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Hoje começamos pelo futebol. É um mundo onde não se discute só a compra e venda dos jogadores, em pleno mercado de transferência, não se discute só a tática para a próxima jornada. Não, há temas que são ainda mais fraturantes.
Agora, há áudios de um pateta, que eu nem sei quem é. Um pateta, que patetas há muitos, que faz um áudio: "Eu estive a jantar com a Angelina Jolie e com a Cindy Crawford e depois estive a ver qual delas é que seria." Mas depois vou dizer-lhe o que é que ele diz: "Não dei hipótese a nenhuma das duas."
Até hoje estão desoladas. Depois chegam para lá o Frederico Varandas.
Cindy Crawford. Vê-se logo a idade de uma pessoa por estas referências.
Era exatamente o que eu ia dizer. É que pelas referências de Frederico Varandas percebe-se logo a geração.
Angelina Jolie, ok.
40 ou 50. Cindy Crawford, sim. Mas isto era apenas uma graça do presidente do Sporting sobre um vídeo que anda a circular por causa do alegado mau ambiente entre alguns jogadores e o Suárez, que terá revelado o que se passou numa despedida de solteiro com os colegas do plantel leonino. Só que Varandas põe tudo em pratos limpos.
Pronto, então temos um áudio de um pateta a falar de uma despedida de solteiro que nunca existiu. Vou-lhe só dizer isto: se calhar, ainda falta uma semana para o mercado acabar, se calhar ainda vamos ter uma semana onde vamos dizer que o Suárez vai roubar a namorada de um jogador do Belenenses. Atenção, se calhar ainda vem essa, não sei, é o que falam.
Afinal não houve sequer despedida de solteiro, quanto mais facadinhas no matrimónio.
Mas não houve despedida porque depois não houve casamento ou porque não era uma despedida?
Pois, o Varandas há de explicar a seu tempo. Mas o mundo de futebol é realmente assim uma caixinha de surpresas. Então não é que agora que CR7 está quase a despedir-se dos ralvados, é que ficamos a saber quem esteve por trás de todo o seu sucesso?
Eu não fui o jogador que queria ser. Não consegui por vários motivos.
Acontece.
Falta de sorte.
Certo.
Mas eu dirigi as minhas energias todas para o Ronaldo ser o melhor do mundo. E foi. Aos 17 anos, eu vi o Ronaldo jogar contra o Manchester e disse logo: "Ele vai ser o melhor do mundo".
Apresento-vos David Tadeu da Moita.
Muito bem. Quem é este Pokémon?
É o Tadeu da Moita. Toda a gente conhece o Tadeu. Se fores à Moita, toda a gente conhece o Tadeu. Portanto, Ronaldo é favor de ir de jato privado ou de barco privado, o teu iate, até à Moita agradecer.
Eu tinha uma casa na Moita. Pelo menos a família do Ronaldo, tinha uma das irmãs.
É agradecer ao Tadeu, que canalizou as energias todas dele para ser o maior. Mas há mais, o Tadeu, que vive na Moita, fez o que Pelé nunca conseguiu fazer.
Marquei um golo para cá de meio-campo. Estás a ouvir? O Pelé estava danado para fazer um golo desses e nunca conseguiu.
Eu acho que tinha mais técnica que ele.
Eu tinha que estar num grande.
Ainda bem. Não há aquele japonês, o Miura, que tem 79 anos.
E continua a marcar golos.
Continua a marcar.
Do meio-campo.
Tadeu, pode ser que a sua vez ainda esteja para chegar. Ainda sobre futebol, há quem no dia dos jogos tenha outras responsabilidades.
Tenho visto poucos jogos, que o meu trabalho não dá para ver os jogos todos.
O senhor o que é que faz?
Tenho que trabalhar ao domingo. O meu emprego é emendar os erros dos médicos.
Emendar os erros dos médicos.
Em direita?
Direita?
Será?
Cirurgião plástico? Advogado?
Não, já sei.
Vamos ouvir.
É o meu. Eles cometem o erro e eu tenho que tapar os erros deles.
É coveiro. Pois claro. Tem vista para o futuro.
Na histórico, sei que também deve ter havido erro de alguém e faz sempre pena ver um armazém ser consumido pelas chamas, até porque não é um armazém qualquer.
Moradores que não arredam o pé aqui do local, como é o caso do senhor.
Diga.
Vive aqui num prédio muito próximo a este armazém.
Muito, um bocadinho próximo. Que isto é assim, era um armazém muito bonito. Era sim, senhora, não era mau, porque eu só soube porque a minha mulher é que viu e é que me disse: "Amor, olha lá, o Maxina está a arder." Eu vim aqui ver, porque quando cheguei aqui, chorei um bocado. Chorei, é verdade.
Por que é que se emocionou?
Eu emocionei que isto é assim, das duas uma: ou isto pode ter sido as chispas, porque eles tinham muitas chispas ligadas umas às outras. E outra, tinham uns corredores muito apertados. Um gajo para entrar neles, tinha que entrar de lado. Mas que era um Maxina muito bonito, era. Por quê? Porque tinha tudo. Só faltava ser um restaurante.
E se calhar era.
Acho que vamos ficar nesse estado de não conhecerem o Maxina.
Isto é uma descrição como se uma pessoa te incluísse.
Não, sim. Maxina. Mas não fiquem assim, porque eu não sei se a zona, se era recomendável ou não, mas vamos tentar perceber.
Miguel, eu te pedi, toma, pedi também para podermos mostrar este senhor que está a ser entrevistado. Obrigada. Portanto, vive aqui muito próximo, mas consegue aceder à sua casa.
Como eu já lhe disse, eu por acaso não vi isto a começar. A minha mulher é que me disse que estava a haver fogo no Maxina. Eu entretanto vim cá abaixo para ver o que é que se estava a passar, porque isto é uma zona muito infrequentada. Eu fiquei preocupado com as coisas aqui perto. Pronto, eu fiquei preocupado e era um armazém muito bonito, tinha muita coisa, tinha roupa, tinha sapatos, tinha velas, tinha molduras, tinha tudo e mais alguma coisa. Ferramentas, chapéus, sapatos, tudo, tudo e mais alguma coisa.
E tinha extintores, alguma vez viu?
Uma vez quando cheguei aqui, vi cá um extintor.
Só um para este armazém tão grande ou viu mais?
Só vi um. Era um extintor pequenino. Não vi mais.
Era pequenino.
Tinha tudo, só não tinha era extintor. Mas estava à venda? Não sei. Mas o que eu sei é que quando se recuperar este armazém, esta loja, Maxina, não é?
Sim, Maxina.
Está feito o anúncio. O anúncio está feito. Relações públicas.
É uma zona muito infrequentada.
Muito.