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Continente. Está a começar o Jornal da Uma com a edição do Miguel Vidare. Miguel, o Presidente da República e o Primeiro-Ministro estão a esta hora em Coimbra, o epicentro das preocupações da Proteção Civil, face ao risco de rebentamento dos diques do rio Mondego.
Preocupação que levou as autoridades a determinarem a evacuação de várias casas situadas em zonas de risco nos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. Mais de 3000 pessoas receberam indicação para deixarem a casa. Luís Montenegro vai encontrar-se, daqui a pouco, com autarcas e responsáveis pela Agência Portuguesa do Ambiente, nas instalações da APA, em Coimbra. É lá que está o jornalista do Observador, Miguel Cordeiro. Miguel, já chegaram o presidente e o primeiro-ministro?
Ainda não chegaram. Devem chegar nos próximos minutos. Está previsto, até isso foi comunicado pelo gabinete do primeiro-ministro, que devem chegar por volta da 13h15 a esta administração da Região Hidrográfica do Centro, que são as instalações da APA. Quando chegarem, vão realizar um briefing, vão inteirar-se da situação. Estão cá membros da Proteção Civil, também autarcas de toda esta região banhada pelo Mondego. Sei que vão estar presentes representantes de Soure, de Cantanhede, de Montemor, de Coimbra, alguns concelhos que aqui vão estar também, juntamente com o primeiro-ministro e com o presidente da República nesse briefing. Logo depois, o presidente da República e o primeiro-ministro vão seguir numa visita à Ponta do Açude. Essa ponta é importante porque é um dos locais onde se mede o caudal do Mondego e os metros cúbicos que passam por segundo. Essa medição é importante para perceber a pressão sobre os diques. Tem estado na casa dos 1850. Os diques conseguem suportar até 2000 m³ por segundo, quando o caudal é medido. Portanto, isso indica que está muito perto do limite. Ainda nesta visita, já por volta das 14h30, o primeiro-ministro e o presidente da República vão passar pelo Pavilhão Multidesportos Mário Mexia. É neste pavilhão que estão idosos de três lares que tiveram de deixar esses edifícios durante a noite. Foram retirados, durante a noite, 95 idosos de lares de São Martinho do Bispo e de Ribeira das Frades. Vão receber esta tarde a visita de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa. Uma visita que vai começar já daqui a pouco e que vamos acompanhar, naturalmente, na Rádio Observador.
Contigo, com a tua ajuda. Miguel Cordeiro é o jornalista do Observador, que está por estas horas no distrito de Coimbra. É um dos distritos em que incide especial preocupação face à subida do nível das águas do Mondego e ao risco de rebentamento dos diques deste rio.
E a ida do primeiro-ministro a Coimbra decorre do adiamento do debate quinzenal, que estava agendado para esta tarde.
Um debate com o primeiro-ministro, um pedido que foi feito inicialmente pela Iniciativa Liberal e aceite por todos os outros partidos com assento parlamentar. Na Assembleia da República, a líder dos liberais, Mariana Leitão, justificou a proposta de adiamento do debate quinzenal com o chefe de Governo com a necessidade de ter o primeiro-ministro no terreno.
É óbvio que aquilo que pretendemos é que o senhor primeiro-ministro e o Governo estejam inteiramente focados e dedicados à gestão dessa crise, ainda para mais agora que o senhor primeiro-ministro acumula também a tutela do Ministério da Administração Interna, para garantir que estão no terreno, junto das populações, ao contrário daquilo que aconteceu há duas semanas e que sabemos bem o que aquelas populações sentiram, o abandono que sentiram na altura e que ainda sentem, o silêncio que sentiram na altura, numa altura de grande aflição, e não queremos de todo que isso se repita agora em Coimbra.
A justificação de Mariana Leitão para este pedido da Iniciativa Liberal para adiar o debate quinzenal com o primeiro-ministro. Já o porta-voz do Livre, Rui Tavares, apesar de ter concordado com o adiamento, sublinha que Luís Montenegro deve prestar esclarecimentos à Assembleia da República.
Seria um disparate total adiar para a próxima semana. O primeiro-ministro tem que vir aqui o quanto antes, estão coisas a acontecer no país e tem que dar explicações aqui. O primeiro-ministro não drena ribeiras nem vai segurar muros de contenção. Nós temos que parar com esta ideia de que deixar o Luís trabalhar é o Luís estar algures no país. Trabalha aqui, a residência oficial é aqui ao lado. Aliás, se o adiamento fosse mais do que 24 ou 36 horas, o Livre não teria dado a anuência, porque isto não é desculpa para não vir fazer o trabalho de casa ou não vir fazer o exame. O exame tem que se fazer à mesma e é esta semana.
Rui Tavares, o líder do Livre, a pedir a presença do Primeiro-Ministro na Assembleia da República esta semana, pese embora o partido ter concordado com o pedido para adiar o debate quinzenal com o chefe de Governo.
São as consequências do mau tempo, que se fazem sentir um pouco por todo o país. Na margem sul do Tejo, aqui às portas de Lisboa, na Costa de Caparica, município de Almada, 47 pessoas foram retiradas de casa esta madrugada devido a um deslizamento de terras.
Sim, pessoas que vivem em prédios junto à riba, onde ocorreu um deslizamento de terras por causa do mau tempo Não há vítimas, mas os residentes foram retirados por precaução, encaminhados para equipamentos da autarquia e para casas de familiares. O alerta foi dado às 3:00 da manhã. As autoridades estão no local a avaliar os danos para saber, por exemplo, quando será possível a estes moradores regressarem a casa.
Ainda em Almada, a Proteção Civil alerta que a zona baixa de Porto Brandão tem que ser evacuada.
Sim, em declarações aos jornalistas há pouco, a vereadora com o pelouro da Proteção Civil de Almada explica que o problema está na zona superior, em Azenhaga dos Vinhos, e que o risco está a aumentar. É isso que diz Francisca Parreira.
A área e o perímetro em risco têm vindo a aumentar, porque o problema está na face superior ou na parte superior, na Azenhaga dos Formosinhos. Temos vindo a avaliar paulatinamente com os nossos técnicos a área que está neste momento em risco e a parte de baixo do Porto Brandão, onde nos encontramos, precisa neste momento, por uma questão de segurança e prevenção, ser evacuada.
Francisca Parreira, a vereadora da Câmara Municipal de Almada com o pelouro da Proteção Civil, sobre esta necessidade de evacuar várias residências situadas na zona baixa de Porto Brandão.
E Miguel, pelo município de Arruda dos Vinhos anda a esta hora o secretário-geral do PS.
Sim, José Luís Carneiro visita um dos municípios especialmente atingidos pelo mau tempo. Uma visita que está a ser acompanhada pelo jornalista do Observador, João Gama. João, José Luís Carneiro falou há instantes com vocês para vos dizer o quê?
Para deixar algumas propostas ao primeiro-ministro. É a segunda vez, Miguel, que José Luís Carneiro insiste na necessidade de o governo estender o estado de calamidade e alargá-lo para alguns municípios, como é o caso aqui da Arruda dos Vinhos. Nós estivemos a visitar algumas das localidades mais afetadas pela Depressão Leonardo, pela passagem do mau tempo. Estradas completamente destruídas, desabamentos, militares, membros da Força Aérea que estão neste momento no terreno a trabalhar para repor a normalidade o quanto possível. Mas José Luís Carneiro insiste que não é suficiente e, por isso, propõe ao governo que estenda o estado de calamidade. Já o tinha feito. Diz que é um estado de exceção que deve estar em vigor durante três meses. Já quanto ao adiamento do debate quinzenal, que teve a anuência do Partido Socialista, José Luís Carneiro diz que o Parlamento deve continuar a funcionar, mas agora é tempo de dar espaço ao Luís para o Luís trabalhar.
Como sabe, mesmo no decurso da pandemia e do estado de emergência, o Parlamento continuou a funcionar. A democracia continua a funcionar e é o Parlamento que faz o escrutínio do governo. Essa é uma das suas funções primordiais. E o Parlamento deve continuar a funcionar. Mas é evidente que também ninguém compreenderia que numa altura em que se está a falar da salvaguarda da vida das pessoas, situações de emergência crítica, que estivéssemos a limitar a responsabilidade do primeiro-ministro, quando ele ainda por cima assumiu a responsabilidade da administração interna diretamente. E, portanto, temos de dar também espaço ao primeiro-ministro para fazer aquilo que deve fazer, que é mobilizar todos os meios do Estado.
José Luís Carneiro, que diz que foi contactado por Marcelo Rebelo de Sousa numa tentativa do Presidente da República fazer uma ponte entre governo, oposição e autarquias, na sequência do mau tempo que afetou Portugal continental e quanto à admissão de Maria Lúcia Amaral, já tinha comentado ontem, diz agora que José Luís Carneiro nunca deixaria o cargo de Ministro da Administração Interna vazio durante algum tempo, em caso de uma exoneração.
Posso é dizer-lhe uma coisa: quando eu formar o meu governo, posso dizer-lhe que terei sempre, pelo menos, duas ou três alternativas para quando tiver de exonerar um, tenha logo de alternativa uma personalidade com o mesmo perfil ou com melhor perfil de quem é exonerado de funções.
A visita do secretário-geral do PS já acabou. Ficam apenas, Miguel, os efeitos da passagem do mau tempo.
João Gama, jornalista do Observador, a acompanhar esta visita de José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, ao Conselho de Arruda dos Vinhos, e pronunciou-se, como acabamos de ouvir, sobre a decisão da ministra da Administração Interna, que pediu para deixar o governo, um pedido aceito pelo primeiro-ministro e também pelo presidente da República. Um dos nomes que tem sido apontado como eventual sucessor é o atual ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que foi há instantes, aí na Assembleia da República, Miguel Viterbo Dias, agora aqui em direto, confrontado com essa mesma possibilidade.
Sim, mas a chutar para canto sobre a remodelação no Executivo de Luís Montenegro. António Leitão Amaro esteve a responder aos deputados na Comissão de Assuntos Constitucionais. Respondeu também a perguntas sobre a gestão do governo a esta crise. Garantiu, por exemplo, que desde a primeira hora todo o Executivo esteve bem coordenado, afastando assim as críticas que ouviu nos últimos dias e, à saída, sobre se estaria disponível para mudar de pasta ou se o facto de não ter colega da Administração Interna estaria a prejudicar o Executivo. Disse apenas que o governo está preocupado em ajudar as populações.
Exatamente. O momento é nos unirmos para socorrer, apoiar, prevenir e lançar a recuperação. Tudo o resto é secundário. E posso lhe garantir que todo o governo, todo o Estado, os mais de 35 mil operacionais que estão no terreno estão mobilizados para responder na medida do necessário. Muito obrigado.
António Leitão Amaro, nome que já foi apontado à pasta da Administração Interna, embora o Observador tenha adiantado já esta madrugada que essa hipótese acabou por cair na cabeça de Luís Montenegro. Ainda assim, a chutar para canto esta matéria sobre uma eventual remodelação governativa e uma eventual mudança de pasta, diz apenas que o governo está concentrado em responder aos problemas do agora.
Miguel Viterbo Dias, jornalista do Observador, no Parlamento com estas declarações de António Leitão Amaro, ministro da Presidência, que afasta a possibilidade de suceder à demissionária ministra da Administração Interna. Entretanto, dar-lhe conta que o primeiro-ministro e o Presidente da República já estão nas instalações da APA, onde vão reunir com autarquia e também com técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente.