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As notícias com Miguel Pina Andrade.
Foram novamente ouvidas explosões no sul do Irão. Os Estados Unidos estão a atacar o país pela terceira noite consecutiva, mas Donald Trump diz que ainda é possível chegar a acordo. A confirmação dos ataques chegou pelo Comando Central dos Estados Unidos, momentos depois de o presidente norte-americano ter prometido, numa entrevista, a bombardear fortemente o Irão esta segunda e terça-feira. Já com os ataques em curso, Donald Trump falou aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca.
"Vamos atacá-los fortemente esta noite. Nós temos uma imensa quantidade de munições, temos números como nunca antes tivemos, e vamos atacá-los e vai continuar. Vamos ver o que acontece, mas destruímos toda a capacidade ofensiva deles e estamos a controlar o estreito. Voltámos a colocar o bloqueio. E é um bloqueio que atinge só o Irão e quem fizer negócios com o Irão. Todos os restantes vão poder atravessar."
O presidente norte-americano a reiterar também o que já tinha dito esta segunda-feira relativamente ao estreito de Ormuz, questionado pelos jornalistas na Casa Branca sobre um acordo com o Irão. Donald Trump disse que ainda é possível, mas que Teerão é responsável pela inexistência de um entendimento. Já numa entrevista dada a um programa norte-americano, Donald Trump afirmou que o memorando de entendimento assinado com o Irão foi um teste com pouco valor.
"Nós tínhamos um acordo ontem e, de repente, receberam uma chamada e saíram da sala. Estas pessoas são loucas. Tínhamos um acordo em que ganhávamos tudo. Eles simplesmente quebram os acordos. Para eles, os acordos são para serem quebrados. São pessoas nada confiáveis e se alguma vez tivessem uma bomba nuclear, usariam-na em um dia."
O presidente norte-americano diz que os iranianos não honraram o teste. Entretanto, os Emirados Árabes Unidos afirmam que dois petroleiros foram atacados pelo Irão no estreito de Ormuz. A notícia é avançada pela Al Jazeera, que cita o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos. Os petroleiros foram alvo de dois mísseis de cruzeiro iranianos em águas do Omã. Um tripulante morreu e há ainda registro de oito feridos. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos condena o ataque, que descreve como descarado, diz que constitui uma grave violação e uma infração clara do direito internacional. No X, garante que o Estado reserva o direito de responder a esta escalada e de tomar todas as medidas necessárias para proteger os territórios, o povo e os residentes. O presidente dos Estados Unidos anunciou que Washington vai restabelecer o bloqueio naval ao Irão e cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga enviada através do estreito. O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, não concorda com a tática de Donald Trump. Em Paris, onde marcou presença na reunião da Coligação das Vontades, Paulo Rangel diz que é preciso garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, mas discorda desta estratégia utilizada por Washington.
Quando defendemos a liberdade de navegação, defendemos a liberdade de navegação pura e dura. E, portanto, naturalmente, que a nossa posição é de não concordar com uma medida dessas. Uma coisa é obviamente tomar as medidas necessárias para garantir a liberdade de navegação, ela está em causa, e aí os Estados Unidos têm tido um papel importante, principalmente nos últimos dias, porque foi o Irão que começou com a violação da liberdade de navegação que estava no acordo. Portanto, para isso, naturalmente que há aqui um grande suporte e até para vir a acompanhar essas operações mais tarde, mas sempre no sentido de respeitar o direito do mar e a liberdade de navegação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas em Paris. Na tarde desta segunda-feira, a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas disse que não há base legal para os Estados Unidos cobrarem tarifas a quem passar no estreito de Ormuz. De recordar também que há algumas semanas Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, referiu que nenhum país pode cobrar tarifas para circular em águas internacionais. Depois do anúncio de Donald Trump, os preços do petróleo aumentaram. O petróleo Brent subiu 7,1% para 81,40 dólares o barril, enquanto o petróleo norte-americano subiu para 76,50, dos níveis mais altos desde 15 de junho. Na análise do major general João Vieira Borges, o anúncio da cobrança de taxas no estreito de Ormuz feito por Donald Trump é incompreensível e deixa os Estados Unidos numa situação muito delicada.
Efetivamente, se o Irão estava a infringir o direito internacional e a Organização Marítima Internacional apelou hoje que o estreito de Ormuz deve estar livre de qualquer taxa em cargo, portanto, se a grande crítica dos Estados Unidos e da comunidade internacional sobre o Irão era efetivamente as taxas, os Estados Unidos colocam-se numa situação muito delicada. Isto faz parte dos discursos incompreensíveis de um presidente dos Estados Unidos. Pode dizer que pode e deve fazer o bloqueio, mas estar a dizer que vai receber muito dinheiro e que vai receber agora 20% da carga transportada por esse trabalho é perfeitamente indescritível num presidente dos Estados Unidos.
A crítica do major general João Vieira Borges no Gabinete de Guerra da Rádio Observador. Viramos a página para a atualidade política nacional. A ministra da Saúde aguarda esclarecimentos do INEM sobre a morte de um homem na Vila das Taipas, em Guimarães. O Instituto Nacional de Emergência Médica anunciou este domingo que vai averiguar por que motivo foram enviados os bombeiros voluntários de Guimarães para socorrer um homem de 48 anos que estava em paragem cardiorrespiratória na Vila das Taipas. O caso aconteceu no sábado. De acordo com o comandante da corporação local, os bombeiros da Vila das Taipas demorariam-se entre três e cinco minutos a chegar à vítima, enquanto os bombeiros de Guimarães estavam a cerca de 9 km e perto de 14 minutos do local da ocorrência. Questionada sobre este caso, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, diz que está à espera das explicações do presidente do INEM.
O INEM está a avaliar essa situação, exatamente perceber por que não foram os bombeiros de Taipas e teve que ser acionado quer a VMER, quer a outra unidade de uma corporação de bombeiros mais distante. Certamente que o presidente do INEM muito rapidamente virá a explicar o que se passou. E eu acho que é importante ouvirmos aquilo que o presidente do INEM tem para dizer.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em declarações aos jornalistas, à margem de uma cerimônia em Miranda do Corvo, um registo captado pela RTP. A propósito deste caso, a Associação Nacional de Bombeiros e Agentes da Proteção Civil exigiu esta segunda-feira um esclarecimento imediato. Também a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica considera que este episódio representa mais um sinal preocupante da capacidade do INEM para gerir a resposta pré-hospitalar. O Chega vai pedir a demissão do ministro da Administração Interna no debate do Estado da Nação, marcado para esta quinta-feira. Em causa estão as alegadas ameaças feitas por Luís Neves ao partido e também a polêmica em torno dos contratos adjudicados pela Polícia Judiciária à empresa de um empreiteiro próximo do governante. André Ventura entende que Luís Neves tem respostas para dar.
E na quinta-feira, o partido Chega terá a oportunidade, com a mesma frontalidade com que aqui exigiu estes esclarecimentos, dizer ao primeiro-ministro que este ministro da Administração Interna não deve continuar enquanto ameaçar jornalistas, mesmo que nós não gostemos desse jornalismo. Não deve continuar enquanto ameaçar líderes da oposição, mesmo que nós não gostemos desse estilo de fazer política. E que o ministro da Administração Interna não pode querer um regime para si, diferente de todos os que exige para os outros políticos em Portugal. É a nossa democracia que está em causa.
André Ventura, que diz mesmo que as suspeitas sobre o ministro da Administração Interna devem ser esclarecidas antes do debate do Estado da Nação e denuncia medo por parte dos partidos políticos. Já sobre as alegadas ameaças de Luís Neves ao Chega, André Ventura não tem dúvidas e diz que as imagens são incontornáveis.
Comecei por desvalorizar, por entender que tinha sido o calor do momento, até termos denúncias mais sérias da ameaça e do abuso de poder que tinha sido determinado pelo senhor ministro da Administração Interna e que conseguimos, através da recolha de imagens que são incontornáveis, ficar claro. O senhor ministro da Administração Interna diz mesmo: "Vais pagá-las todas, vais engoli-las todas, vais ver o que te vai acontecer." Isto é absolutamente inaceitável para um ministro da Administração Interna, sobre o líder da oposição e sobre o partido que lidera a oposição.
André Ventura, numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas na sede do partido. Este domingo, Luís Neves recusou ter ameaçado André Ventura durante o debate quinzenal de 27 de maio. O ministro da Administração Interna considera muito estranho que a publicação tenha sido feita agora, quase um mês depois. O Presidente da República aponta a redução do risco sísmico como prioridade nacional, acima dos ciclos políticos. A posição de António José Seguro consta de uma nota publicada no site oficial da Presidência da República, na qual se dá conta de que o chefe de Estado recebeu, no Palácio de Belém, especialistas em engenharia civil, geologia e sismologia. De acordo com a nota, nesse encontro foi analisado o estado da preparação nacional face ao risco sísmico e também face às condições para a redução do perigo do risco sísmico. É o ponto final nesta edição das duas da manhã. A informação está de regresso às 14h30. Até já.