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Não se fala de outra coisa. Já ficaram com aquela sensação de que as coisas no supermercado estão cada vez mais pequenas, mas o preço continua exatamente o mesmo? Tem um nome isso, não é?
Não te esqueço que sim, tem um nome.
Tem um nome. Deflação, não é?
Deflação das quantidades.
Exato. Já vais perceber por quê. A internet encontrou a prova do crime. Uma britânica chamada Victoria Gordon estava a fazer limpezas numa casa em Scunthorpe, na Inglaterra, quando encontrou no fundo de um armário um chocolate Mars de 1991, ou seja, um chocolate esquecido há 35 anos.
Vintage.
Vintage. Até aqui parecia só uma descoberta fora de prazo, mas quando olhou para a embalagem, para o tamanho, viu que alguma coisa não batia certo com a ideia que ela tinha sobre o aspecto de um Mars. Disse: "Estávamos a esvaziar a casa de um acumulador compulsivo."
Sim.
Juntou tudo e mais alguma coisa, e tudo o que estávamos a revirar tinha décadas de existência. Essa barra de chocolate Mars chamou-me a atenção porque quando peguei, ela tinha quase o comprimento total da minha mão. Pensou: "Olha o tamanho disso!" Decidiu então comparar o achado com o chocolate Mars dos dias de hoje e tirou uma fotografia dos dois. É essa foto que está em tudo que é rede social. A diferença de tamanho é enorme. A que ela achou de 1991 pesava 62,5 gramas e as que estão hoje em dia à venda pesam cerca de 40.
Menos 30%.
Só para terem uma ideia, esta é a diferença entre um Mars e outro. Estou a mostrar agora a imagem que está a circular nas redes sociais. Claro que a imagem reabriu o debate, muito aceso, sobre a chamada reduflação, a estratégia de marketing em que as marcas diminuem a quantidade do produto sem baixar o preço.
Claro.
Bate certo. Para nos dar a ilusão de que não estamos a pagar mais. E claro, confrontada com o alvoroço nas redes, a marca explicou que as alterações no tamanho ao longo dos 35 anos se deveram ao aumento dos custos do cacau, de fabrico, à muda de hábitos e exigências dos consumidores.
Questões de saúde também, eles poderiam ter invocado isso.
Eu percebo o sentido em que uma barra de chocolate seja exagerada.
Claro, a resposta gerou ainda mais gargalhadas e críticas, porque as pessoas dizem: "Mas alguém pediu para que o chocolate viesse mais pequeno? Se eu quiser, eu compro um chocolate mais pequeno. Não quero pagar o mesmo e ter menos quantidade."
Está uma questão do preço.
Os pacotes de café.
Também reduziram imenso.
Reduziram, mas aí são mesmo recomendações das direções gerais de saúde por aí fora.
Exatamente.
Para a pessoa se ir habituando progressivamente a pôr menos açúcar nas bebidas.
Quanto a esta senhora, diz que costuma publicar alguns vídeos de pessoas que acumulam coisas, mas nunca nada tinha viralizado tanto. E acrescentou: "É fascinante as coisas que as pessoas acham interessantes. Quase mandei pro lixo, mas agora se calhar ainda faço uma turnê pelo Reino Unido com isto."
Exato.
A mostrar uma barra de-
Uma barra de Mars de 1991.
Se ampliar outros produtos, então tem um livro.
Pois, claro. Faz todo. Mas às vezes não temos noção. Aquilo vai mudando pouco a pouco.
É pouco a pouco, nem reparamos.
Agora, quando há esta diferença de 35 anos, é que é assim.
Esse é o ponto.
Portanto, 62,5 gramas para 40. É muito.
Então, é menos 30%.
É muita caloria.
As ancas agradecem, mas a carteira não.
É interessante também fazer o preço por grama ou o preço por 10 gramas.
O que se pagava também em 91.
No fundo, pressões comparáveis.
Muito bem. O tempo passa e nós mudamos de perspectiva sobre as coisas. Quem é que venceu este mundial de futebol? Lembram-se?
Isto foi a Espanha, não é?
Quem diria? João, estavas com uma branca.
Tive uma branca. Foi há tão pouco tempo e eu estava a pensar nos anteriores. Boa.
O Paulo com sua paixão por futebol, claro que não se esqueceu.
Vocês querem o nome dos vencedores desde o início da competição?
Agora não, Paulo.
Se quiserem, eu não consigo. Nem consigo repor quatro anos.
Mas lamento dizer, para o caso, não é a resposta certa. Ou pelo menos não é a única resposta quando passados agora, não há muito tempo, na verdade, pouco mais de um mês, um mês e pouco, não é a única das respostas certas para os vencedores do mundial de futebol, porque em termos comerciais há outros que ganharam muito mais.
Pois.
A FIFA, em primeiro lugar, gerou 15 mil milhões de dólares só neste ciclo de 14 anos. Mas há um outro vencedor muito claro num clássico de marcas Adidas-Nike. A Adidas é a grande vencedora, não só porque na final juntou duas equipes a vestir Nike. Ai!
A vestir Adidas.
Estou sempre com problema. Adidas. A Argentina e a Espanha vestem Adidas. Logo aí, a Adidas já ganhou. Quadruplicou a venda de camisolas em relação ao último mundial do Catar e as receitas associadas ao Campeonato do Mundo devem ultrapassar os 1,7 mil milhões de dólares.
É muito dinheiro.
Muitos zeros. Mas não foi só pelos equipamentos. A bola oficial era da Adidas, que a marca transformou num objeto de culto, criando réplicas gigantes espalhadas pelas várias cidades sede do Campeonato do Mundo, e as vendas da bola oficial do Campeonato do Mundo duplicaram em relação a 2022. Depois teve a campanha Backyard Legends, foi também uma aposta. O que fez? Juntou influenciadores, atletas de elite, atores de cinema, aqueles que nós vimos espalhados pelas bancadas, muitas vezes com ar de que nem percebiam bem o que estava a acontecer nas quatro linhas. Timothée Chalamet, Messi, Bad Bunny, Lamine Yamal, Zidane, Beckham, enfim, uma série de figuras.
Do futebol ou não.
Do futebol ou não, numa campanha publicitária que já recebeu uma nomeação para o Emmy. Portanto, muito importante. Outro vencedor, David Beckham, aos 51 anos, o antigo jogador fez campanhas para 11 empresas ao longo do torneio, que ia desde a tecnologia, bancos, fast-food. Depois, ele ia passando pelo estágio da seleção inglesa como figura que vendia, que estava associada a uma série de marcas. É também um dos grandes vencedores. Há uma marca também que foi muito comentada nesta edição e que não foi um patrocinador oficial, que foi a Levi's. Foi impedida pelas normas da FIFA de participar, de exibir a marca no Estádio de Santa Clara. Então o que a Levi's fez? Tapou com lonas brancas a marca, com o desenho da marca.
O símbolo.
O símbolo da Levi's, e partilhou com muita ironia nas redes sociais. Isso teve visualizações brutais e fica também uma das vencedoras. Há também o caso, temos que falar de Vozinha.
Claro.
Que passou de jogador a marca. Quando começou o mundial e era jogador do Shaves, tinha 50 mil seguidores nas redes sociais. Depois do primeiro jogo frente à seleção de Espanha, acumulou cerca de 1 milhão de seguidores. Atualmente, tem mais de 29 milhões de seguidores só no Instagram, que é também uma grande marca.
Era bom que ele conseguisse pôr isso a render. Era bom, era justo.
É capaz de conseguir.
Com uma base dessas.
29 milhões? Está outro nível, Paulo. Nós exageramos.
Só das minhas contas relacionadas com futebol. Claro, obviamente.