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Vocês são time pão com manteiga ou time manteiga com pão? Eu sou time manteiga a fugir.
Pãozinho quente com a manteiga a derreter.
Mas muita manteiga, pouca manteiga?
Muita.
E aquela manteiga com sal grosso. Aquela que tem pedras de sal. Meu Deus.
Isto é indecente.
É indecente, é extraordinário. Isto é pornográfico.
Vamos já marcar análise depois.
Mas seja de que tipo for, quem não passa sem uma boa fatia de pão com manteiga ao pequeno-almoço, tem mais uma razão para visitar Paris. Já é conhecida pela gastronomia, pelas pastelarias fantásticas, mas agora acaba de ganhar uma novidade que está a dar o que falar e tornar-se um autêntico fenômeno nas redes sociais. A capital francesa abriu portas à Le Beurre. Não é beurre, é Le Beurre Shop. É a primeiríssima loja especializada e dedicada exclusivamente à manteiga.
Isso em França, com esse nome, vai dar muita polêmica.
Fica mesmo ao pé da Torre Eiffel, está a atrair filas de curiosos, apaixonados por comida e turistas de todo o mundo. Qual é a grande ideia? É que a manteiga deixe de ser vista como um mero ingrediente e passe a ser tratada como um produto de luxo.
Com dignidade, que a manteiga merece.
O próprio fundador compara o conceito à prova de vinhos. Quem entra na Le Beurre Shop é convidado a fazer algo que para muitos seria impensável: provar a manteiga diretamente de colher, ali mesmo ao balcão. Escolher a favorita, mas colher. Estou a imaginar manteiga à colher.
Só assim é que vocês têm piada.
Uma degustação.
Ao todo, a loja oferece cerca de 30 variedades diferentes, todas produzidas de forma artesanal e há combinações para todos os gostos. Quem gosta de sabores salgados, como eu, por exemplo, pode experimentar manteigas aromatizadas com pimenta, algas marinhas.
Marinhas. Também é bom, também devem ter.
O alho vinha a seguir. Eu pensei com marinhas. Mas quem for mais de doces, a loja tem opções de baunilha, framboesa e até de chocolate. Combinações improváveis, mas para eles terem, é porque é capaz de resultar.
E uma manteiga de sardinha?
Eu tenho nas costas, as latas de sardinha. Nas costas, na t-shirt.
Calma.
Como é natural, o TikTok e o Instagram já ficaram inundados com vídeos de pessoas a deliciarem-se com essas manteigas de colher, transformando o espaço naquele ponto de paragem obrigatório em Paris. Portanto, agora muitos dos caminhos saem do aeroporto e vão-se para Le Beurre Shop, para a manteiga à colher.
É só levar uma baguete.
Uma baguete quente de preferência e o constrangedor com o corpo.
Muito bem. Lembram-se que há seis meses Salvador Sobral saiu do Spotify? Fez um anúncio com grande estrondo.
Falamos sobre isso aqui, não foi?
Falamos sobre isso. Agora voltou.
Voltou.
Seis meses depois. É verdade. Salvador Sobral anunciou ontem o fim do boicote que ele tinha iniciado em fevereiro. Ele admitiu agora nas redes sociais que de fato, este gigante do streaming, e aqui citamos, que é um Golias demasiado forte para enfrentar sozinho. E como o próprio resumiu agora de forma muito franca, muito direta para outros franceses, não há cá histórias. Ele disse: "Fui com tudo, mas quando olhei para trás, não havia ninguém. Rabinho entre as pernas, bola para a frente e regresso ao Spotify". De fato, prende-se esta decisão com a necessidade que é incontornável para um artista na indústria musical, chegar ao público. A forma de chegar ao público é que é diferente do que era há 20 ou 30 anos. Antigamente era por vinil, depois CD, cassete pirata.
E é muito interessante que em apenas seis meses ele consiga ver o impacto que tem de estar fora do Spotify.
Percebeu que é indispensável. Mesmo que os artistas, de fato, acabem por ganhar relativamente pouco.
No Spotify. Aliás, isso foi uma das razões que o levou a sair.
Mas continua a ser, neste momento, a principal forma de chegar aos públicos para depois ganharem de outra forma, nomeadamente concertos.
Ele confessa agora que recebia mensagens diárias de pessoas com pena de não poderem assistir ao trabalho dele, ouvir o trabalho dele, e justifica que precisa de vender bilhetes para os concertos para viver da música. Como é evidente. E ele reconhece, de fato, com alguma resignação, que o Spotify ainda monopoliza quase por completo a forma como a música é consumida. Eu não sei se as outras plataformas depois, que são mais concorrentes do Spotify, nomeadamente Apple Music, se têm condições para os artistas muito diferentes. Provavelmente não devem ter muito diferentes. Ele, na altura, em fevereiro, tinha saído da plataforma, pelas razões financeiras que já falamos, o pagamento muito pequeno que o Spotify faz aos artistas, mas também por fortes convicções políticas. Na altura, ele criticou o investimento que o líder e fundador do Spotify fez. Ele anunciou um investimento de 800 milhões de euros numa startup da área do armamento, da defesa. Salvador Sobral não vai cá com essas coisas.
Estes são os meus princípios.
E daqui não saio.
Se não gostam, daqui a seis meses.
Daqui a seis meses eu arranjo outros. Não, os princípios não mudaram, obviamente. Só mudou a posição em relação a isto. Outra coisa que o desgostou na altura, e também continua a desgostar, imagina-se, a proliferação de músicas criadas por computador, isto é, por inteligência artificial, nas listas de reprodução. Mas lá está, são tendências do tempo, não se pode parar o vento com as mãos. E ele garante agora, apesar deste recuo, que os seus princípios e as críticas que teceu à plataforma permanecem intactos. Portanto, ele não mudou de posição a esse nível. Mas diz também, confidenciou, que ele esperava que o seu boicote, o seu gesto, tivesse motivado um boicote coletivo por parte de colegas e do próprio público.
Mas era o que eu dizia ao início, não vinha ninguém atrás.