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Jornal da meia-noite, na Rádio Observador, uma edição da Laura Figueiredo. E começamos, Laura, pelos protestos no Porto. Os manifestantes vão dormir na Praça Dom João I, mas não preveem montar tendas.

É a decisão que sai da longa assembleia popular, que junta milhares de pessoas esta noite no Porto, num novo protesto pelo direito à habitação, depois de na última madrugada ter existido uma intervenção policial, precisamente na Praça Dom João I. É lá que está o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, boa noite. Como é que estão os ânimos por aí?

Têm estado, Laura, durante quase toda a noite, bastante mais calmos do que estiveram, por exemplo, ao início da noite, por volta das oito, nove. Entretanto, desde que começou essa assembleia, os ânimos acalmaram, até que há pouquíssimos minutos, de repente, muitas pessoas deslocaram-se para um dos lados da Praça Dom João I, porque houve aqui uma pequena confusão. Tentamos falar com várias pessoas, mas os relatos eram diversos e contraditórios. A única certeza que temos é que há, pelo menos, uma pessoa que está a ser assistida por uma equipa de socorro que há aqui da organização deste movimento. Ou seja, não são os bombeiros, mas é uma pequena equipa de duas, três pessoas que têm estado a socorrer qualquer pessoa, ou mesmo com questões de desmaios ou pessoas que se têm sentido mal. E essa equipa chegou rapidamente ao local. Entretanto, formou-se um círculo à volta da pessoa que está no chão. Não conseguimos perceber ainda o que é que aconteceu, mas foi o único momento de maior tensão nesta noite, que ficou marcada por essa assembleia, que terminou há pouco, e de onde saiu essa decisão. Vão pernoitar novamente aqui na praça, como nos deu conta um dos porta-vozes deste movimento.

Há uma tenda neste momento numa grade, simbolicamente, não está montada no chão. Não estamos a pensar em montar tendas para ficar toda esta gente a dormir, até porque temos muita gente, o que são boas notícias. Significa que, de facto, o movimento está a crescer e como nós já estávamos à espera, exatamente porque sabemos que esta luta pela habitação é muito mobilizadora com as pessoas e sabemos que ela é importante e justa.

Aqui a exceção ou a diferença em relação à última noite, João Silveira, um dos porta-vozes deste movimento, a dar conta de que, ao contrário do que aconteceu na última noite, não vão pernoitar em tendas, não vão dormir em tendas, vão ficar, sim, aqui na praça, à semelhança do que aconteceu na noite de segunda e terça-feira, mas pelo menos é essa a previsão do movimento. E há que fazer aqui essa distinção, porque há um pequeno núcleo que tem organizado este movimento, um núcleo de jovens, mas, e sobretudo, verificou-se isso hoje, numa noite em que o protesto reuniu milhares de pessoas, nem sempre conseguem controlar os destinos desta multidão. E isso ficou bem claro no momento em que o protesto transbordou, digamos assim, da Praça Dom João I e passou para as ruas, chegou até à Avenida dos Aliados, seguiram estes manifestantes em direção à Avenida dos Aliados. Ficaram lá pouco tempo, mas neste percurso foram os próprios manifestantes que cortaram o trânsito. Não foi a polícia, que tem estado a observar à distância hoje, ao contrário do que aconteceu nos últimos dias, em que estiveram mais presentes na praça. Não estão poucos polícia, mas estão um pouco mais distantes. Ora, esse foi o momento também de maior confusão nessa pequena caminhada até à Avenida dos Aliados, que fica aqui bem perto. Ficaram por lá cerca de 10 minutos, mesmo em frente à Câmara Municipal, subiram até as rampas de acesso. Entretanto, voltaram para aqui, decorreu essa assembleia, de onde saiu a decisão. Vão continuar aqui. Amanhã há novo protesto marcado e no sábado também confirmaram que se vão juntar à manifestação da CGTP, na manhã, aqui também nas ruas do Porto. São estes os próximos passos. Para já, a multidão continua, ainda não a dormir, mas aqui na Praça Dom João I, a prepararem-se alguns para pernoitarem no local, sem tendas, é essa a previsão.

Miguel Pinheiro Correia, que está no Porto, na Praça Dom João I, a acompanhar estes protestos pela habitação, que assumiram hoje uma dimensão maior do que nos dias anteriores.

E o PCP diz que Luís Montenegro, Laura, é o verdadeiro egoísta na luta pela habitação.

Em causa as palavras do primeiro-ministro, dirigidas hoje aos manifestantes pela habitação no Porto, onde pediu que não fossem egoístas quanto à tranquilidade e à ordem pública. Ora, em reação a estas declarações de Luís Montenegro, Paulo Raimundo devolve a acusação ao líder do governo.

O senhor primeiro-ministro classificou as pessoas que estavam nessa ação como egoístas. O senhor primeiro-ministro é que é um verdadeiro egoísta, não só egoísta, como se coloca ao serviço dos egoístas, dos fundos imobiliários, da banca, dos especuladores. Ora, toda a política de sua iniciativa, convenhamos, não é apenas do senhor primeiro-ministro, não é apenas do governo, é também do Chega e Iniciativa Liberal, estão ao serviço dos egoístas. E, portanto, egoísta, egoísta e meio.

Paulo Raimundo sublinha ainda que o PCP apoia todas as ações que expressam indignação e que exigem soluções para os problemas da habitação. Questionado sobre as afirmações da líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, que acusou o PCP e o Bloco de Esquerda de instigarem as manifestações, Paulo Raimundo diz não estar admirado. Diz também que não comenta as declarações para não alimentar a IL.

E seguimos com o Partido Socialista. Vai aproveitar a reapreciação da Prestação Social Única para fazer, Laura, mais alterações.

O diploma foi chamado ao Parlamento pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda e o PS vai aproveitar para implementar mais mudanças. No verão, o governo aprovou a Prestação Social Única, com o apoio do Partido Socialista, e é por isso que, perante a ameaça de mais mudanças, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, avisa que existe um compromisso entre a AD e o PS.

Que o decreto lei em apreciação respeita integralmente a lei da autorização E o compromisso que foi subscrito entre as bancadas parlamentares do PSD, do CDS e o Partido Socialista, que esteve na base desse diploma. Portanto, qualquer alteração substancial a este diploma que venha a ser aprovada na especialidade, constitui quebra desse mesmo compromisso.

Maria do Rosário Palma Ramalho, no debate desta tarde, na Assembleia da República. Apesar do aviso, o PS vai mesmo aproveitar para alterar detalhes da lei, como confirmou o deputado Miguel Cabrita.

O Partido Socialista não deixará de apresentar propostas no âmbito desta apreciação parlamentar, para reforçar a proteção contra quebras no acesso e eventuais perdas significativas de rendimento que não devem acontecer, para reforçar o princípio de que a PSU deve ser atualizada de modo progressivo, tendo em conta o limiar da pobreza, como aliás constava do acordo da autorização parlamentar, para mitigar transições abruptas no cálculo dos apoios à habitação e outros.

Miguel Cabrita, do PS. O diploma da Prestação Social Única vai agora ser discutido na Comissão Parlamentar de Segurança Social e depois será novamente votado em plenário.

Falamos agora, Laura, da privatização da TAP. Pedro Nuno Santos diz que o fato de o governo clamar vitória pela venda sem atribuir mérito ao PS, é uma verdadeira história da Carochinha.

O antigo ministro das Infraestruturas lembra que Luís Montenegro classificou, na altura do governo socialista, o investimento na TAP como um crime político, dizendo que era impossível recuperar esse valor. Pedro Nuno Santos diz agora que o primeiro-ministro garante que tal vai acontecer.

O PSD, a AD, Luís Montenegro, estiveram estes anos todos enganados ou a enganar o povo português, porque nos termos deles, nós vamos recuperar o investimento que foi feito na TAP. E isto é muito importante, porque nós não podemos fazer de conta que há políticos que estiveram anos a destratar o PS e já agora a mim, enquanto ministro das Infraestruturas, e depois ontem celebram uma venda. Porque ontem vários membros do governo foram às televisões e eles fizeram este exercício: nós fizemos uma grande venda sem qualquer responsabilidade do governo anterior. E essa é uma história da Carochinha.

Já quanto à privatização a 100%, a opinião de Pedro Nuno não alterou, mantém-se contra.

A minha posição mantém-se, eu sou contra a privatização da maioria do capital da TAP, não muda nada. E sou contra porque nós já sabemos o suficiente em matéria de privatização da maioria do capital de empresas públicas para saber-

Mesmo que se vivam novas crises com os quem assume esses projetos.

Para saber o que é que acontece a essas empresas públicas a prazo. E portanto, a minha posição sobre essa matéria não se alterou, de todo.

Pedro Nuno Santos, em entrevista à CNN, reitera ainda que o governo socialista provou à direita e aos liberais que a TAP pública pode ser rentável e lucrativa.

E nesta edição da meia-noite ouvimos também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que quer suspender, Laura, imediatamente as trotinetes na cidade.

O anúncio de Carlos Moedas no espaço de comentário semanal no canal Now. A medida será levada à reunião do executivo camarário da próxima quarta-feira. Apesar de ter a maioria na Assembleia Municipal, Carlos Moedas espera contar com o apoio do PS.

A decisão que tomei é levar à reunião de Câmara. Espero que o Partido Socialista, que também em Braga votou a favor, que nos acompanhe também nesta decisão e os outros partidos, mas falo aqui do maior partido da oposição, que nos acompanhe a fazer esta suspensão imediata das trotinetes. As empresas terão 60 dias para retirar as trotinetes e depois a cidade estará então com uma, eu diria, de certa forma, livre daquilo que tem sido esta luta.

O autarca de Lisboa quer suspender imediatamente as trotinetes na capital para tornar a cidade mais segura. Moedas entende que estes veículos são problema de segurança e do espaço público. De acordo com a Câmara Municipal, são recolhidas por mês mais de mil trotinetes devido a situações de estacionamento indevido. Carlos Moedas lembra que foram já implementadas várias medidas para tentar resolver o problema, mas confessa que não produziram os resultados esperados.

E seguimos com Pedro Passos Coelho, que não pretende desafiar Luís Montenegro internamente e só admite regressar ao poder, Laura, depois de vencer eleições legislativas.

O Observador sabe que o antigo primeiro-ministro não pretende assumir funções governativas sem passar diretamente pelo crivo dos eleitores. Um eventual regresso deverá depender da saída de Luís Montenegro ou de uma derrota eleitoral do PSD, que abra caminho a uma mudança na liderança do partido. Passos Coelho considera que um governo com ambições de promover reformas estruturais deve ter legitimidade eleitoral. O cenário poderá colocar o PSD perante decisões difíceis sobre a formação do governo, caso as próximas legislativas não deem uma vitória aos social-democratas. Para já, o regresso de Passos Coelho mantém-se condicionado a um eventual mau resultado eleitoral do PSD.

Este é um artigo em destaque no site do Observador, em observador.pt e assinado pelo editor-adjunto de política Miguel Santos Carrapatoso. No desporto, Laura, o Benfica venceu o Celtic por quatro bolas a uma no jogo a contar pra Liga Europa. O treinador dos encarnados diz que a boa entrada no jogo foi fundamental pra vitória.

É a segunda vitória consecutiva do Benfica na competição, depois de ter batido a AC Milan por duas bolas a zero na primeira jornada da Liga Europa. Na reação à vitória, o treinador Marco Silva diz que apesar do resultado expressivo, não foi um jogo fácil. Elogia a primeira parte de grande qualidade do Benfica.

A nossa entrada, uma entrada muito positiva, a comandar o jogo, a levar o jogo para caminhos que nós queríamos levar, a conseguirmos posicionar o nosso meio-campo ofensivo e depois com a qualidade de podermos criar por fora. Fomos criando sempre com grande qualidade e, como disse, pareceu fácil, mas de fácil não tem nada. A reação do Celtic na segunda parte mostrou a qualidade que tem. É óbvio que a nossa superioridade na primeira parte foi muito boa e foi uma primeira parte de grande qualidade.

Reação do treinador do Benfica, Marco Silva, à vitória frente ao Celtic. Um resultado que coloca o Benfica entre os líderes da prova com seis pontos em duas jornadas. Do lado do Celtic, o treinador Martin O'Neill diz que a equipa não desmoronou, mesmo a perder por 3x0. Sublinha que o Celtic não vai desistir de se qualificar para a fase de eliminações da Liga Europa.

A perder por 2x0, tivemos uma ótima chance de deixar o marcador em 2x1. Poucos minutos depois, já estávamos a perder por 3x0. Poderíamos facilmente ter desmoronado na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Sinceramente, fiquei extremamente satisfeito com o desempenho na segunda parte. Não é demérito do Benfica, que é uma excelente equipa. Eles vão chegar muito longe nesta competição, mas nós ainda não desistimos de nos qualificar.

Treinador do Celtic, Martin O'Neill, após o jogo frente ao Benfica. A equipa encarnada visita o Chipre na terceira jornada da Liga para o encontro com o Omni daqui a uma semana. Antes, o torriense saiu derrotado por duas bolas a uma no jogo frente ao Sunderland, para também a Liga Europa.

Três minutos pra lá da meia-noite. Vamos a outras notícias que importa destacar a esta hora, Laura.

A Terra tremeu em Bragança. Foi sentido um sismo de magnitude 4.2 na escala de Richter. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o abalo aconteceu por volta das 20h30, a uma profundidade de 16 km. Teve o epicentro cerca de 10 km a sul de Ponferrada, em Espanha. Entretanto, por volta das 21h20, foi registado um outro sismo, já de magnitude inferior, desta vez 2.1, e a uma profundidade também de 10 km. Na atualidade internacional, 19 pessoas ficaram feridas esta noite na sequência de uma colisão entre um autocarro e um comboio no lado francês do Túnel da Mancha. Entre os feridos, está o condutor do veículo. De acordo com a imprensa internacional, o acidente aconteceu por volta das 20h, hora local, quando o autocarro capotou junto ao cais de embarque na entrada do túnel submarino e foi atingido por um comboio. Um tiroteio numa escola primária provocou quatro mortes, incluindo três crianças, no estado de Oregon, nos Estados Unidos. O incidente resultou na morte de três crianças e um adulto, sendo que pelo menos duas outras pessoas foram hospitalizadas com ferimentos. De acordo com as autoridades locais, a polícia recebeu uma denúncia sobre um atirador na escola, atirador que foi encontrado morto no momento em que as autoridades chegaram ao local. A polícia está ainda a investigar quem terá matado o atirador.

Fica por aqui esta edição da meia-noite, com edição, passe a redundância, da Laura Figueiredo, a quem desejo um bom descanso. Laura, um abraço, bom descanso.

Até amanhã, Vicente.

As notícias estão de regresso à 00h30, já com edição da jornalista Maria Miguel Marques. É com ela a madrugada informativa por aqui, na Rádio Observador.