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O que se passou no Parlamento, Paulo?
No Parlamento, na última semana discutiram-se preços de combustíveis e houve uma troca de argumentos muito profunda sobre o tema entre o deputado Filipe Melo, do Chega, e Gonçalo Capitão, do PSD.
Porque consigo, pior que o que está o PSD não fica. Sr. Deputado, deixe-me relembrar que estamos na Assembleia da República e não num circo. Portanto, leve as coisas com seriedade, que os portugueses lá fora vivem do preço que nós estamos a pagar e não das suas piadas sem piada nenhuma. Por isso sou levado a dizer, Sr. Deputado: "O circo muda, o palhaço é sempre o mesmo."
Sim.
E Gonçalo Capitão respondeu, claro.
O senhor insulta a sua vontade, porque isso só o desqualifica a si e não a mim. Usando uma terminologia que os mais jovens compreenderão, fazer política não é farmar aura, não é fazer figuras ridículas e entrar em modes excéva. Os senhores não têm credibilidade sequer para entrar neste diálogo por uma razão simples. Ó deputado Pedro Pinto, como o Olson destila a académica que não tem categorias para isso. Olha, agora deixe-me dizer-lhe o seguinte: para falarmos de política é preciso ter credibilidade. Os senhores são o partido que acrescenta chuva aos vídeos, que ouvem o escape de uma moto e dizem "confetinhos" quando chegaram à Vila Nova de Famalicão. E são os mesmos que falam da economia paralela, sem explicar às pessoas que se isso fosse possível, qualquer ministro das finanças agarraria isso, que só conseguiriam cobrar a taxa de imposto sobre a economia paralela e que no ano a seguir já não tinham essa receita extraordinária. Ou seja, os senhores têm mais bluff na vossa bancada do que qualquer mesa de pôquer neste país. Devo dizer-vos que a vossa intervenção faz-me lembrar um ovo Kinder da Halloween. O chocolate é pouco e a surpresa é grotesca.
Perceberam.
Muito fortes nas metáforas.
Muito fortes nas metáforas e perceberam, de facto, o que eles dizem sobre preços de combustíveis. Aqui as propostas deles. No outro dia discutiu-se a legislação sobre rendas e o debate, pode-se dizer que foi tão esclarecedor como o dos combustíveis.
Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Deputado Alexandre Poço, não era sobre programas eleitorais, mas eu lembro-me bem que o PSD tinha no seu programa eleitoral de 2024 descer o IVA dos combustíveis e agora não aceita descer o IVA dos combustíveis. Portanto, talvez isso seja mais. Mas eu quero lhe perguntar.
Calma, deputado. Estão a passar o tempo todo.
Senhores deputados. Senhores deputados. Senhores deputados. Ó senhores deputados. Bom, vamos estar aqui mais uns tempos. Isto já é longo hoje. Sr. Deputado Abel Sanchez, espera.
Também está a passar à Mesa. Sim.
Ó senhores deputados. Senhores deputados. Ó senhores deputados. Senhores deputados.
Desgraçado.
Sim. Eu estava a olhar para a bancada do Chega. Estava a olhar para a bancada do Chega. Bom, espero que agora então todas as bancadas façam silêncio. Faça o favor, Sr. Deputado André Ventura.
Ficou com as orelhas de burro, coitado do homem.
Foram cinco minutos bem contados disto. Foram cortados aqui muitos períodos mortos de microfones desligados. Nesta algazarra de escola primária, Diogo Pacheco de Amorim, que estava a presidir aos trabalhos naquele momento, com muita dificuldade em pôr ordem na sala.
Não surtou nada.
Não surtou nada. Foram cinco minutos disto mesmo. Numa sala ao lado, chamaram-se aí membros da sociedade civil para audições sobre o tema da identidade de gênero e uma representante da Associação de Juristas Católicos também não gostou do barulho na sala.
Precisamente por estar na Assembleia da República é que eu esperava que da parte dos senhores deputados houvesse mais respeito a quem está deste lado. Mas então, deixe-me ver. Eu não resisto a uma resposta. Eu estou em casa, porque esta é a casa do povo, esta é a casa da democracia. Portanto, esta casa não é dos senhores, esta casa é de todos nós.
Às vezes é preciso explicar o básico aos deputados.