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Este podcast é da responsabilidade da Fundação GDA. O que sabem os artistas e o setor cultural sobre fundos europeus? Quais os truques e as dicas que podemos partilhar pra alcançar o tão desejado financiamento? Isto não é mais um podcast. São conversas inspiradoras sobre financiamentos europeus com o objetivo de quebrar mitos e passar à ação. O meu nome é Francisco Cipriano e sou o vosso anfitrião. Olá, bem-vindos ao nosso quarto episódio da temporada três do nosso espaço de conversa "Isto Não É Mais um Podcast". Um podcast dedicado ao financiamento europeu pra arte, pra cultura e pra criatividade. Hoje tenho comigo a Sara Brandão, coordenadora do projeto Live MX na INOVA+, que é a entidade responsável, em parceria com o Live DMA e a EMA, pela gestão a nível europeu deste programa, com origem na iniciativa Music Moves Europe. Nós, habitualmente, chamamos a estas abordagens setoriais ou de iniciativa direta da Comissão Europeia, o cascade funding, mas vamos saber um pouco mais sobre isto. Bem-vinda, Sara, e obrigado por teres aceitado o nosso convite.

Muito obrigada eu pelo convite. É um prazer estar aqui.

Hoje não vou fazer introduções particulares. Tenho comigo uma especialista, portanto, vamos já diretos ao assunto. Conta-nos o que é o Live MX.

O Live MX é um projeto financiado pela Comissão Europeia ao abrigo da iniciativa Music Moves Europe, exatamente como foi referido, e visa redistribuir um conjunto de incentivos e fazer uma capacitação ao setor e aos atores do setor. Ele surge na continuidade do investimento da própria comissão na preparatory action do Music Moves Europe, e neste momento é enquadrado no programa Europa Criativa. Na ação preparatória, houve uma ênfase num conjunto de prioridades para o setor do ponto de vista de digital, green and fair and resilient transition. Entretanto, com as aprendizagens que surgiram dessa preparatory action, surgiu uma nova iniciativa apoiada pela Comissão Europeia dentro do programa Europa Criativa, que tentava ser um pouquinho mais targeted a algumas necessidades do setor. E daí surgiram estas três prioridades ligadas à export, à live venues e a digital.

Este programa não é fácil de explicar. E por que eu digo isto? Porque tu que estás quase aqui numa dupla função, estás enquanto concorrente, porque a INOVA+ que ganhou com os outros parceiros, o consórcio também teve que concorrer pra ganhar este processo de gestão. E depois estás numa segunda posição, porque dão uns subgrants ou cascade funding para aqueles que vão concorrendo com projetos mais pequenos. Talvez vamos começar pela primeira parte, que é enquanto instituição, como é que foi concorrer ao processo Live MX, no sentido de que vocês são a entidade gestora do programa internacionalmente.

Eu diria que foi um processo muito natural, porque como tínhamos a experiência da preparatory action com o Musicaire, sentíamo-nos muito capacitados para conseguirmos voltar a apresentar-nos à Comissão Europeia e trazermos toda a bagagem daquilo que foram as aprendizagens. No entanto, com a alteração do programa, foi necessário repensar um pouco o consórcio, porque, de facto, a ação é mais orientada. Enquanto o Musicaire estava muito focado em três dimensões e trabalhávamos com o European Music Council, neste caso, havia um pedido específico da comissão para orientarmos o cascade funding para um conjunto de necessidades específicas de export, live venues e digital. Portanto, fizemos uma aproximação ao setor, a estes parceiros internacionais que aceitaram e alinharam trabalhar conosco, e assim preparamos a nossa proposta, que foi aceita. E dizer aqui que sempre que temos estas vantagens de já termos uma experiência que está para trás e nos posiciona muito bem em relação à preparação de uma candidatura seguinte, também temos as dores de crescimento. Portanto, com todo aquilo que foi o exercício de implementação do Musicaire. E quando digo dores, é no bom sentido, é de aprendizagem.

Eu percebo. E vem aí outro, não é? Portanto, vem aí outro concurso.

Exatamente. Nós estamos a aguardar ainda o lançamento da convocatória. Não sabemos exatamente o contorno que vai ser dado desta vez. Sabemos que há uma ênfase muito grande no greening, e isso definirá um pouco aquilo que possam ser os parceiros. Do ponto de vista daquilo que possa ser o papel da INOVA+, uma vez que temos vindo a fazer esta aprendizagem e somos, pelo menos nestas duas iniciativas que já decorreram, o Musicaire e o Live MX, que neste momento está em curso, fazemos toda a gestão e coordenação do projeto e toda a gestão da redistribuição de grants. E isso é uma competência que nos posiciona muito bem para conseguirmos dar resposta à nova convocatória e às necessidades do setor.

Eu ia pegar justamente nisso, que é neste segundo papel. Uma vez ganho o consórcio, uma vez sendo a INOVA+ a responsável pela gestão internacional deste programa. O que é o vosso trabalho enquanto O segundo trabalho. No fundo, o que é o trabalho depois, lançando os concursos, olhar para as candidaturas, como é que funciona essa segunda parte?

A parte de implementação é da coordenação e gestão do projeto. Nós gostamos de ver esta dinâmica entre os parceiros, quase como o coração e os pulmões. E trazemos sempre nestes consórcios a vantagem de termos as entidades, as redes que são especializadas nas matérias e nas necessidades e estão próximos do setor, e a Inov, enquanto consultora, muito já calejada naquilo que é a gestão de financiamentos e estes esquemas de redistribuição, o Cascade. Trabalhamos em conjunto, de forma muito concertada. Há um trabalho continuado e muito exigente, neste caso ao longo de três anos, que pressupõe o desenho das convocatórias, a informação e todo o esforço de torná-las visíveis aos potenciais candidatos, aqui sempre em colaboração com os balcões do Creative Europe, os desks, em especial o nacional, que nos apoia sempre muito no processo de divulgação das convocatórias. Temos a identificação dos avaliadores, depois o processo todo de seleção, a contratualização e o acompanhamento destes projetos. Isto do ponto de vista da redistribuição dos grants. Há também uma componente que tem a ver com o capacity building e, nesse caso, uma ação também mais presente e completamente necessária dos parceiros que, como disse, são o coração do setor, estão próximos e conseguem fazer uma correspondência entre aquilo que os atores esperam e precisam e aquilo que nós conseguimos oferecer.

Permita-me que possa sublinhar o seguinte e um pouco para quem nos está a ouvir: a importância que tem uma entidade portuguesa, eu não sei se as pessoas têm esta noção, a importância que tem uma entidade portuguesa gerir aquilo que é uma iniciativa da Comissão Europeia para a Europa toda. No fundo, vocês fazem isto para esta iniciativa, alarga-se a toda a Europa e essa gestão está concentrada na Inova+ e eu acho que isso é muito importante do ponto de vista nacional. Neste segundo nível, neste nível de redistribuição de grants, o que tu achas que é mais difícil para as entidades? Eu acho que há aqui três momentos. Claramente, há um momento que tem a ver com configurar o projeto, passa muito por comunicar e pelas entidades alinharem o projeto com as prioridades que são definidas no programa e encontrar parcerias. Depois temos o processo um bocadinho mais doloroso de elaboração da candidatura, que eu imagino que vocês também possam dar algum apoio ou pelo menos passar essa informação. E depois temos a outra parte, quando tudo está bem, que é gerir e fazer report. O que tu sentes que no contexto das entidades que estão convosco é mais difícil? Quais são as questões mais frequentes?

Todo o processo é desenhado para que nada seja doloroso e que seja tudo simplificado. Nós usamos muito aquilo que é a nossa experiência de consultadoria e da própria gestão de projetos para percebermos e conseguirmos identificar onde é que estão os momentos que possam ser, de facto, de maior dificuldade e que possam trazer barreiras. Ao desenharmos o mecanismo de apoio, as convocatórias, todo o processo de candidatura, de seleção, de implementação do projeto, tentamos facilitar e criar pontes para que isso não represente um obstáculo. Até porque este esquema de apoio visa tornar mais acessível o financiamento para as entidades que têm menos experiência em candidatar-se. Isto é muito enfatizado até nos próprios award criteria, nos critérios de seleção para a identificação das melhores iniciativas e esta preocupação em encontrar os melhores caminhos e facilitar a vida aos candidatos e aos beneficiários que são apoiados, é muito latente naquilo que é a nossa intervenção. Em termos das principais questões, e por mais simplificado que este mecanismo seja, vamos sempre estar enquadrados em financiamento comunitário, e o financiamento comunitário tem as suas regras. Nós tentamos simplificar ao máximo, mas temos que cumprir com um conjunto de requisitos e uma linguagem que nem sempre é muito fácil. E a maior parte das questões têm a ver com isso, com o que significam determinados termos e determinadas fases do processo e como é que se conseguem ultrapassar ou encontrar as melhores respostas. O setor e os atores sabem exatamente quais são as necessidades e têm muitas ideias, e ideias excelentes, para encontrarem o seu caminho e evoluírem. Muito alinhado com aquilo que é o desenho da convocatória. Nós pretendemos sempre fazer esta ponte entre a necessidade e aquilo que podemos oferecer em termos de financiamento e aquilo que pode ser a atividade a ser considerada elegível no âmbito do apoio. O caminho é um caminho fácil de encontrar. O mecanismo pretende ser um mecanismo que facilite percorrer esse caminho. Ainda assim, estamos a falar de financiamento e é natural que existam estas dificuldades em perceber exatamente o que é o contrato subgrant, como é o esquema de pagamentos, que tipo de documentação é que tem que ser entregue. Nós tentamos simplificar isto ao máximo, porque o mais importante é que aquele incentivo seja utilizado em benefício do setor e para a ação, e não haja tanta perda de tempo, de investimento, esforço e de preocupação com aquilo que é a matriz do financiamento e como é que ele é processado ou quais são as suas regras.

Eu entendo este programa ou este cascade funding muito a antecâmara para os projetos de cooperação Isto é, quem fizer um projeto LiveMX ou passou por um MusicAR, fica bem capacitado ou pelo menos é uma primeira experiência para os projetos de cooperação, que no fundo são um bocadinho com mais lastro. Entendes assim também?

Claramente. Entendemos nós e esse é o feedback que nós temos recebido. Uma das ações concluídas, o MusicAR, teve o seu momento com um evento final. Juntamos todos os atores e esse foi um feedback muito claro, em que todos se sentiram muito mais confiantes. Sendo aquele, no caso do MusicAR, o primeiro contato com este tipo de esquema simplificado de financiamento, sentiam-se muito mais preparados para depois darem o salto para esquemas mais complexos dentro dos projetos de cooperação, ainda do Creative Europe ou outros. Havia ainda alguns atores que sentiam que conseguiam dar o salto para programas como o Horizon, que tem outro nível de complexidade. Portanto, foi um boost de confiança muito importante e de capacitação, este primeiro contato que tiveram com uma iniciativa de financiamento via Cascade.

Achas que nós, portugueses, temos nos portado bem em termos de resultados, no que diz respeito às nossas instituições culturais e criativas? Só por graça, a não ser que tenhas alguns números.

Eu acho que temos nos portado excelentemente. A questão aqui tem tudo a ver com aquilo que é o valor de financiamento disponível. Boas ideias existem, sem dúvida nenhuma. A competitividade é muito grande neste programa. O financiamento do MusicAR rondava os dois milhões. Neste momento estamos a falar já de quatro milhões. Houve um reforço significativo.

Global para todos.

Global para todos. Das três convocatórias que vão ser lançadas, neste momento contamos já com 500 applicants, 500 candidaturas que foram feitas às duas primeiras convocatórias. Isto significa muita competitividade. Nós somos excelentes. Em termos de números, nós temos tido 12 a 14 candidaturas a nível de candidatos portugueses.

Financiados, portanto.

Não. Lá está.

Os que se propõem.

Que se propuseram. E em termos daquilo que são as aprovações, estes números não se espelham de uma forma tão linear. Na segunda convocatória tivemos uma entidade portuguesa, ficamos muito contentes com isto e quero mesmo salientar que é um processo que é externo. Nós temos os avaliadores que estão responsáveis por este processo. Nós não temos qualquer tipo de interferência na identificação daqueles que são os selecionados no ranking. Nós temos uma única iniciativa, no MusicAR tivemos cinco, ao longo do período e das duas convocatórias. No LiveMX, neste momento, na segunda convocatória, temos um projeto português aprovado, temos estes 12, 14 que se candidatam em cada uma das convocatórias. E por que isto está a acontecer? Porque foi criada uma matriz para tentarmos valorizar o acesso a este financiamento àqueles que não têm tanta preparação para o fazer. E como as entidades portuguesas, e isto é um bom sinal, têm conseguido encontrar o seu caminho pelos projetos de cooperação ou outro tipo de iniciativas, acabam por não ter acesso a estes bonus points, que são dados para conseguirmos apoiar outros beneficiários ou outros candidatos que estão numa situação em que é o seu primeiro contacto, de facto, com o financiamento europeu e com este tipo de iniciativas. Este acesso, esta ponte que nós criamos para facilitar este acesso a estas entidades, talvez esteja a traduzir-se nesta participação menos presente de entidades portuguesas do ponto de vista dos projetos selecionados.

O que também é uma boa novidade, porque significa que aqueles que nunca participaram têm aqui o seu espaço privilegiado para começarem a participar.

Exatamente. A ideia é sempre fazer este acesso facilitado a quem ainda não participou, chegar a estes potential applicants, estes possíveis candidatos, e incentivar a sua candidatura. Sabendo que o financiamento neste montante está limitado aos quatro milhões e que a nossa expectativa é apoiar cerca de 60 projetos. Vamos para esta terceira convocatória, encorajamos todas as entidades portuguesas a apresentarem-se.

Que termina quando?

Neste momento a convocatória está aberta de 5 de novembro a 6 de janeiro.

Excelente oportunidade. Não podíamos estar a conversar num timing mais perfeito.

Ótimo. E daí exatamente fazer este apelo para que não deixem de apresentar a vossa candidatura. Se tiverem alguma questão, há uma linha aberta do projeto para tentar esclarecer. Há sessões de informação que estão a decorrer neste momento, elas vão ser disponibilizadas depois de serem gravadas para livre consulta. Temos o tutorial para explicar como é que pode ser feito o processo de candidatura e temos toda a nossa disponibilidade para apoiar aqueles que possam estar interessados a candidatarem-se à terceira convocatória.

Muito bem, excelente. Eu estava aqui a pensar, a fazer umas contas de cabeça, quatro milhões é muito, mas se pensarmos que um projeto de larga escala da Europa Criativa só podem ser dois milhões, estamos a falar, de facto, na necessidade de distribuir financiamento por entidades mais pequenas. É de facto assim. Olha, esta nova geração de projetos traz consigo os chamados temas transversais. Isto significa olhar para a sustentabilidade, olhar para a igualdade, olhar para a inclusão. São, no fundo, as agendas do momento. Como é que no caso do Live MX estas coisas estão a ser ponderadas e até que ponto é que tu sentes que as entidades têm capacidade para overcome estes temas, que são, na verdade, obrigatórios e muitas vezes o sucesso para as candidaturas?

O que tem acontecido é que esta agenda é uma agenda já com algum histórico. No Musicaires, como referi, nós encontrávamos já os temas do Green, Digital, Fair and Resilient. Já estávamos a falar, de facto, das transformações tripartidas, com estes três temas em foco: um setor mais verde, mais digital e mais justo. Continuam a estar em cima da mesa, neste sentido mais aplicadas à export e a Live Venues. Não acho que o setor tenha qualquer tipo de dificuldade em apresentar ideias, porque sabem que este é o seu caminho para maior competitividade e inovação. Há ideias muito interessantes que são trazidas para os projetos e para depois a implementação, com extrema qualidade, como disse, porque este esquema de financiamento acaba por ser bastante competitivo, face à necessidade que o setor tem para este tipo de apoio. Está a acontecer e vai continuar a acontecer, porque a próxima convocatória do Music Moves Europe, para um novo esquema de financiamento, que virá a ser apoiado e que dará continuidade ao Live MX, continua a focar os temas, por exemplo, do greening. Não sabemos ainda exatamente em que moldes, mas vai continuar a estar em cima da mesa. Lá está, acho que as ideias estão lá, o caminho também está, é uma questão, de facto, mais de financiamento e de ver estas iniciativas apoiadas.

Muito bem. Estava aqui a pensar, muito engraçado, porque ao mesmo tempo que vocês vão pôr no terreno uma call, também vão concorrer a uma call.

Exatamente. Neste momento, o que é que está a acontecer? Lançámos a terceira convocatória. Estamos impacientes a aguardar e com muita expectativa aquilo que é a visão que a Comissão e o programa Europa Criativa traz para a nova convocatória, esta ação mais centralizada, ou seja, o que acontece? A Comissão delega num consórcio a responsabilidade de gerir este esquema de financiamento. Há uma margem maior na próxima convocatória, a expectativa é que o valor seja de € 5 milhões, o que são ótimas notícias. Ainda assim, era importante que houvesse um reforço deste tipo de instrumento pela necessidade que vemos que exista e pela importância nos efeitos que ele gera no setor. Estamos a aguardar que saiam as linhas e sabemos que há aqui um caminho de aprendizagem. Um caminho de aprendizagem para aqueles que têm vindo a ser apoiados, que reforçam as suas competências e que trazem mais-valias para o setor. Um caminho de aprendizagem para nós, consórcios, que temos estado a candidatar-nos a este tipo de esquema e vamos aprendendo em cada iniciativa como melhorar no futuro. E um caminho para a própria Comissão, porque introduz as aprendizagens das iniciativas anteriores. Isto acaba por ser uma porta aberta para o diálogo muito importante, desde a preparatory action do Musicaires, até ao desenho da nova call que trouxe o Live MX. Nós já vimos mudanças para benefício do setor e da forma como o esquema de redistribuição pode ser desenhado. E a nossa expectativa é que haja uma nova aprendizagem e que se facilitem as condições para o consórcio que gere este mecanismo, porque nós também temos que lidar com as próprias regras, regulamentações e o desenho da convocatória a que nós nos candidatamos.

E prestar de contas.

Exatamente. Às vezes o setor pode ter uma expectativa mais alargada sobre o que poderia ser um esquema de financiamento e por que nós não estamos a corresponder exatamente, ou de uma forma plena às necessidades, e nós temos que seguir uma linha, um framework, um enquadramento, que às vezes é responsável até pela falta de resposta plena àquilo que poderia ser. O "what if" era ótimo, nós também estamos do lado do setor e temos expectativa que aquilo que nós aprendemos no Musicaires e no Live MX seja integrado nesta nova convocatória.

Muito bem. Excelente mensagem. Sabes que eu me sinto um pouco do teu lado, ou seja, nós estamos do mesmo lado do campo, que é do lado de quem está sempre a tentar passar a mensagem dos financiamentos europeus, o que é possível, e também é muita razão de ser deste podcast, quer desta nova temporada, quer das temporadas anteriores. Na tua opinião, deste lado do campo, o que achas que podíamos fazer mais para incentivar e para dar a conhecer estes instrumentos europeus para o setor cultural e criativo?

Não é uma pergunta fácil. Nós vamos tentando encontrar estes caminhos. O podcast é uma excelente iniciativa que vai neste sentido, de facto, de criar uma nova voz, uma voz adicional àquilo que são as iniciativas. Parte muito também daquilo que são os atores. Ou seja, há muitos mecanismos, há muita informação, às vezes nós ficamos é perdidos onde é que nós podemos procurar. O primeiro ponto diria que é este contacto com o balcão a nível nacional da Europa Criativa, que é, de facto, muito ativo, tem sempre e de forma regular informação sobre o que são as oportunidades, portanto, manter sempre um olhar atento sobre aquilo que é divulgado, em termos das oportunidades de financiamento, incluindo este Cascade, porque o Cascade ou esta redistribuição de grants ou subgrants, traz muitas oportunidades em termos destes mecanismos simplificados que facilitam a um applicant, alguém que queira explorar a sua ideia, a sua solução ou o seu projeto, candidatar-se a um mecanismo que pode ser um bocadinho mais simplificado. E dando este primeiro passo, é um passo de gigante, porque a seguir, de facto, já se sente a confiança para procurar outro tipo de instrumentos de financiamento um bocadinho mais complexos. E depois acho que é sempre importante mantermos uma porta aberta às parcerias, porque ao nosso lado há sempre alguém que possa já conhecer um pouco mais, ter uma ideia que é complementar à nossa, e juntos acabamos por ser mais fortes. Portanto, o que é que nós podemos fazer mais? Não é fácil. Do nosso ponto de vista, daquilo que é o nosso trabalho, vamos continuar a estar atentos a este tipo de instrumentos e convocatórias para termos o nosso papel enquanto entidade portuguesa a liderar estes processos. Nós, de facto, do ponto de vista da música, é isto que fazemos, mas temos o contacto com outras iniciativas no setor cultural e criativo, e não só, e temos esta experiência de redistribuição de grants. Quanto mais próximos nós estivermos destes instrumentos e os pudermos facilitar, mais oportunidades vamos trazer, não só para entidades portuguesas, mas também entidades europeias.

Eu concordo. Sim, eu acho que tens razão. E até acrescentaria, eu acho que já fizemos um caminho enorme. Eu se olhar para trás, e na área dos fundos trabalho há muitos anos, mas mesmo nesta área do setor cultural e criativo, se andarmos dois quadros para trás, o nível de conhecimento de hoje e o nível de participação de hoje é muitíssimo mais elevado do que o que nós tínhamos anteriormente. E, portanto, eu acho que isso já é um saldo positivo. Contudo, continuo a achar que ainda há muita margem de trabalho para fazer. E sempre que falo com um artista ou com uma entidade cultural que ainda não está a utilizar o financiamento, fico sempre com esta pena a dizer: "Porque não? Aqui ainda há um caminho para andar." Mas eu acho que a pouco e pouco vamos chegar lá. Olha, estamos a terminar. Gostava de fazer uma última pergunta, mais numa lógica, vamos dizer, de incentivo, e com base naquilo que vais fazendo, que é o teu dia a dia, o que é que dirias a uma destas instituições ou a um artista que ainda não passou pelo processo dos fundos europeus para o motivar ou para o inspirar a apresentar uma nova candidatura? Imagino que isto é um pouco o teu dia a dia também, não é?

Exato. Eu não deixo de correr riscos. Eu faço também candidaturas, eu tenho as minhas ideias, eu e a minha equipa, naturalmente, e procuro sempre encontrar o melhor enquadramento para estas ideias e para estes projetos no âmbito das oportunidades de financiamento. Portanto, quase diariamente, mas isso é porque trabalho numa consultora, faço a monitorização daquilo que são as oportunidades de financiamento. Mantenho sempre um olhar atento àquilo que é o portal do Funding and Tenders da Comissão, para perceber o que é que existe de novo. E não desistir, basicamente, porque mesmo que não tenhamos sido bem-sucedidos em algum momento no desenvolvimento de uma candidatura e nessa procura da realização de um sonho ou de uma ideia de projeto, tentar novamente, porque as convocatórias são recorrentes na maior parte dos casos. Portanto, perceber o que é que não correu tão bem, fazer o trabalho de casa não só no momento da candidatura, mas no após também, ou seja, tentar perceber quem foram as entidades que tiveram os seus projetos aprovados, o tipo de projeto que apresentaram, perceber onde é que estiveram as falhas no nosso processo e o que é que nos levou a não termos a candidatura aprovada. Portanto, não só estar atento às oportunidades, mas estudar e perceber os porquês e os caminhos alternativos, numa ideia de não desistir dos nossos sonhos.

Que bom. Olha, Sara, muito obrigado. Foi um gosto ter-te aqui. Desejo-te a maior das felicidades para a nova etapa e espero muito que ganhem outra vez a gestão do programa, porque era muito importante para Portugal e para os nossos operadores. Muito obrigado.

Obrigada. Seria uma honra, de facto, mas nós já somos bastante privilegiados por termos feito a coordenação do MusicARe e estarmos agora responsáveis pela coordenação do LiveMX. Obrigada pelo convite.

Obrigado por estarem desse lado e até uma próxima conversa. Prometemos continuar a dar informações sobre financiamentos europeus para arte, cultura e criatividade e a partilhar convosco mais projetos inspiradores. Este podcast é uma iniciativa da Fundação GDA, no âmbito da formação e desenvolvimento. Estamos juntos, no mesmo palco.