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Ora é uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, na Rádio Observador, com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, em destaque as queimas e queimadas, que são a principal causa dos incêndios florestais em Portugal. São dados do mais recente relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

É uma contabilização feita até 15 de agosto, passado sábado. As queimas e queimadas representam 37% das causas dos fogos investigados. Em segundo lugar, surge o incendiarismo, responsável por 17% dos incêndios que foram analisados. De acordo com este estudo, nesses dados ainda provisórios, desde o início do ano foram registados quase 6,4 mil incêndios rurais. A área ardida já supera os 56 mil hectares. Até 15 de agosto, o distrito com mais incêndios rurais foi o do Porto, com mais de 950 fogos. Depois, surgem os distritos de Braga, com 610, e de Vila Real, com quase 560. O distrito com a maior área ardida é Vila Real, concentra cerca de 24% da área ardida total até 15 de agosto. Ao todo, são mais de 13,5 mil hectares consumidos pelas chamas, sendo que de todos estes incêndios, 37% são causados por queimas e queimadas e 17% por incendiarismo.

E Miguel, são 13 os grandes incêndios ativos a esta hora em Portugal. Na Arouca, já arderam mais de 700 hectares.

Esta é uma estimativa da Câmara Municipal de Arouca. O fogo começou em Busgedim, na freguesia de Moldes, na noite de segunda-feira. Segue com três frentes ativas, uma na zona de Telhe e Covelo de Paivó, outra junto a Rio de Frades, Cabreiros e Tebilhão, e uma terceira no Candal, já no concelho vizinho de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu. À Agência Lusa, a autarquia garante que neste momento não há aldeias em perigo. Ainda assim, por precaução, os meios mantêm-se pré-posicionados nestas localidades. Esta noite, neste incêndio, quatro bombeiros ficaram feridos devido a um despiste com um veículo de combate a incêndios. Três estão em estado grave, um é um ferido ligeiro. Foram todos transportados para o Hospital de Santa Maria da Feira. Estão no terreno, no combate a este incêndio, 520 operacionais e nove meios aéreos. Um dispositivo semelhante está mobilizado em Torre de Moncorvo, outro fogo que tem gerado preocupações desde o fim de semana. Alastrou-se para Carrazeda de Ansiães, segue com duas frentes ativas, tem no combate às chamas, nove meios aéreos e 530 operacionais.

Já em Santo Tirso, a noite foi marcada pela humidade. O fogo segue, no entanto, com duas frentes ativas, Miguel.

E essa humidade está a ajudar os operacionais a combater as reativações deste incêndio. O objetivo é consolidar as frentes. Isto explicado por Vítor Pinto, dos Bombeiros Voluntários Tirsenses.

Foi bastante húmida, felizmente. Tivemos 100% de humidade, tivemos nevoeiro durante toda a noite. Temos humidade nos combustíveis, o que em caso de reativação, a rapidez das projeções não é tão elevada. Mas aquilo que está a arder vai continuar a arder. Esta humidade não afeta. Só em nova reativação, a reativação irá ser um pouquinho mais lenta, pelo menos aqui durante a manhã. Iremos continuar com trabalhos de tentar consolidar as duas frentes que ainda temos com atividade.

A humidade e a descida das temperaturas nas próximas horas pode ajudar no combate às chamas.

E numa altura em que várias centenas de bombeiros combatem os incêndios, Miguel, a Liga Portuguesa de Bombeiros Portugueses revela que desde o início do ano, cerca de 270 já ficaram feridos.

Este número é avançado pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes. Admite que aumentou este ano o valor de operacionais feridos, mas aumentou também o número de ocorrências.

Até ao momento, a Liga dos Bombeiros Portugueses tem conhecimento de cerca de 270 bombeiros, desde o dia 1 de janeiro até agora, que estiveram envolvidos nesta situação de serem considerados feridos nos teatros de operações. É um número que está, porventura, com algum crescimento, mas isso tem a ver com o número de intervenções.

As declarações de António Nunes à Agência Lusa acrescenta que há aqui dois tipos de situações: bombeiros que ficaram acidentados durante o combate direto às chamas e operacionais que ficaram feridos em acidentes de viação, que acontecem durante operações de combate, como aconteceu, por exemplo, na última noite em Arouca.

E Portugal precisa de criar um fundo para catástrofes naturais. Esta é uma recomendação da Provedoria de Justiça, depois de ter analisado a resposta do Estado aos danos na sequência da tempestade Cristina.

Esta sugestão é feita depois de identificar um conjunto relevante de constrangimentos nesses apoios criados aquando da tempestade Cristina. A Provedoria de Justiça revelou as conclusões de um estudo sobre a resposta às intempéries em Portugal e avança já com várias propostas para Portugal estar mais preparado e para mitigar os problemas nestas situações. São no total 25 recomendações da Provedoria de Justiça. Ricardo Lopes, vamos às principais propostas.

O principal destaque vai mesmo para a criação de um fundo para catástrofes naturais. Esse fundo deve incluir um sistema de seguros obrigatórios para casas e infraestruturas empresariais. Neste tópico, para as famílias em situações mais vulneráveis, a Provedoria defende também o apoio público no acesso a esses seguros. Ainda sobre os seguros, diz que é necessário clarificar a articulação entre indenizações de seguros e apoios públicos. É também apontada a necessidade de criar um regime-quadro nacional para situações de calamidade. Isto é, para que no futuro, as regras e os apoios estejam definidos previamente e para que exista um modelo de governação claro, que identifique as responsabilidades e funções de cada entidade. Além disso, Miguel, e tendo em conta as lições retiradas desta experiência com a tempestade Cristina, é preciso harmonizar o processo dos apoios nestas situações. A Provedoria de Justiça diz que o ideal seria mesmo criar uma plataforma digital única de gestão de calamidades, que centralize os procedimentos e facilite a gestão dos pedidos de apoio. Por fim, dar nota que é preciso também

Recomenda-se garantir mais recursos humanos e técnicos, por exemplo, nas áreas da engenharia e arquitetura, áreas muito importantes para avaliar os danos e começar a reconstrução.

Recomendações divulgadas hoje com a Provedoria de Justiça a juntar-se às vozes que pedem a criação de um fundo para catástrofes naturais.

E o Banco Central Europeu diz que o modelo de crescimento europeu está corroído e a instituição defende a aposta na inteligência artificial.

Este alerta foi deixado hoje pela presidente do BCE, Christine Lagarde. Falou no Fórum Econômico Mundial, em Genebra. Explica que a Europa ficou à margem da primeira revolução digital e que essa experiência não pode ser repetida com esta nova revolução digital protagonizada pela inteligência artificial. A presidente do BCE destaca os pontos fortes da Europa, como a capacidade de produção e a mão de obra altamente qualificada. Lagarde defende que o desafio nesta altura é transformar esses fatores positivos numa fonte de crescimento mais duradoura e de longo prazo. Para a responsável do Banco Central Europeu, é necessário um investimento mais eficaz na inovação e na produção para que as empresas da União Europeia possam crescer e tirar partido das novas tecnologias. A fragmentação do mercado único e dos mercados de capitais são os principais obstáculos a ultrapassar, de acordo com a presidente do Banco Central Europeu.

Uma hora e sete minutos. Miguel Queiroz, notícias vão marcando a atualidade esta quarta-feira.

Um mergulhador profissional desapareceu esta manhã durante os trabalhos de reparação de um casco de um navio na Lisnave, em Setúbal. O alerta foi dado às autoridades por volta das 10h por outros elementos da equipe de mergulhadores. Para o local, já foram mobilizados meios da Polícia Marítima, uma embarcação da Estação Salvavidas de Sesimbra e também um helicóptero da Força Aérea. As buscas continuam com o apoio de uma equipe de mergulhadores forenses da PJ. O Colégio Salesianos de Lisboa diz que as pessoas hospitalizadas por suspeita de intoxicação alimentar não são alunos da instituição. Esta informação foi transmitida através de um comunicado no site desta escola. Em causa, 32 pessoas que se sentiram mal nas instalações do Colégio Salesianos de Lisboa, tendo sido hospitalizadas durante a madrugada desta quarta-feira. O colégio revela que as pessoas assistidas integravam um grupo proveniente de França, que se encontra temporariamente alojado nas instalações. O comunicado avança também que a alimentação é da responsabilidade do próprio grupo, e que as refeições não são preparadas, fornecidas, nem supervisionadas pelos Salesianos de Lisboa. O colégio lamenta esta situação. O Livre pediu hoje a audição urgente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal. Em causa, a suspensão das interrupções voluntárias da gravidez no Hospital Garcia de Orta. O partido considera que as notícias recentes levantam questões relevantes. Com esta audição, o Livre pretende perceber a solução adotada e saber uma previsão para a retoma da realização destes procedimentos. Sobre o mesmo tema, o Bloco de Esquerda pediu ontem a audição parlamentar urgente da ministra da Saúde, Ana Paula Martins. O Irão está a ponderar atacar alvos militares na Europa se a administração Trump intensificar a guerra. A notícia é avançada pelo jornal britânico Financial Times. Entre os possíveis alvos estão instalações militares na Bulgária, onde o governo local aprovou a utilização de uma base para reabastecimento de aviões norte-americanos. O Irão pode também atacar instalações militares no Chipre, onde uma base aérea britânica foi recentemente atingida por drones. Para fechar, o Parlamento ucraniano aprovou a nomeação do novo ministro da Defesa, Yevhenii Kyrma. Yevhenii Kyrma ocupa o cargo de forma interina desde julho, após a demissão de Mykhailo Fedorov, na sequência de remodelações no governo que foram promovidas por Zelensky. O novo ministro da Defesa promete continuar a aposta no desenvolvimento tecnológico, e também reforçar o armamento e avançar com ataques mais precisos contra a Rússia. A aprovação não foi unânime. Os deputados da oposição exigiram explicações a Zelensky sobre as qualificações do novo ministro da Defesa. Ainda durante o dia de hoje, o presidente ucraniano demitiu também a vice-chefe do gabinete, Iryna Mudra. De acordo com a televisão pública ucraniana, Iryna Mudra está a ser investigada por suspeitas de corrupção no âmbito de uma operação para expor uma organização criminosa que atuava com a liderança de deputados ucranianos e com a participação de funcionários do gabinete da presidência da Ucrânia.