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Jornal das 10, com edição do João Gama. A depressão Christine continua a marcar a atualidade e hoje realizam-se várias iniciativas solidárias de recolha de bens e também preparação para limpar os estragos causados por esta tempestade.

Precisamente em Leiria, a recolha de entrega de bens alimentares e produtos de higiene está centralizada no Pavilhão dos Pouzos. No entanto, junto ao Estádio Municipal, aquela que foi uma das infraestruturas mais danificadas pelo mau tempo, decorreu na última hora, uma recolha de utensílios para ajudar a reerguer a cidade. Foi esse o mote dado pela Câmara Municipal de Leiria e precisamente em direto deste local está o repórter do Observador, João Lourenço. João, muito bom dia. Nesta altura, os voluntários preparam-se para começar a limpeza da cidade.

Precisamente, João, muito bom dia. Estas várias centenas de pessoas que já estão aqui no parque número um do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, já foram organizados por grupos, visto que ainda há muitas zonas da cidade que ainda continuam com essas marcas, com essas feridas bastante visíveis desta passagem da tempestade Christine. Ora, podemos considerar este primeiro dia, este sábado, o último dia de janeiro, como o primeiro sarado das feridas daquilo que foi uma tempestade que ninguém previa e como já ouvimos aqui de vários populares, era algo que era impossível de antecipar.

Não podendo fazer nada na minha zona, achei que aqui fazia um cadinho, se puder vir ajudar em zonas onde a tempestade foi mais impactante, acho que é o mínimo que eu posso fazer.

Aqui o relato de uma pessoa que vem desde São Martinho do Porto e que se disponibilizou. Há também grupos, por exemplo, que vêm desde Setúbal para passarem aqui o dia para ajudar estas populações, não só nestes trabalhos de limpeza, mas também alguma recolha de alimentos, bens que são certamente bastante necessários numa altura onde algumas aldeias nos arredores aqui de Leiria continuam sem luz e sem água. Ora, as primeiras reações ao início da manhã de segunda, terça-feira, durante esta passagem da tempestade foram, no mínimo, segundo aqui alguns relatos, foram aterradoras.

Parecia que os estores iam levantando, as janelas iam partindo, mas o problema não foi na noite. Acho que o problema foi quando acordei e vi a destruição que estava, foi um bocado assustador.

Aqui mais um relato de um jovem que se deslocou aqui até ao estádio Dr. Magalhães Pessoa. A imagem mais visível deste complexo desportivo, que há menos de um mês recebeu uma prova da Liga Portugal, essa final four da Taça da Liga, é uma imagem totalmente distinta dessa. E para se dar conta, aquele espaço do estádio onde não há bancadas, apenas está essa pista de atletismo, é composta por alguns espaços caracteristicamente só de cimento, esses espaços com algumas lonas estão totalmente visíveis. Consegue-se ver o campo aqui desde o exterior do estádio de Leiria. Ora, agora, João, é tempo de fazer a contagem aos prejuízos, visto que casas, empresas e, acima de tudo, pessoas, continuam a fazer contas àquilo que fez a tempestade Christine.

João Lourenço, em direto.

É um armazém de fruta, temos câmaras, também por falha nossa, que ninguém está preparado. Ninguém estava preparado para uma situação destas. Nunca ninguém pensa que nos acontece a nós.

São prejuízos incalculáveis agora.

Prejuízos incalculáveis, são. E mesmo em casa, eu moro em Regueira de Pontes, que foi uma localidade muito devastada, mas eu acho que toda a gente, não houve ninguém que não tivesse prejuízo.

Aqui fica mais um relato de uma jovem que também tem essa empresa familiar de frutas. Ora, como nós sabemos, tem essas câmaras frigoríficas e que ainda fazem essa contagem aos prejuízos. E João, dentro de momentos, aguardamos algumas declarações do presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, eles que fizeram este primeiro apelo para esta limpeza, para esta ajuda comunitária destes primeiros trabalhos de limpeza, de rescaldo e também de contagem aos prejuízos de uma tempestade que passou sem bater à porta, mas que deixou certamente várias memórias para estas populações da zona centro.

E contamos contigo, João Lourenço, para nos trazeres esse balanço do presidente da Câmara Municipal de Leiria. O João Lourenço está em reportagem no Estádio Municipal, onde se está a realizar esta iniciativa solidária com vários voluntários que vão ajudar na limpeza das ruas da cidade depois dos estragos causados pela depressão Christine.

A Figueira da Foz foi outra das zonas mais afetadas pelo mau tempo e é lá que vai estar hoje Marcelo Rebelo de Sousa.

É a segunda vez que o presidente da República visita as zonas mais afetadas pela depressão. Ontem, em Leiria, ao lado da ministra da Administração Interna, Marcelo admitiu que a resposta aos efeitos da depressão podia ter sido mais rápida e exigiu que o foco nas prioridades fosse o trabalho de recuperação. Um dos autarcas mais críticos da atuação do governo foi precisamente o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, queixou-se do silêncio dos órgãos de soberania e acusou o governo de não ter entrado em contacto com a autarquia. Hoje, o presidente da República vai estar precisamente na Figueira da Foz. É para lá que vamos, neste Jornal das 10, ao encontro da repórter Maria Reigo. Maria, bom dia. Qual é o cenário que Marcelo Rebelo de Sousa vai encontrar aí?

Bom dia, João. O cenário por aqui é de destruição. A cidade foi muito abalada pela tempestade Cristine e ainda está a recuperar aos poucos. A força do vento conseguiu derrubar a icônica roda-gigante, que já era um símbolo desta paisagem junto à Torre do Relógio e que causa até alguma estranheza para os locais. A rajada de vento conseguiu ainda arrancar o telhado da universidade, que acabou por atingir também os prédios à volta. Pelo menos cinco casas foram afetadas e oito carros foram atingidos. Também o hospital da Figueira da Foz não escapou à força do vento e ficou também danificado. Os prejuízos deverão estar na ordem dos €500 mil. Foi uma tempestade que varreu esta cidade, que assolou as estradas e que tenta agora reerguer-se. Na próxima meia hora recebe o Presidente da República, lado a lado com o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, que, como dizia este, tem sido muito crítico com a ação do governo perante esta tempestade. Nas redes sociais, escreveu que nenhum membro do executivo ligou para prestar apoio e que até aquele momento apenas António José Seguro o tinha feito.

A reportagem direto da Maria Rego vai acompanhar esta visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Figueira da Foz. Vai ter um encontro o presidente da República com o autarca, que já foi muito crítico da atuação do governo face à depressão Cristine.

Os efeitos desta depressão continuam a sentir-se e na circulação, João, várias estradas estão cortadas por causa da passagem, precisamente, da depressão Cristine.

É o caso da Estrada Nacional 375, em Colares, no Conselho de Sintra. A proteção civil adianta, além desta estrada cortada, há várias situações pontuais em vias secundárias, no mesmo conselho, em Sintra. Quanto à ferrovia, a CP já retomou a circulação na linha da Beira Baixa, mantêm suspensos os serviços da Linha do Norte e também os comboios urbanos de Coimbra. E a Redes fez também uma atualização há minutos, já aqui demos conta disso mesmo, sobre o número de clientes de norte a sul do país que estão sem eletricidade. São, neste momento, João, mais de 211 mil dados até às 06:00.

A rede continua instável, precisamente no distrito de Leiria, por causa da falta de comunicações. A Câmara Municipal da Batalha está a distribuir avisos em papel, porta a porta, a toda a população.

Foi o que revelou o autarca em declarações à Agência Lusa. Na Batalha, acontece hoje uma ação de voluntariado para limpar o conselho depois da passagem da depressão, para manter a população informada sobre temas como abastecimento de água, eletricidade, rede móvel, internet. A Câmara Municipal andou a distribuir flyers informativos junto das infraestruturas comerciais, também porta a porta. É uma iniciativa focada principalmente no contato com a população mais vulnerável e em algumas freguesias que estão, neste momento, sem energia. É o caso de Reguengo do Fetal e também de São Mamede.

Também em Leiria, a PSP ficou sem comunicações durante várias horas. As autoridades alertam para o risco de burlas e furto.

As comunicações internas pararam durante um dia e meio, durante a passagem da tempestade em algumas esquadras da PSP de Leiria, período durante o qual o SIRESP também falhou. Para já, as autoridades negam a existência de pilhagens na região, mas alertam para o perigo destas situações poderem vir a ocorrer, bem como para furtos e para as habituais burlas a pessoas mais vulneráveis. Ao Observador, o comandante distrital da PSP de Leiria admite que a população está cada vez mais cansada e também com menor tolerância.

Esta é uma das várias notícias que estão no nosso site dedicadas à passagem da depressão Cristine. Temos um live blog a atualizar toda a informação ao minuto em observador.pt. Ainda neste tema, a Câmara Municipal de Coimbra está a estudar um plano de evacuação perante a previsão de mau tempo já a partir de amanhã, João.

Todo o território de Portugal continental vai estar sob aviso amarelo, devido à chuva, que pode ser forte em algumas zonas do país. Coimbra é uma delas e a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, informa que está a ser desenvolvido esse plano de evacuação perante o risco de cheias no conselho.

Vamos já trabalhar com os presidentes de junta o cenário de avisar famílias, avisar empresas, para, no caso de alerta, estarem preparados na próxima semana. Portanto, vamos trabalhar num plano de risco máximo, de perceber se tivermos que evacuar IPSSs, onde é que as pessoas vão ficar, se tivermos que evacuar as populações e vamos fazê-lo com a máxima cautela.

A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, garante que está empenhado um dispositivo a acompanhar em permanência as descargas na barragem de Agueira, que pode aumentar o caudal do rio Mondego. É essa a situação que mais preocupa neste momento a autarquia, daí o desenvolvimento desse plano de evacuação. Entretanto, a Agência Portuguesa do Ambiente diz ter realizado uma inspeção técnica ao talude exterior do dique do rio Mondego, que está junto à Estrada Nacional um, e essa inspeção concluiu que não há qualquer fenômeno de instabilidade ou insegurança estrutural, mas a APA garante estar a acompanhar permanentemente a situação e apela, por isso, à tranquilidade.

E como dissemos, João, hoje realizam-se várias iniciativas solidárias de recolha de bens e também preparação para limpar os estragos causados pela tempestade Cristine. Em Leiria realiza-se a esta hora uma iniciativa no Estádio Municipal. É uma das zonas, aliás, mais afetadas da cidade. Há poucos chegavam-nos imagens das televisões em que víamos as pessoas muito bem equipadas com pás, vassouras, luvas, centenas de pessoas que estavam perto do Estádio Municipal de Leiria. Está por lá também o repórter João Lourenço. Vamos tentar ainda restabelecer a ligação neste jornal para que consigamos ainda ter mais depoimentos e saber aquilo que está a acontecer neste momento. Atualizações que nos chegam também ao minuto e por vezes também é difícil estarmos aqui a dar conta de todas essas informações. Mas João, também importa perceber, e numa altura em que estamos em plena campanha eleitoral, a tempestade Cristine também tem marcado um pouco a agenda destes dois candidatos. Neste caso, falamos de António José Seguro e André Ventura.

Na véspera do voto antecipado, António José Seguro estará a norte do país, André Ventura ao centro. O líder do CHEGA alterou a agenda inicial que estava prevista para os distritos do Porto e de Viana do Castelo para o concelho de Leiria. André Ventura volta a Leiria, agendou para o meio-dia uma visita a uma empresa agrícola afetada. Já António José Seguro, isto é uma visita que vamos dar conta com o nosso repórter Miguel Vitor Brio, quando for meio-dia. Não é a primeira vez que André Ventura o faz. Já António José Seguro vai estar a norte do país. A campanha do candidato socialista, que venceu na primeira volta, começa ao meio-dia em Felgueiras, depois vai passar por Guimarães mais ao longo da noite. A depressão Cristina está a marcar a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais. Ontem, António José Seguro precisamente abandonou um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato nem chegou a sentar-se à mesa, é o que nos conta o repórter Vasco Maldonado Correia.

Era para ser um momento de festa, mas a catástrofe provocada pelo mau tempo obrigou a mudar os planos. Seguro manteve o jantar que estava previsto para esta sexta-feira em Viseu, mas apareceu contido para transmitir uma mensagem logo à chegada.

Eu só não cancelei esta minha vinda aqui esta noite por respeito a cada uma e a cada um de vós. Mas compreendam que esse mesmo respeito é devido a todas e a todos os portugueses que estão a passar, neste momento, uma situação de grande aflição.

E logo ficou claro, apesar das centenas de apoiantes na sala, que este não seria um comício tradicional.

Quero vos pedir do fundo do coração, que compreendam que eu não vos dirija hoje nenhuma mensagem política, nem nenhuma mensagem eleitoral.

Seguro pede desculpa e explica que vai abandonar o evento.

E quero também pedir a vossa compreensão. Quero vos pedir vivamente, compreendam que eu não fique mais neste jantar. Tenho vindo aqui para vos dar este abraço, para vos agradecer do fundo do coração a vossa confiança.

O resto da noite e os próximos dias são para arranjar soluções, garante o candidato.

Este é um momento daqueles em que é preciso fazermos aquilo que temos que fazer. E neste momento o meu dever é continuar em contacto com os autarcas, com as pessoas e, sobretudo, fazer tudo ao termos de propostas e de ideias para ajudarmos, quer o Estado português e os organismos do Estado português, quer os privados, a poder minorar a vida aflitiva destas pessoas.

Os apoiantes ficaram, o candidato não. Tão rápido como chegou, Seguro saiu da sala, de ar cabisbaixo, mas debaixo de aplausos, em homenagem a todos os afetados pela depressão Cristina.

A reportagem do Vasco Maldonado Correia com o dia de ontem de António José Seguro, o final do dia de ontem de António José Seguro, que vai estar hoje a norte do país. Uma campanha eleitoral que está a ficar precisamente marcada pelo mau tempo e pela passagem da depressão Cristina. Há ainda cerca de 211 mil clientes da E-Redes, 211 mil pessoas que estavam sem energia elétrica em Portugal continental até às 06:00, é o mais recente ponto de situação da E-Redes. A maioria dos clientes localiza-se precisamente no distrito de Leiria, depois seguem-se as regiões de Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Coimbra. Ainda ontem, o presidente da E-Redes admitia que só na quarta-feira é que 80% dos clientes vão ver a energia estabelecida. Uma previsão de José Careto.

Aquilo que nós estamos a prever, caso não haja um agravamento significativo das condições meteorológicas, e a senhora Ministra da Energia hoje já o referiu, é podermos ter 80% das nossas ligações, portanto, dos clientes ligados à rede, no prazo de cinco dias, o que quer dizer que acabará no domingo próximo. Depois, os restantes 20% serão mais difíceis de recuperar. Estamos a falar de situações já muito distribuídas por esta zona.

A previsão de José Careto, presidente da E-Redes, ontem à noite, sendo que agora temos este dado novo: são 211 mil pessoas que estavam até às 06:00, João, sem energia elétrica.

E João, voltamos à notícia de abertura deste jornal. É quase tema único este sábado e este fim de semana, a depressão Cristina e os estragos que foram feitos ao longo desta semana. A região de Leiria foi uma das mais afetadas e é para lá que vamos com o nosso repórter João Lourenço.

Que às 10:00 já nos trouxe o testemunho de várias pessoas e ficou de acompanhar esse ponto de situação do autarca de Leiria. João Lourenço, bom dia. Esse ponto de situação está a acontecer agora?

Precisamente, João. Está agora a falar o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes.

No entanto, as escolas do Conselho só contam reabrir depois de terça-feira. Acha suficiente que o decreto de calamidade seja só até domingo ou devia de ser estendido?

O decreto de calamidade devia ter vindo mais cedo e seguramente irá prolongar-se durante mais tempo.

Tem essa certeza por parte do governo?

Não tenho a certeza, mas tenho a perceção clara daquilo que é o meu conselho e a região onde estamos. E naturalmente, se domingo se espera chuvas intensas e novamente ventos fortes, é natural que muitas das estruturas que não estão seguras precisam de mais tempo para podermos intervir e precisamos de um grau de prontidão que se mantém elevado durante os próximos dias. Leiria tem também um rio que tem sido disciplinado dentro das suas margens e que já galgou as margens. E aquilo que deixávamos aqui o apelo à população é que se mantenha unida. Não há aqui leirienses de primeira, nem de segunda. O que temos contar é que todos juntos para tentar ultrapassar os nossos problemas, não temos condições para acudir a todos os problemas que nos são referenciados Tem que existir muito espírito de entreajuda em cada aldeia, em cada ponto do nosso concelho, porque só assim é que conseguimos ultrapassar esta fase negra do nosso concelho.

Sr. Presidente, quando diz que a declaração de calamidade devia ter sido feita mais cedo, que vantagem é que os leirienses teriam nisso?

Há sempre um nível de prontidão que é antecipada, sempre que há um aviso em que é necessário mobilizar recursos. Os recursos que são colocados no terreno, quando são feitos em prevenção, são feitos de uma maneira estratégica, ponderada, em que todos os meios são colocados nos teatros de operações futuras e, no meu entender, aquilo que aconteceu a seguir à tempestade, foi uma intervenção que gerou uma enorme confusão em muitas cabeças de quem só pensa Lisboa, esquecendo-se que o país e a região Centro em especial, onde há muita economia, onde vivem muitas pessoas, pessoas que levam a sua vida diária a construir um património e a pensar naquilo que é a sua elevação social e económica, se viu destruída de um dia para o outro.

Está a referir-se ao governo?

Nós estamos a falar de prejuízos enormes. Nós estamos a falar de políticos que deviam olhar para os problemas imediatos das pessoas e com maior proximidade. E aquilo que eu tenho assistido nos últimos dias é a um carrossel de pessoas a vir a Leiria, como se de um jardim zoológico se tratasse.

Acha que o governo abandonou Leiria?

O que eu sinto hoje não tem a ver com política, nem partidária, nem de governos. Isto é um aviso que eu gostava de transmitir: catástrofes como esta que aconteceu em Portugal, na nossa região em particular, há pouca gente preparada. Isto é um ambiente de guerra. Geralmente as pessoas, em português, as especialistas nesta área, são pouquíssimas. E acredito perfeitamente que se há um sítio onde Portugal está preparado para reagir melhor ao que aconteceu, é o meu concelho. E é por isso que estou a pedir ajuda às pessoas, não só aos leirienses, mas às pessoas de fora da nossa região afetada, que nos ajudem a reerguer Leiria nos próximos tempos.

Falamos de política externa.

O governo devia se precaver para eventos futuros? Do gênero.

Eu acho que tem que haver uma mudança de mentalidade profunda naquilo que é a lógica da Proteção Civil e pensar que fenómenos como este acontecem mais vezes, inundações vão acontecer mais vezes, vão existir cada vez mais momentos de Proteção Civil que resultam de outro tipo de eventos não naturais, mas humanos, alguns provocados. Nós estamos num ambiente de guerra e a qualquer momento podemos ser alvo de qualquer tipo de ataque. Se o povo português, se os políticos portugueses, se os especialistas portugueses, se os bombeiros portugueses não estiverem preparados para uma nova realidade, é porque não estão com a visão correta do que está a acontecer no mundo.

Presidente, quando diz que os políticos têm vindo aqui como se de um jardim zoológico se tratasse, está a referir-se a quem? Ao governo, aos candidatos presidenciais, aos deputados?

Não, tenho o máximo respeito por todos os políticos do governo, tão solidários com Leiria. Vou precisar do governo para reerguer Leiria e vou precisar de um governo forte, sensibilizado e próximo das pessoas e, por isso, acho ridículo quando alguém quer oferecer, vem dizer garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhozinho pequenina ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria.

Está a falar de André Ventura?

Acho que é ridículo. Acho que é uma ofensa ao que estamos a passar.

Está a falar de André Ventura?

É uma ofensa ao que estamos a passar. Cansado. Cansado deste tipo de atitude.

Mas senhor presidente, agora em direto para a Sic Notícias, acabou de dizer que considera que tem havido um carrossel de políticos a passarem aqui no concelho como se Leiria fosse um jardim zoológico. Está a falar do Presidente da República, do Primeiro-Ministro?

Não, o Presidente da República e o seu Primeiro-Ministro foram desde que tiveram a noção de que tinham que intervir e que tinham que estar no terreno, vieram e mobilizaram recursos e estão disponíveis para colaborar com Leiria. O Presidente da República foi uma pessoa que sempre acompanhou os problemas da nossa região, sempre. Desde Pedrógão Grande, desde o Leslie, desde situações dramáticas, sempre esteve. E fui eu que lhe pedi: "Sr. Presidente, neste momento tem que vir a Leiria" porque eu vou lhe dizer, acho que há aqui um sentimento de intervenção, de quem deve intervir no território, deve trazer soluções.

E quem é que não traz soluções do poder político para justificar essa crítica?

Quem é que acha que está a apresentar soluções? Eu digo. Eu sinto isto porque os meus colegas autarcas têm sofrido na pele aquilo que é a dificuldade de dar resposta. Nós temos que ter todos os recursos mobilizados a nível nacional para acudir à maior catástrofe registada desde aquilo que foi os fenómenos mais gritantes registados na última década em Portugal.

Mas quando diz que é ridículo trazer água, está a referir-se a André Ventura, a quem?

Acho que há uma situação que se deve atender. E vou dizer isto, e hoje estou muito contundente e vou dizer aquilo que sinto.

Mas para ficar claro, senhor presidente.

Para ficar claro. Não é preciso alguém pedir para o exército ir para o terreno. Não é necessário a Proteção Civil pedir ao Ministro da Defesa para por pessoas no terreno. Porque quem está atento, quem está solidário, não precisa de ordem para ninguém. É para estar na linha da frente.

Já cá haviam estado uns militares?

Nós que estamos no terreno, ainda não vimos um único militar no terreno. Onde é que esses militares têm chegado? Tem essa informação?

Não tenho informação sobre isso.

Não os têm visto.

Mas têm chegado às freguesias do concelho?

Não tenho informação.

Não os tem visto.

Como é que pode dizer que estão no terreno?

Eu não disse que estavam no terreno. Disse exatamente o contrário.

Disse o contrário. Senhor Presidente, mas referia-se a quem que trazia água numa carrinha, pouca quantidade de água, a quem é que se referia?

Eu acho que há aqui uma atitude que devemos ter muito claro. Aproveitar do que está a acontecer para fazer campanha, não. É uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas, e usar aquilo que está a acontecer para dar um gesto de dádiva, eu acho que é incapaz de ser qualificado do ponto de vista político para quem está na linha da frente.

Falou em campanha do candidato presidencial André Ventura que sofre.

Outro assunto que eu queria dizer, que é: a situação que estamos a viver obriga à ação, obriga à determinação, obriga a meios, obriga à presença. Se houve um primeiro momento em que não houve a noção da dimensão do problema, agora que há consciência, estão aí os helicópteros a voarem para ver mais uma vez os telhados cerrados, o rio a transbordar. Portanto, acho que está mais que identificada a calamidade que a nossa região está afetada. Nós temos animais a morrerem em capoeiras, a morrerem em suiniculturas, temos estufas arrasadas, temos empresas das maiores do país, como a Roca, que vão estar encerradas semanas a fio. Temos empresas de construção que ficaram destruídas e que não vão conseguir cumprir com as suas obrigações. Temos pessoas individuais que estão a sofrer, ainda sem comunicação e sem tomar banho há mais de dois dias e a informação que me dão é que não sabem quando é que vamos ter eletricidade no meu concelho.

Ficam aqui as primeiras declarações de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, com um resumo daquilo que vai ser feito aqui, um resumo daquilo que também já foi feito neste concelho de Leiria e críticas, principalmente a um candidato presidencial, nomeadamente André Ventura, pela sua ajuda através de algumas garrafas de água. Diz também que tanto o governo como o Presidente da República mostraram logo prontidão e solidariedade perante estes acontecimentos. Esta ajuda, não só aqui no Estádio Municipal de Leiria, como também ao redor desta cidade de Leiria, vai continuar e, como ouvimos inicialmente nas palavras do vereador da Câmara de Leiria, este espaço, o estacionamento aqui bem junto ao estádio municipal, vai servir simplesmente para acumular o lixo que vai ser recolhido por estas centenas de voluntários e só aqui é que vai ser separado. Vamos continuar a acompanhar estas primeiras ações depois da passagem da tempestade Cristina.

O prontidão é devido, até porque o João Lourenço vai continuar em Leiria, aqui nas imediações do Estádio Municipal, a acompanhar esta recolha de bens essenciais.

E são agora 10h27. João Gama, que outras notícias marcam esta manhã de sábado?

O PSD quer que apenas esteja permitida a utilização de redes sociais por menores de 16 anos quando houver consentimento dos pais. Este projeto-lei do grupo parlamentar social-democrata vai dar entrada na Assembleia da República na próxima segunda-feira. É a manchete do jornal "Público". Pretendem os sociais-democratas que no momento da criação da conta, a idade do utilizador seja confirmada através da chave móvel digital. E desde esta madrugada, o governo dos Estados Unidos está parcialmente paralisado. Três meses após o mais longo shutdown da história do país, o bloqueio tem origem, desta vez, na recusa da opção democrata em aprovar um orçamento para a segurança interna, sem restrições à polícia de imigração, na sequência dos recentes disparos mortais de agentes federais em Minneapolis. Ainda assim, espera-se que a paralisação seja de curta duração, apenas durante este fim de semana. João, voltamos ao tema que está a marcar a atualidade em Portugal, os estragos da depressão Cristina. Quero te falar da plataforma Tempestade SOS, mas já conheces bem isso, não é verdade?

Sim, é uma ideia solidária para este momento difícil que vive o nosso país. Uma aplicação onde estão presentes voluntários e pessoas que precisam de ajuda e quem chega a esta plataforma, João, tem duas opções.

Essas duas opções é, caso uma pessoa seja afetada pela tempestade, seleciona a opção "pedir ajuda" e se for um voluntário, clica em "quero ajudar". E a ajuda pode ser feita de duas formas, João.

Donativos ou ações voluntárias no terreno. Aliás, estão a acontecer várias ao longo desta manhã. A partir daí, a plataforma faz o match automático entre vítimas e voluntários, tendo em conta as necessidades e localização de ambos. Esta aplicação, este site, é já uma inspiração daquilo que também aconteceu aquando dos fogos em Portugal no verão. É, sem dúvida, uma bela iniciativa e segura, vamos dizer assim, numa altura em que é preciso também estar atento aos donativos que faz, em caso de burla, porque também há casos e notícias que nos dão conta disso mesmo, pessoas que se aproveitam destas iniciativas para praticar atos criminosos, neste caso, burla. E, portanto, é estar atento. Esta plataforma Tempestade SOS pode ser consultada através do site tempestadesos.com.