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Foi a despromoção das nossas vidas. Não sei se se lembram, mas foi há 20 anos que Plutão deixou de ser um planeta.
É verdade.
Ainda ontem pensava nisso.
Foi há 20 anos. Marcou?
Já foi há 20 anos.
Já foi há 20 anos. Nós já não estávamos na escola, na universidade, mas durante a primária, pelo menos, aprendemos que havia nove planetas e em 2006 as coisas mudaram e vieram nos dizer que afinal eram apenas oito. Plutão deixou de ser um planeta, o que motivou uma reação de muitos astrônomos, que a partir daí se solidarizaram com Plutão e passaram a defender com unhas e dentes o estatuto planetário de Plutão. É sobre isso que fala um artigo do jornal Garden, que ouviu alguns dos cientistas que se manifestaram contra a decisão da União Astronômica Internacional na altura, que foi uma votação, ou seja, foi um processo com votos pelo meio. A União Astronômica Internacional definiu três critérios para saber se Plutão deveria ou não continuar a ser um planeta. E estes astrônomos e cientistas estão contra a utilização desses critérios, dizem que são injustos e que se fossem apenas esses critérios, então teriam de se excluir outros planetas. Quem defende a despromoção de Plutão diz que se fosse incluir Plutão, teria de se incluir na lista de planetas, então ainda mais planetas. E isto aqui não é brincadeira, as pessoas levam muito a sério, os cientistas levam muito a sério esta questão de Plutão. O jornalista do Garden conta que uma das cientistas que entrevistou via Zoom apareceu com uma T-shirt a dizer "Resistência de Plutão 2006/2026".
É mesmo uma coisa séria.
Não, e é engraçado as justificações também que alguns dão, porque há um cientista que diz que o Plutão acaba por ser aquele miúdo que é vítima de bullying no recreio da escola pelos grandes. E foi por isso que também passou a defender o estatuto de Plutão. De facto, Plutão é um planeta muito pequeno, até mais pequeno em volume do que a Lua. E há quem diga: se Plutão é um planeta, então a Lua também poderia ser considerada um planeta. Não é assim que acontece. Esta questão tem levantado muitas polémicas no seio da comunidade científica internacional. Há aqui uma campanha para voltar a dar a Plutão este estatuto de planeta.
Great again.
Exatamente.
Plutão great again.
A Planet Again existe mesmo. Dentro da NASA, o administrador da NASA, que foi nomeado por Donald Trump, defende precisamente com esse lema: tornar Plutão novamente um planeta, Make Pluto a Planet Again. Um pouco aqui na linha de tudo o que nós sabemos que tem sido a política da administração Trump e talvez até haja aqui possibilidade de uma mudança. Isto tem que ver muito com a forma como o planeta, o ex-planeta ou agora planeta não, foi descoberto, foi descoberto nos Estados Unidos. Portanto, há aqui uma discussão que está muito centrada e que está confinada, mais ou menos, à comunidade científica norte-americana. Foram os americanos que descobriram Plutão em 1930. E então há aqui uma ligação afetiva com Plutão. Muitos não queriam que Plutão fosse despromovido, precisamente por isso, por terem sido os americanos a descobrir este planeta. Mas há aqui também uma questão política, acaba por ser uma questão política, porque uns defendem a despromoção e dizem que os critérios da União Astronômica Internacional estão certos. E há quem defenda que isto é política, no fundo, é uma questão mais política. Eu tenho uma sugestão, e visto que também está aqui envolvida a administração Trump, é mudar o nome de Plutão.
Para Trump, claro.
Ou para Trump ou para Planeta América, qualquer coisa que faça com que Plutão possa recuperar o seu estatuto, já que temos visto tantas mudanças em lagos e em golfes. Quem sabe se a solução para Plutão não passa pela mudança de nome, o planeta Donald J. Trump.
Por que não?
Se lhe dizem isso, eu acho que ele vai defender.
Não precisa dar-lhes nada.
Não, ele sozinho.
Exato. E lá por fora, também nos Estados Unidos, fala-se muito também da praia da Comporta, da nossa praia da Comporta. E o jornal norte-americano Wall Street Journal deixa mesmo um alerta: é melhor planear a sua viagem a esta praia de Portugal antes que toda a gente se lembre de fazer o mesmo. É o título de um artigo do Wall Street Journal para a praia da Comporta, descrita como o destino de praia mais elegante de Portugal, mas que também já não é nenhum segredo. E a magia reside no facto de ainda parecer um segredo, apesar de já não o ser. Os repórteres começaram esta viagem em Melides e dali para norte, na qual observaram pinheiros, os arrozais, os aglomerados também de casas caiadas de branco e depois os outdoors, os cartazes. Os cartazes a anunciar o quê? Os novos empreendimentos residenciais de luxo, em inglês, naturalmente, nos quais se vende a oportunidade de construir a Comporta dos seus sonhos. A repórter Caroline Tell explica que a viagem de carro revelou duas histórias, uma a do local da qual ela ouvia falar há anos, uma localidade do litoral tranquila, cercada por várias outras áreas, adorada por pessoas influentes no mundo da moda, artistas, amantes da natureza, e depois um outro lugar, este em plena transformação, com hotéis de luxo, restaurantes badalados, empreendimentos de casas de férias, atraindo desta forma a próxima geração de viajantes. Esta reportagem passa por vários locais, destaca as Lojas do Carvalhal, onde as peças de moda se confundem com a decoração vintage portuguesa, os restaurantes de praia onde as famílias se reúnem para almoçar ou os hotéis e empreendimentos de luxo, tudo isto num ambiente muito mais tranquilo do que outros locais, em Portugal, mas também em Espanha. Uma das ideias que fica desta reportagem é de que muitas pessoas que chegam à Comporta como visitantes encontram motivos para voltar ou mesmo para ficar em definitivo. Ainda assim, a repórter diz que encontrou com facilidade também a Comporta tradicional, da qual costumava ouvir falar, com as lojas artesanais, com os cafés. A questão é quanto tempo é que se irá conseguir manter esse equilíbrio entre a Comporta tradicional e a Comporta de luxo. Por enquanto, parecem oferecer algo cada vez mais difícil de encontrar na Europa. Pelo menos existe na Comporta espaço para respirar.