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Tarde, vamos às notícias.

Jornal da Uma, com edição do Miguel Viterbo Dias. Os diretores escolares adiantam que as notas estão a ser atualizadas e o número de provas suspensas está a diminuir.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas confirma que há várias escolas a receber atualizações de notas que antes se encontravam suspensas. Filinto Lima admite que o assunto possa não ficar resolvido hoje, mas diz que o Júri Nacional de Exames está a tentar diminuir o número de alunos nesta situação.

Estão a enviar para as escolas outros ficheiros, talvez mais completos, onde esse número suspenso está a diminuir. O que eu penso? Que o Júri Nacional de Exames está a fugir em algumas situações e está a diminuir o número do suspenso, que está em muitas pautas.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas relembra que há muitos alunos que podem ir à segunda fase sem saberem as classificações finais das provas. Sobre os exames do nono ano, que acabaram por não ser divulgadas as notas ontem, tal como inicialmente previsto, Filinto Lima diz que há a possibilidade da segunda fase vir a ser adiada.

Atenção que o que diz o comunicado que nós recebemos nas escolas depois das 19h, aliás, veio o comunicado antes das 19h, não diz que é na segunda-feira, diz que é no início da semana. O que eles dizem é que os ficheiros do nono ano chegarão às escolas no início da semana. Nós terça-feira temos logo uma prova final, penso que é de Português ou de Matemática, não me recordo, mas temos logo uma prova final. Se calhar, eventualmente, essa prova final, que está agendada para terça-feira, vai ter que ser adiada.

Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, à Rádio Observador.

Já a FENPROF considera que o processo de classificação dos exames ainda está comprometido e volta a deixar críticas ao ministro da Educação.

Num comunicado divulgado esta manhã, a Federação de Sindicatos começa por criticar as declarações de Fernando Alexandre ontem à SIC. O ministro disse que como era um dia excepcional, a comunidade escolar teria que trabalhar até mais tarde para garantir a divulgação das notas e a afixação das classificações nas escolas. Hoje a FENPROF responde, diz que os funcionários das escolas não são obrigados a trabalhar à noite, nem ao fim de semana, a não ser que sejam expressamente convocados e nos termos da lei. Por isso, a FENPROF diz que Fernando Alexandre teve declarações que são um verdadeiro caso de estudo e acusa o governo de transformar o processo de correção dos exames num exemplo de improvisação, desorganização e desconfiança. Já ontem à noite, o presidente da República admitiu que o processo de avaliação dos exames nacionais não correu bem e pede uma rápida resolução dos problemas.

Para o líder do PS, é Luís Montenegro o principal responsável pelos problemas.

José Luís Carneiro diz que há apenas uma pessoa a responsabilizar pelo atraso no lançamento das notas, o primeiro-ministro, na medida em que, para o líder do PS, o ministro da Educação já não assume responsabilidades.

Isto só tem um responsável, o primeiro responsável por ter avançado de forma imprudente para este processo é o primeiro-ministro, na medida em que o ministro da Educação não assume qualquer responsabilidade. Não o fez na Assembleia da República, não o fez no debate parlamentar e julgo que até por vezes parece cantar vitória com um processo que foi mal sucedido, mas pelo fato de conseguirmos chegar ao fim, o alívio é de tal ordem que parece que se chegou ao fim em condições.

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, esta manhã em Fafe. O líder socialista que desafia o governo a divulgar quantos exames têm a nota suspensa.

Já a líder da Iniciativa Liberal acusa o ministro da Educação de teimosia e incompetência.

A Iniciativa Liberal, que já pediu a Luís Montenegro a avaliação das condições políticas de Fernando Alexandre esta semana. Esta manhã, Mariana Leitão diz que o ministro avançou com o processo de digitalização das provas sem garantias e acusa o ministro de não assumir responsabilidades.

Está a haver aqui uma certa teimosia por parte do senhor ministro da Educação, que tem sido gritante ao longo de todo este processo, não só na insistência em escalar o processo sem ter a garantia de que as falhas que tinham sido identificadas no projeto-piloto estavam resolvidas, quando começou a disparar culpas para todos os lados, não assumindo a sua própria responsabilidade, porque em última instância é sempre ele o responsável. Neste processo todo, é óbvio que houve muita incompetência. É óbvio, é notório, e houve inclusivamente falhas identificadas que não foram corrigidas. Não há outro nome para isso do que incompetência, e isso tem que ser dito.

A líder da Iniciativa Liberal esta manhã em Coimbra. Apesar de Mariana Leitão reconhecer o esforço do governo, para a líder da IL a falta de esclarecimentos aos alunos também fala mais alto. Já o deputado do Bloco de Esquerda, Fabián Figueiredo, insistiu esta manhã na demissão do ministro e num pedido de desculpas por parte do governo.

A ministra do Ambiente garante que há uma evolução dos acessos públicos e estacionamento nas praias de Grândola.

Maria da Graça Carvalho realizou uma visita a seis praias do concelho, depois de há um ano ter ordenado uma fiscalização aos acessos. No final da visita, a ministra diz que há uma evolução no acesso a estes locais.

Vários que nós visitamos têm os parques em construção já quase terminados, o caminho, e portanto há muita evolução no sentido de cumprirem o que nós dissemos, que é parque de estacionamento e acesso, e depois o apoio de praia, ser um apoio de praia de acesso público. Portanto, são as três condições e tirando esta de Fontainhas Galé, está tudo ou feito ou a ser feito.

Maria da Graça Carvalho, que dá apenas nota de uma praia na qual ainda não existe um acesso público na Galé Fontainhas.

Na Venezuela, o número de mortos após os dois sismos que afetaram o país continua a subir. São mais de 5 mil vítimas, com o país a enfrentar agora o desafio da reconstrução.

E há muitos problemas além da remoção de corpos que ainda decorre nas zonas afetadas. Os sismos resultaram na destruição de mais de 60 mil casas. Há milhares de pessoas desalojadas sem apoio e a lutar contra condições sanitárias que estão a degradar-se. A ajuda internacional existe, mas é insuficiente. É isso que conta a coordenadora dos Médicos Sem Fronteiras à conversa com o jornalista José Rafael Lopes.

Alima Husseini está nos Médicos Sem Fronteiras há 17 anos. Diz que nunca viu uma situação como a que afetou a Venezuela.

É um cenário de guerra completamente. Desde a entrada do estado de La Guaira, já vemos pessoas em tendas, em carpas pequenas, mas é muito desolador ver o que se encontra nas ruas. Ainda há muitas pessoas que estão procurando por seus entes debaixo dos escombros.

O relato chega numa altura em que continuam a ser retirados corpos dos escombros nas zonas mais afetadas. Pelos mortos não há muito a fazer, os vivos têm uma árdua batalha pela frente.

As pessoas têm medo, as pessoas estão vigilantes, estão em alerta. Nem todo mundo consegue dormir, nem todo mundo consegue trabalhar direito. Todos sofreram muito, todos foram afetados de alguma maneira.

E há mesmo quem apenas procure um pouco de paz.

Nesse momento já não se encontraria mais pessoas com vida. Então eles estão procurando mais retirar os corpos, é retirada de corpos, para que as pessoas possam encerrar um ciclo e poder fazer o luto delas.

A degradação dos corpos das vítimas aumenta o risco sanitário. Há relatos já de problemas entre a população. O risco de epidemias cresce e é difícil ser contrariado com os meios disponíveis na Venezuela.

Como eles não têm água, eles não têm onde utilizar banhos, essas coisas, estão muito mais afetados e o risco é muito maior. Pode haver enfermidades como dengue, zika.

O horizonte é de reconstrução, mas ainda está longe, sobretudo devido às mais de 60 mil casas que foram destruídas. Muitos dormem ao relento.

Há muitos prédios que foram interditados por falta de estrutura e de base, que não sabemos se vão ser demolidos ou se vão cair. Então muitas pessoas ainda estão nesses campos, nesses abrigos, a céu aberto.

Ainda assim, a esperança mantém-se.

A população venezuelana mostrou um nível de solidariedade muito grande nessas últimas três semanas. Estamos vivendo um dia de cada vez, como se diz.

O relato de Alima Husseini, a coordenadora médica dos Médicos Sem Fronteiras na Venezuela, no país desde fevereiro, e sem certezas quando vai poder regressar a uma vida normal.

Trabalho dos jornalistas José Rafael Lopes, na Venezuela, em que morreram mais de 5 mil pessoas em dois sismos, entre elas 120 portugueses e lusodescendentes.

Fechamos assim esta edição da "Uma da tarde" com Miguel Viterbo Dias.