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Jornal das três com Miguel Videira. Miguel, terminou há pouco o Congresso do LIVRE. O discurso de encerramento do porta-voz do partido, Rui Tavares, teve como alvo preferencial Luís Montenegro.
Uma intervenção muito centrada nas dúvidas em torno da empresa familiar do presidente do PSD, a Spinom Viva. Rui Tavares pegou no hino de campanha da AD com a letra "Deixa o Luís trabalhar" para dar forma às críticas.
Deixemos o Luís trabalhar, mas o Luís tem que decidir em que é que quer trabalhar. Nós não nos importamos que ele trabalhe como consultor, que ele trabalhe como lobista, que ele trabalhe como advogado de negócios, mas que não o faça enquanto primeiro-ministro, que não haja nenhuma possibilidade de haver a mínima dúvida que isso pode ser feito enquanto primeiro-ministro. É preciso saber para quem é que o Luís trabalha.
Rui Tavares pegou ainda nas explicações ontem dadas por Luís Montenegro sobre a notícia do semanário Expresso, que dá conta que a gasolineira de Braga, que é também um dos principais clientes da Spinom Viva, é um dos principais financiadores do PSD. Montenegro negou, embora tenha admitido que alguns membros da família que detêm a gasolineira possam ter feito contribuições a título individual.
Luís Montenegro tinha razão numa coisa: a empresa não financiou diretamente o PSD, isso seria crime. Mas as pessoas na esfera familiar, por amor de Deus, se isto não é um esquema, façam parecer isto menos um esquema e se calhar não parece menos, porque não há maneira de o fazer parecer menos. Luís Montenegro acha que isto é normal. Hugo Soares acha que isto é normal. O PSD acha que é normal e o CDS acha que é normal e a Iniciativa Liberal também parece que acha que é normal. Nós não achamos que seja normal. Nós queremos um país em que normal sejam outras coisas. Nós acreditamos que a maior parte do país não quer que isto seja normal em Portugal.
Rui Tavares, o porta-voz do LIVRE durante o discurso de encerramento do congresso do partido este fim de semana, que serviu para aprovar o programa eleitoral com que o LIVRE se apresenta às eleições do próximo dia 18 de maio.
Pelo Bloco de Esquerda, sim, já a CDU manifesta algumas reservas. Esta manhã aqui na rádio, José Gusmão e João Oliveira abordaram a possibilidade de entendimentos à esquerda no pós-eleições.
E pelo Bloco, José Gusmão não afasta esse cenário.
Nós daremos o nosso contributo para isso. Ou seja, o objetivo da nossa campanha é reforçar a nossa capacidade de pressão e a nossa força política, isso é fundamental. E ao fazer isto, estamos também a contribuir para que exista uma maioria de esquerda na Assembleia da República.
José Gusmão deixa a este propósito um aviso ao PS e à estratégia que tem sido seguida por Pedro Nuno Santos.
Pedro Santos quer transformar isto numa corrida para o primeiro lugar. Mas o primeiro lugar pode não lhe servir de grande coisa se o PSD depois vier a fazer um acordo com a extrema-direita.
Este é um reparo também feito por João Oliveira do PCP. De resto, o eurodeputado tem dúvidas que o Partido Socialista esteja, de facto, interessado num acordo à esquerda.
Já toda a gente percebeu que a tática do PS é encostar-se ao PSD. O PS está à espera de que, depois das eleições, possa ter o troco daquilo que fez ao PSD, e que o PSD possa deixar o PS governar. Uma solução desse tipo não serve a ninguém. Por quê? Porque isso, na prática, significa a continuação da mesma política com protagonistas diferentes.
Motivo que leva João Oliveira a considerar difícil um entendimento no pós-eleições agendadas para 18 de maio.
Não houve tempo. O antigo diretor executivo do SNS e cabeça de lista do PS pelo Porto considera que a reforma do Serviço Nacional de Saúde, promovida pelo governo socialista de António Costa, não devia ter sido interrompida pelo governo da AD.
Era preciso mais tempo para avaliar as virtuosidades ou falhas do caminho proposto, defende Fernando Araújo.
A reforma, que é uma reforma complexa e exigente, estava a ser executada de acordo com o cronograma que tínhamos decidido e estava alinhada com esse cronograma. E foi numa fase inicial dessa reforma que tudo foi colocado em causa e que tudo foi revertido, criando um clima de desconfiança e desorientação dentro do próprio sistema sobre qual era o rumo a tomar, que ainda neste momento não se sabe qual é.
Em entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, Fernando Araújo foi também questionado sobre se vai assumir a pasta da Saúde caso o PS venha a formar governo. É, de resto, o nome que tem sido apontado.
E sou candidato, naturalmente, a deputado. O secretário-geral Pedro Nuno Santos pediu-me para o apoio, em função do meu conhecimento, da minha experiência, em termos de medidas propostas lá da Saúde, é verdade, mas sou candidato à Assembleia da República, exatamente isso.
E no caso de vir a ser Ministro da Saúde, quem será o seu diretor executivo do SNS?
Neste momento estamos empenhados em ganhar eleições e depois será o primeiro-ministro a escolher o Ministro da Saúde. Agora, o que vos posso dizer, e é a minha sugestão que faça o próximo ministro da Saúde do PS, é que não faça como este governo. Quer dizer, ouça as pessoas, avalie o desempenho, analise as propostas e os planos que tinham previstos para implementar e as decisões sejam baseadas na competência, no valor e nunca em questões partidárias ou políticas.
Fernando Araújo diz que para já é apenas candidato a deputado, depois logo se vê.
Vasco Lourenço lamenta a morte do coronel Carlos Marques Gomes.
Um dos capitães de Abril que morreu este domingo aos 78 anos. Outro capitão de Abril, Vasco Lourenço, lembra o companheiro como um dos melhores. Destaca não só o papel que teve no 25 de Abril, mas também o legado deixado na literatura.
A partida do Carlos Marques Gomes, para mim, acima de tudo, é a partida de um grande amigo. Parte um militar de Abril da exceção, um dos melhores de nós. Foi um enorme escritor, para mim, um dos melhores escritores portugueses. Inclusivamente, Portugal perde um dos seus melhores, de maneira que é um dia bastante triste para nós. O país deve homenageá-lo
Vasco Lourenço, entrevistado pela jornalista Maria João Braz, lamenta a morte de Carlos Matos Gomes. O presidente da República também já publicou uma nota de pesar na página da presidência, enaltece a vida de intervenção e diversificada de Carlos Matos Gomes.
Sucedem-se as reações ao ataque russo deste domingo a Sumy, com recurso a mísseis balísticos. O último balanço, Miguel, dá conta de 31 mortos.
Os projéteis atingiram uma zona central e, por isso, mais movimentada desta cidade ucraniana situada no nordeste do país. O governo português já reagiu através da conta da rede social Lex. O gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, condenou o ataque e apela à Rússia que ponha fim às hostilidades e aceite o cessar-fogo, tal como já fez a Ucrânia. O presidente francês Emmanuel Macron já veio dizer que este ataque representa um flagrante desrespeito pela vida humana. E há pouco foi Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, a condenar o ataque, que qualifica como horrível.
Miguel, e hoje também é notícia a cólera em Angola. Foram ultrapassados os 12 mil casos. Já morreram perto de 500 pessoas.
São dados do Ministério da Saúde angolano. Benguela é a zona mais afetada. Esta semana, a Organização Mundial de Saúde manifestava-se profundamente preocupada com a elevada taxa de mortalidade deste surto. O risco de contágio, segundo a OMS, pode agravar-se com a chegada da época das chuvas. Há umas semanas, a União Europeia anunciou um pacote de €200 mil para ajudar as autoridades angolanas a combater o surto de cólera.
E agora, neste jornal, tempo para atualizarmos a informação de âmbito local. Começamos por onde, Miguel?
Odivelas. A estação do metro de Odivelas reabriu hoje ao público pelas 06h30, depois de ontem ter sido encerrada durante a parte da tarde por causa da chuva forte que se fez sentir. E assim está retomada a circulação em toda a linha amarela entre Odivelas e o Rato. O município de Alcobaça vai dinamizar durante o mês de abril um programa de visitas guiadas gratuitas a sete locais do concelho. Fazem parte do percurso visitas a São Martinho do Porto, Alcobaça, Coz, Aljubarrota e Bairro. As visitas decorrem até o próximo dia 21 de abril. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia. O Seixal vai assinalar o dia 25 de abril com concertos de Sérgio Godinho, A Garota Não e Evandro. Os espetáculos vão decorrer no Parque da Quinta dos Franceses. Começam às 21h30 e estendem-se até à madrugada do dia 25. A entrada é gratuita. Em Aveiro, a Associação de Basquetebol deste distrito é a nova campeã nacional de sub-14 masculinos. Derrotou Ógaro na final por 61 a 49. O jogo foi ontem no Pavilhão Desportivo de Albufeira. A equipa distrital não vencia neste escalão desde 2012. Em Vila Nova de Famalicão celebra-se a Semana Santa. A quarta edição do Mercado Páscoa Doce está aberto até às oito da noite, na Alameda Dona Maria II. A partir das 15h30, é possível assistir à quarta edição do Cortejo Bíblico Páscoa Hebraica. Aníbal José Carlos Marques é o novo diretor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico. O docente sucede a Pedro Moroso, que deixa o cargo para assumir as funções de diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física.
E assim fechamos este jornal das 15h aqui na sua Rádio Observador, com a edição do Miguel Videira.