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As notícias com o João Lourenço.
Muito boa noite. Atenções centradas nas próximas horas para a Baixa de Coimbra. Nove mil pessoas podem ter de ser retiradas ainda durante esta madrugada. Esta zona da cidade está sob alerta, foi o que adiantou a autarca Ana Abrunhosa, que fez nesta noite de quinta-feira, um ponto de situação.
Das sete zonas de inundação, estamos a falar de cerca de 12.500 pessoas, mas aí já estou a falar do total. Ou seja, destas 12.500 pessoas, cerca de 3 mil, nós já comunicamos que deviam ter saído, que são aquelas nas zonas já inundadas. Eu volto a dizer, Coimbra já está inundada, o concelho já está em parte inundado.
Zonas mais emblemáticas da cidade dos estudantes, como a zona de Santa Clara, do Rossio, a Baixa, assim por dizer, também a Praça da Portagem ou até a Praia do Rebolinho, estão na lista das possíveis evacuações.
A zona ribeirinha de Torres do Mondego, a zona ribeirinha do Ceira, Conraria e Vendas de Ceira, a zona da Portela do Mondego, a Quinta da Portela, o Parque Verde, Rebolinho, que já estão, o Rossio, Santa Clara, a Baixa, também já disse, de direita a esquerda, a Ribeira de Cuselas e a Ribeira de Eiras, a Ribeira de Fornos, a Ribeira dos Covões, a Ribeira dos Casais.
O município de Coimbra fez saber, de resto, que todas as escolas do concelho vão estar encerradas já esta sexta-feira. Também tivemos a notícia que a Universidade de Coimbra também estará fechada devido a estas ameaças de mau tempo. Ora, a preocupação com o transbordo da barragem da Aguieira, uma barragem que entrou em funcionamento há 45 anos e que continua a ser a principal forma de controlar as cheias no Baixo Mondego. Nem sempre foi assim. O repórter Luís Soares foi ao encontro de quem ajudou a construir esta infraestrutura, uma barragem que também serviu de cupido.
A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu vinha cá para baixo da estrada a espreitar.
Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher, em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego, depois ter sido construída a barragem da Aguieira.
A Foz não era uma aldeia bonita, é pena, era um ponto de turismo. Temos ali o quadro, foi pena aquilo ter desaparecido, mas a lei da vida é assim.
Agora a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.
A barragem ajuda muito. A barragem ajuda muito, mas é aquilo que eu digo. A serra da Estrela manda muita neve, manda muita, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.
De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a Baixa de Coimbra costumava inundar.
Basta que a Baixa de Coimbra também ficava toda alagada, de onde é a estação nobre, aquilo tudo, o Banco de Portugal, aqui ficava tudo inundado.
Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura encher, ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.
Ela começou a encher, mais ou menos, em 80. Já até diziam que depois ao fim de 20 anos que era despejada para fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Pronto, isto não sei, mas penso eu, que isso deve ser um risco muito grande depois amanhã.
Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.
É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aquelas esplanadas, aquilo é muito bonito. É, para o verão, mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, as torneiras não ligam. É assim.
Repórter Luís Soares numa barragem que está sob alerta nas próximas horas por causa do agravamento do estado do tempo e consequente necessidade de mais descargas que podem afetar, sim, a cidade de Coimbra, a zona ribeirinha da cidade conimbricense. Volto a lembrar, nove mil pessoas podem ter de ser retiradas nas próximas horas devido às cheias. Não é só o Mondego que está a causar grandes transtornos. Grande Lisboa e Península de Setúbal estão sob aviso durante as próximas horas, devido à chuva intensa, que já se faz sentir, e ao nevoeiro. O risco de cheias é elevado, é o que alerta Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil.
Os efeitos expectáveis são cheias em cursos d'água. Neste momento, com o fenômeno previsto para a zona da Grande Lisboa e Península de Setúbal, o impacto será, sobretudo, de cheias rápidas e, portanto, a precipitação poderá causar cheias rápidas e o comportamento, todos nós já sabemos, com inundação, por exemplo, de garagens e outros espaços que fiquem abaixo da conta.
Atenções estão viradas para as bacias do rio Sado e do rio Tejo. Ainda assim, há outros locais que estão a preocupar a Proteção Civil.
Com risco de inundação: o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana. Estes rios normalmente têm subidas bastante rápidas e, portanto, é preciso estarmos alerta, evitando com isto o risco de podermos ter problemas referentes a estas inundações.
Recomendações da Proteção Civil. Mário Silvestre alerta ainda para a possibilidade de deslizamentos de terra. O apelo à população mantém-se. A Proteção Civil pede que sejam evitados comportamentos de riscos. Também o vereador da Proteção Civil de Lisboa, Rodrigo Melo Gonçalves, deixa recomendações à população. As pessoas devem restringir-se às tarefas básicas nas próximas horas.
Evitar deslocações desnecessárias, evitar também zonas em que tradicionalmente ocorrem esses episódios de cheias rápidas. Convidar também aqueles que circulam nas vias a circular com precaução redobrada devido à chuva e ao vento.
O município de Lisboa garante que o sistema de monitorização está totalmente operacional. E o presidente da República teme que o país volte ao déficit. Alerta para os custos elevados da recuperação do país na sequência destas sucessivas tempestades. Uma recuperação que vai ser longa e difícil para as autarquias e para o próprio Executivo. É o que acredita Marcelo Rebelo de Sousa.
As tais infraestruturas importantes para a circulação, as pontes que caíram. Tudo isso somado exige não só mais dinheiro, mas mais tempo. Vai ser, como eu dizia ontem, praticamente a vida de muitos autarcas e uma parte importante da vida do governo nos próximos três anos ou quatro.
O chefe de Estado admite estar preocupado que o país regresse ao déficit orçamental.
Preocupa, nesse sentido, alguma coisa que já entrou na cabeça de todos. Os municípios não têm dinheiro sem um reforço apreciável para enfrentar aquilo que foram as consequências disto. E o Estado está a refazer permanentemente, é uma atividade do senhor ministro das Finanças, sim, mas também, sobretudo, em primeiro lugar, do senhor ministro da Economia, que é pedir ao site da Proteção Civil e pedir, através dele, aos autarcas e pedir diretamente, naturalmente, às estruturas que representam os autarcas, novos dados. Como é evidente, há um desvio de fundos europeus, que muitos casos estavam pensados para outras coisas importantes para o crescimento do país.
Presidente da República, no dia em que o governo anunciou que vai preparar um plano de recuperação e resiliência, especialmente dedicado à reconstrução do país. E a TAP está a reforçar voos de Lisboa-Porto por causa do corte da A1, a parte do piso abateu na madrugada de quarta para quinta-feira, entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul. De acordo com a agência Lusa, mais de sete voos da TAP por semana e o aumento da capacidade em alguns horários. Já nos serviços rodoviários, concretamente os autocarros, a Rede Expressos esclarece que as viagens entre Lisboa e Porto estão garantidas por vias alternativas, apesar do corte desta autoestrada número um. A Brisa ainda não tem prazo para reabrir esta autoestrada. E os trabalhadores afetados pelo mau tempo que estejam em lay-off vão receber menos do que se pensava. Vão ser dois terços do salário, em vez da totalidade. No esclarecimento, o governo explica que o pagamento pelo Estado vai ser de 80% e só dura dois meses. Depois disso, aplica-se o que está na lei, ou seja, 70% pagos pelo Estado e 20% pela entidade empregadora. Pedro Passos Coelho critica a resposta do Estado às tempestades. Diz, no entanto, que não dá conselhos a quem não os pede. O antigo primeiro-ministro considera que depois da fase crítica, vai haver momento em que a organização do Estado deve ser avaliada.
Terá de haver, claro, um tempo em que outras considerações possam fazer sobre a maneira como o Estado está organizado. Mesmo quando tem funções regulatórias, é patente que o Estado não exerce essa função regulatória adequadamente. Há reguladores que talvez não estejam a impor as obrigações de serviço público que são necessárias. Eu sou daqueles que defende que o Estado não deve fazer tudo. A produção pode estar por conta de terceiros, mas tem que ter uma função forte, reguladora, fiscalizadora, e tem que impor que as obrigações de serviço público estejam garantidas. Nós hoje em dia vemos que às vezes isso não acontece.
O antigo primeiro-ministro considera que algumas vezes os privados não cumprem as funções que lhes são confiadas pelo Estado em momentos importantes e decisivos para a vida das pessoas. E Moçambique está sob aviso vermelho face a um ciclone tropical no sul do país. A tempestade agravou-se, com ventos a atingir os 165 km/h, e ondas a chegarem aos 12 metros de altura. À passagem por Madagáscar, este ciclone causou já 36 mortos e vários desabrigados. As autoridades moçambicanas apelam assim para que a população das zonas costeiras sejam retiradas de casa. Ponto final neste noticiário da uma da manhã. As notícias na Rádio Observador regressam à uma e meia.