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Vamos às notícias. Jornal das 11, na Rádio Observador, com Miguel Videira. Miguel, Vladimir Putin considera que a Rússia está em vantagem na Ucrânia, mesmo tendo a Ucrânia o apoio da NATO.

Sim, nesta manhã celebrou-se o Dia da Vitória, numa cerimônia na Praça Vermelha, em Moscovo. Serve para assinalar a queda do regime nazi na Segunda Guerra Mundial. Na intervenção que fez perante milhares de soldados, o presidente russo afirmou que a nova ameaça é agora a NATO. Ainda assim, garante Moscovo, continua a avançar.

O grande feito da geração vitoriosa é inspirador. Guerreiros que atualmente desempenham tarefas de uma operação militar especial enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da NATO e, apesar disso, os nossos heróis russos seguem em frente.

Putin sublinha ainda que a chave do sucesso da intervenção russa é a consolidação nacional e a experiência no terreno.

Ao lado destes guerreiros russos, há trabalhadores, engenheiros, cientistas e inventores. Mantêm as tradições dos seus antecessores, recorrendo à experiência de combate moderna. Criam armas avançadas e únicas e utilizam-nas em grande escala. Há uma verdade constante: as pessoas fazem o destino do país. Temos um objetivo comum e todos os cidadãos russos contribuem para a vitória. Tenho a certeza de que a nossa causa é a correta. A vitória sempre foi e sempre será nossa.

A intervenção de Vladimir Putin esta manhã, depois do desfile, que este ano não teve a presença de equipamentos militares, durou 45 minutos. Estiveram presentes alguns líderes internacionais, o caso do presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e também o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.

Na análise ao discurso de Putin, Jorge Rodrigues, especialista em geopolítica, afirma que é um discurso que apenas serve para consumo interno.

Em particular, esta comparação feita entre o nazismo e a NATO.

Há aqui uma ligação entre os dois conflitos e que ambos irão terminar, ou um terminou em vitória ou outro irá terminar em vitória. Fazer esta ligação com o nazismo e com o conflito da Segunda Grande Guerra é nitidamente apelar internamente para uma mobilização e para um esforço comum, e que na Segunda Grande Guerra ficou evidente essa capacidade que Moscovo tem.

Jorge Rodrigues, coordenador de risco geopolítico da Porto Business School. Sobre o cessar-fogo em vigor, cessar-fogo de três dias, aceite pela Ucrânia. Jorge Rodrigues acredita que esta decisão resultou essencialmente da pressão exercida pelo presidente norte-americano.

Muito mais por pressão dos Estados Unidos. Isto por quê? Porque queria contrariar exatamente a demonstração de Putin, que controla todo o processo. Ou seja, quer evitar exatamente que haja aqui uma percepção de domínio por parte dos russos. A iniciativa no terreno é russa, sem dúvida, mas é mínima e, portanto, há aqui a capacidade de resistência que a Ucrânia pretende mostrar e não está propriamente numa posição de fraqueza. Mas a verdade é que estava perante um dilema. Se não aceitasse, dava aqui uma justificação, uma escalada, e essa escalada foi bem orientada para ataques diretos a infraestruturas político-civis em Kiev.

Acabou por aceitar o regime ucraniano esta trégua de três dias. Disso mesmo deu conta ontem à noite Volodymyr Zelenskyy, o presidente ucraniano. A análise a este dia da celebração da vitória da União Soviética sobre o regime nazi por Jorge Rodrigues, especialista em geopolítica.

O PSD recusa conflitos institucionais depois de chumbada pela segunda vez a perda de nacionalidade pelo Tribunal Constitucional como pena acessória.

Foi confirmado o chumbo desta proposta pelos juízes do Palácio Ratton. O pedido de fiscalização foi apresentado pelo PS. O Constitucional considera que se trata de uma medida discriminatória, que viola o princípio da igualdade entre cidadãos originários, que não estariam sujeitos a esta perda de nacionalidade, e cidadãos com nacionalidade adquirida. Recebida a decisão, o PSD, pela voz do líder parlamentar Hugo Soares, rejeita agora entrar em conflitos institucionais.

A Lei da Nacionalidade era, para nós, essencial e ela foi promulgada pelo senhor presidente da República. Quanto à perda da nacionalidade como sanção acessória, que foi hoje declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, nós temos tempo para analisar o acórdão e nós falaremos com todos os partidos que apoiaram a aprovação dessa lei no Parlamento. Mas também fui muito claro quando disse que não provocaremos nenhum conflito institucional por força desta declaração por unanimidade do Tribunal Constitucional.

Mas André Ventura, do Chega, não atira a toalha ao chão.

Ou reconfirmar esta lei com a maioria que há hoje no Parlamento e reconfirmá-la, dizer que independentemente desta interpretação, nós estamos convencidos disto: quem comete crimes em Portugal, crimes graves como estes, de homicídio, violação, terrorismo, deve perder a nacionalidade portuguesa. O Parlamento deve ter a coragem de dizer isto e de reconfirmar isto. Se o PSD não o quiser fazer, nós vamos insistir nisto. Eu quero deixar claro que nós vamos insistir nisto. Ainda hoje procurarei falar com o líder do PSD.

Era o que dizia ontem à noite André Ventura. Já o PS acusa, a pretexto desta decisão, a Aliança Democrática de dar a mão ao Chega. O líder parlamentar Eurico Brilhante Dias espera que esta proposta, com a decisão do Constitucional, caia por terra e de vez.

Que este processo tenha terminado depois de dois vetos por unanimidade.Esta pena à Soria é pura propaganda populista que teve a adesão da AD, que tem governado, como se sabe, com a extrema-direita. E não procurando, nestas matérias, ter um consenso moderado, alargado com o Partido Socialista e outros partidos democráticos, naturalmente também há que considerar outros partidos democráticos para além do Partido Socialista, insiste em fazer acordos com a extrema-direita. Ora a extrema-direita não respeita os direitos humanos.

Já Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, diz que os juízes do Constitucional fizeram a interpretação correta da Constituição? Ainda à esquerda, o Bloco, pela voz do coordenador José Manuel Pureza, afirma que o Governo soma derrota atrás de derrota e acusa o primeiro-ministro Luís Montenegro de se transformar numa cópia de Ventura.

O secretário-geral do PS insiste na necessidade de adotar medidas face ao aumento do preço dos bens essenciais e critica a direita por ignorar as propostas apresentadas pelos socialistas.

Sim, José Luís Carneiro lembra que o PS tem medidas para vários setores, medidas que, diz o secretário-geral socialista, o Governo rejeita.

Eu repito, nós apresentámos propostas para reduzir o IVA sobre os custos com os combustíveis, os custos com eletricidade, os custos com o gás e simultaneamente também para começar a acautelar os custos com os bens alimentares e com o agroalimentar. O primeiro-ministro e a direita, e vale a pena lembrar, AD, os liberais e o Chega, repito, o Chega, os liberais e a AD chumbaram as propostas do PS. O PS até agora foi o único partido que se mostrou desde a primeira hora sensível a este problema e apresentou propostas.

Foi o que disse esta manhã em Matosinhos, José Luís Carneiro, secretário-geral do PS.

Ora, este sábado, 16 distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

A exceção são apenas os distritos de Bragança e Guarda. Espera-se chuva, por vezes forte, que pode vir acompanhada de trovoada e vento. À Rádio Observador, Alexandra Fonseca, a meteorologista do IPMA, avisa que o mau tempo veio para ficar, pelo menos durante alguns dias.

Foi uma situação que afetou essencialmente a região Sul durante a noite e encaminha-se para as regiões Centro e Norte agora para o final da manhã e durante a tarde. Vai manter-se a influência devida a uma depressão que se centra a oeste de Portugal continental. Essa depressão é de movimento lento e, portanto, irá afetar o estado do tempo não só hoje, mas os próximos dias até mesmo meio da semana.

Prepare-se melhorias só na segunda quinzena deste mês.

A partir do dia 15 de maio, haverá mais influência do anticiclone e, portanto, espera-se que seja tempo um pouco mais seco. No entanto, não quer dizer que não ocorra alguma precipitação.

O calor do verão ainda está para demorar.

Exato. Poderá vir a partir do dia 15 de maio. A tendência que os modelos nos mostram é isso mesmo.

Alexandra Fonseca, meteorologista do IPMA. A antecipação do Estado do Tempo para os próximos dias foi entrevistada pelo jornalista do Observador, Ricardo Lopes.

11h09. Que outras notícias estão em destaque a esta hora, Miguel?

O presidente da Assembleia da República assinalou hoje o Dia da Europa. Assinala-se precisamente este dia nas redes sociais Aguiar Branco. Defende que o projeto europeu representa a paz e a cooperação. Afirma o chefe do Parlamento que a Europa é mais do que um continente. Fala num modelo social único, baseado na liberdade económica, na solidariedade e no bem comum. Mais um pedido, os advogados de Jair Bolsonaro voltaram a solicitar que seja anulada a condenação de 27 anos de prisão do ex-presidente brasileiro por tentativa de golpe de Estado. O pedido foi remetido ao Supremo Tribunal Federal do Brasil. A defesa de Bolsonaro considera que a pena constitui um erro judicial que deve ser reparado. Abriu ao público a edição 61 da Bienal de Veneza, depois de polémicas em torno da participação da Rússia e de Israel. O tema deste ano é designado como The Minor Keys, viu sair a curadora e gestora cultural brasileira Solange Oliveira Parques, que não concorda com a representação de países com líderes que são alvo de mandatos do Tribunal Penal Internacional, o caso de Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu. Nesta Bienal marcam presença mais de uma centena de países. Portugal é representado pelo projeto artístico Red Sky Falls, do artista Alexandre Estrela, comissariado pela Direção-Geral das Artes.