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Não se fala de outra coisa na Rádio Observador, de um jovem português de apenas 13 anos que está a dar o que falar. E não é por gostar de futebol ou de redes sociais, é por adorar livros. Chama-se Francisco Borges, descreve-se como um bibliófilo e até devoradorossauros livros. Devorador-ssauros livros. E não é exagero. Ele diz que consegue ler cerca de 10 livros por semana e houve uma altura, quando partiu uma perna, que chegou a ler 10 por dia.
10 por dia?
10 por dia. Mas numa altura normal, diz que a média são cinco livros por semana, sobretudo livros pra idade dele, mas também policiais. Está a descobrir Agatha Christie, gostou muito dos crimes do ABC, um dos casos de Hercule Poirot, e até clássicos como Oliver Twist, Charles Dickens, ou O Deus das Moscas, do William Golding, que está a ler agora como leitura obrigatória pra escola. E desta obra, diz que gosta particularmente do fato das personagens principais serem meninos da sua idade. O gosto pela leitura começou muito cedo, ainda bebê, quando ouvia histórias contadas pelos pais. A partir daí nunca mais parou, a ponto de, diz, já nem saber quantos livros leu na vida.
Na longa vida que ele só lê.
Na longa vida, que é como quem diz, desde que aprendeu a ler. Hoje, partilha essa paixão nas redes sociais com a ajuda da mãe e já ultrapassou fronteiras, depois de ser falado aqui em Portugal, agora também é estrela em meios internacionais, como o Euronews. Mas ele não vive só dos livros, também joga futebol, pratica kickboxing, faz natação e até joga xadrez. Tudo isto sem telemóvel. Não tem telemóvel.
Essa é uma separação discreta.
Faz a diferença. Apesar de muitos duvidarem da sua capacidade de leitura, Francisco explica que aproveita todos os momentos pra ler: no autocarro, antes de dormir, qualquer pausa serve pra abrir mais um livro. Hoje é muitas vezes convidado por escolas para falar com outros jovens, com uma missão simples: mostrar que ler não tem de ser aborrecido. E talvez esteja aqui a melhor lição desta história, que num mundo dominado por ecrãs, há aqui um miúdo português a provar que os livros ainda podem ser os protagonistas do seu dia a dia. É um exemplo sempre prazeroso.
Com muita intensidade, de facto.
Com muita intensidade.
É mesmo gostar de ler.
E ter tempo pra isso tudo.
Arranjar tempo.
Arranjar.
Eu acho que isso faz a diferença.
Arranjar é vontade. Muito interessante. A questão agora de que se está a falar muito é como é que se pode reagir a esta escalada dos preços dos combustíveis. E os diversos países estão a encontrar soluções muito diferentes, o que também não deixa de ser interessante perceber que soluções é que cada Estado está a encontrar. E quando falamos em medidas para responder à escalada de preços, talvez Espanha venha imediatamente à cabeça por ter apresentado até agora o que pode ser o pacote mais ambicioso. É um plano de mais de 5 mil milhões de euros para tentar mitigar o aumento de preços. É um plano muito centrado na questão fiscal. O governo reduziu o IVA de todas as formas de energia, de 21 para 10%. Estamos a falar de combustíveis, eletricidade, gás natural, butano, com preço máximo congelado. Também reduz a fatura da luz em 13% e a gasolina e o gasóleo vão ficar cerca de 30 cêntimos mais baratos por litro. Falamos de transportadores, agricultores e pescadores, os setores mais expostos. Esses vão ter ainda, acrescido a isto, uma bonificação de 20 cêntimos por cada litro de combustível profissional. E estas medidas são válidas até ao fim de junho. É, de facto, um pacote grande.
E com impacto, neste caso, muito positivo.
Com horizonte temporal que pode ir pra além do conflito. Não sabemos, vamos ver.
Pois é, não fazemos ideia. Falando em países com grandes aumentos nos postos de reabastecimento, está a Alemanha. Os preços da gasolina dispararam de 1,82 euros por litro para 2,16, é quase 18% em duas semanas. A resposta do governo passou por regular o comportamento dos postos de combustíveis, em vez de haver subsídios diretos. E também há uma lei que obriga os postos só poderem aumentar os preços uma vez por dia, ao meio-dia, mas ainda é preciso aprovar esta legislação. Na Áustria, a gasolina também subiu cerca de 13% e aqui foi mais longe que a Alemanha. Permite aos operadores aumentar os preços dos combustíveis só três vezes por semana e as descidas podem ser a qualquer momento. A Hungria fixou um preço máximo para a gasolina e para o gasóleo, mas só aos veículos com matrícula húngara, para evitar aqueles cruzamentos de fronteira. Itália tem uma fórmula diferente. Ponderou usar o IVA adicional que está a ganhar com a subida dos preços para compensar os consumidores e também prevê sanções às empresas que se aproveitem para inflacionar. Em França, curioso que a resposta mais visível não veio do governo, mas veio de uma empresa, a TotalEnergies, anunciou que ia manter os preços da gasolina e do gasóleo limitados até ao final deste mês. Lá está, os limites temporais aqui são muito decisivos.
Limitados não é congelados, não pode ser aí. Congelados?
Não, limitados.
Limitados. Ok.
Não há um teto, mas não há um congelamento de preços.
Certo.
A Europa está a reagir por aí, mas pra termos uma ideia da Ásia, que está a sofrer muito com o limite à passagem no Estreito de Hormuz, a Índia, por exemplo, estabeleceu um sistema de cotas de gás natural ao setor industrial, o que está a paralisar linhas de montagem e a afetar a capacidade de muitas fábricas que dependem de fornos e de caldeiras. As consequências chegam até aos serviços funerários, com os crematórios que utilizam gás, que pararam. Outros países: o Paquistão suspendeu as aulas em todas as escolas durante duas semanas, forma de reduzir não só o consumo de eletricidade.
Os combustíveis, claro.
Exatamente, o combustível e os deslocamentos. E até os funcionários públicos tiveram um corte temporário de salários. A Tailândia está a apelar ao trabalho remoto e as Filipinas instituíram a semana dos quatro dias de trabalho em todos os setores em que é possível reduzir o trabalho presencial, também numa tentativa de esperar que o conflito não se arraste por muito tempo.
Interessante. Isso mostra também por outro lado, como estamos tão dependentes ainda do petróleo.
É verdade. E o impacto que tem em tudo, na nossa vida, no dia a dia.