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Este podcast é da responsabilidade da Fundação GDA. O que sabem os artistas e o setor cultural sobre fundos europeus? Quais os truques e as dicas que podemos partilhar para alcançar o tão desejado financiamento? Isto não é mais um podcast. São conversas inspiradoras sobre financiamentos europeus com o objetivo de quebrar mitos e passar à ação. O meu nome é Francisco Cipriano e sou o vosso anfitrião. Olá, bem-vindos mais uma vez ao nosso espaço de conversas "Isto Não é Mais um Podcast". Hoje tenho comigo a Alice Bernardo e o Miguel Barbot, da Barbot Bernardo, que é a casa-mãe dos projetos Saber Fazer e Ofício. Bem-vindos. A nossa conversa vai ser, sobretudo, sobre o projeto Gateway Crafts, mas tenho a certeza que durante a conversa vamos falar de outras ideias, de outros projetos que vocês têm, que eu acho que têm um capital de experiência que vale mesmo a pena explorar. Bem-vindos mais uma vez.

Obrigada.

Muito obrigado.

Miguel e Alice, eu gostava mesmo de começar pelo início, designadamente por aqueles que são os vossos projetos mais emblemáticos, que é o Saber Fazer e o Ofício. Querem me explicar um pouco o que isto é?

Sim. O Saber Fazer e o Ofício são as nossas duas unidades da nossa empresa. Esta empresa é uma empresa relativamente recente. Estamos abertos há cerca de três anos, fazemos agora três anos, mas os projetos são bem mais antigos que isso. O Saber Fazer foi criado em 2011 pela Alice. E é, para todos os efeitos, um projeto de educação e de investigação na área do trabalho artesanal. Temos um foco muito específico ou muito especial na área da produção de fibras têxteis e é já uma marca de referência neste setor há muitos anos. E o Ofício surgiu pouco depois, dois ou três anos depois, como um braço de consultoria, que é a minha experiência pessoal, para dar apoio aos projetos que iam sendo criados na área da manufatura de pequena escala, apoio estratégico, consultoria de mercado, de criação de negócio, etc. As duas marcas que são, para todos os efeitos, duas marcas que vivem juntas desde sempre, foram evoluindo ao longo destes anos e decidimos formalizar numa nova entidade, numa nova empresa, a Barbot Bernardo, há três anos e juntar as equipes baixo o mesmo teto. Neste momento trabalhamos cerca de seis pessoas, lado a lado, no mesmo espaço. O Saber Fazer é, como disse, uma marca já com bastante implementação. Somos entidade formadora certificada, temos um trabalho de educação bastante profundo, não só nas formações que fazemos em sala, no nosso espaço, como também para outras entidades. E o Ofício tem vindo, ao longo deste tempo, a criar este apoio a pequenos negócios. Temos um estúdio de design gráfico também que foi criado entretanto, que nasceu quase organicamente e que tem neste momento uma atividade independente de tudo o resto, praticamente. Somos uma editora de manuais técnicos, com uma série de manuais que têm vindo a ser lançados ao longo destes anos e temos agora no pipeline uma série de livros para serem editados ao longo dos próximos meses. E temos, em cima disto tudo, os projetos de cooperação, os projetos europeus e não só, alguns projetos nacionais também, que acabam por ser um complemento e uma forma de financiar parte da atividade que é importante, mas que é difícil de rentabilizar por si só no mercado.

E era justamente por aí que eu também gostava de entrar agora. Vocês viram recentemente, enfim, já não é tão recentemente, aprovado o vosso projeto Gateway Crafts, que é um projeto Erasmus Ação Chave Dois, e agora também já têm outro novo projeto, esse sim, muito recente, que é o Community Cloth. O que eu gostava de saber: primeiro, do que se tratam os projetos, como é que eles articulam com a vossa empresa, mas também que tipo de papel é que têm, são líderes, como é que chegaram às parcerias. No fundo, uma lógica mais construtiva e educacional para quem nos está a ouvir, como é que se monta uma coisa destas.

O Gateway Crafts-

Foram muitas perguntas numa só vez, mas podemos ir fazendo a pouco e pouco.

O Gateway Crafts foi criado e o conceito dele, no fundo, tem a ver com explorar novas metodologias de ensino, adaptadas, de certa forma, à sociedade em que vivemos atualmente. Nomeadamente, através de um conceito que é o social learning, ou seja, assim de forma prática, o que nós estamos a fazer? Como o Miguel já disse, nós trabalhamos muito este tema da manufatura de pequena escala, nomeadamente entre as fibras têxteis. Para todos os efeitos, dentro dos projetos europeus, os Erasmus que estamos aqui a falar, nós usamos esta nossa área como objeto para desenvolver os projetos que na verdade são sobre educação, mas usamos esta área, este tema como objeto de estudo, como objeto de desenvolvimento. No caso do Gateway Crafts, o que nós estamos a fazer, muito resumidamente? Estamos a construir primeiro conteúdos educativos, neste caso são dois cursos online que vão existir, um sobre produção de linho e outro sobre fiação, coisas muito técnicas e até podemos considerar muito nicho, mas na verdade é relevante para o conceito do projeto. E depois vamos pegar neste conteúdo que é complexo, até um pouquinho denso e bastante técnico e de nicho, como eu já referi, e queremos transformá-lo em knowledge bits, digamos assim, facilmente consumíveis em redes sociais, em todo tipo de meios de comunicação que são mais digeríveis. Conseguem perceber o que quer dizer Gateway Craft, ponto de entrada para temas que são um pouquinho mais densos. Aqui estamos a falar como é que conseguimos captar a atenção para temas que são mais complicados, mas conseguimos trazê-los aos poucos. Não será toda a gente. Imaginamos que 1000 pessoas vejam uma story, um reel ou um TikTok, seja o que for, se cá chegam 10 ou cinco ao curso final, mesmo assim é um funil que nos interessa bastante. Assim de forma resumida.

Para começar.

É disso que se trata.

Posso dar duas pequenas notas de rodapé. Aquilo que nos interessa aqui, do ponto de vista da nossa atividade, é que estes projetos, um projeto como o Gateway Craft, é um excelente complemento àquilo que nós já fazemos no e-learning, por exemplo. Quando nós temos os nossos cursos de e-learning, que são cursos pagos e que são cursos comercialmente viáveis, nós procuramos nestes projetos ter cursos que são de elevadíssima importância para a sociedade, mas que são dificilmente rentabilizáveis por nós numa lógica comercial. O curso de linho é um curso que é exigente. Para ter impacto é exigente, porque exige terreno, exige estar alguém disponível para passar muito tempo a produzir e a transformar linho. Ou seja, o mercado é limitado, há pouca gente para isso, mas se estas poucas pessoas avançarem, o impacto é muito elevado. O impacto ambiental é muito elevado. No fundo, isto é uma forma também de financiar coisas que são importantes, que vão ser permanentes, ou seja, não é algo que termina com o projeto. O projeto pode terminar, mas o curso estará disponível não só na plataforma do projeto, mas também na nossa própria plataforma, disponível gratuitamente durante muitos anos. E também haver este cuidado especial na produção. Não é só testar a metodologia, mas também criar efetivamente conteúdo bom. Mas uma outra nota de rodapé que também é interessante aqui, neste teste de metodologias, principalmente neste social media learning, é perceber também como é que nós poderemos trabalhar algoritmicamente nesta vertente da educação, porque isto é algo que depois nós também conseguimos, não só criar conhecimento nessa área, que é extremamente importante para quem fizer outros projetos e para incorporar noutros projetos europeus ou para o que seja, mas para nós próprios também conseguimos conhecer melhor essas metodologias para aplicarmos na nossa formação e na nossa educação fora do projeto.

Vocês são o líder de consórcio.

Nós temos a ideia, montamos o consórcio.

Neste caso particular, ambos os projetos que estamos a falar, Erasmus+ e Action Chave Dois, são líder de consórcio. Fala-me um bocadinho do processo inicial das parcerias, ou seja, como é que nasceu a ideia? A ideia nasceu no vosso universo, mas depois como é que alargaram isso e convenceram os parceiros a entrar e distribuíram as várias atividades entre os parceiros?

A ideia de entrar neste tipo de projetos, nós somos uma entidade recente, como dissemos, apesar de já termos alguma experiência, já vimos com o Saber Fazer já há alguns anos, nós já tínhamos participado num projeto Erasmus já uns anos atrás, chamado Craftsmanship+. Foi uma ideia também nossa, que nós propusemos a um ex-colega meu, que tem uma empresa de consultoria, para criarmos um consórcio e fazermos o projeto. E assim foi, foi um sucesso. Esse foi o nosso primeiro passo, mas a verdade é que a nossa experiência estava muito longe desta área. Tinha alguma experiência de participação de projetos, mas não tinha experiência nenhuma em preparar propostas, candidaturas, montar consórcios, quer dizer, este é um trabalho, como quase tudo aquilo que nós fizemos, parte do zero. Parte completamente do zero. Então, a primeira dificuldade foi precisamente encontrar, e tem sido sempre essa, encontrar os parceiros que nós sabemos que vão responder àquilo que nós queremos que seja o output do projeto. Na verdade, e aqui sem grandes papas na língua, sabemos que a maior parte das entidades que estão envolvidas nestes projetos, uma grande parte delas, estão muito pouco interessadas na sustentabilidade do projeto no longuíssimo prazo, como nós estamos. Então, este foi o primeiro passo. Tem sido muito importante algumas parcerias que nós temos, nomeadamente com a ECHN, que é o European Creative Hubs Network, onde temos estado ativos no último ano, onde temos identificado alguns parceiros e conhecido as pessoas e tido a oportunidade de fazer um networking bastante importante para perceber o tipo de trabalho que cada um está a fazer. Essa tem sido uma área onde nós temos trabalhado ao longo do último tempo a identificar os parceiros. No Gateway Craft, os nossos parceiros são a Crew Creative Hub, do Porto, que são pessoas com quem nós trabalhamos diariamente em muitas outras coisas. E através deles, e eles têm um papel muito importante nessa rede, na ECHN, chegamos ao contacto com um terceiro parceiro, que é um parceiro mais sênior, que é a Matera Hub, em Itália, que tem já muitos anos de experiência neste tipo de projetos e no fundo, aquilo que nós atribuímos a esse parceiro foi a parte mais de supervisão, digamos assim, e dar aquela garantia de que, neste caso foi um small scale, de que temos alguém que efetivamente já pedalou muito nesta área e que nos poderá apoiar com algumas dificuldades que surjam. No Community Cloth, este Gateway Craft já está a entrar no segmento final. Já nos sentimos confiantes para montarmos uma parceria um pouco diferente e mais focada não na governança do projeto, como esta foi, que foi uma aprendizagem, mas focada no resultado. Esta parceria foi montada com uma entidade do Chipre, que é uma ONG que trabalha na área cultural e na área da música. Depois a Áurea vai explicar um bocadinho melhor o que é o Community Cloth, o que é este projeto, que vai ter uma componente importante na parte mais social do projeto e um parceiro da Noruega que tem um papel muito técnico ligado à parte do design, da criação de mapa, etc. Estes parceiros surgiram também já de contactos feitos de outras propostas. Nós conhecemos os parceiros do Chipre, porque eles convidaram-nos. Um bocado naquelas coisas, nós andamos a navegar nas plataformas no início, à procura de ver quem é que precisava de parceiros para candidaturas. Temos essa coisa de termos que entrar noutras também.

Sim, é assim mesmo.

Entramos numa candidatura com eles na Europa Criativa, eles gostaram da nossa forma de trabalhar, a forma como respondíamos Depois convidaram-nos para uma proposta Horizon. Entretanto, nós convidamos de volta para entrarem nesta e a verdade é que das outras duas, nenhuma delas foi aprovada e a nossa foi.

Ia justamente perguntar isso, o que aconteceu?

Essas duas propostas mais complexas acabaram por não ser aprovadas. Nós não tínhamos um papel, éramos parceiros, tivemos muito pouca intervenção na candidatura. Esta acabou por ser aprovada e vamos começar agora a trabalhar a partir do próximo mês juntos pela primeira vez. Os parceiros noruegueses, como disse, nós temos o estúdio de design e também estamos a ativar algumas coisas nessa área. Temos um parceiro muito importante que é a Nova Type Foundry, que é uma foundry, uma agência que faz tipografia, faz fontes. E nós fizemos uma candidatura no ano passado a um EA Grant, uma coisa muito pequenina, um projeto de €15 mil, para criar uma rede de estúdios de design entre o Porto e Oslo e eles foram o parceiro identificado por esses nossos colegas.

É muito engraçado o que estás a dizer, porque eu tenho sempre para mim que estas coisas são mesmo assim, é um bocadinho tipo a bola de neve ou o cacho de uvas. Ou seja, quando tens a primeira interação e corre bem, a seguir surge outra, e depois outra, e acaba mesmo por encontrarmos uma solução boa para montar a parceria. Fala-me um bocadinho do Community Cloth.

O Community Cloth, que é um bocadinho diferente, ou seja, continua a ser o tópico é o mesmo, estamos a falar de educação, mas agora pegando noutra ferramenta. Há bocado falámos de social learning, agora falamos de community learning. E baseia-se, assim de forma muito simples, em formar educadores. Ou seja, vamos usar mais uma vez o objeto do trabalho, digamos assim, a área será da nossa área de trabalho, do trabalho de arsenal em pequena escala, nomeadamente sobre a lã e a tinturaria natural. O que é que nós vamos fazer? Vamos educar elementos-chave de certos serviços educativos. Isto tem componente de mobilidades, portanto virão cá pessoas aprender. Para elas montaremos também recursos pedagógicos. Ou seja, teremos a formação, montaremos recursos pedagógicos e montaremos também uma app, um sistema de entreajuda cujo objetivo é fortalecer a entreajuda e também a aprendizagem comunitária entre eles. Eles depois voltarão aos seus locais de origem para começar ações de educação com outro público, não é profissionalizante. Estamos a falar de educar as bases da sociedade nas escolas, em serviços educativos, tudo o que é necessário para tornar esta área um bocado mais abrangente. O tópico é mais ou menos este, mas está muito baseado em quê? Em educar educadores e em dar os recursos pedagógicos para que eles consigam perpetuar este trabalho.

Força.

Aqui nota de rodapé também ao projeto.

Nota de rodapé.

São duas também. Esta ideia surge de um outro projeto que nós fizemos para o município de Vinhais.

Esta é uma nota importante.

Uma nota importante.

Já lá chegamos, estou muito curioso com esse projeto.

Basicamente, nós tínhamos aquele briefing normal. A Alice é completamente a autora de tudo isto que eu vou dizer, portanto será ela a explicar, mas já que começou com as notas de rodapé, continuo. Nós tínhamos aquele briefing para este projeto, era um "Cultura para Todos", que era: "Vamos juntar designers com artesãos e mudar o mundo". Que é o que toda a gente faz há, sei lá, 40 anos.

Gosto da premissa, mudar o mundo é sempre uma boa premissa.

Sem nenhum resultado. No final, o designer ganha qualquer coisa, o artesão não ganha nada e perde tempo. Há gente que ganha muito dinheiro com o projeto. A autarquia financia alguma parte dos recursos, etc. Mas depois o impacto é normalmente estas coisas, e nós já estamos aqui nesta área do saber fazer há 11 anos. Hoje em dia é uma palavra que está um bocado na moda, mas há um pioneirismo aqui neste pensar do trabalho artesanal. E nós já vimos estas coisas todas a passarem à nossa frente e nada acontecer. Então decidimos, e a Alice decidiu, mover o briefing, digamos assim, e dizer: "Ok, nós em vez de trabalharmos diretamente com quem já está ou com pessoas de fora, vamos arranjar mecanismos de endogeneizar o conhecimento". Primeiro vamos focar o trabalho para podermos ter uma área que efetivamente seja importante e seja focada para termos profundidade com o orçamento que tínhamos. Vamos focar o trabalho e vamos criar metodologias que permitam efetivamente que o conhecimento fique. E esta metodologia, nós chamamos a isto community learning, agora inglês, para já fazer a ponte com o Community Cloth, e teve a ver precisamente com a capacitação, a identificação, em primeiro lugar, de um problema. Um problema, naquele caso, em Vinhais, era tão simples quanto isto: há uma atividade económica importante associada aos caretos e à tradição dos caretos, uma atividade que traz gente de fora e que acaba por também ser um elemento identitário muito forte e de criação de negócio, digamos assim, de atividade económica. Os caretos são personagens que têm fatos, têm máscaras, etc. Os fatos dos caretos são feitos com retalhos de mantas e já não há mantas. Isto era o problema, então é preciso fazer mantas. Uma segunda parte do trabalho passou por identificar, por recolher o mais possível de espécimes, digamos assim, de mantas e de fatos, etc. Foi feita com técnicos nossos e formadores muito experientes, um levantamento desse material, foi feita toda a padronização, digamos assim, ou todo o trabalho técnico de registo daquilo que eram os padrões e que eram as cores, etc. Foi criado um manual. E a seguir foi identificado um grupo daquilo que nós chamamos de líderes de comunidade, ou seja, pessoas que estão a trabalhar diretamente com os públicos-alvo do projeto, que eram muito amplos nestes projetos todos, desde crianças até desempregados, idosos, quer dizer, basicamente toda a gente que vive no concelho do interior e que não esteja a ter uma atividade profissional naquele momento acaba por ser o público-alvo. Estas pessoas podiam ser aquela pessoa mais influente na aldeia, podia ser um professor de escola, pode ser um trabalhador social, pode ser alguém que tenha o contacto com uma comunidade e que tenha esse papel preponderante e que tenha também capacidade de ensinar ou capacidade de aprender a ensinar. Foi feita a formação técnica das pessoas nas áreas da tecelagem, do trabalho da lã e da feltragem. Essa capacitação técnica seguiu-se de um trabalho quase de estágio em casa com material nosso emprestado e depois nós desenvolvemos uma série de atividades para estas pessoas implementarem nas suas comunidades, atividades formativas. E depois, ao longo das atividades, foi feito um acompanhamento pelos nossos técnicos destes novos formadores. Então não só fizemos um registo importante para que o conhecimento se perpetuasse, como criamos um grupo, penso que foram aproximadamente 12 pessoas, que estão neste momento no terreno, capazes de ensinar outros. Agora estamos à espera dos resultados de longo prazo, não os conseguimos ver agora. Este trabalho aqui foi um trabalho que acabou por ser um bocadinho experimental e no Community Cloth nós decidimos formalizá-lo. Porque para além desta experiência e deste piloto que vamos fazer com a aprendizagem comunitária ou com o community learning, vamos também criar metodologias de avaliação para perceber qual é que foi o impacto. Vamos escrever papers sobre isso e vamos criar também conhecimento em torno da metodologia. Aqui o nosso papel é sempre um bocadinho duplo, de alguém que está a pensar a inovação na educação, por um lado, esse é o propósito do projeto, mas também que está a criar conhecimento e conteúdo nas nossas áreas mais queridas, que são as áreas do trabalho artesanal.

É muito interessante e deste aqui um salto à frente, que foi falar do Cultura para Todos e para mim isso é muito importante, mas eu agora preciso de explicar o que é o Cultura para Todos e explicar a importância dele na nossa conversa. Primeiro, o Cultura para Todos é do Programa Operacional Regional do Norte, é financiamento em regime de subsidiariedade, isto é, do Portugal 2020, e tem continuidade no Portugal 2030. Esta é, para mim, a mensagem super importante para quem nos está a ouvir. Vai haver uma nova versão desta linha de financiamento, que se chama Inclusão pela Cultura, e que vai estar disponível a curto prazo. E, portanto, daí tão importante teres falado nisso e teres dito que este projeto serviu para vos inspirar depois num projeto maior, esse sim, em regime direto, que foi o Erasmus. Nós fazemos sempre este esforço, que é quem está a ouvir, quer aprender, quer saber do que é que estamos a falar e, portanto, eu aproveito as vossas mensagens para fazer este debriefing ou esta tradução numa linguagem um pouco mais simples. Mas eu gostava de voltar ao Erasmus para fazer uma pergunta. Quando nestas conversas os fundos europeus falam Erasmus, as pessoas ficam todas meio surpresas e dizem-me sempre: "Então, mas o Erasmus não é um programa para mobilidade e de formação?" Eu digo: "Sim, mas existe todo um universo que se prende com a ação-chave dois, que tem a ver com cooperação entre entidades, onde a cultura é muito bem-vinda". Tendo estes dois projetos como alavanca, querem-me falar um bocadinho disso, como é que veem esta relação que existe entre Erasmus, aprendizagem e atividades culturais e criativas?

É para mim esta?

É para quem quiser. Porque há muita maneira, há metodologia, como tu falaste, há os processos formativos, como tu também disseste tão bem, há a questão de tudo que é experimentação, de inclusão através da arte. Há tanta coisa que se pode fazer no Erasmus.

O que eu acho que é interessante para nós, como alguém que também não era e não é especialista em projetos europeus, e olha para estes fundos, para estes programas, como uma possibilidade de financiar coisas, como o Miguel já disse, que não sendo comercializáveis, têm alta riqueza para a comunidade, para o público, seja culturalmente, seja economicamente. O que me atrai imenso, como alguém que executa, eu só tenho ideias, quero executá-las e procuro formas de as fazer e nem sempre tem que ser comercializável. Nós fazemos muito trabalho de investigação, fizemos trabalho de investigação sem ser pago durante muitos anos e agora está a vir cá para fora também através dos programas. No caso do Erasmus, o que me atrai bastante é precisamente conseguir ter um apoio para fazer esta experimentação toda a nível de experimentarmos com recursos pedagógicos, metodologias pedagógicas, produção de recursos. Sendo que, um plus que acho que nós temos no nosso trabalho, que era o que o Miguel dizia há bocadinho, nós fazemos sempre questão que os outputs tenham durabilidade. Acho que isso nos ajuda a ganhar candidaturas, na verdade.

É um pressuposto.

É um pressuposto, sim. Nem sempre, mas estamos muito focados em legado. Estamos muito focados em pôr coisas cá fora que daqui a cinco anos consiga ainda ver. E acima de tudo, sobre as quais consiga crescer para outros programas ou mesmo que seja polinização cruzada. Tinha o Cultura para Todos, isso deu ideia para um Erasmus, e o Erasmus pode dar ideia para outra coisa. E depois nós também trabalhamos numa área em que somos um bocadinho complicados de definir, porque estamos aqui no limbo entre áreas. O que é que nós fazemos?

Da agroecologia à cultura.

Nós temos este dilema, mesmo quando fazes a apresentação, o ofício, o saber fazer, e a Alice, e o Miguel, e o que é isto tudo. E geralmente-

É isto

...é uma confusão, mas não é. Porque efetivamente esta área que nós trabalhamos envolve todos estes campos. Envolve este campo desde a coisa mais produtiva, eu tenho que produzir seja o que for, lã ou linho, matéria-prima qualquer, tenho que ensinar, tenho que aprender, depois tenho que vender, tenho que produzir, seja o que for. Estas áreas todas. E estas valências todas no programa Erasmus nos permite também criar comunidades, criar com as mobilidades, seja com o que for, encaixa direitinho numa área que de si também é um bocado complexa, não é tão monotemática quanto isso. Portanto, para mim são oportunidades fantásticas.

A ligação com a cultura, só com a cultura, a importância do Erasmus, quer dos agentes Nas propostas da Europa Criativa em que nós entramos. A verdade é que nós este ano entramos, fizemos um trabalho, como disse há pouco, de muito grande networking, acabamos por entrar em muitas coisas diferentes. Mas de três propostas da Europa Criativa em que nós entramos no último ano, todas as três tinham uma componente forte de capacitação. Elas próprias poderiam estar, se calhar até com mais sucesso, enquadradas no Erasmus, porque uma delas era completamente capacitação.

E nós nos nossos projetos, eu penso sempre na capacitação. A capacitação e o legado. Como é que crio mais gente que depois pode criar uma bola de neve de educação e de informação. Portanto, estes dois projetos que falamos, se pensares bem, é sobre isso. É sobre criar conhecimento que fica acessível e que pode gerar outras coisas que eu não vou controlar. Mas é isso que me interessa, é esta multiplicação, este efeito borboleta, criar uma sementezinha pra depois isto se disseminar.

Mas no caso do Erasmus, aquele primeiro que nós fizemos ainda como freelancers, em 2015.

16.

2015, 2016, que foi uma ideia totalmente desenhada por nós, na verdade. Esse projeto foi a semente dos nossos cursos e-learning, por exemplo, o resultado do projeto.

E dos manuais.

E dos manuais que hoje em dia publicamos com bastante assiduidade.

Outro princípio que nós temos, que eu acho que também é muito importante e interessante, é nós nunca fazemos o projeto pelo projeto. Ou seja, há uma linha estratégica dos nossos projetos, que é uma empresa, agora também. Todos estes projetos, de certa forma, estão a contribuir pra evolução do nosso trabalho de fundo, em geral. E, portanto, mesmo este trabalho que fizemos como freelancers, este Erasmus em 2016 a 2018, foram três anos, foi a semente dos manuais que viemos a desenvolver e que estão na origem, na verdade, dos manuais que fizemos para Vinhais e que agora vão estar na origem desses manuais que vão surgir no Community Cloth. Há sempre iterações e alterações. E isto em termos de projeto, eu acho que é fantástico no sentido de que temos estes projetos financiados, estes valores, que apoiam outputs que vão estar disponíveis pra comunidade. É muito interessante que seja trabalho que está sedimentado, um sobre o outro. Não sejam projetos que estão standalone. Isso pra nós é muito importante.

Tentando fazer a ponte e a ligação com a pergunta original. Nós estamos aqui neste limbo entre áreas. Mas a própria definição daquilo que é cultura ou que é Europa Criativa, etc., é muito orientada pras indústrias culturais e criativas, que são duas áreas completamente diferentes uma da outra. Uma indústria criativa está muito mais ligada a uma noção empresarial, se calhar, como a nossa, do que a parte da cultura, que tem a ver com outro tipo de formas de funcionar, de financiar, etc. E a Europa Criativa também tem esta ambivalência, digamos assim. Claro, nós estamos muito mais do lado da parte das indústrias criativas, apesar de nos tentarem colar pelo saber fazer mais às culturais ou patrimônio, etc. Mas nós não estamos tão focados nessa parte, como estamos na parte criativa ligada ao trabalho artesanal, ou seja, futuro, criação de negócio, criação de economia, criação de valor, etc. Numa lógica mais empreendedora, digamos assim, do que performativa. E por isso, nós estamos muito mais naturalmente confortáveis encostados a esta parte da criatividade, que acaba por ser mais fácil de enquadrar no Erasmus, acho eu. Porque aqui nós conseguimos ter componentes de desenvolvimento de negócio, componentes de formação, componentes de educação.

Capacitação.

Capacitação, etc. Nós não estamos tão à vontade na componente cultural, porque, na verdade, nós nunca trabalhamos essa área de financiamento nessa perspectiva. Uma perspectiva de registro, de patrimônio, de etnografia, do que quer que seja. Isto na área do saber fazer. Na parte do oficiamento, na parte do ofício, trabalha fundamentalmente indústrias criativas. E a nossa atividade é como indústria criativa, como estúdio de design, etc.

Olha, só pra fechar aqui o ciclo da conversa em relação aos Erasmus. Tu descreveste muito bem aquilo que é a essência de um verdadeiro projeto Erasmus, que se prende com outputs reutilizáveis, transferíveis, que possam ser expansíveis, isto é, que possam ser pegados pra depois trabalhados numa outra lógica. Mas há uma outra dinâmica que tem a ver com a disseminação. Vocês vão ter eventos de disseminação, vão ter alguma conferência, algum seminário, algum workshop final pra divulgar o projeto no fim?

Curiosamente, neste Gateway Crafts, não, porque a disseminação em si é o projeto. Portanto, a criação do Social Learning é um dois em um. Excepcionalmente, era um projeto que não tinha nem mobilidades.

Sim, foi um puxão de orelha que levamos numa reunião da agência, porque de repente perceberam que o projeto tinha previsto só uma reunião presencial no final do projeto.

Mas o avaliador percebeu que o projeto, de facto, era interessante.

Porque decidimos pôr o orçamento quase todo nesta questão.

Na produção.

E temos uma componente de disseminação muito forte. Temos, porque existe um piloto que é todo ele disseminação. Não estou um piloto de social media learning e temos que ter alguém, etc.

É um projeto que basicamente tem duas componentes: uma de produção de conteúdos forte, grossa, de conhecimento técnico, e depois disseminação. Pronto, é isso. No Community Cloth, aí, sim, já temos tanto mobilidades como formação presencial destes elementos-chave de várias comunidades educativas, chamemos-lhe assim.

Ainda assim, é muito limitado. Estamos a falar de orçamentos muito pequenos. Temos que ser small scale.

Um é small scale, o outro é-

O outro também é small scale também. Sim, também foi assim um limiar que já tínhamos aprendo lá.

Isso pra mim é mesmo muito importante que digas isso, que é small scale, porque há muito aquela ideia de que tem que ser um projeto gigante, tem que ser um valor gigantesco.

Por nós, nós só trabalhamos small scale, porque conseguimos ter um foco. Nós estamos, como a Alice disse, nós estamos muito interessados no resultado. Enquanto nós, no small scale, basicamente o resultado é todo ele feito por nós. Ou seja, o output que cá está, está feito com a nossa bitola. Nós em projetos maiores vamos ter que dissipar os resultados por parceiros maiores Que ter muito mais trabalho de gestão de qualidade do projeto para as coisas saírem como nós queremos.

Tem muito mais trabalho de gestão do próprio projeto, de gestão dos parceiros e de gestão da qualidade do output dos parceiros. Enquanto com small scale, se pudéssemos fazer tudo small scale.

Claro.

É muito mais gerível, principalmente para uma empresa da nossa escala, também. Portanto, é muito mais fácil assegurar a qualidade toda, cumprimento de prazos, tudo o que é a parte mais institucional, digamos assim.

Estamos superfocados. A parte administrativa é muito mais simples, somos superfocados no conteúdo. E quer dizer que nós temos quase sempre o princípio de nós próprios propormos muita coisa. Nós gostamos de estar a puxar a carroça, digamos assim, no trabalho, tanto na gestão de projeto, como na própria preparação de candidaturas, etc. Temos ideias muito concretas do que queremos fazer e quer dizer que um projeto maior, como estamos agora a candidatar para a próxima, estamos a preparar três candidaturas agora para o final de fevereiro, eles sendo aprovados, sabemos que vai ser uma dor de cabeça, se vão ser aprovados os três. A aposta estatística não é essa, mas sabemos que vamos ter muito mais carga administrativa num projeto com seis, sete parceiros e com orçamento de €400 mil do que um orçamento de 600, de 700. Não há dúvida.

Olha, aqui nas nossas conversas, o meu esforço tem sido sempre diversificar as fontes de financiamento, isto é, explicar às pessoas que para além do Erasmus ou da Europa Criativa ou do Portugal 2030, existem variadíssimas fontes de financiamento que podemos olhar. E sobretudo, também tenho defendido muito a ideia de que não chega concorrer a um projeto. É bom para as instituições que se encontrem em cada um dos programas a sua fonte de financiamento respetiva. Ou queremos internacionalização e vamos para a Europa Criativa ou Erasmus, ou queremos mais capacitação e sustentabilidade, se calhar devemos ir mais para um DG Artes, não sendo europeu, é um financiamento interessante. Enfim, devemos olhar para o financiamento como um processo e não só como aspetos pontuais. Eu fiquei muito atraído na nossa conversa inicial, quando me disseste que tinham também um projeto PRR, que para muitas das pessoas está muito longe de tudo isto. De forma sucinta, diz-me só se estás à espera dos resultados ainda. Diga-me só o que é este PRR e como é que ele entra nesta linha estratégica que vocês têm na vossa instituição.

Só uma ressalva, a nossa organização tem quatro áreas de negócio, todas elas rentáveis, digamos, só com atividade de mercado. Se nós não tivéssemos apoio nenhum, continuaríamos-

A vossa vida.

A nossa vida perfeitamente. Isso para nós é o primeiro princípio estratégico. Cada ordenado lá está justificado com a sua própria produtividade, digamos assim. Todas as áreas que nós temos são rentáveis, e estão em crescimento, o que é ótimo. Estes projetos acabam por ser importantes para nós para financiar áreas que não são rentáveis por si, mas que são importantes, nomeadamente produção de conteúdos. Todos nós sabemos que é muito difícil conseguirmos rentabilizar a produção de livros, muito menos livros técnicos de nicho ligados a questões como sustentabilidade ou criação de negócios em áreas muito específicas. E por isso os nossos projetos, o nosso financiamento vem para estas atividades que não têm resultado direto no mercado, digamos assim.

Financiar a investigação também.

E financiar o trabalho de investigação, que durante muitos anos já tem sido feito à custa do nosso tempo. A pessoa saber fazer tudo aquilo que ensina, não vem de livros, vem de experiência prática. A Alice sabe produzir linho, a Alice sabe extrair, plantar tintureiros, extrair os pigmentos, etc. Tudo aquilo é feito, são muitos anos com as unhas sujas. Estão impecáveis agora.

Queres dizer que isso parece que agora-

Agora não fazes nada disso.

Estamos numa fase agora um bocadinho diferente, num paradigma diferente também de trabalho, porque também as coisas evoluíram para um sítio, para outra sustentabilidade. Nós somos, para além de sócios, somos um casal. Não podemos estar a dar o nosso tempo todo para coisas que depois acabam por não ajudar a pagar as contas. Isto acaba por ser para financiar o trabalho que é importante, que é muito impactante, mas que não tem um valor comercial. Este é o primeiro ponto. Estas oportunidades do PRR, todos nós ficamos, mesmo nós que estamos dentro da área e que trabalhamos com consultoria, etc. Quando o quadro abriu, aquilo era tudo megalómano. Eram uns grandes consórcios, aliás, nem uma empresa grande conseguia ir sozinha porque não havia nada, era tudo na ordem das dezenas de milhão para consórcios de grandes empresas, de grande impacto. Mas a verdade é que depois o programa evoluiu e foram abrindo linhas. Há linhas de €10 mil, por exemplo. Há uma que vai abrir agora brevemente que é só para marketing digital. São tipo quase um voucher para marketing digital. Em que uma empresa pequena pode contratar uma agência, tem €10 mil de um ano de avanço ou meio ano de avanço para gestão de redes sociais e para comunicação, etc. São coisas superpequeninas e muito pouco complexas. Aquela linha que nós nos candidatamos, e que estamos muito otimistas, foram os vouchers startups verdes e digitais, e basicamente o nosso projeto aqui é o projeto da nossa escola digital. Nós não gostamos muito deste nome, é assim um bocadinho pouco fancy, mas foi o nome que demos ao projeto para se garantir que a mensagem passava corretamente. E não é nada mais, nada menos do que o financiamento da produção de cursos de e-learning, e esses sim inviáveis comercialmente. Isto é um incentivo à produtividade, digamos assim. A ideia deles é que isto tem possibilidade de escalar, ter impacto, de internacionalizar, etc. Nós vamos financiar cursos. Isto vai-nos ajudar a pagar a produção de cursos de e-learning, que são produtos digitais Que depois não são vendidos por nós. No fundo, aqui temos um duplo ganho. Acaba por baixarmos os custos de produção dos cursos.

Mas esta mensagem é tão importante porque nós às vezes focamos, e quando eu digo nós, são as entidades culturais e criativas, as associações, as pequenas empresas, focam-se em projetos em que só se virem lá a palavra cultura ou produção ou criação é que concorrem. E esquecem-se que uma empresa para funcionar precisa de todas as valências de marketing, de social media. E estas achegas entram aqui num setor muito preciso, de ser no ponto certo e preciso, porque é necessário para fazer com que o trabalho dessas empresas seja melhor e mais barato no sentido em que têm financiamento. Portanto, eu acho que é mesmo uma mensagem interessante.

Sim, principalmente para quem trabalhar não só na área cultural, é extremamente importante, mas na área criativa e mesmo os próprios negócios criativos que estão enquadrados dentro destas CCI, das indústrias culturais e criativas. A maior parte das empresas não faz a menor ideia que o seu trabalho acrescenta valor à economia europeia e que este valor é fomentado pela própria União Europeia e por aqueles que são os projetos europeus. Alguém que tem um estúdio de design está dentro das indústrias criativas, alguém que tem um gabinete de arquitetura. Nós temos clientes nessa área, que são empresas, que estão organizadas e podem perfeitamente, e devem perfeitamente estar atentos a essas oportunidades, porque são coisas que estão disponíveis e são relativamente fáceis, desde que o projeto demonstre viabilidade, claro, que seja uma coisa que faça sentido, que não seja uma coisa sem pé nem cabeça, que às vezes também aparecem, que podem efetivamente avançar para estas candidaturas. Agora, o PRR está a acabar. Vamos ver qual é que é o legado, como é que isto depois se transporta no futuro para um próximo quadro. Porque efetivamente estes instrumentos pequenos, muito focados na microempresa, são instrumentos muito interessantes.

Sim, estamos a falar de PRR, mas se falarmos de Portugal 2030, também existem oportunidades na área dos mesmos incentivos. Não fecha a porta, pelo contrário, abre a porta. Há indústrias culturais e criativas-

Sim, e alguns destes instrumentos já vêm de trás também do Portugal 2020, etc, que depois acabaram por vir para aqui. Deve ter havido essa, digamos-

Sim, houve uma espécie de perceber quem paga o quê entre PRR e Portugal 2030. Há uma coisa que me ficou aqui na nossa conversa e é uma curiosidade, que é: vocês têm rotinas de trabalho para encontrar novas iniciativas? Há algum de vós ou alguém da vossa equipa que está sempre com as antenas no ar para perceber: "Olha, há aqui uma nova oportunidade". Quem faz esse trabalho?

É o Miguel.

Isso aí é um trabalho permanente, é tentar perceber aqui um bocado. Nós temos um planeamento estratégico entre os dois. É um bocado mau dizer isto, quando eu faço planeamento estratégico para clientes, nós não temos um plano escrito, mas nós temos uma visão muito clara daquilo que nós queremos fazer nos próximos dois anos e onde queremos estar daqui a 10 anos. E temos muitos pow-wows entre os dois marcados de duas em duas semanas, por exemplo, para afinar agulhas e perceber onde é que queremos ir. Temos os avisos mapeados. Sigo uma newsletter espetacular, e a verdade é essa, que nos vai mantendo a par também daquilo que está para abrir, etc. Uma pessoa quando está a trabalhar nesta área e decide que esta é uma área estratégica em que quer apostar, tem que trabalhar em duas ou três frentes ao mesmo tempo. Isto só para a prospecção. Uma delas é mapear as oportunidades. E elas surgem, por exemplo, este ano aqui, claro que os Erasmos é relativamente simples, Europas Criativas, são coisas muito formais, já com muitos anos, etc. Mas este ano nós andamos a experimentar candidaturas em cascade funding, em programas cascade funding, que nem nós próprios percebemos muito bem. Nem são coisas supertransparentes e que surgem de repente.

São aos milhares.

Urban Doers Grant. Ok, nós trabalhamos Urban Doers Grant, que era uma coisa muito ligada à agricultura biológica na cidade, etc. Nós trabalhamos muito a questão agroecológica com a produção de fibras.

Tenho que explicar o que é cascade funding.

Cascade funding o Francisco explica bem. Fomos experimentar e criamos ali, também foi uma forma interessante de desenharmos as nossas narrativas e de criarmos o nosso conteúdo, que depois é remastigado, digamos assim, para outras propostas e vai crescendo. Ao longo deste ano, nós fizemos uma série de candidaturas que serviram para criar o modelo de coisas mais potentes, como aquelas que fomos agora candidatar o Erasmus para financiamentos a sério. Porque estamos a falar de coisas pequeninas, às vezes €30.000, outras vezes 15, outras vezes 20. E ao longo do ano fomos testando e fazendo várias candidaturas e perceber ou ver o feedback das avaliações, porque depois como são montantes pequenos, as respostas vêm muito rápido. E são candidaturas relativamente pequenas e simples. Nós percebemos: "Ok, nós temos aqui uma falha na parte da gestão do projeto, porque o avaliador não percebeu, ou temos a narrativa do projeto, ou então está um bocadinho ao lado", etc. Fizemos também uma, e sempre às vezes é preciso ter cuidado com isso, para uma Bienal de Design cá em Portugal, que fizemos, chumbamos e a pessoa não conseguiu-nos explicar porquê. Mandei 10 e-mails a perguntar, a pedir uma tabela de avaliação, quais eram os critérios, etc. E não havia. Muitas vezes também acontecem estas coisas de estarmos a fazer trabalho que é para o lixo, porque depois no final nem sequer consegues perceber porque é que não foi aprovado. Esta é uma frente. Há uma outra frente que é de networking e de perceber quem são os potenciais parceiros e mapeá-los, e ter quase um mapa mental de onde é que estão as pessoas e com quem é que nos interessa trabalhar. Depois, quando estamos a montar os budgets dos projetos, nós partimos sempre do budget para a estruturação da parceria, perceber quem é que nos falta para fazer uma determinada componente do projeto. É muito bom nós termos esse mapa e perceber: "Ok, esta pessoa pode ser interessante para aqui" ou "Aquela pessoa que eu conheci ali, que tem uma especialização na educational strategy ou alguma coisa assim do género, pode ter um input aqui". Então estamos sempre também nesse trabalho de mapear. E depois há uma outra frente, que é a frente de aumentar as probabilidades, e estas coisas são um bocado assim, é tentar perceber como é que nós podemos estar em propostas que nos interessem e como é que nós podemos influenciá-las. Em vez de estar a mandar aquele Partner Information Form para cada um que era um parceiro, é tentar estar nessas propostas de outros o mais cedo possível e ter uma intervenção no plano. Para quê? Para que saia conteúdo que nos interesse também.

Isso é tão fundamental.

Tentar pelo menos-

Eu ia interromper o Miguel para dizer isto, porque não é só estar atento às oportunidades, não se esqueçam que nós, enquanto empresa, ou seja, excluindo estes projetos, já temos um trajeto que queremos cumprir, já temos objetivos que o Miguel está a falar a dois, 10 anos, nós encontramos quinzenalmente para discutir estas coisas. O Miguel faz este trabalho, obviamente, de estar atento, fazer networking, estar atento às oportunidades que aparecem e depois nós vamos tentar encaixar estas ideias nas oportunidades que aparecem, não é?

Sim, e este networking acontece a vários níveis. É uma coisa que é bastante interessante, porque também tem a ver com financiamento europeu, que é: existem redes, existem associações que têm orçamento para apoiar as pessoas a fazerem networking. Nós estamos nesta rede na ECHN, que é European Creative Hubs Network. E a verdade é que eles fazem dois, três eventos por ano, em que as deslocações são pagas, uma pessoa pode ir lá e a verdade é que as anuidades são relativamente pequenas. Claro que às vezes é muito intensivo, porque exige ao longo do ano muito mais as viagens dos projetos, etc.

Preparar a informação e responder coisas.

E ir para lá com um objetivo muito concreto que não seja só dar duas letras. E preparar efetivamente e mapear as pessoas e saber com as pessoas com quem quer falar. Quase como ir para uma feira. Nós vamos ver fornecedores e vamos aos sítios que queremos. E isso tem sido também fundamental para essa rede crescer. E depois é preciso conjugar isto com toda a atividade de um estúdio de design, que é preciso arranjar clientes, é preciso trabalhar nos projetos, é preciso fazer a direção criativa, é preciso o trabalho de consultoria normal, etc. Todo o resto que são as outras atividades da empresa.

E falta uma coisa: e quem é que gere isto tudo? Quem é que faz a gestão do dia a dia dos projetos, das despesas?

É um misto. A parte técnica, normalmente a Alice trabalha mais na componente técnica, pelo menos nestes projetos do Saber Fazer, porque é a nossa especialista em educação e na área do trabalho artesanal. Eu faço a gestão mais da parceria e do andamento dos trabalhos e das relações com a agência e reporting, avaliação, etc. Depois temos a nossa equipa também, que ajuda no trabalho operacional. Se é preciso preparar uma candidatura, se é preciso andar a recolher coisas administrativas, se calhar é algo que nós conseguimos delegar ao pessoal que trabalha conosco. Mas a gestão do projeto é sempre feita nestas duas vertentes, lado a lado. Uma gestão mais técnica do output, que é feita normalmente pela Alice, porque os nossos projetos são projetos Saber Fazer.

Sim, depende obviamente da base do projeto. Agora, se a área é Saber Fazer, eu tenho que garantir que tudo vai funcionar.

Com a bitola de qualidade Saber Fazer.

Pronto, portanto, tenho que estar mais dedicada a essa área, não me posso depois dividir para a gestão do próprio projeto e aí o Miguel toma conta disso.

Eu ia fazer uma pergunta, mas de certa maneira fomos falando ao longo da conversa, que é: vocês sentem que o facto de estarem neste consórcio em particular ou noutro consórcio onde estiveram, vai abrindo portas para coisas até um bocadinho overwhelming? Há tantas que vão dizer: "Nós não queremos participar em mais nada, estamos bem assim", ou recebem todos os dias propostas novas, ou sentem que isto de facto é uma bola de neve?

É uma bola de neve. Acho que executamos bem, trabalhamos bem, de forma competente e os potenciais parceiros ou a nossa rede já começa a perceber isso. E portanto, nos últimos tempos, graças também muito ao trabalho do Miguel, obviamente, temos recebido cada vez mais propostas. Claro que as propostas que aceitamos têm que estar em linha com aquilo que queremos ter a médio e longo prazo. Mas sim, eu quero chegar ao ponto em que já posso dizer: "Ai, agora não vou participar".

Ainda não estamos lá.

Ainda não estamos lá.

Aliás, este ano foi um ano de-- como dizemos, nós consideramos pessoas competentes naquilo que fazemos, mas começamos tudo, tudo aquilo que nós fazemos é à nossa maneira. Eu não vim atrás com experiência de consultor, apesar de ter trabalhado em consultoria, trabalhar ainda, sou consultor de profissão, eu não tinha experiência nenhuma nesta área. Sabia mais ou menos como é que as coisas funcionavam, mas tudo isto é uma aprendizagem e não tenho a experiência de dores passadas, digamos assim. Então este ano nós fizemos uma série de candidaturas, uma série de coisas, umas maiores, outras mais pequenas, e os resultados tardam em aparecer. É frustrante. Mas depois a gente falava, falava com parceiros mais experientes nestes encontros, etc. "Miguel, com a qualidade de trabalho que vocês têm e com esse esforço, as coisas vão aparecer muito rapidamente e a dada altura tu vais estar exatamente no oposto", que é na parte de filtrar e de dizer que não, até. Nós ainda não estamos lá. Espero chegar, acho que neste momento já estamos, pela primeira vez, a entrar na maioria das propostas em que nós vamos estar, ou das quais vamos estar, já vamos estar como convidados e não como proponentes. Esperar agora com as aprovações é o ritmo das coisas, mas é efetivamente trabalho duro. Diria que nos primeiros dois anos, os resultados vão aparecendo, mas não é algo overwhelming. Era bom que fosse, claro. Depois são outras dores. Como é que tu adaptas uma estrutura, de repente, para as coisas correrem bem? Isso é outra preocupação. E por isso nós também gostamos do small scale, que nos permite, e é esse o propósito do projeto, ir ganhando cabedal, como dizemos no Porto. Ir ganhando, percebendo como é que as coisas funcionam, estruturar a equipa, perceber também como é que isto depois entra estrategicamente na nossa empresa, porque nós também não queremos ser uma empresa de projetos

Sim. Eu acho que esse elemento, e eu permito-me sublinhar, que é esta linha estratégica que vocês têm, é fundamental não só nos projetos que propõem como líderes, isto é, aqueles que desenham aí, obviamente, mas também aqueles em que entram como parceiros, porque entrar num projeto de parceria só para ficar com mais uns euros e alimentar uma estrutura não faz sentido, porque aquilo dá tanto trabalho, é tão absorvente. Se não encontrares ali qualquer coisa, eu digo muitas vezes isto nas conversas, que é encontrar no projeto alguma coisa que faça verdadeiramente sentido e que entronque nas vossas atividades mais profundas, para que se faça as coisas com um processo de continuidade e de uma lógica estratégica. O contrário, que é: "Olha, vou aqui aproveitar este consórcio para receber mais €60.000", mas depois com isso vem um trabalho que não te interessa absolutamente nada e que acaba por ser contraprodutivo.

Não é só não interessar, é que ainda por cima o nosso recurso mais escasso é o tempo, neste momento. O dia tem 24 horas e entrando num consórcio, imagina um Horizon qualquer que é aprovado e até o orçamento grande, não importa, mas é uma carga de trabalho. Quer dizer que há uma componente qualquer do que eu estou a desenvolver neste momento que eu não vou estar a executar e que estrategicamente é muito mais importante para nós. Porque efetivamente, depois de 11 anos de saber fazer, embora os últimos anos é que são mais estruturados, é que vejo a importância da sedimentação do trabalho, deste conceito de sedimentação do trabalho. Ou seja, pensar que tudo o que tu produzes deve ser uma semente ou algo que vai ser a base de outra coisa mais à frente, noutro projeto, vai sempre crescer. Isso é que nos torna produtivos e até posso dizer que a nível privado, ou seja, sem estes financiamentos todos, é o que nos torna rentáveis. Ou seja, nós temos esta perspectiva de que tudo o que fazemos é capitalizável. Estamos sempre a capitalizar no trabalho passado. Tendo uma perspectiva dessas, em projeto é muito fácil cair em: "Ok, tenho aqui este projeto que é grande e são mais uns euros e vai-me sustentar não sei quantos mais meses, ou anos, seja o que for da empresa", mas depois no final, quando o projeto acaba, o que é que temos? Não temos mais empresa.

Não ficou nada verdadeiramente claro.

Aquilo que observamos no modus operandi da maior parte das entidades, e vemos isso nas reuniões de projeto, etc., nas interações que há agora para estas candidaturas todas, é que a maior parte dos parceiros mandam o Partner Information Form e depois fica à espera que o proponente faça a candidatura e seja o que for. E nós não queremos fazer isso. Nós não mandamos isso, na reunião tentamos perceber. Esta semana tivemos uma reunião por causa de uma call da New European Bauhaus, e eu estava ali a tentar perceber o que era o projeto. Se eu não estou a perceber o que é o projeto, o avaliador também não vai perceber muito bem. Aquilo começou a fazer algum sentido, mas no final da reunião eu disse: e aquilo tinha a ver com awareness para solos, água, etc., uma coisa muito unia ciência, arte, ecologia. Nós temos interesse aqui em dois pontos: um deles é a produção agroecológica de fibras têxteis, isto é mesmo agricultura, como complemento à produção alimentar, por um lado, e por outro lado, temos interesse na criação de negócios e de processos de manufatura pequena escala na área têxtil, em contexto urbano, etc. Tudo bem, isto é agora uma tecnicalidade do nosso trabalho. E gostaríamos, neste projeto, de explorar estas duas áreas. O passo seguinte foi enviar um texto ao gestor do projeto, explicando como é que aquilo pode ser integrado naquela call. Nós vamos garantir que naquele financiamento, que é um financiamento para duas centenas de milhar ou poucos milhões de euros, que há uma componente importante que nos diz muito respeito e que no final vai ser interessante para nós trabalhar, vai ser divertido também, e está a financiar conhecimento e conteúdo que nós depois vamos capitalizar noutros projetos, porque esta é a base de muitos projetos que nós fazemos. É um ponto também importante. Nós somos um casal, a nossa empresa é a nossa família. Isto tem que ser divertido.

Pois, tens toda a razão.

Se nós aplicássemos esta energia toda e a nossa competência, o nosso conhecimento a trabalhar noutras áreas que fossem menos divertidas, se calhar estávamos a ganhar e ter uma carreira com sucesso, mas com muito menos prazer. As coisas têm que funcionar dentro da nossa visão da empresa, mas também visão de família, daquilo que é o nosso futuro, e têm que ser coisas que nos interessem muito.

Claro. Olha, estamos a terminar e vou fazer a mesma pergunta aos dois. Mesmo para fechar, que é: com base nessa vossa experiência, que é diferente, mas que também é muito conjugada, o que é que diriam a uma entidade que está agora a começar nestas andanças e que está a dar os primeiros passos e que está a encontrar as dificuldades que vocês encontraram no princípio? Começo por ti. Em jeito de conselho.

Sim, no meu ponto de vista, foi o último tópico em que falámos, que é fazer o projeto só por fazer projetos, acho que é vazio. Mas que é muito interessante quando se tem uma visão, perceber como é que estes financiamentos, estes programas podem apoiar essa visão a existir. Acima de tudo, porque é muito fácil depois, mesmo a nível de propostas, é isso que nós vemos, as nossas propostas acabam por ser bem constituídas, porque de facto elas têm um fundo de verdade, digamos assim, de execução real e de produção real. E portanto, aconselho a que saibam o que querem fazer, na realidade, a médio e longo prazo, e só depois saltem para: "Ok, vamos procurar". E também que não tenham medo, porque as pessoas acham que isto é tudo muito institucional e corporate, e é muito difícil os formulários, isto é só para empresas grandes. Eu própria posso dizer que era uma visão que eu tinha há 11 anos atrás, que isto não é para mim, não percebo nada disto. E hoje em dia é o contrário completo. Acho que estas indústrias culturais, ou este campo cultural e criativo, precisa muito desta componente e tem que usufruir ao máximo do que existe para minimizar as dificuldades. Já é difícil que chegue, sem este apoio.

Tem a ver com conteúdo. Acho que nas indústrias culturais isso é muito evidente, o conteúdo, benefício para quem financia e para a sociedade em geral. Nas indústrias culturais é muito fácil de perceber, mas nas criativas As pessoas têm que ter uma ideia daquilo que querem financiar e como é que isso vai ter impacto na sociedade ou na economia. Isso é o princípio do financiamento. Nós, sendo uma consultora e ainda por cima fazendo a disseminação dos projetos, vem muita gente bater à porta a perguntar se nós fazemos serviços e fazemos candidaturas como serviço. Isso nós não fazemos, nós fazemos as nossas candidaturas. Às vezes fazemos para alguns clientes, quando nós temos efetivamente uma parte importante na prestação de serviços na candidatura, porque é uma coisa diferente. Mas vem: "Como é que eu posso aceder a dinheiro?" Isso é quase aquela ideia que as pessoas têm ainda do primeiro quadro comunitário em Portugal, que era para pagar Ferraris, pegar lá dinheiro. As coisas não funcionam assim. Tanto no financiamento nacional, exige-se que haja efetivamente uma capacidade de crescer, de ter um projeto empresarial com viabilidade. Mas quando estamos a entrar nestes financiamentos mais específicos de projetos europeus, etc., o que é importante é perceber o que nós temos para dar e para acrescentar ao que já existe. E isso é o princípio número um de tudo, que é: nós temos que ter uma ideia que tem que ser viável e tem que ser importante, considerando as prioridades dos diferentes financiamentos, que estão todas elas escritas. Na europeia temos três ou quatro transversais que passam pela sustentabilidade, a transição digital, a igualdade, integração europeia. O projeto tem que ser sempre explicado desta forma. E o primeiro passo é sempre ter uma ideia, tal como nós tivemos há uns anos, no primeiro projeto em 2014, quando fizemos a primeira candidatura, porque ela não foi aprovada à primeira, isto é outra coisa que também acontece.

Claro.

É fazê-la, é ler bem o feedback da avaliação e depois resubmeter, endereçando as críticas que o avaliador fez. Nós queríamos, efetivamente, criar conhecimento contemporâneo e moderno na área do trabalho artesanal, para fazer aquilo que para nós continua sendo importante, que é criar negócios economicamente viáveis na área de trabalho, fazer a transição geracional, etc. Esta ideia que existia era perfeitamente enquadrável num projeto Erasmus. O que foi preciso depois criar foi toda a parte, e na altura era mais complicado, porque não havia o Small Scale. E o Small Scale, tanto no Erasmus como na Europa Criativa, serve precisamente de porta de entrada no financiamento.

Olha, eu agradeço muito. Entretanto, estava aqui a pensar que não expliquei o que era o Cascade Funding. Vou explicar rapidamente. O Cascade Funding, no fundo, são projetos que já foram aprovados em determinados programas, por exemplo, no Horizonte Europa ou no Europa Criativa, e que são de larguíssima escala, portanto, são 2 milhões de euros, 3 milhões de euros, e que depois geram calls para entidades mais pequenas poderem concorrer a essas calls, ou para artistas, ou para professores, ou para formadores, ou para o que seja. Portanto, digamos que é uma candidatura de segunda linha, não é a candidatura mãe, mas é uma candidatura de segunda linha que permite acolher projetos mais pequenos, conforme tu explicaste, com alguma simplificação no que diz respeito ao processo administrativo. Portanto, é isso que é o Cascade Funding. Agora sim, eu agradeço-vos muito, Alice e Miguel, acho que as mensagens que passaram foram fundamentais para nós passarmos esta ideia de, não quer dizer simplificação, mas alguma acessibilidade que estas coisas também têm e sobretudo motivadoras para quem nos está a ouvir. Obrigado.

Obrigada, Francisco.

Muito obrigado.

Obrigado por estarem desse lado e até uma próxima conversa. Prometemos continuar a dar informações sobre financiamentos europeus para arte, cultura e criatividade e a partilhar convosco mais projetos inspiradores. Este podcast é uma iniciativa da Fundação GDA, no âmbito da formação e desenvolvimento. Estamos juntos, no mesmo palco.