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Não sei se já repararam, mas janeiro de 2026 pôs o mundo a voltar a 2016 nas redes sociais.
Já percebi.
É um fenômeno. Está a fazer com que várias pessoas recordem, através de fotografias ou de vídeos, os momentos que marcaram a sua vida há 10 anos.
Já apanhei, não percebi como é que isto surgiu.
Nas redes sociais.
Nas redes sociais, no Instagram, sobretudo.
E a febre não se fica só pelas recordações. No TikTok, as pesquisas por 2016 aumentaram 452% e mais de 55 milhões de vídeos foram criados com filtros com o nome do ano. No Spotify, as playlists com as músicas do ano 2016 tiveram um aumento de 71% e grandes êxitos que marcaram o ano regressaram às tabelas, como este "Lush Life" de Zara Larsson, que na última semana subiu para oitavo lugar na tabela de singles do Reino Unido. É impressionante. Este é o tempo de 2016. Mas por quê 2016?
É só mesmo a 2016.
Mas por quê, Joana?
Os psicólogos dizem que é visto como a calma antes da tempestade, antes da pandemia, das guerras, da crise climática, da polarização política. É uma forma de esquecimento emocional que ajuda a lidar com o presente, diz uma psicóloga, Inês Miranda. Então, e já agora, como é que era viver em Portugal em 2016?
É que esse ano é muito bom. Portugal foi campeão.
Lá está, também.
Éramos felizes e não sabíamos.
Para a geração Z, o ano ficou marcado pelo início do uso constante das redes sociais. Em 2016, os artistas mais ouvidos em Portugal eram Justin Bieber, com os temas "Sorry" e "Love Yourself", Zayn com "Pillowtalk" e artistas nacionais como Ritchie Campbell, que marcou o ano com músicas do "You Know Wrong". Nos cinemas, o top dos filmes mais vistos, na liderança estavam as animações, "A Vida Secreta dos Nossos Bichos", a liderar as bilheteiras, logo depois, "À Procura de Dory". Vieram depois o "Esquadrão Suicida". O filme português mais popular foi "A Canção de Lisboa". Em relação a séries, "Game of Thrones" era, na altura, a favorita do público.
Há 10 anos.
Sim. E depois a grande estreia de "Stranger Things".
Só há 10 anos? É impressionante.
Na televisão, lá está, Carla, a vitória portuguesa no Euro 2016 foi o que dominou a lista dos programas mais vistos. Em muitos vídeos que estão a ser agora publicados com a hashtag 2016, os utilizadores trouxeram de volta algumas das maiores tendências desse ano, como as skinny jeans, que alguns ainda usam.
Tens razão.
Uma minoria. Fico presa ao passado.
Trágico isso.
Quem acha que fica bem?
As bebidas coloridas do Starbucks, auscultadores com fios. Foi também o verão do Pokémon GO.
Andava toda a gente na rua. Eu escrevi um artigo aqui para o Observador sobre o Pokémon GO.
Andava tudo à procura de capturar os pokémons virtuais. Foi também o ano em que surgiram os vídeos do Mannequin Challenge, em que as pessoas congelavam como manequins. Isso foi há 10 anos.
Sim.
Mas nem toda a gente gosta assim tanto 2016. Há quem tenha queixas a fazer. Uma das mais comuns é por ter sido o ano da primeira vitória eleitoral de Donald Trump e também do Brexit. Tudo em 2016.
Foi há 10 anos.
Há 10 anos. Não parece.
Cruzar com uma publicação com uma foto de 2016 ou vídeos desse ano, é essa a explicação.
Eu vi muitas e não estava a perceber. Até perceber que era uma tendência.
É uma trend. Eu agora já vou avisado, quando for para as redes sociais, já sei o que se está a passar. No mundo real, não das redes sociais, às vezes há excesso de pessoas, nas redes sociais também. Pode atrapalhar a experiência, por exemplo, ir a um museu. E nós quando vamos a museus cá em Portugal, mas quando vamos lá fora, quando vamos de férias, vamos visitar um museu, às vezes sentimos: "Caramba, tanta gente". E os responsáveis dos museus também têm essa noção de que o excesso de visitantes pode atrapalhar a experiência e pode prejudicar o próprio museu, é o que está a acontecer no Museu do Prado, em Madrid, um dos museus mais visitados do mundo. Ano passado teve 3,5 milhões de visitantes, um recorde para um museu, e agora o presidente da instituição, que anunciou a programação e o plano de atividades para 2026, veio dizer que não queremos que ir ao Prado seja como apanhar o metro em hora de ponta. Os Prados devem ser mais espaçosos, claro. E de fato, essa experiência tem se repetido. O presidente do museu diz que se atingiu o máximo, diz que não precisam de mais visitantes, que 3,5 milhões está bom, mas vão tomar medidas para que a experiência desses 3,5 milhões de visitantes seja mais agradável. E isto vai implicar aqui redução nas visitas de grupo, número de pessoas que podem estar em cada grupo, também uma reorientação, um reencaminhamento diferente dos visitantes quando estão já no museu, para não irem todos para as mesmas salas ao mesmo tempo, porque há pintores que são aqueles que toda gente quer ver, Velázquez, Goya, Del Greco, e então é uma possibilidade de reorientar os visitantes de forma a não congestionar certos espaços do museu. E chama-se esse projeto, Projeto Anfitrião, que então passa por essa otimização dos vários acessos ao museu e essa orientação dos fluxos de visitantes. E Miguel Falomir, o presidente do Museu do Prado, sublinhou que a maioria dos visitantes do Prado vai ao museu por causa da coleção permanente, portanto, sabe-se perfeitamente aquilo que se vai encontrar e quais são os hábitos ou quais são as expectativas e as vontades dos visitantes. Portanto, será fácil conseguir esta reorganização, porque basta pensarmos nalgumas imagens. Eu nunca estive no Museu do Louvre, mas basta pensarmos nalgumas imagens no Museu do Louvre à volta da Mona Lisa, ou noutros grandes museus, à volta das grandes obras, e por vezes torna-se mesmo muito difícil estar ali, desfrutar do momento. Estamos mais a ver pessoas do que propriamente a ver os quadros. O Museu do Prado quer evitar isto. Não é permitido tirar fotografias aos quadros e quando as pessoas tentam tirar, são logo alertadas pelos seguranças. Mas tudo isto é no sentido de melhorar a experiência, porque de fato é uma experiência extraordinária.