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As notícias com Carla Jorge Carvalho. O ex-ministro da Saúde do PS, Adalberto Campos Fernandes, considera que a falta de estabilidade no Parlamento pode fazer com que o governo se dedique mais. Ouvido no Explicador de hoje, o socialista afirma que esta legislatura não vai ser marcada pela estabilidade. Considera que isso pode até jogar a favor do governo.
A cedência em aspetos programáticos e estratégicos da AD ao Chega podia significar que haverá a inversão contrária e quem ganhava não era, naturalmente, a Aliança Democrática. Portanto, eu acho que vamos viver, como diz o Miguel, vamos viver um período muito interessante do ponto de vista da análise política, com algum risco para a própria democracia, não no sentido da democracia acabar ou haver um problema de supressão das liberdades, mas alguma instabilidade naquilo que é o sossego que uma democracia estabilizada nos confere. Mas eu acredito que, apesar de tudo, a qualidade da governação pode subir. Por quê? Porque o desafiante é permanentemente desafiador e, portanto, inquieta, provoca e obriga a que o governo faça pela vida e dê corda aos sapatos.
O ex-ministro Adalberto Campos Fernandes considera, por isso, que a melhor forma da AD combater a estratégia política do Chega é resolvendo os problemas das pessoas. Já o antigo ministro social-democrata Miguel Relvas espera que a instabilidade que existe no Parlamento não perturbe o executivo de Luís Montenegro.
Estou convencido que vamos ter uma legislatura com muita iniciativa legislativa. O Partido Socialista ainda vai estar uns meses a passar comboios, enquanto não tiver a sua liderança eleita, enquanto não perceber o que aconteceu. O Partido Socialista ainda não percebeu o que aconteceu, como é que passa repentinamente de um papel de charneira da democracia portuguesa para terceiro partido. Isso vai trazer algumas consequências. Esperemos que o ímpeto reformista que se exige ao governo, o país precisa de coragem, coragem para reformar, coragem para tocar nas estruturas que ninguém quer mexer. Eu estou convencido que estes primeiros dois anos são fundamentais para ver se o governo quer ou não quer reformar.
Miguel Relvas, ex-ministro do PSD, um dos convidados do Explicador desta manhã, que comentou ainda a candidatura de António José Seguro a Belém, considera que o ex-secretário-geral do PS pode ser um agregador e positivo para o partido. O deputado do Chega, Diogo Pacheco de Amorim, está disponível para repetir a votação para a vice-presidência da Assembleia da República. Mas remete a decisão para a direção do partido, sendo que a bancada parlamentar vai reunir-se esta tarde. Faltou apenas um voto para que Diogo Pacheco de Amorim fosse eleito vice-presidente da Assembleia da República. Ouvido esta manhã aqui na Rádio Observador, o deputado admite que alguns dos votos que faltaram para ser eleito possam ter vindo da parte de deputados da bancada do Chega. Diogo Pacheco de Amorim espera que numa segunda votação, os elementos do partido reconsiderem essa posição.
Eu não afasto que dois ou três deputados do meu partido possam ter, sabe que muitas vezes, por razões pessoais ou porque está mal disposto no dia ou porque não aconteceu qualquer coisa. Agora, dois ou três, acho perfeitamente possível. É impensável serem sete ou oito, já é impensável. Por isso é que apenas numa segunda votação, eu prudentemente, a dizer que pode ter acontecido isto. Numa segunda votação, quer os dois ou três eventualmente possam ter existido no meu partido, quer os que no PSD falharam a isto, poderem realinhar pela direção, tendo visto o que aconteceu.
Diogo Pacheco de Amorim admite assim que ficou surpreendido com o resultado da votação, até porque, explica, havia um acordo entre os vários partidos para esta eleição.
Ficamos francamente surpreendidos, porque tinha havido um acordo entre as bancadas parlamentares, que incluíam a minha eleição e dos restantes membros da mesa que cabiam ao Chega e do José Pedro Aguiar Branco e os membros da mesa que cabiam ao PSD.
É a reação de Diogo Pacheco de Amorim à Rádio Observador, depois de ontem não ter sido eleito vice-presidente do Parlamento. Recusa, no entanto, a ideia de vitimização, depois de Hugo Soares, o líder da bancada do PSD, ter sugerido que foi o próprio Chega a votar contra Pacheco de Amorim de propósito para depois poder vitimizar. Considera que o PSD pode estar dividido em relação ao Chega na Assembleia da República. E sobre a corrida a Belém, Luís Marques Mendes repete que para ser presidente da República é preciso ter experiência. O candidato apoiado pelo PSD volta a reforçar a importância da experiência e sublinha o caráter político do cargo de chefe de Estado num recado ao almirante Gouveia e Melo.
Um voto na minha candidatura é um voto na experiência. O cargo de presidente da República é um cargo eminentemente político e o mais alto na estrutura do Estado. Todos se podem, naturalmente, candidatar. Não é isso que está em causa. Mas aos portugueses compete avaliar. E, desde logo, deve ter em atenção isto: o cargo mais político na estrutura do Estado em Portugal deve ser exercido, a bem da democracia, por quem tem mais experiência política.
Luís Marques Mendes repete ainda que um presidente da República tem que ser um mediador e um construtor de pontes. As declarações foram feitas ontem à noite, na apresentação da Comissão de Honra da Candidatura, onde recebeu também o apoio da antiga primeira-dama Manuela Fernandes. E estas declarações de Marques Mendes surgiram numa noite em que António José Seguro anunciou oficialmente a candidatura à Presidência da República. Desfez o tabu depois de vários meses, diz que avança porque as instituições estão em crise e quer devolver a esperança aos portugueses.
Sou candidato a Presidente da República, porque acredito que o nosso país precisa de mudança e esperança numa vida melhor. O que nos falta hoje não é apenas estabilidade, é confiança. Confiança nas instituições, confiança de quem está no poder, se serve e não se serve. Confiança que deixaremos aos nossos filhos mais do que aquilo que recebemos dos nossos pais.
António José Seguro a anunciar a candidatura num vídeo publicado no site da CNN Portugal. Entretanto, José Luís Carneiro elogiou a tomada de posição de Seguro, mas recusa declarar qualquer apoio para já. Na CNN Portugal, o candidato a secretário-geral do Partido Socialista remete uma decisão sobre o eventual apoio do partido para a Comissão Política Nacional. Em 2024, quase 17% da população portuguesa estava em risco de pobreza. A economista Susana Peralta alerta que Portugal ainda está longe de ser eficaz no combate à pobreza. Os dados são avançados num relatório do Balanço Social de 2024 da Nova SBE. Mais de dois milhões de pessoas continuam em risco de pobreza ou de exclusão social e há pessoas com emprego neste grupo. Uma em cada 10 empregadas são pobres. Os números indicam, no entanto, que entre 2024 e 2023 houve uma ligeira descida de menos de um ponto percentual no risco de pobreza. A economista Susana Peralta é uma das autoras do estudo, vê esta descida como um bom sinal, mas destaca que Portugal ainda está longe de ser eficaz no combate à pobreza.
Eu acho que isto mostra que, de algum modo, o crescimento da economia em Portugal, é algo que não é bem só de Portugal, não é um crescimento muito inclusivo do ponto de vista do turismo, destes setores que dependem muito do turismo. Eles são setores que geram emprego, que não é um emprego, que é um passaporte para fora da pobreza. Repare que a taxa de pobreza nesses setores é o dobro, mais do dobro da taxa de pobreza em geral na população empregada. Depois nós sabemos também que a composição do agregado familiar, e designadamente a presença de dependentes no agregado familiar, das crianças, são geradoras de pobreza, porque uma família que viva com rendimento um bocadinho acima do limiar da pobreza, o nascimento de uma criança pode fazer com que essa família fique pobre.
No estudo avança-se ainda que sem as prestações sociais, a percentagem da população em risco de pobreza subiria de 17 para 42%. Susana Peralta desmistifica o argumento da subsidiodependência. Diz que uma grande percentagem das pessoas que recebe estas ajudas são menores. A especialista defende que dificilmente um choque fiscal ou a descida do IRC vai combater a pobreza em Portugal.
Uma redução de IRC pode levar a um aumento dos salários, mas o problema é que a maior parte dos pobres não recebe salário. Tem rendimentos do trabalho, que muitas vezes podem ter a ver com, quer dizer, alguns são assalariados, mas muitos deles, mesmo os que trabalham, têm rendimentos do trabalho que não se chamam salário, porque não dependem de um contrato de trabalho, porque estão a recibos verdes ou então têm salário, mas só uma parte do ano.
Susana Peralta, uma das coordenadoras deste estudo, defende políticas públicas mais inclusivas. O estudo vai ser apresentado hoje na Nova SBE. E voltamos à política. O antigo presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, critica a posição tomada pelo antigo líder social-democrata Rui Rio ao apoiar a candidatura de Gouveia e Melo. Ouvimo-lo há instantes na comissão de inquérito da Rádio Observador. Luís Filipe Menezes considera que um elemento do PSD com o protagonismo de Rui Rio não deveria confrontar o candidato à presidência e que o partido decidiu apoiar.
Eu, em relação à posição do doutor Rui Rio, tenho a minha posição muito clara. Eu acho que todo e qualquer cidadão pode ter uma eleição presidencial, a sua opção livre. Eu penso é que, contudo, um presidente do PSD é uma instituição dentro do partido, nomeadamente quando está lá há muitos anos. Eu não era capaz, podia não votar ou não apoiar, não ir para a rua com a bandeira do meu partido, apoiar um candidato que me desagradasse, mas eu não ia afrontar um candidato que fosse, ainda para mais se tivesse sido legitimado socialmente pelo meu partido.
Luís Filipe Menezes, o antigo presidente do PSD, foi o convidado de hoje da comissão de inquérito. São agora 10h11. Carla, que outras notícias estão em destaque antes do Contracorrente? Donald Trump afirma que é extremamente difícil chegar a um acordo com Xi Jinping, numa altura em que os dois países travam uma guerra comercial. As declarações do presidente dos Estados Unidos foi feita na rede social Truth Social, isto no dia em que as taxas alfandegárias sobre o aço e o alumínio importados pelos Estados Unidos aumentaram para 50%. O exército de Israel confirma que a Fundação Humanitária de Gaza não vai abrir hoje os centros de distribuição. Esta informação já tinha sido divulgada pela fundação apoiada por Israel e Estados Unidos. O porta-voz do exército israelita informa que vai ser proibido circular nas estradas que conduzem aos locais onde estão instalados os centros de distribuição. A Fundação Humanitária de Gaza tinha anunciado que esta interrupção se deve a trabalhos de atualização, organização e melhoria da eficácia. Hoje arranca mais uma edição da Feira do Livro em Lisboa, no Parque Eduardo VII. É já a edição número 95 do evento organizado pela APL. Vai continuar até 22 de junho, com mais de 3000 iniciativas.