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Sócio, estás concentradíssimo. Estou concentradíssimo e não se canta outra coisa, não se fala outra coisa: o Festival da Eurovisão. O grande certame anual que junta todos os povos europeus, mais Israel e a Austrália também.

Esse grande país europeu.

Esse grande país. Eu gosto muito. É um conceito alargado. Participante honorário da Eurovisão, porque na Austrália eles seguem fervorosamente todos os acontecimentos da Eurovisão e por isso também merecem participar. Quem não vai participar na final são os nossos Bandidos do Canho. Bandidos. Bandidos que não conseguiram o apuramento, fomos às meias-finais, e tal como a Seleção Portuguesa de Futebol, que íamos nas meias-finais muitas vezes. Ontem aconteceu, já não acontecia desde 2019, eu creio que foi com o Conan Osíris. Lembram-se do Conan Osíris e o telemóvel?

Inesquecível.

Inesquecível.

Mais uma vez, mais um mistério: como é que ele não ganhou o festival?

Não, como é que nem foi à final?

Pois.

Vou pôr aqui a musiquinha dos Bandidos do Canho.

Tanta injustiça.

Sim, mas vão falando. É só para estar aqui. É só para estar com o som. Sim, não é para cantar. Eu estive a ver, eles não revelaram a votação, anunciaram apenas os 10 países que passaram à final. Portanto não sabemos em que lugar ficou. Não sabemos em que lugar ficou, não sabemos a pontuação que teve. Nas casas de apostas não estava muito bem colocado. Aliás, só no último dia é que conseguiu passar para os 10 semifinalistas nas casas de apostas, mas depois não se confirmou na votação do público. Se temos de nos queixar de alguém é do público, não votou em Portugal. O público não nos merece. Não merece. Estas coisas que nós mandamos, estas belas cantigas. Quando o público não nos serve é trocar de público. Quem não se pode queixar do público foi a Moldova, a Suécia, a Croácia, a Grécia, a Finlândia, a Bélgica, a Lituânia, a Polónia, a Sérvia e Israel, que costuma ter ótimas pontuações do público. Há quem sempre preste a dimensão política, uns que são contra. Muita contestação. Também parece que houve uns apupos e umas vaias durante a atuação do cantor israelita, mas isso não impediu que a canção fosse votada o suficiente para passar à grande final do próximo sábado. Que é no domingo. Sábado. Sábado? É sempre ao sábado. Eu parei jovem. Estava a ler aqui que a final é no domingo. Só se calhar este ano mudaram. Costuma ser ao sábado.

Está a confundir com os Óscares.

Normalmente é. Não, estou a ler o que nós falámos há bocado.

Eu vou procurar a versão.

Final Eurovisão. Vê lá. Sim, mas pode continuar. Este ano a grande final não terá a presença de Espanha, que é um dos Big Five. Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido são aqueles países que contribuem com muito dinheiro para a Eurovisão e, portanto, têm presença sempre garantida na final. Mas este ano Espanha decidiu não participar na Eurovisão, aliás, nem transmitir o evento, protestando contra a presença de Israel, no que foi imitada pela Islândia, a Eslovénia e a Irlanda. Está a dar mesmo muito que falar. Quem quiser ver a final, que ligue a televisão no sábado. No domingo vai ver outro programa. Pode ver. Vai ver a repetição. Vai à box e vê.

Israel ainda se arrisca a ganhar isto, nestas coisas políticas. Quando há polarização.

E depois para o anel A. Porque a votação do público tem o peso dos 50% e basta que a votação do júri não seja muito baixa para alterar tudo. Amanhã é outra semifinal, não é? Amanhã é a segunda semifinal. Vamos ver quem é que se junta aos outros finalistas. Ontem, durante a atuação do cantor israelita, também houve umas interrupções, alguns gritos de "Parem o genocídio" em inglês, "stop the genocide". Houve um autor dos protestos que chegou a ser mesmo detido e levado para fora da sala durante a atuação. A Arena Viena, Stadthalle, em Viena, ainda não dissemos, acho que ainda não tinha dito. Não.

Não.

Senão nós tínhamos parado. Não na Austrália, mas na Áustria. Até houve uma atuação depois das canções e antes de saber quem passava à final, que juntou os apresentadores e cantores, em que houve uma brincadeira sobre a Áustria e a Austrália. Não são a mesma coisa, algumas pessoas confundem os dois países e eles decidiram fundir. A Austriália passou a ser a Austriália. Eles faziam precisamente essas piadas. Não há cangurus. Se querem saber, a diferença é que não há cangurus na Áustria. Mas ontem apareceu um canguru também. Sempre a aprender. Sempre a aprender. A Eurovisão é muito útil para alargar os nossos conhecimentos geopolíticos.

O cuidado é com a geografia depois. Há muita gente que pensa que a Austrália fica na Europa. Aquilo é Eurovisão.

Eurovisão. PanvisãoCom a Austrália e Israel.

Claro, pois. O mapa, esquece. Acabaste?

Está acabado.

Muito bem. Vamos a uma daquelas histórias de Davi contra Golias, a parábola bíblica. Um casal português, André Ferreira e Tânia Afonso, tem como hobby a produção de licores artesanais em Monção, no distrito de Viana do Castelo. Abriram uma empresa, criaram uma marca, a Licores do Vale.

O que eles foram fazer?

O que eles foram fazer. E Tânia desenhou o logotipo que usa as duas letras, o L e o V. O L de licores, o V de vale, que até foi virado ao contrário, uma letra por cima da outra, o V virado ao contrário, diz a autora, para simbolizar as montanhas que envolvem a freguesia. No fundo, estavam preparados para produzir licores de mirtilo, framboesa, tangerina, aquelas coisinhas boas para acompanhar o café às vezes. E em junho de 2025 apanharam o susto da vida deles. Foram processados por quem? Pela Louis Vuitton. LV? LV, exatamente. A marca francesa de luxo alegava que o logotipo da Licores do Vale se tratava de, e citamos o processo: "Um aproveitamento parasitário do prestígio da marca de terceiros, que poderia criar concorrência desleal."

Com certeza. Aliás, uma mala ou uma garrafa de licor?

Uma mala ou uma garrafa de licor. Estamos sempre nessa dúvida. E chegamos ao supermercado. E quando encomendas, em que mão é que fazes?

Licor ou a mala?

Aquele Licores do Vale, isto é da Louis Vuitton. Não há proteção do consumidor. Não. Ora bem, este monograma, de facto, que é famoso, da Louis Vuitton, está nas peças da marca desde 1896, portanto há mais de 100 anos, 120 e tal anos. Foi criado pelo filho do fundador, Georges Vuitton, que criou na altura aquelas iniciais, o L e o V sobrepostos. O objetivo era, no fundo, marcar a autenticidade das malas de viagem que eram vendidas. Neste processo que a marca de luxo perdeu contra o casal português, foi alegado tratar-se de produtos com a mesma natureza, destinados a satisfazer as mesmas necessidades do consumidor. Isto é para vocês que estavam aí a dizer.

Eu normalmente quando vou de viagem, levo garrafas em vez de malas.

Claro. São produtos que se podem substituir. E sem saber o desfecho que teria o processo judicial, o casal parou as atividades da empresa, obviamente. Na altura, escreveram nas redes sociais: "Bom, somos apenas dois jovens com um sonho que ainda está à espera de poder começar." Os dias difíceis, que dizem ter passado, acabaram agora. O tribunal não reconheceu a acusação da Louis Vuitton. O casal pode, portanto, continuar a usar o logotipo que foi criado por Tânia, que tem registo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, como é normal. E eles dizem agora que o L e o V são de toda a gente. E retomaram as atividades da Licores do Vale no domingo. Portanto, vocês estavam aí à espera que chegasse novamente às prateleiras as garrafinhas de licor. Já podem ir. E a Louis Vuitton vai continuar a vender malas. Se conseguir depois deste fundo.