a esta parte, que a Inês Queira me disse: "Devias ir fazer o Rise, que é para perceber como é que podes tornar o teu projeto realidade". E eu: "Inês, a sério, uma formação agora aos 40 e tal anos?" "Mariana, queres investir nesse teu projeto? Tens que saber como fazê-lo". Lembro-me também dessa conversa que tive com a Inês. Eu estava mesmo muito resistente, porque depois requer tempo, foco, estares com muitas outras pessoas que não conheces em sala de aula.

Ambiente escolar outra vez.

Em sala de aula, sim. Mas foi essencial, gostei mesmo muito, porque não é só a parte da formação em si, é a parte das pessoas que conheces e das experiências que trocas. Eu fiquei nessa formação do Rise, duas das mulheres que foram ajudar-nos a fazer o pitch e a dar-nos formação, estão na minha rede e na minha lista de contatos imediata desde a formação do Rise. E tu, se calhar, já ouviste falar com certeza delas, que é a Inês Franco Alexandre e a Joana Moreira. A Inês está a trabalhar como assessora da parte da inovação do Ministério da Segurança Social, penso eu, penso não estar a dizer nenhuma parvoíce. E a Joana Moreira é do movimento Transformers. E elas duas, por exemplo, são pessoas que eu conheci, mais novas que eu e com outro tipo de experiência, e que estão comigo, que são das primeiras pessoas a quem eu ligo a dizer: "Olha, preciso disto". Ou seja, estas formações não é só também a parte prática e teórica, é a rede que tu crias. E se não tivesse ido à formação, eu não teria também conhecido, por exemplo, o Inovação Social, que foi talvez, não sei se me lembro, um dos jurados do pitch final, talvez, ou estava lá na apresentação final, que me viu ao vivo falar daquilo, imediatamente veio ter comigo a dizer: "Vai abrir uma call, vocês não se querem candidatar?" Ou seja, esta rede é mesmo muito importante. Portanto, sim, diria que o que falta, talvez seja mais formação, não sei se financiada, se não financiada, disponível para quem quer concretizar projetos.

Eu sublinho também uma coisa que disseste, tem a ver esta disponibilidade para aprender. Eu acho que há o momento em que nós dizemos: "Eu não sei fazer isto, isto vai me custar bastante, vou roubar à minha vida três tardes, cinco tardes, duas noites, mas eu tenho que ter esta disponibilidade para aprender e ter vontade de fazer". Mariana, estamos mesmo a terminar. Eu ia-te pedir o que peço sempre aos nossos convidados, que é em jeito de encerramento e com base nessa experiência, o que é que dirias a quem vai começar nestas andanças, qual era o conselho que davas de modo a tentar inspirar as pessoas a ter esta coragem que tu demonstraste?

Diria que tem que se querer mesmo muito. Mas eu acho que quem começa quer muito e, portanto, a partir do querer muito, é ter a abertura e a disponibilidade para errar muitas vezes, para ser paciente ou resiliente, que é a palavra que mais se usa, para não desistir à primeira. Às vezes também me perguntam, sabes que o meu processo do Village foi também um processo de espera de cinco anos até conseguir concretizá-lo. E nessa altura muitas vezes me perguntavam: "O que te fez não desistir?" E eu continuo a dizer que o que fez não desistir foi, na verdade, eu ia para a cama todas as noites pensar no Village e dizer: "Amanhã é um novo dia e amanhã eu vou conseguir". Ou seja, a minha vontade nunca me abandonou. E eu sei que é difícil, mas se essa vontade existir, se tu fores para a cama depois de um dia difícil e acordares com o mesmo sentimento, é porque deves seguir esse instinto e essa vontade, sabendo que nada é fácil. As pessoas também dizem Conseguem esses projetos porque têm cunhas e têm conhecimentos. Não se apoiem nisso, porque nem sempre é assim. E não é assim, no meu caso, não foi assim de todo. Ou seja, "o dinheiro só vai pro filho". Não é bem assim. E portanto, não se deixem abater e frequentem formação e não tenham receio de procurar mentores. Ou seja, há muitas pessoas com muita experiência à tua volta, seja dentro da tua família. Uma das coisas que me ficou dessa formação que o Miguel me dizia era o Family Friends and qualquer outra coisa, que é a rede que tu tens disponível perto de ti. Pais, mães, ex-colegas, ex-professores. Se tu olhares à volta, tens pessoas com experiência à tua volta e que estão acessíveis e que muitas vezes te querem passar experiência e te querem ajudar. Basta saberem que podem ajudar. E não ter vergonha de procurar essas pessoas. Quantas pessoas eu chateei, quantas pessoas eu não desisti de ter acesso para me dizerem: "Vou te abrir esta porta" ou "Vou te abrir esta janela e vai lá ver se consegues" ou "Fala com esta pessoa". Ou seja, não se pode ser muito tímido nesta área. Ou então, se é tímido, tens que arranjar um parceiro que não seja.

Que não seja. Compensa.

E que não se tenha vergonha de errar, e que se erre e que se aprenda com isso e que continue em frente. Mas sem dúvida, diria formação, mentoria e olhar à volta e ver o que é que está disponível.

Olha, Mariana, muito obrigado. Gostei imenso da nossa conversa.

Também eu, muito.

Obrigado.

Obrigada eu.

Obrigado por estarem desse lado e até uma próxima conversa. Prometemos continuar a dar informações sobre financiamentos europeus pra arte, cultura e criatividade, e a partilhar convosco mais projetos inspiradores. Este podcast é uma iniciativa da Fundação GDA, no âmbito da formação e desenvolvimento. Estamos juntos, no mesmo palco.