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Muito boa noite! São duas da manhã, está na companhia da Rádio Observador. Atualizamos toda a informação. Eu sou o José Rafael Lopes. Começamos por França. A Nova Frente Popular venceu as eleições legislativas no país. A coligação de esquerda conseguiu eleger 182 deputados, um resultado longe de conseguir uma maioria. Já a coligação Ensemble, que incluiu o partido Renascença, do presidente Emmanuel Macron, surge em segundo lugar com 168 deputados. A União Nacional, que tinha vencido a primeira volta, caiu para o terceiro lugar. A extrema-direita em França alcançou 143 deputados. A fechar, os Republicanos conseguem 45 lugares. Estes são resultados fornecidos pelo Ministério do Interior de França, citados pelo jornal Le Monde. Foram conhecidos após os 577 lugares da Assembleia Nacional de França terem sido preenchidos. Nenhum partido conseguiu assegurar uma maioria absoluta. Venceu a Nova Frente Popular estas eleições legislativas e o primeiro-ministro Gabriel Attal já anunciou que vai apresentar a demissão. Foi uma revelação feita ainda antes de serem conhecidos os resultados oficiais. O pedido de demissão de Gabriel Attal vai ser apresentado esta segunda-feira.
O meu partido político não conseguiu vencer e por isso, e de acordo com os meus princípios, vou apresentar a minha demissão ao Presidente da República. Eu sei que à luz dos resultados desta noite, muitos franceses estão incertos relativamente ao futuro, porque não existe nenhuma maioria absoluta. O nosso país está perante uma situação política sem precedentes.
Já a vencedora da noite, a Nova Frente Popular, deixou uma mensagem a Emmanuel Macron, o líder da coligação de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, pede ao presidente francês que deixe a Nova Frente Popular governar.
A vontade popular deve ser respeitada e de agora em diante, nenhuma coligação ou aliança é aceitável. Aliás, esta votação mostra algo muito claro: a derrota do presidente e da sua coligação estão confirmadas. O presidente deve reconhecer a derrota e não deve tentar contorná-la de nenhuma forma. O primeiro-ministro deve recuar. Não recebeu a confiança da Assembleia Nacional. É o dever do presidente chamar a Nova Frente Popular a governar o país.
O apelo de Jean-Luc Mélenchon antes de serem conhecidos os resultados oficiais destas eleições em França. À direita, Jordan Bardella, candidato pela União Nacional, apelidou a coligação vencedora de aliança desonrosa.
Nesta segunda volta, infelizmente, estas alianças desonrosas e acordos perigosos entre Emmanuel Macron, Gabriel Attal e a extrema-esquerda, privaram a política francesa de uma recuperação. Uma recuperação em que os franceses votaram no domingo passado, quando a União Nacional teve 34% dos votos.
Declarações de Jordan Bardella, candidato da União Nacional, feitas antes dos resultados das legislativas darem a vitória à coligação de esquerda. A Nova Frente Popular venceu este ato eleitoral, elegeu 182 deputados, um resultado que não garante uma maioria. Na análise a estas eleições, o especialista em movimentos extremistas, José Filipe Pinto, fala em trocar um populismo por outro. O politólogo explica que apenas os partidos dos extremos estão a lutar pelo Executivo francês.
A França está numa situação muito complicada. Hoje podia parecer um dia de alegria pela vitória que tirou o poder à extrema-direita. Mas trocar a extrema-direita pela extrema-esquerda é trocar um populismo por outro populismo. E os países governam-se ao centro, governam-se com moderação.
A leitura do especialista em movimentos extremistas, José Filipe Pinto, na emissão especial da Rádio Observador, que acompanhou as eleições em França. Numa altura em que já estão apurados todos os resultados deste ato eleitoral em França, Paris está a ferro e fogo. Milhares de pessoas estão na rua em manifestações com especial incidência na Praça da República, na capital. O ambiente acalmou na última hora, mas a polícia continua a tentar conter os desacatos que se verificam nas ruas da capital francesa. Há relatos de confrontos entre os manifestantes e as forças da autoridade. Foram ainda atiradas garrafas à polícia, que foi obrigada a carregar sobre os manifestantes. Recorreram ao uso de gás lacrimogéneo. Várias pessoas foram detidas. Em algumas zonas, os manifestantes atearam fogueiras e tentaram saquear lojas. O ministro da Administração Interna de França já tinha previsto situações deste gênero e tinha anunciado a mobilização de 30 mil polícias na noite das eleições. Olhamos também para as reações em Portugal às eleições em França. Marcelo Rebelo de Sousa garante que está atento ao que se passa no país. O Presidente da República foi um dos primeiros a reagir às projeções que davam a vitória da coligação da esquerda. Afirma que a decisão do povo francês é soberana.
Eu tenho muita dificuldade em comentar. Acabei de assistir uma cerimônia três horas e, portanto, não tenho elementos. Se o presidente francês não sabe o que dizer, imagina o presidente português sobre o que se passa num país amigo. Portanto, eu observo atentamente o que se passa
E que é muito importante para a Europa. Vamos esperar os resultados finais e depois, amanhã ou depois de amanhã, eu falarei.
Mas fica surpreendido com estas projeções?
O que o povo decide, está bem decidido.
Declarações do Presidente da República numa altura em que havia apenas projeções de uma vitória à esquerda, feitas à margem da cerimónia de ordenação episcopal do novo bispo de Beja. Nas reações partidárias em Portugal, o PS fala numa derrocada da extrema-direita em França. Pedro Nuno Santos felicitou a esquerda francesa pelo que considera ser um resultado extraordinário. Na rede social X, o secretário-geral do PS fala numa clara derrota do partido liderado por Marine Le Pen. Escreve ainda Pedro Nuno Santos que a melhor barreira contra a extrema-direita é uma esquerda forte. Já o Bloco de Esquerda reagiu através de Mariana Mortágua. A líder bloquista destaca a derrota da extrema-direita perante uma esquerda unida. Também na rede social X, Mariana Mortágua diz que a esperança ganha força na Europa com a derrota da extrema-direita. Ainda nas reações à esquerda. O Livre assinalou a mobilização dos eleitores franceses para impedir a vitória da extrema-direita. Em comunicado, o partido defende que é o momento dos franceses agirem para colocar em prática medidas progressistas que respondam às necessidades de todos os que vivem em França. Já a porta-voz do PAN considerou que o povo francês derrotou a extrema-direita. Diz ainda que foi um dia bom para a democracia e que nunca se devem decretar vencedores antecipados. À direita, o Chega considera que o resultado das eleições francesas constitui uma derrocada para a Europa. Numa publicação na rede social X, fala o Chega num desastre para a economia, numa tragédia para a imigração. Destacou ainda os maus indícios para o combate à corrupção em França. Neste jornal das 14h, olhamos também agora para a política nacional. Rui Rocha partiu para o ataque no fecho da Convenção da Iniciativa Liberal. O presidente da IL critica o PSD e entra na discussão sobre a Justiça. Rui Rocha quer um lugar à mesa na discussão sobre o pacto para a Justiça e clarificou o que é inaceitável para a Iniciativa Liberal. No discurso, os ataques foram dirigidos sobretudo ao governo do PSD. A IL convocou o Congresso para mudar os estatutos. Nenhuma das propostas foi aprovada, mas sobre questões jurídicas, Miguel Viterbo Dias, são mesmo as que têm marcado a política nacional.
Numa altura em que PS e PSD já abriram a porta a conversas sobre uma reforma para a Justiça, a Iniciativa Liberal também quer ir a jogo.
É inaceitável que tenhamos cidadãos, sejam eles quais forem, sujeitos a escutas durante quatro anos. Um partido liberal não tolera esta situação.
Rui Rocha, numa referência à situação de João Galamba, no discurso de encerramento, em que apontou sobretudo à governação de Luís Montenegro. Depois de elogios tímidos de João Cotrim Figueiredo ao Governo, Rui Rocha foi mais exigente e quer ir mais longe na questão fiscal.
Tratar bem os portugueses qualificados com mais de 35 anos é dar-lhes uma taxa de 20% de IRS. Pois é isso que nós vamos fazer, continuar a lutar por uma taxa única sobre o rendimento, que não discrimine as pessoas, nem em função da idade, nem em função da origem.
Mas também é semana de novas medidas para a economia, a crítica ao IRC.
O que dirão as empresas quando virem que com o governo da AD nada se diz sobre as derramas? O que significa que continuaremos a ter um IRC progressivo, que ao contrário de incentivar o crescimento das empresas, pune aqueles que querem crescer.
Apesar da mudança de ciclo político, que a Iniciativa Liberal também interpreta como uma mudança de ciclo no partido, Rui Rocha avisa que não basta tirar o PS do poder.
É muito difícil, e nós vimo-lo, tirar o Partido Socialista do poder, mas é igualmente difícil tirar as ideias do poder socialista, mesmo quando não é o Partido Socialista que está no poder.
Numa convenção nacional marcada para mudar estatutos, as alterações caíram por terra, mas esse falhanço parece não preocupar a direção nacional.
Somos muito melhores a fazer programas políticos do que a aprovar estatutos.
A Iniciativa Liberal sai do Congresso com um programa político atualizado, mas com os estatutos de sempre.
O jornalista Miguel Viterbo Dias, que esteve a acompanhar os trabalhos da Iniciativa Liberal em Santa Maria da Feira. As alterações ao programa político foram aprovadas com mais de 97% dos votos a favor. Neste jornal das 14h, olhamos também para o desporto. Já é conhecido o calendário para o regresso da Primeira Liga. O primeiro clássico vai acontecer na quarta jornada do campeonato. Vai colocar frente a frente o Sporting e o Futebol Clube do Porto, no Estádio de Alvalade, no fim de semana de 31 e 1 de agosto. O clube leonino vai, aliás, receber os dois maiores rivais em casa na primeira volta. O embate com o Benfica, o dérbi lisboeta, está marcado para a jornada 16. Já o Benfica-Futebol Clube do Porto vai jogar-se na 11ª jornada, no Estádio da Luz. A Primeira Liga, o Campeonato Português de Futebol, vai começar no fim de semana de 11 de agosto. É o ponto final neste jornal. A informação está de regresso à Rádio Observador quando forem 14h30.