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São 9 horas. As notícias com o jornalista Luís Soares. Os valores pedidos à Polícia Judiciária para destruir substâncias químicas diziam respeito a vários processos. Esclarecimento feito pelo Ministério da Justiça, que contradiz o ministro Luís Neves.

Em julho, Luís Neves tinha defendido que o custo de destruir esses materiais era demasiado elevado, perto de €150 mil, e que por isso tinha decidido olhar para alternativas, acabando por enviar o atrelado com essas substâncias para as instalações da Constrobarcelos, uma empresa do amigo do então diretor da Polícia Judiciária. Ontem à tarde, o Ministério da Justiça confirmou esse valor numa resposta ao Chega, mas num esclarecimento ao Observador, fonte do gabinete da Ministra da Justiça explica que esses €150 mil diziam respeito a vários processos relativos à destruição de químicos. No entanto, o ministério não esclarece, não clarifica quantas operações exatamente estavam em causa.

António José Seguro não gostou do discurso do ministro da Administração Interna, que aconteceu numa cerimónia oficial da PSP da Madeira.

Intervenção em que Luís Neves se defendeu das várias polémicas em que está envolvido e em que atacou também André Ventura. Ao jornal Nascer do Sol, duas fontes autorizadas de Belém dizem que o presidente da República não gostou nem do conteúdo, nem da forma dessa explicação. O presidente da República terá também pedido a Amadeu Guerra rapidez nas investigações que envolvem o ministro da Administração Interna. António José Seguro terá transmitido esse pedido ao procurador-geral da República em audiências e contactos formais entre ambos. Questionada pelo jornal, a presidência é omissa quanto às audiências, garante que o presidente não interfere em investigações judiciais.

Luís, o ministro está a ser investigado em três inquéritos-crime, dois deles são considerados urgentes pelo Ministério Público.

Ao todo, são cinco os casos em cima da mesa e Amadeu Guerra promete celeridade nas investigações. Importa, por isso, perceber exatamente o que está a ser investigado. A começar, Carlos Pedro, pelo polêmico atrelado com substâncias químicas, um dos casos considerados urgentes.

Sim, um atrelado com 62 bidões com produtos utilizados para fabricar droga sintética, materiais que foram parar às instalações do empreiteiro amigo de Luís Neves, João Carvalho. O outro caso urgente prende-se com as obras feitas na casa do ministro em Odemira. E foi aí que tudo começou. O ministro construiu uma piscina sem pedir licença à Câmara Municipal. Na altura, justificou dizendo que era apenas um tanque e que, por isso, não precisaria de autorização da autarquia. Mas há outro aspecto que não joga a favor de Luís Neves, é que as obras foram também feitas pela Constrobarcelos, de João Carvalho. Também sobre a casa no Alentejo, a TVI, CNN e o jornal Nascer do Sol revelaram que Luís Neves tem material da Infraestruturas de Portugal no monte de Odemira.

Já o terceiro inquérito-crime, que não é considerado urgente, Carlos, diz respeito ao carro que o ministro ainda hoje conduz e que pertencia a um traficante de droga conhecido como Xuxas.

A principal questão que se coloca aqui é que o ministro tem utilizado, desde os tempos à frente da PJ, um carro que foi apreendido pela polícia num processo que ainda não transitou em julgado. O veículo foi cedido ao ministério através de um contrato de comodato para que Luís Neves o pudesse continuar a usar depois de entrar para o governo. E além destes três inquéritos, há outros dois processos que não investigam crimes. O primeiro refere-se a questões estritamente administrativas relacionadas com as obras no Monte de Odemira e o outro é relativo a uma contraordenação que resultou de um relatório de 2023 à gestão financeira da Polícia Judiciária, em que foram detectadas algumas irregularidades.

Carlos Pedro a resumir os processos em que o ministro da Administração Interna está envolvido e que estão a ser investigados pelo Ministério Público.

Hugo Soares, o secretário-geral do PSD, assegura que o governo não está a pensar em remodelações.

Em entrevista a Vichy Soares, da Rádio Observador, Hugo Soares afirma que não há razões para pensar na saída, nem de Luís Neves, nem de qualquer outro ministro.

No atual momento político, da minha análise, não vejo razão para remodelação, mas esse, repito, é sempre um juízo do primeiro-ministro. Agora, é evidente que nós estamos a pôr a questão quase no planitério, mas a pergunta que o Rui me faz tem uma direção. O que o Rui me está a perguntar é se eu entendo, eu, Hugo Soares, se entendo, como em julho me fizeram essa pergunta, que o ministro da Administração Interna deveria continuar no exercício das funções. E eu respondo sim, entendo que sim. Face àquilo que é conhecido, face àquilo que é a sua atuação como ministro, sim, eu acho que sim. Agora, diz-me-á assim: em janeiro, o ministro da Administração Interna ou outro qualquer, por qualquer razão, seja de exercício das funções, seja outra qualquer que ninguém possa antever, pode ou não continuar como ministro? Não faço ideia, isso é um exercício de futurologia.

Garantia de Hugo Soares, secretário-geral do PSD, entrevistado na Vichy Soares, da Rádio Observador, numa declaração ao jornal Nascer do Sol. Luís Neves diz que o lugar de ministro está sempre à disposição do chefe do governo e que apenas não o verbalizou antes por achar que essa é uma informação óbvia.

O responsável máximo pela gestão do Plano de Recuperação e Resiliência diz que esperar grandes obras em poucos anos foi demasiado otimista.

Entrevista ao Observador, Fernando Alfaiate dá o exemplo de obras como o metro, o Hospital de Lisboa, que nunca iriam ficar concluídas dentro dos prazos do PRR.

Não diria que fosse incompetência. Diria que foi, talvez, uma leitura muito otimista.

Excesso de confiança.

Ou de confiança para conseguir concretizar um projeto daqueles em quatro anos, cinco anos. Se tudo corresse bem, é possível.

O presidente da estrutura de missão Recuperar Portugal, Fernando Alfaiate, em entrevista ao Observador, a propósito do fim do prazo de execução do PRR.

Este é um artigo que faz manchete a esta hora no nosso site e é assinado pela editora de economia Alexandra Machado e pela subeditora de economia Ana São Les. A Associação Ambientalista Zero queixa-se que o Aeroporto de Lisboa tem estado a ultrapassar repetidamente os limites de voos noturnos. A restrição anunciada pelo governo continua por aplicar.

O limite legal é de 91 movimentos por semana, entre meia-noite e às 6 da manhã, e só foi cumprido em duas das 35 semanas analisadas pela Zero desde o início do ano. Estes valores têm sido apurados graças a uma plataforma que a Associação Ambientalista acaba de lançar para acompanhar os movimentos dos voos noturnos no Aeroporto Humberto Delgado, com base em dados do site Flightradar. O dirigente da Zero, Acácio Pires, diz que a plataforma pretende mostrar os dados sobre os voos e possíveis incumprimentos que o governo e a ANAC deviam tornar públicos.

Uma das primeiras exigências é que a ANAC e as autoridades

Publiquem de forma regular o número de voos que ocorre nestes períodos, sobretudo entre as 22h e as 6h, o número de infrações que efetivamente ocorreram, as coimas efetivamente aplicadas, as coimas efetivamente cobradas, porque são coisas diferentes, e o destino do produto dessas coimas, nomeadamente o dinheiro que foi destinado para a redução de danos.

Acácio Pires, dirigente da Zero, em declarações à Rádio Observador, diz também que os voos noturnos no aeroporto de Lisboa estão a provocar impactos graves na saúde e na economia. No ano passado, o governo anunciou uma restrição aos voos entre a 1h e as 5h da manhã, mas a medida não está a ser aplicada na prática. A Rádio Observador já contactou a ANAC, aguardamos ainda resposta.

1413 dias de governação. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, torna-se hoje a líder do executivo com maior longevidade em 80 anos da história de Itália.

Supera o anterior recorde, que pertencia ao segundo governo de Silvio Berlusconi. Giorgia Meloni foi a primeira mulher a assumir a chefia de um governo em Itália, tem maioria clara no Senado e na Câmara dos Deputados, na sequência da vitória da coligação de direita e extrema-direita nas eleições de 2022. O jornalista do Observador, José Carlos Duarte, explica que o segredo do sucesso pode estar na forma como Meloni lida com os anseios do eleitorado, desde o centro até à direita.

Ela domina muito bem a política italiana, ela sabe perfeitamente o que tem de fazer, quando tem de fazer. Ela é muito boa a antecipar-se a crises políticas. Ela sabe perfeitamente quando, por exemplo, um tópico está a agitar muito a direita radical, ela fala sobre ele, ela aborda. Ou quando um tópico está a abordar o centro-direita, ela fala sobre ele. Portanto, ela consegue ter uma elasticidade aqui na direita que é realmente de louvar. Ela consegue responder aos anseios de um eleitorado mais radical, mais antissistema, mas também a um eleitorado mais institucional, mais diria, de centro. E eu acho que é um grande talento dela conseguir conciliar e formar pontos entre os dois polos.

José Carlos Duarte, jornalista da secção de internacional do Observador. Na história do dia de hoje, ao longo de 80 anos, houve 68 mudanças de governo à Itália. As próximas eleições legislativas estão previstas para o próximo ano.

99, Luís Soares, que outras notícias merecem destaque?

11 concelhos dos distritos de Braga, Guarda, Castelo Branco e Coimbra estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. Com as temperaturas elevadas, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera anuncia que várias regiões vão ficar em perigo muito elevado também de incêndio rural até à próxima quinta-feira. O Ministro das Finanças autorizou ontem os hospitais a avançar para a contratação de enfermeiros e outros profissionais. A notícia é do "Expresso", que indica que o documento já seguiu para publicação urgente em Diário da República, depois de assinado por Ana Paula Martins e Miranda Sarmento. É uma decisão que acontece depois da Ordem dos Enfermeiros, na segunda-feira, ter alertado para os cerca de 3 mil novos enfermeiros disponíveis para entrar no mercado de trabalho. No Nepal, duas pessoas foram resgatadas com vida de um túnel no norte do país. As equipes de socorro conseguiram resgatar os dois trabalhadores que estavam retidos desde a enxurrada de 26 de agosto, informação avançada pelo governo do país. Depois da catástrofe, as autoridades nepalesas estimaram que poderiam estar 100 pessoas retidas só naquele túnel. Até agora, as equipes só tinham encontrado apenas alguns corpos sem vida.