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É o Jornal da Uma da Tarde da Rádio Observador, edição do jornalista Luís Soares. E Luís, o julgamento da Operação Marquês está agora em pausa para almoço. A manhã de hoje ficou marcada por um novo incidente, desta vez a envolver um dos procuradores do Ministério Público.

Foi reproduzida na sessão de hoje uma escuta telefônica de uma conversa entre José Sócrates e Henrique Granadeiro, em que os dois são ouvidos a terem uma conversa informal sobre a vida pessoal de António de Oliveira Salazar. O episódio motivou queixas da parte de vários advogados de defesa e, no final da sessão da parte da manhã, em declarações aos jornalistas, Vasco Maldonado Correia, José Sócrates exigiu que o procurador seja afastado do processo.

Sim, Luís, estamos a falar de um episódio que a defesa do José Sócrates considerou indigno e que motivou vários protestos da defesa do antigo primeiro-ministro, mas também, e de forma até mais veemente, da defesa de Sofia Fava, Zeinal Bava e também de José Paulo Pinto Sousa. Estava a ser reproduzida essa escuta de uma conversa entre José Sócrates e Henrique Granadeiro, quando se ouve o antigo primeiro-ministro fazer referência a uma conversa que teve com Mário Soares e Almeida Santos sobre a vida privada de António de Oliveira Salazar. A escuta foi interrompida depois de vários protestos, ouvia-se murmurinho, alguns risos envergonhados na sala, o que levou vários protestos, e também até a juíza a lamentar o ocorrido. Ora, lá dentro, Sócrates admitiu depois que estava à espera de um pedido de desculpas por parte do tribunal, algo que não ocorreu. Cá fora, acusou o Ministério Público e o procurador Rui Rial de voyeurismo.

E o que é que faz o Ministério Público? Reproduz uma conversa telefônica entre mim e o doutor Henrique Granadeiro para fazer o espetáculo mais indigno de voyeurismo político numa conversa pessoal e para que eu fosse exposto a falar do Mário Soares e do Almeida Santos. Uma coisa horrível. E a minha pergunta é: como é que nos defendemos de um procurador sem escrúpulos? De um procurador que não tem o mínimo respeito pelas outras pessoas, que não tem empatia. E pior do que isso, ele não tem consciência da gravidade do que fez.

Procurador sem escrúpulos, é o que diz José Sócrates. Pede, por isso, que Rui Rial seja afastado do processo. A defesa defende até que esta escuta seja anulada. A juíza ainda não tomou uma decisão sobre o ocorrido. Destaque também, Luís, para uma comparação feita aqui em tribunal por Sócrates em relação a Luís Montenegro. Isto porque quando falava sobre as relações com o grupo Lena, referiu que não se importava de facultar a lista de empresas que foi ajudando ao longo dos anos em que governou, ao contrário do que fez o atual primeiro-ministro recentemente, lista em que o grupo Lena se incluía. Ora, cá fora, Sócrates deu um passo atrás, disse que se tratava apenas de uma piada.

Isso foi uma brincadeira, vocês compreenderam. Isso foi uma brincadeira. Isto é, no caso do doutor Montenegro, ele tinha uma relação laboral com essas empresas, tinha contratos. Eu limitei-me a fazer, a pedido dessas empresas, pedidos para serem recebidos pelos governos, quer da Venezuela, quer da Argélia, quer de Angola. E foram várias empresas que me pediram exatamente o mesmo que pediu a empresa Lena. Mas eu disse: "Expliquei ao tribunal, por amor a Deus, eu não vou agora dizer, 10 anos depois, que essas empresas me pediram, tanto mais que eu não estou autorizado a isso".

Relembro que o Ministério Público suspeita que o grupo Lena tenha corrompido José Sócrates. O antigo primeiro-ministro disse em tribunal que o grupo o apoiou durante um jantar numa campanha eleitoral, não disse quando, nem de que forma ocorreu esse apoio. Entretanto, Luís, foi feita uma pausa para almoço. A sessão retoma por volta das duas da tarde.

Vasco Maldonado Correia em direto, ele que está a acompanhar este julgamento da Operação Marquês, que acaba por decorrer de forma normal esta sessão, em dia de greve do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, uma greve que ronda os 75 a 100%. No entanto, os três procuradores responsáveis por este processo marcaram presença e assim a sessão está a decorrer com normalidade. Há instantes, a Ministra da Justiça garantiu que vai continuar a ajudar no diálogo e contribuir para desatar algum nó perante esta greve dos magistrados do Ministério Público, que hoje iniciou.

Seguimos com as notícias. Mais de 50 pessoas foram detidas no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária de combate à imigração ilegal.

Chama-se Operação Audiência Digital, foi desencadeada pela Polícia Judiciária, investiga a prática de crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e falsidade informática na Grande Lisboa. Em comunicado, a PJ explica que os suspeitos delinearam e concretizaram um plano criminoso através das redes sociais com o intuito de promover a regularização fraudulenta de cidadãos estrangeiros. No total, 55 pessoas foram detidas, vão ser presentes ao Ministério Público. Foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão que permitiram recolher prova de natureza documental e digital muito relevante para o inquérito e ainda para a identificação de outros suspeitos.

E o ex-diretor do Serviço de Dermatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, defende a conduta de Miguel Alpaião e de outros médicos que realizaram cirurgias extra.

Paulo Filipe foi ouvido hoje na Assembleia da República, numa audição pedida pelo CHEGA e também pela Iniciativa Liberal, na Comissão de Saúde, isto na sequência da notícia sobre pagamentos elevados a médicos por cirurgias adicionais e alegadas fraudes na codificação de atos clínicos. O ex-diretor da Dermatologia de Santa Maria garante que os clínicos estão apenas interessados em tratar os doentes e que não têm culpa dos valores atribuídos pela codificação. Paulo Filipe admite, no entanto, que Miguel Alpaião não deveria ter codificado os próprios atos.

Ele foi, de facto, codificador numa fase inicial. Confrontados com isto e com a escassez de codificadores, o conselho de administração Tirou-o de codificador e a codificação foi feita por outros codificadores. Isto foi no início, mas depois foi feita esta mudança de codificador. De qualquer modo, ele não devia ser codificador dos próprios atos que fez, mas a auditoria, que é independente, não verificou desconformidade na codificação.

O ex-diretor de Dermatologia do Hospital de Santa Maria explicou ainda que o objetivo da cirurgia extra é reter médicos recém-especialistas no Serviço Nacional de Saúde, evitando que estes profissionais optem por sair para o setor privado. Sublinhou ainda que a produção adicional é uma prática comum e necessária para dar resposta às listas de espera e garantir a continuidade dos cuidados dos doentes. Para esta manhã estava também prevista a audição do dermatologista Miguel Alpalhão, mas o médico recusou comparecer na Comissão de Saúde da Assembleia da República.

O governo vai reforçar o setor da ciência com mais €50 milhões do plano de recuperação e resiliência. O anúncio foi feito pela Secretária de Estado da Ciência e Inovação.

E o objetivo da tutela é oferecer mais condições a quem trabalhe no ramo científico e melhorar a notoriedade desta área no país. O governo vai rever a lei da ciência e vai estruturar a Fundação para a Ciência e Tecnologia para aumentar a capacidade de resposta e aos €110 milhões já investidos no início do ano nos centros de investigação científica, Helena Canhão diz que vai juntar-se mais um apoio.

Vamos aumentar em mais 50 milhões a dotação do PRR para as infraestruturas científicas e a FCT vai abrir uma call em breve dirigida às unidades de investigação que tiveram classificação de Muito Bom e Excelente para este fim e para aumentar esta dotação.

Declarações de Helena Canhão na conferência Ciência Viva, organizada pela Nova SBE em Carcavelos, onde decorreu ao mesmo tempo também uma manifestação por mais investimento na ciência, manifestação convocada por vários sindicatos e associações de educação que pedem melhores condições para os bolseiros.

E agora, oito minutos para lá de 13h, que outras notícias estão a marcar a atualidade, Luís Soares?

O PSD aceitou abrir um período de audições a realizar até ao fim da terceira semana de setembro, antes da votação na especialidade e final global do diploma do governo que altera a lei da nacionalidade. A posição foi transmitida pelo deputado social-democrata António Rodrigues na reunião da Comissão de Assuntos Constitucionais. Quanto à lei de estrangeiros, o Bloco de Esquerda forçou, através de um requerimento potestativo, o adiamento das votações da especialidade da proposta do governo. Neste caso, PSD, CDS e CHEGA reprovaram as audições pedidas pela esquerda. A sede do partido francês União Nacional, de Marine Le Pen, foi alvo de buscas durante a manhã de hoje a suspeitas de financiamento ilegal de campanhas e manipulação de documentos pra obtenção de mais subsídios públicos. Estas buscas foram feitas no âmbito de uma operação judicial aberta no ano passado e que visa o financiamento ilícito das campanhas deste partido nas legislativas e presidenciais de 2022, assim como as eleições para o Parlamento Europeu do ano passado. Está dominado o incêndio da Paradela, concelho de Cinfães, distrito de Viseu. Fonte do Comando Regional de Tamengai Sousa explica que no local se mantém ainda mais de 150 operacionais, apoiados por 44 viaturas e dois meios aéreos. As chamas deflagraram ao início da tarde de ontem. O fogo chegou a ter três frentes ativas durante a noite. Hoje de manhã restava apenas uma frente que foi dominada por volta do meio-dia.

E assim fechamos o Jornal da Uma, edição do jornalista Luís Soares. Está de regresso já a seguir, porque temos "Justiça Cega", novo episódio.