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São 10 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O presidente da Câmara de Leiria admite que a reposição de energia, depois da destruição causada pela Depressão Christine, pode demorar mais do que o inicialmente previsto. O prazo inicial era de que amanhã a energia pudesse ter sido reposta, mas em declarações à Rádio Observador, Gonçalo Lopes admite que a tarefa da E-Redes não vai ser fácil. Luís Soares, novamente em direto de Leiria. Hoje é dia de limpezas.

É, depois de um dia difícil, hoje é dia de operação limpeza. As autoridades estão a reunir-se nesta altura com empresas de construção para ajudar nesses trabalhos. Isso mesmo explicou à Rádio Observador o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes.

Estamos já a ter uma reunião com empresas de construção para repor as vias de comunicação na zona mais central da cidade, retirar todas as árvores tombadas, que foram a esmagadora maioria, as de grande porte. E essa é a operação limpeza que vai iniciar hoje. Estamos na reposição de geradores para ver se conseguimos fornecer água à casa das pessoas. O fator chave, decisivo, é o fornecimento de energia.

Energia que pode voltar mais tarde do que era a primeira perspectiva. A esta hora, a E-Redes faz também um novo ponto de situação com a autarquia e com as autoridades, mas o presidente avisa que esta situação de falta de energia pode prolongar-se.

O prazo ontem foi de 48 horas. Se tiver sexta-feira, é bem possível que o prazo possa ser mais prolongado, o que torna a situação de Leiria para aí três vezes superior àquilo que foi o apagão, o que vai fazer com que cada hora que passe seja mais um dia onde não se tem água em casa, onde todos os transtornos que as pessoas estão a viver se vão acumulando e os nervos vão começando a subir.

Quanto aos serviços, há lojas fechadas, há também cafetarias fechadas, restaurantes fechadas e, por isso mesmo, o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, deixa um apelo ao racionamento de alimentos, tendo em conta que algumas lojas estão a conseguir abrir, mas não vão conseguir fornecer alimentos a toda a gente.

Nós temos alguma capacidade de resposta. Sabemos que há muitos postos de abastecimento de combustíveis que estão fechados, porque também não têm energia, e alguns estabelecimentos comerciais também estão encerrados. Por isso é que é importante, rapidamente, o fornecimento de energia. Nós vamos passar para um novo patamar de necessidade de eletricidade com os geradores para fornecer os bens essenciais, nomeadamente os alimentos. É por isso que o apelo que deixei desde a primeira hora, antecipando o pior cenário, façam o racionamento dos alimentos, uma vez que vamos ter algumas dificuldades. Há pessoas que têm gás em casa, mas há muita gente que já não tem eletricidade para cozinhar e essas ficaram impedidas de fazer uma vida normal.

E perante este cenário, a esta hora é feito um novo ponto de situação também numa reunião com presidentes de junta de freguesia deste concelho de Leiria. Reunião que vai começar daqui a pouco. Já se começam a concentrar aqui também junto a este posto de comando dos Bombeiros Sapadores de Leiria, que está montado e onde se reúnem todas as autoridades. Essa reunião vai decorrer agora e provavelmente depois disso haverá também um novo ponto de situação feito aqui pelas autoridades.

Mas, para já, Luís Soares, em direto de Leiria, as perspectivas é que ainda demore muito mais do que inicialmente estava previsto para que Leiria volte a ter alguma normalidade, com esta ideia de que vai demorar mais tempo a repor a energia. Os presidentes das câmaras dos vários conselhos do distrito relatam isso mesmo, um cenário de catástrofe. Pedem para que a população racione a água e destacam a importância de repor rapidamente o abastecimento energético. Entretanto, o governo afirma que a possibilidade de declarar o estado de calamidade em Leiria continua sob avaliação. Em declarações na última hora à CNN Portugal, o secretário de Estado da Proteção Civil explica que, para já, o mais importante é restabelecer a normalidade. Coimbra é outra das zonas muito afetadas pelo mau tempo. A presidente da Câmara Municipal defende, ainda assim, um levantamento exaustivo dos danos antes de uma declaração de estado de calamidade. Ana Abrunhosa indica que há ainda milhares de pessoas sem eletricidade nem água no Conselho. A autarca de Coimbra explica que a prioridade está na resolução destes constrangimentos e na limpeza das estradas. No entanto, para Ana Abrunhosa, é necessário fazer um levantamento exaustivo dos prejuízos e reunir mais informações antes de ser tomada uma decisão sobre uma eventual declaração do estado de calamidade.

Há critérios objetivos para que o governo declare a situação de calamidade. O governo tem estado em contacto permanente conosco. Deve haver um levantamento exaustivo dos danos, deve haver registro fotográfico. Devemos fazer esse levantamento exaustivo e enviar às CCDRs para que depois o governo também possa ter elementos objetivos para tomar decisões.

Declarações de Ana Abrunhosa esta manhã à Rádio Observador. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra avança que há para já escolas a funcionar, mas que ainda é preciso remover muitas árvores das estradas. O objetivo é retomar a normalidade o mais rapidamente possível, mas também com tranquilidade, é o que diz Ana Abrunhosa. O PCP também defende que o governo deve ponderar declarar o estado de calamidade nas zonas mais afetadas e avançar sem demora com apoios imediatos a populações e a empresas. Carolina, nestas situações surge sempre a discussão em torno da resposta das autoridades. Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIivil, defende que a Proteção Civil teve uma reação adequada à Depressão Christine. Foi esta manhã aqui na Rádio Observador. Este elemento da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil diz que é impossível responder a todas as ocorrências, porque as equipes de operacionais são finitas. No entanto, Jorge Silva garante que a Proteção Civil não falhou.

A Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil fez o seu planimento, decretou o estado de alerta e prontidão máximo

As equipas estiveram todas no terreno de prevenção e, a partir daí, foi o tentar acudir a todas as ocorrências que foram sendo apresentadas em função daquilo que aconteceu na independência.

E houve capacidade de resposta para esse elevado número de ocorrências?

Não se consegue acudir a todas ao mesmo tempo.

O vice-presidente da ASPROCIVIL diz que não viu descoordenação entre governo, autarquias e autoridades, apesar de no dia de ontem terem sido avançados diferentes dados, sobretudo relativamente ao número de vítimas mortais. Jorge Silva entende ainda que a população portuguesa devia levar os avisos do IPMA e os alertas da Proteção Civil mais a sério.

Nós, Portugal, ainda temos uma dificuldade de cultura de segurança muito grande para perceber que o aviso e o alerta não é emitido de qualquer maneira. É feito porque há mesmo risco iminente e premente. E as populações, às vezes, não entendem e põem-se em risco.

Jorge Silva dá o exemplo das várias pessoas que se deslocaram às praias e se aproximaram do mar, mesmo com o aviso vermelho devido à agitação marítima. O vice-presidente da ASPROCIVIL pede mais cautela à população quando estes avisos e alertas são acionados. A Confederação de Agricultores de Portugal alerta para produções destruídas e grandes prejuízos por causa do mau tempo e apela ao uso dos fundos comunitários do governo. A Confederação de Agricultores de Portugal indica que há pequenos negócios que podem estar em risco. Luís Mira dá conta de várias produções com prejuízos que vão demorar meses a serem resolvidos. O secretário-geral da CAP apela à ação rápida do governo no uso dos fundos comunitários da Política Agrícola Comum para poder ajudar os pequenos agricultores.

Houve pomares que arrancaram as oliveiras todas, essas vão ficar destruídas. Há culturas, como estas das estufas, que ficaram totalmente destruídas. Pessoas que tinham isso vão ter o prejuízo todo e algumas, para reporem tudo isto, vão demorar mesmo. Ainda soube ontem de um caso, na depressão marítima tinha perdido tudo e agora ficou outra vez na mesma. Isto depois, o ânimo também tem limites. Nestes casos, existem fundos comunitários disponíveis para estas situações. Aquilo que se pede é que o governo acione esses mecanismos rapidamente para que as pessoas recebam as verbas.

Declarações à Rádio Observador de Luís Mira, o secretário-geral da CAP, diz estar em contacto com o governo e com os associados para serem registados todos os estragos o mais rapidamente possível. E Carla António José Seguro tem agenda a esta hora em Almada. O candidato apoiado pelo PS está na margem sul, começa precisamente em Almada, como dizias, depois segue para Palmela. É uma ação acompanhada pelo repórter Vasco Maldonado Correia. Vasco, agora em direto, a campanha fica naturalmente marcada pelo mau tempo.

Marcada pelo mau tempo, Carla, e assim deve continuar também nos próximos dias. António José Seguro admitiu ontem que está a ponderar se vai ou não adaptar a campanha a essas consequências do mau tempo e se irá, por exemplo, visitar as zonas mais afetadas pelo mau tempo, pela tempestade Cristina, que fez tantos estragos nestes últimos dias. Foi isso mesmo que admitiu ontem. Agora está numa ação, como dizias, de contacto com a população em Almada, no Café Central. Tem ido mesa a mesa cumprimentar os eleitores e também trocar dois dedos de conversa. É também uma passagem já tradicional nas campanhas eleitorais. António José Seguro veio aqui beber um café e falar com a população. Tem sido também essa a aposta ao longo desta segunda volta, menos comícios, mais ações de contacto com a população, com os eleitores. Tem também essa tarefa, António José Seguro, de não permitir que haja uma grande desmobilização do eleitorado e, por isso, tem feito por ir ao encontro desse mesmo eleitorado, sendo que hoje, segundo dia de campanha oficial, é também o primeiro dia mais a sério desta campanha para a segunda volta. É o primeiro dia com mais ações. Hoje falavam em Almada, em Palmela, mas vai também visitar a Universidade Nova logo a seguir a saída aqui de Almada e à noite ainda vai estar em Almeirim, por isso será já um dia mais cheio nesta reta final para a segunda volta.

Reportagem do Vasco Maldonado Correia a seguir a campanha de António José Seguro, que hoje segue para a rua com maior intensidade. Já André Ventura vai estar nos terrenos afetados pelo mau tempo, com passagens por Leiria e por Coimbra. 10:11. Hoje o Contracorrente também é dedicado aos efeitos do mau tempo. É para ouvir já a seguir, mas antes, Carla, há tempo para outras notícias em destaque. Rui Rio revela que vai votar em António José Seguro na segunda volta das presidenciais. Em entrevista à CNN Portugal, o mandatário de Gouveia e Melo diz que a decisão é tomada por exclusão de partes. Esta manhã, num artigo de opinião no Jornal de Notícias, fundamenta a decisão e reforça as críticas a André Ventura. O Benfica venceu o Real Madrid por 4x2 no Estádio da Luz. Está no playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. O herói da partida foi o guarda-redes Trubin, marcou o gol que garantiu a qualificação. Já passavam oito minutos do tempo regulamentar dos 90 minutos. Já o Sporting apurou-se diretamente para os oitavos de final da Champions depois de vencer no terreno do Atlético de Bilbao por 3x2 na última jornada da fase da liga. E não podíamos esta manhã sair daqui sem ouvir Bruce Springsteen. Foi lançada ontem esta canção. Já aposto uma das primeiras a perceber isto. "Streets of Minneapolis", uma homenagem às pessoas que morreram na sequência das ações do ICE, a Polícia de Fronteiras dos Estados Unidos, e que está a controlar a imigração ilegal de uma forma muito polêmica. E o Boss tem feito duras críticas a essa polícia. Aqui acusa diretamente Donald Trump de utilizar o ICE como exército privado para atacar os imigrantes. E a letra da música diz tudo. Menciona diretamente até o nome das vítimas. Muitas críticas a Trump e à Polícia de Fronteiras dos Estados Unidos.