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Notícias Começa agora o jornal do meio-dia da Rádio Observador, edição do jornalista Luís Soares. E começamos com a Operação Marquês. A terceira sessão de julgamento arrancou, apesar da greve dos magistrados do Ministério Público.

Os procuradores do julgamento não aderiram à greve convocada pelo sindicato e assim a terceira sessão de julgamento teve mesmo início. O presidente da seção de Lisboa, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, desvaloriza. César Caniço explica que a adesão está perto dos 100% em muitos locais, o que vai ao encontro das expectativas do sindicato.

Nós esperamos sempre que a adesão à greve seja mais massiva, até porque 75% dos magistrados assinaram a carta aberta ao senhor procurador-geral da República e ao Conselho. Portanto, a nossa expectativa é que pelo menos esses adiram à greve. Agora, depende muito dos colegas.

E o que é que está em causa, exatamente? O que é que exigem?

Na realidade, o que está em causa neste movimento é o princípio da estabilidade, é a falta da especialização. Basicamente, acaba com a especialização. E o princípio da estabilidade afeta não só os magistrados, mas também os cidadãos.

César Caniço, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Apesar da greve, a sessão de hoje da Operação Marquês está a decorrer normalmente, com os três procuradores a marcar presença.

E dentro da sala do tribunal, o principal arguido, José Sócrates, continua a prestar declarações.

Que estão a ser acompanhadas pelo Vasco Maldonado Correia, que se junta a nós em direto. Vasco, hoje a sessão está a decorrer num tom bem diferente daquilo que aconteceu ontem.

Bastante mais calmo, Luís. Tinha feito essa promessa quando aqui chegou de manhã, José Sócrates, e para já, o tom do depoimento está bastante mais cordial. Nota-se mais cuidado, no mínimo, para já, na maneira como o antigo primeiro-ministro se está a dirigir ao tribunal para evitar mais advertências e episódios de maior tensão, como se têm registado nas últimas sessões com a juíza Susana Seca. A sessão de hoje está a decorrer em moldes diferentes dos de ontem. Ontem assistimos a um depoimento inicial sem grande contraditório por parte de José Sócrates, que discorreu sobre a parte do processo que diz respeito à PT, à Portugal Telecom. Ora hoje, Sócrates presta esclarecimentos sobre essas declarações, questionado agora pela juíza titular e também pelo Ministério Público. Para já, ainda muito focado na relação do antigo governante com outros arguidos, sendo que em relação ao primo José Paulo Pinto Sousa, que também é arguido neste processo, por exemplo, Sócrates garante que mantinha apenas uma relação familiar. Descreveu como um dos primos mais queridos que tem. Entretanto, o Ministério Público pediu a reprodução de uma escuta telefônica, que está agora a ser ouvida pelo tribunal, uma conversa entre José Sócrates e o antigo chairman da PT, Henrique Granadeiro, em que se pode ouvir os dois falarem sobre a venda da participação da Caixa Geral de Depósitos na PT, já depois de José Sócrates deixar o cargo de primeiro-ministro, ou seja, já durante o governo do PSD, o governo de Pedro Passos Coelho. José Sócrates descreve esta venda como uma vergonha e diz que o governo português está a tentar entregar a PT aos brasileiros e que está a desfazer-se de tudo o que valoriza o país. É uma escuta que ainda está a ser reproduzida. Nota ainda, Luís, para uma referência de José Sócrates ao atual primeiro-ministro Luís Montenegro, isto quando prestava esclarecimentos sobre declarações anteriores que teve sobre contatos com o Grupo Lena. Diz José Sócrates que não quer invocar o princípio do atual primeiro-ministro, que se recusou a dar o nome das empresas com as quais trabalhava, isto depois de ter explicado que promoveu alguns contatos com várias empresas e disponibilizou-se, para se for preciso, trazer aqui ao tribunal a lista destas empresas.

Vasco Maldonado Correia, em direto do Campus da Justiça, a acompanhar mais uma sessão da Operação Marquês, com José Sócrates a explicar as relações com o Grupo Lena.

E mais de 50 pessoas foram detidas no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária de combate à imigração ilegal.

Operação Aliança Digital, desencadeada pela Polícia Judiciária e que investiga a prática de crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e falsidade informática na Grande Lisboa. Em comunicado, a PJ explica que os suspeitos delinearam e concretizaram o plano criminoso através das redes sociais, com o intuito de promover a regularização fraudulenta de cidadãos estrangeiros. No total, 55 pessoas foram detidas, vão ser presentes ao Ministério Público. Foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão, que permitiram recolher prova de natureza documental e digital muito relevante para o inquérito e ainda para a identificação de outros suspeitos.

Seguimos com as notícias. O ex-diretor do Serviço de Dermatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, defende a conduta de Miguel Alpalhão e de outros médicos que realizaram cirurgias extra.

Paulo Filipe foi ouvido hoje na Assembleia da República, na audição pedida pelo CHEGA e pelo Iniciativa Liberal, na Comissão de Saúde, na sequência das notícias sobre pagamentos elevados a médicos por cirurgias adicionais e alegadas fraudes na codificação de atos clínicos. O ex-diretor do Serviço de Dermatologia de Santa Maria garante que os clínicos estão apenas interessados em tratar os doentes e que não têm culpa dos valores atribuídos pela codificação. Paulo Filipe admite, no entanto, que Miguel Alpalhão não deveria ter codificado os próprios atos.

Ele foi, de facto, codificador numa fase inicial. Confrontados com isto e com a escassez de codificadores, o Conselho de Administração tirou-o de codificador e a codificação foi feita por outros codificadores. Portanto, isto foi no início, mas depois foi feita esta mudança de codificador. De qualquer modo, ele não devia ser codificador dos próprios atos que fez, mas a auditoria, que é independente, não verificou desconformidade na codificação.

O ex-diretor do Serviço de Dermatologia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, explicou ainda que o objetivo da cirurgia extra é reter médicos recém-especialistas no Serviço Nacional de Saúde, evitando que estes profissionais optem por sair para o setor privado. Sublinhou ainda que a produção adicional é uma prática comum e necessária para dar resposta às listas de espera e garantir a continuidade dos cuidados dos doentes. Para esta manhã, estava também prevista a audição do dermatologista Miguel Alpalhão, mas o médico recusou comparecer na Comissão de Saúde da Assembleia da República.

E o governo vai reforçar o setor da ciência com mais de € 50 milhões do plano de recuperação e resiliência. O anúncio feito pela Secretária de Estado da Ciência e Inovação.

O objetivo da tutela é oferecer mais condições a quem trabalha no ramo científico e melhorar a notoriedade desta área no país. O governo vai rever a Lei da Ciência e vai estruturar a Fundação para a Ciência e Tecnologia para aumentar a capacidade de resposta e aos € 110 milhões já investidos no início deste ano nos centros de investigação científica, Helena Canhão diz que vai juntar-se mais esse apoio.

Vamos aumentar em mais € 50 milhões a dotação do PRR para as infraestruturas científicas e a FCT vai abrir uma call em breve dirigida às unidades de investigação que tiveram classificação de muito bom e excelente para este fim e para aumentar esta dotação.

Declarações de Helena Canhão na Conferência Ciência Viva, organizada pela Nova SBE, em Carcavelos, um evento onde vai marcar presença também o ministro da Educação. O governo quer desenvolver um plano estratégico a ser discutido para melhorar as condições da comunidade científica do país.

São declarações da Secretária de Estado, ao mesmo tempo que decorria à porta desta faculdade uma manifestação por mais investimento na ciência.

Vários sindicatos e associações de educação pedem melhores condições para os bolseiros, exigem mais respeito por parte do governo para com o setor que dizem estar maltratado. Isto numa altura em que se sabe também que a FCT decidiu terminar com o prolongamento das bolsas de investigação. O coordenador da FENPROF, Tiago Dias, explica que vai ser pedida uma reunião para avaliar os riscos desta decisão.

O que vamos fazer é pedir uma reunião à FCT para debater este assunto. Tivemos a oportunidade de debater com a FCT em dezembro ou janeiro, já não estou certo da data, sobre questões relacionadas com o atraso dos concursos, o atraso na atribuição das bolsas, a forma de financiamento, o que é que iria acontecer. Foi tudo um período de muita instabilidade e disseram-nos que por esta altura já tudo se saberia. E, portanto, queremos também discutir com a FCT esse problema que agora veio a público.

Declarações de Tiago Dias, da FENPROF, aos jornalistas à porta da Nova SBE, em Carcavelos. As associações e sindicatos envolvidos nesta manifestação dizem que receberam indicações de que o governo está disponível para dialogar, mas não há ainda qualquer reunião marcada.

E agora com nove minutos para lá do meio-dia. Luís, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

O PSD aceitou abrir um período de audições a realizar até o fim da terceira semana de setembro, antes da votação na especialidade e final global do diploma do governo, que altera a lei da nacionalidade. A posição foi transmitida pelo deputado social-democrata António Rodrigues, numa reunião da Comissão de Assuntos Constitucionais. No entanto, o dirigente da bancada social-democrata também avisa que não aceitaria que esse período de audições se prolongue de forma excessiva. Quanto à lei de estrangeiros, o Bloco de Esquerda forçou, através de um requerimento potestativo, o adiamento das votações da especialidade da proposta do governo. Neste caso, PSD, CDS e Chico reprovaram um conjunto de audições com entidades proposto pelos partidos da esquerda. Já só tem uma frente ativa o incêndio que deflagrou ao início da tarde de ontem na região de Cinfães, distrito de Viseu. No local estão 155 operacionais, apoiados por 44 viaturas e três meios aéreos. A Proteção Civil adiantou na última hora à Rádio Observador que o fogo atinge uma zona de mato de difícil acesso. Não há habitações em risco. O investimento na reciclagem de embalagens subiu 76% no primeiro semestre do ano para € 95 milhões. Apesar disso, o aumento da recolha seletiva foi de apenas 2% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o comunicado da Sociedade Ponto Verde, foram recolhidas e enviadas para reciclagem mais de 230 mil toneladas deste tipo de resíduos, valor que fica muito longe do esperado. A este ritmo, Portugal ficará longe de cumprir as metas de reciclagem. Até o final do ano, o país tem de garantir a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado.

E é o ponto final no jornal do meio-dia, edição do jornalista Luís Soares. Já a seguir temos a história do dia. Até já, Luís.

Até já.