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Não se fala de outra coisa, por exemplo, de Donald Trump, que nos últimos dias se envolveu noutra polêmica e não tem a ver com programas de televisão cancelados, com tarifas ou com o caso Epstein. Desta vez, o alvo é a cantora Beyoncé. Ele acusa a cantora de ter recebido cerca de € 10 milhões do Partido Democrata pra apoiar a candidatura de Kamala Harris nas eleições do ano passado. Diz que o pagamento é ilegal, mas até agora não mostrou nenhuma prova concreta. E é também por isso que quase todos os títulos das notícias que andam a circular sobre isto dizem que Trump quer Beyoncé em tribunal por algo que não aconteceu. Segundo fontes oficiais, estes valores que a campanha de Harris terá pago à Beyoncé são para cobrir custos de produção de eventos e shows, nada relacionado a pagamentos diretos para apoiar alguém. Ou seja, não é um pagamento para comprar o apoio dela, mas para a organização do evento de campanha, que muitas vezes envolve celebridades. A mãe da Beyoncé foi rápida a reagir. Fala em mentiras, diz que a informação é falsa, até foi removida do Instagram por ser incorreta. E além disso, um porta-voz da campanha de Kamala Harris explicou que as leis americanas proíbem, de fato, pagar diretamente celebridades por apoio político, mas permitem que eles sejam reembolsados por despesas ligadas a eventos e por participarem, por atuarem.

Claro.

Pelo seu trabalho.

Imagino que acontece em todos os países.

Exatamente. Especialistas em direito dizem que este processo de Trump tem poucas hipóteses de dar certo, porque falta fundamento e provas sólidas. Muitos acham que ele está a usar esta história para tentar desviar o foco de outros problemas maiores, legais, como o caso Epstein. Não está a resultar 100%, mas também se fala na Beyoncé.

Claro.

Mas ele também tem esta capacidade de escapar a tudo. Ele próprio dizia que podia ir na Quinta Avenida dar um tiro em alguém que não lhe acontecia nada.

O caso Epstein está ali a perturbá-lo um bocado. Está a fazer de tudo para desviar.

Uma moralidade.

Está a minar dentro do círculo de apoiadores.

Exatamente. Isso nota-se muito.

Quando são coisas que motivam os que estão contra ele.

E porque dizem que há provas, neste caso, não é, do Epstein.

Sim, e ele também já apareceu até a defender Ghislaine Maxwell, o que também desagrada ainda mais aos seus apoiantes. Mas quando se trata deste tipo de críticas por parte de quem não gosta dele, os apoiantes dele juntam-se. E aí vamos ver.

E desta vez não está a criar divisões.

Outra controvérsia nos Estados Unidos, que já se espalhou pelas redes sociais por todo o mundo, não tem que ver com Donald Trump, mas tem que ver com a atriz Sydney Sweeney. Já ouviram falar dela? Digo que sim, pra não parecerem muito antigos, está bem?

Sim.

Claro. Sydney Sweeney.

Nas últimas horas não se fala de outra coisa.

Ora aí está, não se fala de outra coisa. É disto: uma campanha publicitária de uma marca de calças de ganga, a American Eagle, a águia americana. E logo aqui podia haver problemas, porque não será isto demasiado nacionalista, demasiado republicano? Bem, a American Eagle contratou a atriz Sydney Sweeney para ser o rosto e o corpo da campanha publicitária e teve aqui um slogan que está a gerar muita polêmica e que é: "Ela tem uns ótimos jeans", calças de ganga. Jeans, que se pronuncia da mesma maneira de genes. E há quem diga que pode haver aqui uma mensagem subliminar, que tem a ver com o eugenismo e com a defesa da raça branca e da superioridade da raça branca.

Bom ponto.

É, pá, já não podes brincar e dizer que tens bons genes.

Bons genes. Nos Estados Unidos, não.

Sei que depois as marcas optam pela inteligência artificial. Deus criou a inteligência artificial.

Mas eu estava aqui a ver em vários sites, vários jornais, de onde é que vem esta polêmica e quem é que criou esta polêmica, esta controvérsia. E, por exemplo, o Guardian diz, e isto também é sintomático dos tempos que nós vivemos, é que as críticas vieram de alguns utilizadores das redes sociais. Ou seja, estamos a discutir redes sociais e alguns utilizadores das redes sociais que fizeram esta interpretação da campanha, uma interpretação obviamente negativa. E aqui a questão é saber, como se discute sempre, se há ou não boa publicidade, se mesmo a má publicidade acaba por ser boa publicidade. Bem, eu nunca tinha ouvido falar da American Eagle. Não vou já correr comprar umas calças de ganga desta marca.

Mas pelo menos agora já conhece a marca.

Mas já conheço a marca.

E eu também fiquei a conhecer a marca, também não conhecia.

E nós podemos ir não comprar as calças desta marca, mas já muitas pessoas nos últimos tempos foram, tanto que houve um aumento de 10% desde o lançamento desta publicidade, com uma receita de 200 milhões de dólares.

A notoriedade está conseguida.

Isso sem dúvida. E, aliás, é ajudada pela polêmica. Sem polêmica-

Ou albo ou bem, importa que falem

Era só mais uma campanha

...só uma coisa positiva à volta da atriz e do rosto, do corpo. E essa é outra questão. Há quem diga que há aqui uma objetificação da mulher.

Claro, pensei que ias começar por aí.

É.

Mas é que é só nesse anúncio.

É só nesse anúncio. Nos outros anúncios de perfumes em que aparecem corpos de homens e de mulheres, não temos objetificação, nem a idealização do corpo, nada disso, não. É neste em particular, porque depois faz o trocadilho entre os jeans e os genes.

Os genes.