Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Hora de mais um "Não se Fala de Outra Coisa".

Não se fala de outra coisa do Festival da Canção, que de uns anos a esta parte regressou ao tema das conversas. Não sei se viram?

Não.

A grande final de sábado. Não viram? Não, falhei. Então sou eu que vi?

Pois. E gostaste. Tu gostas do Festival da Canção?

Eu gosto muito. Votou freneticamente, aliás, várias vezes. Não, por acaso não votei. Podia ter votado, mas não votei. Mas acompanhei. Estava curioso. Não vi as semifinais, vi um bocadinho da segunda semifinal. Vou dar a minha opinião. Aguenta. Eu acho que o nível era muito baixinho e que na própria final, estavam 10 canções a concorrer, não foi um nível extraordinário.

Mas os Bandidos do Canto foram justos vencedores?

Os Bandidos do Canto, vamos lá ver. Não me pareceu das piores. Sabemos como é que funcionam as coisas.

Pronto, isso dito assim.

Carla, não consigo dizer mais. Não ouvi a canção, confesso. Acho que é uma canção simpática, não vai muito além disso, mas é a opinião apenas do espetador. Obviamente. Sabemos também que no Festival da Eurovisão, muitas vezes, o que funciona é aquilo que é muito diferente. Eu acho que, mais uma vez, esta é a minha opinião, se fosse mesmo uma coisa de canto alentejano típico, completamente diferente, cantada à capela, eu acho que era capaz de ter outro efeito. Neste sentido de que, de facto, na Eurovisão. Acho que era mais competitivo na Eurovisão. Acho que sim, por ser mais exótico. Pronto, perdoe-me a palavra. É mais estranho e muitas vezes aquilo que é estranho acaba por chamar muita a atenção de quem vota em toda a Europa. Mas os Bandidos do Canto ganharam, ainda que não tenha havido consenso entre o júri regional e o público, os espetadores que votam. A votação está dividida 50/50, 50% do voto regional e 50% do voto do público. O público preferiu os Bandidos do Canto e deu uma nota muito baixa ao grande concorrente, pelo menos até à votação do júri regional, que era a canção de João Ribeiro, uma canção composta por Cristina Branco, de que me deixem lembrar o nome, "Canção do Querer", que partiu para a fase da votação do público em primeiro lugar. Só que o público deu apenas dois votos a esta canção e aí soube-se logo que não ia ganhar. A partir de uma certa altura percebeu-se logo que não ia ganhar. E quando se estava já a chegar ao fim da votação, percebeu-se que os grandes vencedores seriam os Bandidos do Canto. Há também este pormenor que alguns dos participantes tinham anunciado que iriam boicotar o Festival da Eurovisão, caso ganhassem. Não era o caso dos Bandidos do Canto, que disseram logo à partida que iriam participar. Isso também pode ter tido influência na votação do público. Claro que isto nas redes sociais deu para tudo, entre grandes elogios aos vencedores e à temática e ao Alentejo, pois isso também entrou numa competição regional. É curioso que as regiões autónomas deram as notas mais baixas para os Bandidos do Canto do júri regional.

Sendo que os vencedores do ano passado eram madeirenses.

Eram madeirenses, exatamente, os Napa. Houve aqui uma espécie de conflito regional nas votações. O que também é interessante, é a parte que eu mais gosto, é das votações. Normalmente, mesmo na Eurovisão, estou à espera que chegue.

Twelve points.

É, os twelve points, que depois têm alguma emoção. Mas já temos representante para o Festival da Eurovisão deste ano, que se vai realizar em Viena, na Áustria, não em Viana do Castelo, mas em Viena, Áustria. É a 70ª edição da Eurovisão. Já há muitos anitos. Ganhámos uma vez. Ainda no outro dia estava a ouvir e houve um excelente momento.

No mesmo ano, o Benfica foi campeão.

E veio cá o Papa.

E veio cá o Papa, exatamente.

Tudo no mesmo fim de semana. Tudo a acontecer no mesmo dia.

Lembras-te sobretudo da vitória do Benfica, não é, Paulo? O Benfica venceu o Guimarães.

Guimarães 4x0, creio, e confirmou. Com aqueles dois gols de cabeça e depois o outro.

O outro de coupê.

Nesse dia estava em Matosinhos a acompanhar.

A ver os aviões?

A ver os aviões, a ver os navios.

Estava na Casa do Alentejo e acabei por passar no Marquês quando aquilo estava a formar-se. Que maravilha!

E a escrever aqui para o Observador também.

Já?

Nessa altura, quer dizer, antes disso.

Tão precoce.

Muito precoce. Tinha para aí 15 aninhos. É verdade, mas o que eu estava a dizer? Estava a dizer qualquer coisa importante.

Mas é de interromper. Agora já não és novo.

Não, as coisas passam-me da ideia, mas ganhámos uma vez com o Salvador Sobral. E eu estava a dizer, houve um grande momento no intervalo deste festival da época, foi uma espécie de half time show com o Samuel Úria e a Selma Uamusse. Foi muito giro, pois eles fizeram versões de canções de 1986, internacionais e portuguesas, e foi de facto um dos-

Momentos altos

...um dos momentos altos. E depois também houve uma oportunidade para recuperar o "Não Sejas Mau Pra Mim" da Dora, que eu tive a oportunidade de confirmar que é, de facto, uma canção pop espetacular. É muito festiveira. Muito festiveira e não sei, de facto, na altura acho que ficamos por aí em 17° na Eurovisão.

Eles não percebem nada.

Não percebem nada disto. É o que eu tenho a dizer

Falando também de grandes acontecimentos culturais, vi uma frase que sintetiza tudo: "Como perder um Oscar em 10 dias." Parece que é o que aconteceu ao Timothée Chalamet, com as declarações que ele fez. Não concordas? Ele é mais uma vez candidato ao Oscar de melhor ator, agora por "Marty Supreme". E há muitos críticos a dizer que ele perdeu qualquer hipótese de levar a estatueta para casa, depois de numa entrevista ao Matthew McConaughey, ter dito que não quer ter nada a ver com a ópera e o balé, porque são duas formas de arte que estão em declínio e completamente afastadas da realidade. Veio gente de todo lado, não só anônimos, mas também as grandes casas de ópera do mundo a reagir a estas declarações. Algumas com mais humor do que outras, mas o Timothée Chalamet está a ser bombardeado por causa dessas declarações. Vale ter uma Kardashian para fazer uma declaração. Há quem diga que são as más influências que o fazem ter dito assim um disparate na entrevista. Foi a forma um bocadinho despropositada.

Aliás, até o próprio cinema corre o risco de, daqui a uns tempos, ser ele próprio uma arte de nicho.

Eu também só vi aqueles 20 segundos da entrevista, mas a conversa estava mesmo sobre a questão do futuro do cinema com o streaming. E ele dizia exatamente sobre isso. Filmes como o "Oppenheimer" ou a "Barbie", as pessoas, se querem muito ver um filme, vão fazer por isso e vão ter interesse em ir, ao contrário dessas formas de arte em declínio, como ele diz que são a ópera. E depois fez de conta que cantou ópera. Às tantas percebeu que podia estar a ser polémico. E diz: "Todo o meu respeito às pessoas do balé e da ópera. Acabei de perder 14 cêntimos em audiência por causa desta afirmação." Se calhar perdeu muito mais do que isso. É muito interessante ver nas redes sociais, nomeadamente as casas de ópera e também de balé, reagir com altas produções, com vídeos muito bonitos sobre os bastidores do que é um espetáculo de balé ou de ópera. O Metropolitan de Nova Iorque tem um vídeo que já ultrapassou os seis milhões de visualizações, em que mostra precisamente os bastidores da produção e depois na legenda: "Esta é para ti, Chalamet." Há quem o convide a assistir a atuações em várias casas. A Ópera de Seattle, nos Estados Unidos, está a oferecer um desconto aos lugares selecionados para os espetáculos de fim de semana da Carmen, a dizer: "Mostrem aqui ao Chalamet o que é a verdadeira arte e a forma como se faz."

Mas não é o único que está sob fogo. Jessie Buckley, do "Anatomia".

Sim, porque não gosta de gatos.

Não gosta de gatos. Ela é mesmo a grande favorita, porque arrebatou todos os principais prémios nesta temporada de prémios.

Parece que tem uma extraordinária interpretação.

O filme é bom, mas a interpretação é extraordinária e tem ganho tudo, ao contrário de Chalamet, que ganhou um dos prémios, portanto não é o favorito destacado. Mas os dois ficaram com as possibilidades um bocadinho mais reduzidas depois de comentários sobre ópera, balé e gatos.

Bom, a diferença, apesar de tudo, é muito grande. Dia 15 tiramos a prova dos nove.